20 dezembro 2011 às 06:00
Livros EUA: Life Itself, a Memoir, de Roger Ebert
Livros EUA: Life Itself, a Memoir, de Roger Ebert. Grand Central Publishing. 438 páginas.
Não sei se vocês já ouviram falar em Roger Ebert. Ele é basicamente o mais importante e famoso crítico norte-americano, principalmente porque fez durante muitos anos um programa de televisão sobre estreias de cinema chamado Siskel & Ebert at the Movies (de 86 a 2006, com o parceiro era Gene Siskel, já falecido de câncer).
Eu tentei algumas vezes emplacar esse programa, ou uma versão dele por aqui. São dois críticos falando das estreias de cinema, lançamentos ou livros sempre sobre o assunto.
A ideia é que um seja a favor, outro contra e eles discutam (amigavelmente) e ao final deem uma cotação, a deles era basicamente o thumbs up ou down (como em Gladiador, aprovando ou condenado o filme). Há pouco, José Wilker e eu até tentamos levar adiante este projeto (porque ao contrário do que as pessoas imaginam somos amigos e eu gosto muito dele), mas até agora não tivemos sucesso.
Enfim, Ebert se tornou graças a ele uma figura nacional, embora sua base seja Chicago (por isso é amigo de Oprah, que também vem de lá), uma cidade bela e gelada, sempre um pouco por fora do ápice do show business que é centrada em LA e NY. Mas ele conseguiu não apenas esse feito como também o de ser respeitado e ganhar mesmo um prêmio Pulitzer dentre outros.
Também publicou livros, tem site e tudo atesta que ele, antes de tudo, escreve muito bem, tem esse talento. E diante da média baixa dos colegas americanos é certamente dos melhores (perde segundo meu ponto de vista para Martin Scorsese, que eu admiro mais) menos superficial e festivo que o Leonard Maltin (daqueles famosos guias).
Conheço Ebert dos festivais, principalmente Cannes e Veneza, onde ele é celebrado e sempre aparece ao lado de sua mulher (é casado com uma advogada afro-americana e segundo conta deve muito a ela, que tem sido excelente companheira). Tentei entrevista Roger para a TV, mas recusou. A grande tragédia de sua vida é que há alguns ele teve há muitos anos atrás câncer nas glândulas salivares. Da primeira vez deu certo, mas o câncer voltou a aparecer e foi forçado a fazer outra operação, onde perdeu as cordas vocais e depois o próprio queixo.
Vocês imaginam a tragédia: um crítico que não pode falar! E nem engolir, nem comer nada que não seja líquido, até porque perdeu o sentido do gosto, sabor. Uma tristeza que foi se agravando porque as operações (acho que três) para solucionar o problema falharam. E ele teve que colocar uma espécie de prótese que o deixou deformado e esquisito (ele mesmo admite isso).
Felizmente ainda continua em ação já que tem o dom de escrever bem (coisa menos comum do que se pensa!).
E sempre de forma inteligente o que se comprova neste seu livro de memórias.
Onde eu tive a surpresa de descobrir que ele nunca foi apaixonado por cinema, mas só foi se aprofundar quando meio acidentalmente ganhou esse emprego (outra coisa muito comum, crítico por acidente de redação!) e dali em diante é que foi pesquisar e ajudado pelo fato de ter acesso mais fácil as pessoas famosas (afinal, mora nos EUA e não em um país qualquer emergente) se tornou muito amigo de alguns importantes, sendo o primeiro a apoiar Martin Scorsese (se encantou com o primeiro filme dele), Werner Herzog (aliás, nos livros temos as entrevistas com estes e mais encontros memoráveis com Lee Marvin, John Wayne, seu ídolo Robert Mitchum, Ingmar Bergman,Woody Allen, mas não Ingrid Bergman a quem ele considera sua atriz preferida).
Nascido em 18 de junho de 1942 em Urbana, Illinois, filho único, teve um infância normal, fez faculdade no Colorado e teve um início sexual tardio (ele conta tudo isso, mas não envolve tanto famosos quanto Piper Laurie).
Teve problemas graves com o alcoolismo (que conseguiu vencer) e não tem filhos (mas um casal de enteados). Chegou a ir estudar na África do Sul em Capetown e escreveu para o cinema o roteiro de De Volta ao Vale das Bonecas, de Russ Meyer, uma espécie de sátira ao filme anterior, nem sempre compreendido. Aí me identifico também porque ambos temos um pezinho na pornochanchada!
Sempre com excesso de peso (olha outra coisa semelhante a mim!) neste livro Roger se conta e se explica sem qualquer autopiedade. A verdade é que é muito bom ler um bonito texto, fluente, culto, inteligente, sem excesso de sentimentalismo e com aparente sinceridade (embora raramente nunca fale mal de alguém). Mais sobre um ser humano do que um cinéfilo.
Veja mais:
+ R7 BANDA LARGA: provedor grátis!
+ Curta o R7 no Facebook
+ Siga o R7 no Twitter
+ Veja os destaques do dia
+ Todos os blogs do R7












