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19 janeiro 2012 às 05:59

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Estreia – A Separação

Direção de Asghar Farhadi. Jodaeiye Nader az Simin. 011. Irã. Com Leila Hatami, Peyman Moadi, Sayret Bayat. 123 min.

separacao Estreia   <i>A Separação</i>

Este é o mais premiado filme estrangeiro do ano, indicado oficialmente pelo Irã ao Oscar da categoria e, certamente, o favorito depois de acumular prêmios por toda parte, inclusive no Globo de Ouro e no Festival de Berlim com cinco prêmios, um coletivo para as duas mulheres, outro para os dois homens e ainda o Urso de Prata e prêmio ecumênico.  Ou seja, por toda parte as pessoas se curvaram a ele.

Eu já vou ser um pouco estraga prazeres. O Leon Cakoff já trouxe outros filmes iranianos melhores e não duvido que o delírio tenha a ver com o fato de que o Irã hoje ser um dos lugares com pior censura. O próprio diretor já disse que, quanto mais ele for premiado, pior para ele, porque ira ficar sob supervigilância e poderá mesmo ser preso como tem acontecido com outros cineastas, ou seja, ditadura não gosta de bom cinema.

Já conhecíamos Farhadi de outro bom  filme que foi Procurando Elly (07) que, como este, dava uma visão realista e humana do comportamento da classe média local, em seu cotidiano. Naquele filme, amigos alugavam uma casa na praia e uma moça desaparecia misteriosamente.

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Aqui, com mínimo de recursos, câmera na mão, muito close, se pinta o retrato de um casal que está para se separar, porque o marido não quer de jeito nenhum largar o pai que está sofrendo de Alzenheimer, e a mulher não se conforma porque assim irão perder a chance de morar fora do país (que ela diz ser melhor para o futuro da filha), já que conseguiram uma coisa muito difícil, um visto para sair do Irã.

O filme já começa com os dois discutindo num tribunal. Não se vê o oficial de justiça, ou coisa que o valha, apenas ouve-se sua voz. Certamente para não dar mais arma para a censura. De qualquer forma, o casal está mais ou menos separado e passa a contar com a ajuda de uma mulher (que pode estar grávida) que irá tomar conta do pai doente.

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Só que além dela ser muito religiosa, tem dificuldade de controlar o velho que chega a fugir. E a situação se complica de forma que vai virar outro processo judicial. Não sabemos nada aqui de como seria a lei por lá, nem como ela funciona, ainda mais em caso de divórcio ou separação. E saímos do filme sem saber.

Naturalmente dá para perceber que são gente como a gente, que apesar de tudo, eles têm relativa liberdade. O filme padece daquele detalhe que me incomoda muito, não tem final, se interrompe e pronto, fica obra aberta (aliás, está na moda, tem vários outros recentes com esse infeliz truque). Embora acessível, mais até que outros similares, não me parece, à primeira vista, isso tudo. Será que mais uma vez não estão exagerando?

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