30 dezembro 2011 às 06:00
Os melhores do ano de 2011
Sempre fico meio confuso no fim do ano com estas listas de melhores (e piores, que deixo para outro dia) em parte porque para mim é difícil definir a que ano tal filme pertence (muitos que já assisti fora, só estrearão aqui ano que vem). E assim por diante.
Gosto de rever os filmes melhores, se possível, agora em Blu-ray, o que nem sempre é possível (pela falta de tempo e muitos ainda não saíram). Ou seja, fico sempre com a impressão de ser injusto. Ao menos a lista serve de guia para quem deseja conhecer os filmes mais interessantes do ano agora em DVD.
Não acho que foi um bom ano, artisticamente. Sempre dou a desculpa de que vivemos um momento especial de transição da película para o digital e há ainda muitos ajustes a serem feitos. Um exemplo, na cabine de Cavalo de Guerra ficamos cerca de uma hora esperando porque houve problema no download digital do filme que deu errado no final e teve que ser refeito! Ou seja, ainda há muito a ser aperfeiçoado. Por outro lado, o uso do HD ou outras formas digitais tem permitido realizar filmes mais baratos e até criativos. Democratizou o cinema. Faltam agora se revelarem novos talentos.
Infelizmente o cinema americano em crise por causa da economia em recessão não teve muita grana para o cinema independente e só apostou no certo, em geral, continuações ou versões de quadrinhos. Este ano a safra de filmes de animação que tem sido um ponto alto deixou a desejar.
O público rejeitou Happy Feet 2 (achou que já tinha visto aquilo e de certa maneira estava certo) e não tomou conhecimento do inglês e talentoso Operação Presente. Colocamos como melhor do ano mais por razões sentimentais, o Rio de Carlos Saldanha, que emocionou muito os brasileiros. Não vimos ainda os filmes de Capture Performance como As Aventuras de Tintim então fica difícil avaliá-lo, mas apoiei a iniciativa de alguns prêmios em reconhecer o trabalho de Andy Serkis, que serviu de modelo para muitos personagens (Gollum em Senhor dos Anéis, o Capitão em Tintim), mas que brilhou muito no Planeta dos Macacos - A Origem como o protagonista, ajudando muito a este ser o melhor block-buster do ano.
Eis a lista:
Melhor comédia: Amor a Toda Prova (Crazy, Stupid Love) - Ninguém viu e não sabem o que estão perdendo, um texto inteligente, grandes sacadas e excelente elenco que destaca aquele que é o astro do ano: Ryan Gosling (também em Drive ainda inédito aqui e Tudo pelo Poder).
Melhor chanchada: Foram tantas que já merece um gênero por si só. A minha favorita e talvez mais engraçada também não foi descoberta no Brasil porque chegou atrasada (nem ia passar nas salas). Mas lá fora está sendo reconhecida e também pela comediante do momento, a gorda e querida Melissa McCarthy. Falo de Operação Madrinhas de Casamento, a primeira (porno) chanchada feminina (escrita por Kristen Wiig).
Melhor animação: Rio. Com menções para Rango, Operação Presente e Happy Feet 2.
Melhor aventura: Missão Impossível - Protocolo Fantasma. Será a volta de Tom Cruise? Nem ele atrapalha este super-espetáculo para ser conferido em IMAX.
Melhor ficção científica: O Planeta dos Macacos - A Origem.
Melhor adaptação de quadrinhos: X-Men Primeira Classe.
Melhor Atriz e mais injustiçada: Kirsten Dunst em Melancolia (está sendo esquecida de todos os prêmios nos EUA e teve a infelicidade de ver seu diretor Lars Von Trier pirar em Cannes).
Melhor filme brasileiro: O Palhaço, com Selton Mello, sem dúvida um trabalho encantador e criativo de direção (do Selton), com excelente elenco e um jeito de Brasil. Sucesso merecido e ainda merece mais.
A surpresa brasileira: Bruna Surfistinha, de Marcos Baldini. Tinha tudo para dar errado, mas funcionou, em grande parte por causa da interpretação corajosa e talentosa de Deborah Secco.
Melhor documentário brasileiro: Foram 99 estreias nacionais e não acho justo escolher na categoria já que não assisto todos os inúmeros documentários que foram lançados (ainda que para um público irrisório). O belo Lixo Extraordinário que foi indicado ao Oscar era mais americano que nosso.
Melhor filme brasileiro de baixo orçamento: Riscado, vencedor em Gramado, e um trabalho criativo de Gustavo Pizzi junto com sua mulher, roteirista e inspiradora Karina Telles.
Melhor filme brasileiro de fantasia e ficção científica: O Homem do Futuro de Claudio Torres (ainda que disfarçado de comédia, tinha um entrecho original e raro no cinema nacional).
