26 novembro 2011 às 06:00
Lançamentos: Coluna de DVD
Uma Mulher sem Amor **
Una Mujer sin Amor
Áudio: Espanhol, inglês. Leg: Português, inglês. Drama. Standard. 85 min. PB. 1952. México. Paragon/Signature. Não informa censura.
Diretor: Luis Buñuel. Elenco: Rosario Granados, Tito Junco, Julio Villareal, Joaquin Cordero e Xavier Loyá.
Sinopse: Rosario é casada com um homem mais velho mas se apaixona por um engenheiro. Planejam fugir, mas o marido fica doente. Anos depois, esse amante deixa uma herança para o filho mais novo dela e é preciso revelar o segredo.
Comentários: Possivelmente este é o pior filme do mestre Buñuel na sua fase de sobrevivência no México. Um melodrama sem pudor que, embora tecnicamente correto, é prejudicado pela interpretação infeliz dos coadjuvantes (em particular os dois canastrões que fazem os filhos).
Inspirado em história do francês Guy de Maupassant, ficou com aquele sabor mexicano. A estrela do filme, a argentina Granados (1925-97), era uma bela mulher e atriz até discreta (teve uma longa carreira de mais de 90 títulos), ela e Buñuel tinham feito juntos El Grand Calavera (49). O diretor considerava este o pior filme de sua carreira. Quem sou eu para discordar?
Meu Reino Minha Vida **
Campbell's Kingdom
Áudio: Inglês. Leg: Português. Drama. Widescreen. 102 min. Cor. 1957. Inglaterra. Ocean. 12 anos.
Diretor: Ralph Thomas. Elenco: Dirk Bogarde, Barbara Murray, Michael Craig, Stanley Baker, James Robertson Justice, Athene Seyler e Finlay Currie.
Sinopse: Quando seu tio morre, um rapaz inglês se muda para o Canadá, nas montanhas rochosas locais, para cuidar das terras do falecido. O jovem topa o desafio mesmo sabendo que sofre de uma doença que deverá matá-lo em breve. Ele acaba se envolvendo em um conflito entre os que exploram uma mina na região e no sonho do tio em descobrir petróleo.
Comentários: Este é um dos filmes da época em que Dirk Bogarde (1921-99) era o maior astro da Inglaterra através de seu estúdio J. Arthur Rank (que também era exibidor).
Baseado em livro de Hammond Ines (Inferno Branco, O Navio Condenado), o filme tem orçamento um pouco maior (embora se passe no Canadá, foi rodado nos Alpes com muitas cenas de ação feitas em estúdio ou em miniatura). Bogarde tem um tipo melancólico, de olhos tristes, que não o categoriza para histórias mais viris como essa onde entra em conflito com o machão Stanley Baker.
O resumo diz bem do que se trata: um conflito inconvincente, uma trama discutível e principalmente um romance improvável (Murray, que não era estrela, mas trabalhou a vida inteira). Mas não vale a pena.
A Lista de Adrian Messenger **
The List of Adrian Messenger
Áudio: Inglês. Leg: Port. Policial /Mistério. Wide. 98 min. PB. 1963. EUA. Lume. Livre.
Diretor: John Huston. Elenco: George C. Scott, Dana Wynter, Kirk Douglas, Tony Curtis, Frank Sinatra, Clive Brook, Herbert Marshall, Burt Lancaster, Robert Mitchum, John Huston, Marcel Dalio, Tony Huston, Gladys Cooper e JohnMerivale (como Adrian).
Sinopse: O famoso escritor inglês Adrian Messenger deixa uma lista de nomes com um amigo pedindo para ele checar quando sai em viagem. Mas o avião em que viaja explode e o amigo percebe que outros da lista também morreram de forma misteriosa e recente.
Comentários: Como se dizia antigamente este é um “divertissement” do diretor John Huston (1906-87), ou seja, o famoso diretor resolveu se divertir fazendo uma aventura policial com a participação especial de vários amigos famosos que, em sua maior parte, estão irreconhecíveis.
Naquela época ele morava na Irlanda (onde rodou as cenas de caça, o resto foi em estúdio). O único que tem um papel mais marcante é Kirk Douglas (o único também ainda vivo). Na verdade há apenas um vilão, mas os outros aparecem um pouco para confundir sendo que no final todos tiram a pesada maquiagem e revelam seus rostos. Aí está justamente a maior piada.
Foi revelado muitos anos depois por Jan Merlin e também Dave Willock (ambos atores coadjuvantes) que Frank Sinatra nunca fez seu personagem, gravou apenas a sequência final onde tira o make up (conhecendo como ele era preguiçoso dá mesmo para acreditar) e o mesmo teria sucedido também com Mitchum e Kirk (Jan usou isso num livro/novela chamado Shooting Montezuma). Se soubesse disso Elizabeth Taylor teria também aceitado o convite (ela não quis sofrer com a maquiagem) de interpretar um marinheiro.
O então pouco conhecido Scott é quem faz o protagonista, um agente do MI5, que vai investigar uma história complicada que envolve ex-agentes da inteligência e prisioneiros de guerra que estiveram envolvidos em campos de concentração e traições durante a Segunda Guerra. A resolução é durante uma caça à raposa em que está envolvido o próprio filho de Huston (o hoje novamente ator Tony Huston, como um sobrinho e filho de uma lady, vivida por Dana Wynter falecida este ano aos 79 anos).
O roteiro é de Anthony Veiler (Mouling Rouge, Os Assassinos, O Estranho de Welles) baseado em história de Philip McDonald (Rebecca, Sahara). O próprio Huston não está creditado como Lord Ashton. Com a história da mentira dos atores até eu fiquei curioso de ver o filme de novo!
Doutor Faustus *
Doctor Faustus
Áudio: Inglês. Leg: Português. Teatro filmado. Wide. 98 min. Cor. 1967. Ingl. Oceano. 12 anos.
Diretor: Richard Burton e Nevil Coghill. Elenco: Richard Burton, Elizabeth Taylor, Ian Mater, Andreas Tauber, David McIntosh e Elizabeth O´Donovan.
Sinopse: Um homem venda a alma ao diabo para ter a mulher que deseja.
Comentários: Pura vaidade! Richard Burton (1925-84) aceitou o convite de um antigo professor de arte dramatic em Oxford para participar de uma encenação da peça The Tragical History of Doctor Faustus, que depois Burton quis transpor para o cinema não apenas como ator, mas também como produtor e co-diretor (junto com seu professor Coghil que, por sinal, aparece justamente como professor).
O texto é do célebre Christopher Marlowe (1564- 1593) que como se viu em Shakespeare Apaixonado era rival de Shakespeare. Morto em briga de taverna por causa de uma conta. Rodado em Roma, ainda por cima resolveram acrescentar no cinema aparições mudas da então mulher de Burton, Elizabeth Taylor (1932-2011) como algumas belezas da história (como Helena de Tróia).
O resultado é patético e quase intolerável, um teatro mau filmado, mal interpretado, com estudantes de Oxford na época como coadjuvantes. Foi o sexto dos onze filmes que eles rodaram juntos e certamente o pior. Quase um home vídeo de casal famoso.
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