20 dezembro 2011 às 14:00
Missão Impossível (4) Protocolo Fantasma
133 min. Mission Impossible: Ghost Protocol. Paramount.
Direção de Brad Bird. Com Tom Cruise, Jeremy Renner, Paula Patton, Simon Pegg, Léa Seydoux, Michael Nyqvist, Vladimir Mashkov, Samuli Edelman, Tom Wilkinson, Anil Kapoor.
É agora ou nunca: este é o momento para salvar a carreira de Tom Cruise, que já há alguns anos anda em baixa, em consequência de seus atos descontrolados em programas de televisão. Não tem mais o mesmo prestígio e ninguém o consegue levar a sério, no entanto, não podiam ter caprichado mais neste novo veículo inspirado na célebre série de TV.
É uma produção espetacular, certamente o melhor filme de ação do ano (ou da década!). Mas que eu recomendo: assista de preferência na tela gigante do IMAX, sentado do meio para frente, no centro da sala , para poder mergulhar inteiramente na incrível aventura. Aliás, o filme foi rodado parcialmente pelas câmeras enormes do sistema Imax e, embora não seja em 3D, nem precisa, sua nitidez e brilho são excepcionais.
Desta vez Cruise está sob a direção eficiente de Brad Bird. É muito curiosa essa passagem que tem acontecido ultimamente de diretores de filmes de animação que têm passado para filmes dramáticos com atores e, mais estranho ainda, tem dado certo!
Brad fez Os Incríveis, Ratatouille e O Gigante de Ferro!. Cuidou bem do senhor Cruise, que no ano que vem já chega aos 50 anos, que está fotografando melhor que no filme anterior, Encontro Explosivo - que também era divertido, mas que foi massacrado pela crítica e ignorado pelo público, e o cercou de uma nova equipe bem eficiente: a bela mulata Paula Patton (Precious), o esquisito, mas intenso Jeremy Renner e, principalmente, o britânico encarregado do alivio cômico Simon Pegg (Star Trek).
O resto do elenco é praticamente todo desconhecido e formado por russos e eslavos. Parece que o personagem de Renner foi especialmente criado para eventualmente substituir Cruise quando este quiser largar a série. A meu ver este não tem fôlego ou categoria para isso! Há também aparições rápidas de dois sobreviventes de filmes anteriores, Michelle Monaghan e Ving Rhames.
Não deixa de ser curiosa a coincidência de o filme estrear num momento em que o atual presidente russo está implicando com os Estados Unidos e Hilary Clinton reclamando da interferência americana nos protestos locais. Quando ele assistir ao filme, vai ficar furioso porque este tem a ousadia de mostrar logo no começo um ataque terrorista que faz explodir grande parte do Kremlin!
As locações são impressionantes e muito bem aproveitadas em Dubai (no edifício mais alto do mundo), Moscou, Bombaim (ou Mumbai), Praga, Vancouver. Nem sempre favoráveis ao turismo local, por exemplo, mostra Dubai vítima de uma intensa e assustadora tempestade de areia, que pode afastar muito turista!
Além de esta vez sorrir menos, Cruise como dá a impressão, faz parte das cenas de ação sem dublê, ainda que com algumas liberdades (em altura mais baixa do que o filme mostra) e resultado digno de Jackie Chan. O roteiro foi escrito por dois discípulos de Jon Abrahms, Josh Appelbaum e André Nemec na série e começa com Cruise sendo libertado de uma prisão russa por seus colegas, o que é muito complicado porque ele resolve levar junto um amigo.
Dali em diante a ação não para, ao contrário, vai crescendo depois da explosão do Kremlin, não apenas ele é caçado como criminoso e bandido, mas também a própria organização é forçada a fechar e ficar fora da lei. Aliás, o roteiro continua usando por duas vezes a brincadeira antiga da mensagem que logo depois se autodestruirá em alguns segundos, mas usa apenas uma única vez aquela história da máscara que faz as pessoas se parecerem com outros, coisa nunca muito convincente.
O vilão desta vez é um general russo maluco que pretende destruir o mundo porque acha que é salutar de vez em quando a humanidade recomeçar de zero (esse é o ponto fraco da trama, o bandidão não faz muito sentido, mas é um velho recurso do gênero e de filmes de James Bond que a gente tende a perdoar).
Para complicar, a equipe vai tentar impedi-lo primeiro em Dubai, onde mais ou menos no meio do filme tem uma sequência de suspense com troca de informações e compra com diamantes, mas principalmente o clímax da história quando Ethan/ Cruise tem que subir o prédio Burj Khalifa por fora o prédio mais alto do mundo e depois correr na tempestade de areia.
As duas sequências são notáveis e de tirar o fôlego. Depois a conclusão será na Índia, no hotel Zabeel Saray Palm Jumeray com uma perseguição e corrida contra o relógio. Embarquei totalmente no filme e não tenho dúvida que este é o melhor da série. Pelo jeito Cruise está tão confiante que sua carreira vai ressuscitar que já tem mais dois filmes prontos e dois em projeto.
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