Melhor filme espírita: Além da Vida de Clint Eastwood (e por isso deu a maior renda no Brasil da carreira do diretor. No resto do mundo quase todo foi fracasso!).
O mais injustiçado do ano: A Árvore da Vida de Terrence Malick. Também o mais polêmico campeão de gente saindo das salas (há anos que venho constatando o emburrecimento do público, a falta crescente de paciência, estão todos virando loiras burras). Que tal sentir apenas em vez de querer entender tudo literalmente.
A surpresa americana do ano: Cisne Negro, um filme modesto que estourou e conquistou grande parte do público (feminino). Mas também teve sua rejeição já que só faz sucesso hoje em dia o que causa polêmica.
Melhor documentário estrangeiro: Trabalho Interno (Inside Job). Cheguei a passar mal vendo como começou a crise econômica atual e como não seria solucionada com aquela gente que está no poder.
O grande retorno do ano: Woody Allen em Meia Noite em Paris.

O filme mais superestimado do ano: a refilmagem de Bravura Indômita. Um filme feio, sem humor, e que não é melhor do que a versão original com John Wayne. A menina era outra mentira. Jeff Bridges também já cansou.
O quebra cabeça do ano: Cópia Fiel. Quem reclamou de A Árvore da Vida devia ter visto este filme, que além de tudo era original e complexo. E interessante!
O filme mais Oscar deste ano: O Discurso do Rei. Parece ter sido feito expressamente para ganhar os prêmios. Competente, mas não tenho coragem de colocar dentre os melhores do ano.
Melhor filme de esporte: O Lutador com Christian Bale. Um sopro de vida num gênero já gasto, o de lutador de boxe. Aquelas irmãs cafonas eram o máximo.
O filme mais encantador do ano: o francês Minhas Tardes com Margueritte. Depardieu conversando com uma octogenária num jardim. Uma graça.
O filme que mais me impactou: Um Sonho de Amor foi o título horrível brasileiro para um talentosíssimo drama italiano digno de Visconti: Io Sono L'Amore de Luca Guadagnino.
Os dez melhores do ano 2011
1) A Pele que Habito – Acho brilhante o que Almodóvar fez mudando de rumo sua carreira, partindo até para o terror, numa história de médico louco a que não falta humor, citações ao Brasil e invenção. Além de deixar muito marmanjo incomodado.
2) Um Sonho de Amor - Já mencionado acima. Uma tragédia romântica onde uma casa é também protagonista (um filme sobre culinária e penso em incluía-la em próximo livro). Tilda Swinton é um caso a parte.
3) Margin Call – O Dia antes do Fim - Revela um novo cineasta J.C. Chandor, com um esplêndido elenco (com o melhor de Kevin Spacey e muitos anos, mas também Zachary Quinto, Jeremy Irons, Stanley Tucci e Demi Moore). "Seja Esperto. Seja o primeiro. E trapaceie”. Um retrato cruel e cheio de suspense da ganância que levou a atual crise econômica. Uma aula de vida.
4) Amor a Toda Prova - É preciso acabar com o preconceito contra a comédia. Um roteiro brilhante descrevendo de forma aguda a crise de um homem que está se divorciando (o subestimado Steve Carrell). Mas é Ryan Gosling e Emma Stone que roubam o filme com a cena de Dirty Dancing! Confira.
5) Melancolia – Não compro muito essa mania das pessoas verem o fim do mundo em tudo, ainda mais pelo depressivo Trier. Mas têm imagens incríveis e inesquecíveis, interpretações fortes e queiram ou não, incomoda.
6) Meia Noite em Paris – Ainda prefiro os filmes de Woody Allen de começo de carreira, mas não evitei de ficar emocionado com esta viagem cultural por Paris e suas lendas. Tomara que seja o começo de uma nova fase turística e bem sucedida do diretor.
7) Biutiful - Justamente não é lindo, é feio, sujo, trágico, nada divertido. Mas é um forte filme mexicano (rodado na Espanha) sobre emigrantes e um herói que morre de câncer, o esplêndido Javier Bardem.
8 Cisne Negro – O primeiro filme a ilustrar o fato de que bailarina não é apenas uma artista, mas também uma atleta, que sofre dores e machucaduras por amor a arte. Também quase um filme de terror. Gênero que se reabilita.
9) Hanna – Saiu agora apenas em Home Vídeo sem passar pelos cinemas, este novo filme de Joe Wright (Atonement/Desejo e Reparação). Que é um brilhante thriller de perseguição com a garota daquele trabalho, Saiorse Ronan. E onde Cate Blanchett dá um show como super-vilã! Um notável exercício de estilo.
10) Tudo Pelo Poder (The Ides of March) - Honrosa tentativa do talentoso diretor George Clooney em descrever as maquinações e corrupção por trás das campanhas políticas. Mais didático que ingênuo. Outro filme de elenco excepcional.
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