31 dezembro 2011 às 10:00
Os piores do ano 2011
Chamar um filme de pior do ano pode ser até um atrativo, um ponto de venda para ele. Por exemplo se ganhar um prêmio Razzie de repente vira bestseller. É engraçado que muitas vezes, um filme é rejeitado no cinema, como sucedeu com Água para Elefantes, talvez pela antipatia que as pessoas normais tem por Robert Pattinson, mas depois o filme foi descoberto em Home Video e apreciado, ganhou admiradores por seu romantismo e delicadeza. Ou seja, felizmente um fracasso inicial já não é mais definitivo. Isso é bom e torna tudo cada vez mais relativo.
É que entramos naquela área turva das decepções, aqueles que prometiam muito de não cumpriram. E muitos demonstraram esse desapontamento acabando com o filme, que não era tão ruim.
É o caso de Lanterna Verde, fraco sem dúvida, e com o ator errado. De Cowboys & Aliens (Spielberg comete cada besteira de vez em quando), para mim Super 8 ficou devendo, mas tem seus defensores. Outros chegaram superestimados como Um Lugar Qualquer, de Sophia Coppola, premiado em Veneza porque o presidente do júri era seu ex-namorado, Tarantino! Mas que não chegava a ser horrível, só não tinha muito que dizer. Carros 2 foi realmente fraquinho e o pior da Pixar até hoje.
Também há o problema de filmes que apreciamos, mas que não tem lugar nem entre os piores, nem os melhores. Mas têm qualidades o filme dos Smurfs, os nacionais Onde Está a Felicidade, de Bruna e Ricelli, Os 3, Deixe me Entrar foi uma digna ainda que dispensável refilmagem. Mas o melhor filme de terror do ano foi mesmo Insidious/Sobrenatural, seguido de Premonição 5, o melhor da série desde o original.
Houve ainda algumas reclamações:
Quem foi que disse que a gente queria Mel Gibson de volta? Fique longe Mel, seu Um Novo Despertar foi o desastre que ele merecia. Jodie Foster precisa aprender a não ser boba e lutar pelas causas erradas. Ainda assim ganha méritos por tentar ser boa amiga mesmo prejudicando sua carreira.
Quem teve a ideia de ficar imitando 300 ao infinito?
A fórmula já deu o que tinha que dar desde o momento em que eu vi na TV Spartacus! Nada, porém, tão bizarro quanto Sucker Punch - Mundo Surreal, que foi um delírio não sabe bem do que... Mas era muito feio, grotesco, errado... Deixo-o meio de hors concours dentre os piores.
Por que será que este ano houve uma conspiração em fazer filmes depressivos, sobre casais que perdem filhos, pessoas que lutam contra o câncer (e perdem!), marido que mata mulher, casal que não se entende? Não adianta que tenham bons atores, eles foram convites ao suicídio.
São vários entre os mais lembrados: Namorados para Sempre, com Ryan Gosling, Rabbit Trap/Reencontrando a Felicidade, com Nicole Kidman voltando a forma, Melancolia, Biutiful, Entre Segredos e Mentiras novamente com Gosling, naturalmente A Árvore da Vida e outros.
Revelação mais inútil: o inglês Alex Pettyfer, horrendo em A Besta e Eu Sou o Número 4. Mas espere para ver outro inútil descoberto por Spielberg, para o ano que vem o loirinho bonitinho e péssimo, Jeremy Irvine.
Pior ator do ano: (neste e muitos anteriores e temo que próximos, ainda assim continua com prestigio): o único Nicolas Cage em Fúria sobre Rodas (realmente o campeão em ruindade), Caça as Bruxas e Reféns.
Por que ainda não desistiram de levar Soderbergh a sério?
Este ano seu Contágio foi um filmeco com um superelenco que era todo furado, mal contado, desencontrado e que nem sabia assustar ou prevenir. Fala em aposentadoria, eu apoio integralmente. Pode ir plantar couve em Cuba.
Não gosto de falar em filmes brasileiros ruins, se são abaixo da crítica prefiro ignorar. Tive a tentação de romper a regra este ano. Mas passou...
O momento mais ofensivo ao bom gosto e ao respeito a humanidade: sem dúvida as sequências de bestialidade com o (a) macaquinho (a) no Se Beber, Não Case Parte II. Nojento.
O Home Video de vez em quando desove alguns filmes de qualidade que não tiveram dinheiro para lançar em cinema, como Hanna. Em geral é o cemitério para filmes realmente abomináveis e desprezíveis. Lembro-me de alguns; por exemplo, Arthur - o Milionário Irresistível, um total equívoco estrelado pelo infeliz e repetitivo Russell Brand, totalmente sem graça, num roteiro igualmente sem graça e desperdício total de Helen Mirren. Só não é pior do que Um Jantar Para Idiotas (Dinner with Schucks, de Jay Roach), onde pegaram uma comédia francesa e mexeram tanto nela que virou uma mixórdia intragável e patética. Tem ainda Sua Alteza (Your Highness) recém-arremessado, depois de ter sido uma catástrofe, apesar de ter Natalie Portman, mas por causa do James Franco (que espero esteja em fim de carreira).
Os Piores do Ano
1- Conan, o Bárbaro, a nova versão: Falta senso de humor proposital e abunda o ridículo que tornam este novo Conan, um delicioso exercício em filme trash, genuinamente ruim. Este novo Conan é impagável, de morrer de rir, pelas razões erradas. Muito violento, mostra nudez gratuita e marca a volta daquelas bolas de isopor que passam por pedras em avalanches e dos blocos de madeira que desmoronam quando sem mais nem menos ocorre um terremoto. É um festival de clichês com a mais dispensável das revelações como é mesmo seu nome? Ah, juro que é Jason Momoa!
