20 janeiro 2012 às 05:50
Preview de filmes do Oscar – A Separação
A Separação (Jodaeiye Nader az Simin). Irã, 2011.
Direção e roteiro de Ashghar Farhadi. Com Peyman Maadi, Leila Hatami, Sareh Bayat, Shahab Hosseini. 124 min. Drama.
Você já conhece o diretor Farhadi, do filme anterior o interessante Procurando Elly, de 2009. Vencedor do Urso de Prata de melhor direção no Festival de Berlim, de 2009, este filme iraniano também foi indicado oficialmente como o representante para o Oscar de filme estrangeiro. O diretor fez outro três filmes mas nunca passaram por aqui.
A história: após passar anos na Alemanha, Ahmad volta ao Irã e seus amigos organizam três dias de comemoração. Sem que o resto do grupo saiba, Sepideh convida para a festa a jovem Elly, professora de sua filha.
Ahmad, que acabou de se separar da esposa alemã e gostaria de começar uma nova vida com uma iraniana, vê em Elly a mulher perfeita. No dia seguinte, no entanto, ela desaparece misteriosamente. O clima entre os amigos torna-se amargo e acusatório e eles iniciam uma pequena investigação para descobrir o paradeiro da moça. É leve e bem humorado na primeira parte, tenso e sombrio na segunda. A atriz principal, Golfishbeth, é a mesma do filme de Ridley Scott, Body of Lies (Corpo de Mentiras).
Este A Separação, que ainda não estreou em nossos cinemas, foi ainda mais bem sucedido em Berlim. Além de levar o Urso de Ouro, também ganhou o prêmio ecumênico, o do jornal Berliner Morgenposten, e dois prêmios coletivos de interpretação como melhor ator e melhor atriz. Tem sido também o filme estrangeiro preferido do ano, tendo sido indicado e favorito do Globo de Ouro e provavelmente do Oscar (já que foi indicado oficialmente pelo Irã). Ganhou dentre outros National Board, críticos de Nova York, Festivais de Pula, Riga, San Sebastian, India, Fajr, Durban etc
A questão maior é se os votantes do Oscar, que não são críticos e não gostam de filmes difíceis (ao menos não especialmente) terão coragem de dar prêmio a um filme que vem do país que neste momento é seu maior inimigo (com exceção da Coreia do Norte), o Irã, que experimenta com bombas atômicas. A maior novidade do filme é justamente dar uma visão simples e clara e reveladora da sociedade iraniana, mostrando que são gente como a gente. Na verdade, até mais gente do que os filmes americanos padrões, já que neles todo mundo é caricatura ou retrato superficial e vazio. Dão a impressão de que tem medo de revelarem uma faceta mais humana ou profunda, ou verdadeira.
Aqui o diretor foi perseguido e o filme por uns tempos cancelado porque ele havia feito declaração contra a censura. Usando o tempo todo câmera na mão e uma narrativa simples e direta, ele pinta o retrato de um casal de certa posição social que está se separando. Tudo começa num tribunal, onde o juiz ou coisa que o valha não chega a ser visto, apenas o casal que tenta colocar suas posições. A esposa quer ir viver no exterior para dar maiores chances de sucesso na vida para a filha, mas o marido não quer sair de jeito nenhum porque teria que deixar sozinho o pai que sofre de Alzenheimer.
É uma situação difícil de lidar que só se complica quando eles contratam uma espécie de babá para o velho, uma mulher muito religiosa e que vem junto com a filha pequena. E que se descobre depois está grávida. O conflito maior é que essa mulher perderá seu bebê, o que provocará briga, possível indenização, disputa judicial.
Se o filme tem um problema sério é seu final ou, melhor dizendo, sua ausência de final. Termina no ar e os letreiros sobem em cima da figura do marido esperando uma resposta judicial. Fora disso a situação é bem contada, bem interpretada (a menina é feita justamente pela filha do diretor, Sarina Farhadi de 11 anos). Não se é o caso de levar tantos prêmios e ser tão badalado. Mas como já disse este foi um ano fraco. Sem dúvida é melhor do que o intolerável Cavalo de Turim, que representa a Hungria.
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