21 dezembro 2011 às 06:00
Livros EUA: Carol Reed, a Biography
Livros EUA: Carol Reed, a Biography por Nicholas Wapshot. Alfred A Knopff Nova York. 1994.
Só agora, com considerável atraso e dificuldade, que eu consegui botar as mãos neste livro biográfico daquele que é considerado o maior diretor britânico de todos os tempos, só perdendo para Alfred Hitchcock. A maioria das pessoas o recorda apenas por um filme que é O Terceiro Homem, um thriller noir, que, por sinal, resistiu lindamente ao tempo e permanece uma obra-prima. Mas o que eu não tinha me dado conta é que Reed era tão respeitado e admirado em sua terra natal. Vamos começar falando de sua carreira.
Reed, (Sir) Carol
(1906-1976). Diretor inglês de grande reputação no pós-guerra. Nascido em 30 de dezembro, em Londres. Começou como ator em 1923, trabalhando com Edgar Wallace. Em 1932, ingressou nos estúdios Ealing como assistente de diálogos.
Estreou na direção em 1935, conseguindo sucesso internacional com seu O Terceiro Homem, votado como o melhor filme inglês do século. Entre 1939-49 teve seu apogeu com uma série de obras em preto e branco, talvez o melhor momento de todo o cinema britânico.
Depois disso, era meio inevitável uma certa decadência e foi ganhar o Oscar de Direção somente em 1968, por Oliver!, um competente musical. Era Sir do Império desde 1952. O ator Oliver Reed (1938-1999) é seu sobrinho. Faleceu em 25 de abril, em sua cidade natal.
Dir.:
1935 – It Happened in Paris (Co-d. Robert Wyler. John Loder, Nancy Burne)
1936 – Midshipman Easy (Margaret Lockwood, Robert Adams) e Laburnum Grove (Edmund Gwenn, Cedric Hardwicke)
1937 – Talk of the Devil (Ricardo Cortez, Sally Eilers) e Who’s Your Lady Friend (Frances Day, Margaret Lockwood)
1938 – Bank Holiday (John Lodge, Margaret Lockwood) e Penny Paradise (Edmund Gwenn, Betty Driver)
1939 – Climbing High (Jessie Matthews, Michael Redgrave), Garotas Apimentadas (A Girl Must Live. Margaret Lockwood, Lilli Palmer) e Sob a Luz das Estrelas (The Stars Look Down. Michael Redgrave, Margaret Lockwood).
1940 – Gestapo (Night Train to Munich. Margaret Lockwood, Rex Harrison)
1941 –A Ré Inocente (Girl in the News. Margaret Lockwood, Roger Livesey), A Letter from Home (CM) e Kipps (Michael Redgrave, Diana Wynyard)
1942 – O Jovem Mr. Pitt (The Young Mr. Pitt. Robert Donat, Robert Morley)
1944 – Caminho das Estrelas (The Way Ahead. David Niven, Stanley Holloway)
1945 – A Verdadeira Glória (The True Glory. Co-d. Garson Kanin. Doc.)
1947 – O Condenado (Odd Man Out. James Mason, Robert Newton)
1948 – O Ídolo Caído (The Fallen Idol. Ralph Richardson, Michèle Morgan)
1949 – O Terceiro Homem (The Third Man. Joseph Cotten, Alida Valli)
1952 – O Pária das Ilhas (The Outcast of the Islands. Ralph Richardson, Trevor Howard)
1953 – O Outro Homem (The Man Between. James Mason, Claire Bloom)
1955 – A Rua da Esperança (A Kid for Two Farthing. Diana Dors, Celia Johnson)
1956 – Trapézio (Trapeze. Gina Lollobrigida, Burt Lancaster)
1958 – A Chave (The Key. Sophia Loren, William Holden)
1959 – Nosso Homem em Havana (Our Man in Havana. Alec Guinness, Maureen O’Hara)
1963 – À Sombra da Fraude (The Running Man. Laurence Harvey, Lee Remick)
1965 – Agonia e Êxtase (The Agony and the Ecstasy. Charlton Heston, Rex Harrison)
1968 – Oliver (Idem. Oliver Reed, Mark Lester)
1970 – Fúria Audaciosa (Flap. Anthony Quinn, Shelley Winters)
1971 – De Olho na Esposa (Follow Me. Mia Farrow, Topol)
A novidade trazida pelo autor Waptshott (que também fez biografias de Peter O´Toole, Margaret Tatcher e Rex Harrison) foi descobrir o porque de Carol ser tão discreto em sua vida particular, evitando dar entrevistas e aparecer (ao contrário de Hitchcock que não perdia um momento para se autopromover). Durante toda sua vida, ele lutou para esconder um segredo: de que era filho ilegítimo de um dos atores mais famosos do teatro britânico durante a Era Edwardiana: Sir Herbert Beebohm Tree, cuja personalidade e amores foram lendários.
Ser bastardo era uma carga muito grande na época ainda mais na moralista Inglaterra e o pai morreu cedo. Sua origem, porém o ajudou porque tinha contato direto com as celebridades da época, incluindo Bernard Shaw, James Barrie, a atriz Ellen Terry, etc. A mãe dele era uma atriz pouco conhecida, tiete do ator que se contentava em viver discretamente com uma família paralela de 5 irmãos.
Era natural que seguisse uma carreira no teatro, primeiro como ator (Carol era muito alto, quase um metro e noventa), depois como assistente de produção e direção, e também do famoso escritor Edgar Wallace (criador de King Kong). Pouca gente sabe que o primeiro grande amor de sua vida foi a escritora Daphne Du Maurier (que escreveu Rebecca) que não quis se casar com ele preferindo se tornar escritora.
Ela descreveria o romance deles no livro I´ll Never Be Young Again. Mesmo assim se casou com uma estrela Diana Wynyard (1906- 64, de Cavalcade) e até sua morte com outra atriz Penelope Dudley Ward (que largou a carreira para ser só sua esposa).Curiosamente ela era filha de uma amante do Rei Edward VIII.
Em 1932, Reed foi trabalhar com o famoso produtor Basil Dean respondendo a uma necessidade do começo do cinema falado, o chamado diretor de diálogos. Assim aos poucos foi ascendendo a carreira até em 1935 assumir a direção em It Happened in Paris (cujo roteiro era de John Huston).
Mas o auge de sua carreira chegaria com parcerias primeiro com Eric Ambler e Peter Ustinov e depois com o ex-crítico Graham Greene, com quem fez suas obras primas, não apenas O Terceiro Homem, mas também O Condenado e O Ídolo Caído. Com a morte de Alexander Korda e a crise na indústria do cinema na Grã Bretanha, não teve outro jeito senão trabalhar para Hollywood.
Tudo isso e muito mais é retratado no livro que também esmiúça em detalhes cada filme, do projeto a realização e o lançamento, como eu gosto. Inclusive os que não deram certo, como quando Marlon Brando o despediu da nova versão de O Grande Motim em Bora Bora (substituído por Lewis Milestone, o filme foi um desastre monumental que quase faliu a MGM e marca o começo da decadência do astro).
Outra razão porque gosto tanto do livro é porque sempre admirei Reed e fico feliz quando fazem justiça a talento menos homenageados.
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