29 novembro 2011 às 06:00
Em cartaz: Conspiração Xangai
Conspiração Xangai (Shangai). Diretor: Mikael Hafstrom. Elenco: John Cusack, Gong Li, David Morse, Chow Yun Fat, Franka Potente, Ken Watanabe, Jeffrey Dean Morgan, Hugh Bonneville, Christopher Buchholz, Nicholas Rowe. China, 2010. 105 min.
Para ver como as coisas mudam, eu assisti este filme em versão dublada em chinês (!), embora seja uma co-produção internacional dirigida por um sueco (que faz carreira por toda parte), com elenco igualmente misto (o japonês Watanabe, a alemã Potente, os americanos Morse e Cusack, os chineses Fat e Li). O diretor Hafstrom é o mesmo de O Ritual, Fora de rumo, 1408, A Maldição do Lago. Os produtores ocidentais pareciam ser os ex-donos da Miramax, os Irmãos Weinstein. Mas na verdade eles compraram o filme quando já estava pronto.
O verdadeiro criador do projeto é o executivo Mike Medavoy, o famoso agente foi diretor da United Artists, depois presidente da Tri Star/Columbia e hoje dono da Phoenix. Ele realmente nasceu em Xangai em 1941, de pais judeus russos, viveu por lá de 47 a 57 e por isso tinha interesse pessoal nesta história (que por sinal lembra bastante o filme de Spielberg, O Império do Sol, principalmente na parte final).
O projeto estava pronto para ser rodado no começo de 2008 em Xangai, quando as autoridades chinesas o bloquearam, os sets já haviam sido construídos ao custo de 3 milhões de dólares. Os Weinstein mudaram a locação para Londres e Tailândia, onde tudo foi reconstruído. Foram mais de 8 anos para se concretizarem.
A história se passa em 1941, quando o mundo já estava em guerra e o Japão já ocupava quase toda a China, só faltando Xangai. Cusack faz um espião americano que finge ser repórter para encontrar um amigo agente que foi assassinado. Por isso se envolve na confusão política se aproximando de um diplomata japonês, um gangster chinês, e a mulher deste que também ajuda a Resistência (que estão organizando guerrilha contra o invasor). Naturalmente nada é o que aparenta.
Todo o filme narrado em flashback parcial, é narrado em voz-off pelo protagonista e como, com freqüência acontece em casos assim, o texto se torna redundante e fica tirando conclusões sobre a vida, com pouco senso de humor. Cusack esta especialmente passivo e apático enquanto ao menos Gong Li continua bonita e Chow desperdiçado.
É um filme que parece ter sido todo centrado em cenas noturnas, no que é basicamente um exercício em futilidade. A gente já sabe que os japoneses vão atacar e vai ter um massacre, portando, parece besteira diante da magnitude dos fatos, ficar investigando um mero assassinato de espião. Que é isso quanto todo o mundo vem abaixo (tem cena inclusive onde se fala no ataque a Pearl Harbor como se as notícias corressem assim tão rápidas na época).
Enfim, não é preciso ver, nem era preciso ser feito. Não é um novo Casablanca. Tenho certo que o Mr.Medavoy tem histórias no seu passado mais interessantes e pertinentes.
Atenção: o filme está em cartaz em Vitória no Espírito Santo e suponho que em outros lugares do Brasil (mas não São Paulo).