2- Como você sabe (How do You Know), de James Brooks: Nunca fui fã de Reesse Witherspoon, mas a coitada nunca esteve tão perdida quanto neste pseudocomédia do outrora importante, Brooks (Laços de Ternura). Faz ex-jogadora de softball que se envolve com um jogador de beisebol e um executivo. Nem chega a ser divertidamente ruim como Conan, passa em branco, não existe, não acontece. Nada pior do que uma comédia que não faz rir, um showcase para o talento onde ele não comparece ( por incrível que pareça nem mesmo Jack Nicholson que parecia indestrutível não faz nem suas notórias caretas). O fato é que há algo deu errado e não dá para fazer a autopsia (a palavra é forte porque o filme custou cerca de US$ 130 milhões e não rendeu nada). É uma perda de um precioso tempo, nosso e deles.
3) Velozes e Furiosos 5: Operação Rio (Fast Five): Brasileirinho é bonzinho demais, se fossemos um país sério teríamos banido esta ofensa ao Rio de Janeiro e mandado Vin Diel para casa. Foi a coisa mais ofensiva que eu vi recentemente contra o Brasil, que diz frontalmente que todo mundo no Rio é corrupto (numa cena logo o ator The Rock chama uma policial como intérprete que afirma ser única pessoa em que pode confiar, já que é a única pessoa honesta no Rio de Janeiro! Isso quer dizer o quê? Que todos os outros são bandidos?). E dali em só vai piorando. Noutro momento, os agentes americanos tentam prender os ladrões de carros, mas são interrompidos pelo povo brasileiro armado na rua: e Vin Diesel afirma: Isto é o Rio! Nem mesmo a paisagem é brasileira e a grande perseguição pelas avenidas é feita em Miami e Porto Rico. Uma desfeita a honra brasileira.
4) Fúria sobre Rodas (Drive Angry): Um dos piores filmes que já assisti em todos os tempos. Grosseiro, violento, ridículo, mal feito, mal dirigido e nem que deve ter valido para salvar um dos castelos de Cage. E tudo sem senso de humor. A não ser pela presença de uma espécie de fantasma. Mas tudo é mal feito, feio, grotesco.
5) As Viagens de Gulliver (Gulliver´s Travels): Até que eu gosto de Jack Black, mas aqui ele se descontrolou. Um roteiro imbecil, primário, de uma falta de inteligência assustadora. O pior é que o livro, original do inglês Jonathan Swift, é uma sátira extremamente refinada e inteligente. A culpa é dos roteiristas preguiçosos que não souberam inventar melhor trama ou situações. Ela é completamente absurda em todos os sentidos.
6) Vovó ...Zona 3 Tal Pai Tal Filho: A série já deu o que tinha que dar, mas nada nos preparava para algo tão abismal quanto esta chanchada de quinta categoria onde o filho fica em primeiro plano, o péssimo Brandon T. Jackson (que também tem que se vestir de mulher).
7) A Garota da Capa Vermelha ( Red Riding Hood): O filme vem demonstrar algumas coisas: 1) não parece ser uma boa ideia essa nova moda de Hollywood em filmar contos de fadas para adultos, misturando terror com romance. 2) não é recomendável ficar imitando Crepúsculo e procurar ressuscitar monstros como lobisomens. O raio não costuma cair duas vezes no mesmo lugar. 3) Agora a gente entende porque a diretora Catherine Hardwicke foi dispensada depois do primeiro filme do Crepúsculo, já este trabalho tira as duvida, ela realmente não é boa realizadora, não consegue criar o clima necessário, nem segurar a história. Não sabe escalar elenco direito, nem desenvolver roteiro e se perde numa fita híbrida que não sabe explorar nem mesmo o geralmente indestrutível Gary Oldman. Até a bela está perdida neste Chapéuzinho Vermelho medieval e gélido.
O Besouro Verde (The Green Hornet): Insistem em cultuar Michel Gondry, mas ele é irregular demais e quebrou a cara neste infeliz adaptação de quadrinhos. Não sei como "hornet" (vespa) virou besouro no Brasil, mas deve ser coisa antiga, porque foi o lendário Bruce Lee quem fez o papel de Kato na TV. Agora por insistência do comediante Seth Rogen o filme se torna realidade. Mas é um erro Rogen não tem o carisma, nem a simpatia para convencer num personagem difícil, um playboy pretensioso e sem interesses, egoísta e pouco inteligente, que se torna dono de um grande jornal quando o pai dele é assassinado. Pior ainda é que não há a menor química entre ele e o verdadeiro astro do filme, que é Cato, feito aqui por um astro pop de Hong Kong, chamado Jay Chou, não consegue deixar qualquer impressão.
9) O Zelador Animal (Zookeeper): Fracasso nos cinemas americanos. Embora simpatize com o gordinho Kevin James e o diretor Coraci tenha feito os melhores filmes de Adam Sandler - Afinado no Amor e Click - os dois estão fora de forma, tem um roteiro tolo e primário e Kevin nada mais faz do que se repetir. Ele é uma espécie de gerente do zoológico, que os bichos tentam ajudar, conversando com ele. Um Doutor Dolittle sem graça. Tempo perdido.
10) Entrando numa Fria Maior Ainda - Agora com a Família (Little Fockers), de Paul Weitz. Estreou ainda em janeiro este espetacular desperdício de talento numa comedinha boba onde há excesso de gente no elenco e pouco tempo de projeção. Uma curiosidade: em Portugal o filme se chama Não há Família Pior, que é a crítica ao filme mais clara e perfeita que já ouvi.
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