21 janeiro 2012 às 06:00
Coluna de DVD – Lançamentos em DVD e Blu-ray
Darfur: Deserto de Sangue ***. Darfur/Attack on Darfur.
Áudio: Português, inglês. Legendas: Português, inglês. Drama. Widescreen. EUA. 98 min. Cor. 2009. Vinny. 16 anos.
Diretor: Uwe Boll. Elenco: Kristanna Loken, Billy Zane, Edward Furlong, David O´Hara, Noah Danby, Matt Frewer, Sammy Sheik.
Sinopse: Um grupo de jornalistas ocidentais visita aldeia no Sudão que vai ser atacada pelos Janjaweed (algo como diabo montado a cavalo). Devem fugir ou tentar impedir o massacre.
Comentários: Inédito nos cinemas. Rodado na África do Sul, tem a intenção de denunciar as atrocidades do genocídio no Sudão que já matou mais de 400 mil pessoas. Quase todo rodado com câmera na mão pelo diretor e produtor alemão Uwe Boll fez filmes mais comerciais antes como Em Nome do Rei ou Alone in the Dark – O Despertar do Mal, House of the Dead – O filme.
A atriz principal Kristanna é americana e fez também Em Nome do Rei, Exterminador do Futuro 3 e a série L Word. Edward Furlong que foi o adolescente de Terminator 2 já envelheceu, está barbudo e muito acabado como um jornalista. Foi rodado sem script (melhor dizendo, o roteiro não trazia diálogos que foram improvisados, principalmente os que se referiam à situação política local). Obrigando também os atores a fazerem maior pesquisa sobre o assunto. Houve preocupação em serem autênticos nos detalhes, na construção das aldeias e nas criticas a falta de ação da ONU e outras organizações internacionais.
Lembra um pouco o mais recente Redenção, que fazia denúncia semelhante só que era mais comercial e acessível. A primeira meia hora é documental, apresentando os jornalistas e os refugiados. Aos quarenta e poucos minutos vem a noticia e o pânico dos ataques. Os jornalistas se vão e sucede o massacre. Alguns jornalistas voltam para resistir no que podem e irão morrer de forma brutal. Não chega a ser excepcional, mas é uma honesta e corajosa tentativa (que não deu qualquer lucro, já que não é um filme de se assistir) de revelar uma tragédia de nosso tempo. Sem extras.
Uma Cidade sem Lei ** Bunraku
Audio: Inglês, português. Legenda :Inglês, português. EUA. 124 min.Vinny. Widescreen. Cor. 16 anos. Sem extras.
Diretor: Guy Moshe. Elenco: Josh Hartnett, Demi Moore, Ron Perlman, Gackt, Kevin McKidd, Woody Harrelson, Jordi Mollá, Shun Sugata, Mike Patton (narrador).
Sinopse: Em um mundo pós-guerra nuclear, onde armas de fogo são proibidas, um rapaz solitário chega de trem a um lugar dominado pelo gângster Nicola, que tem nove guerreiros vermelhos liderados pelo assassino.
Comentários: Inédito nos cinemas. O diretor se esqueceu de que para as lutas serem convincentes é preciso ter um grande coreógrafo de embates, mas que sabe também onde colocar a câmera para ter máximo efeito quando cortar na edição. Tem que ter ritmo e visual convincente, se não resulta patético e ridículo, numa palavra malfeito. É o mal deste filme, que a primeira vista parece interessante, altamente estilizado no caminho de Dick Tracy, 300 ou Speed Racer (a produção é barata e assim evita efeitos digitais). Mas é derrotado pela incompetente direção, um elenco extremamente irregular começando por Josh, com infeliz bigode, que não tem o menor jeito para a coisa e por um cantor pop japonês que é excessivamente andrógino para convencer como lutador.
Mal-realizado em especial nas lutas e confrontos (o diretor também não sabe pedir a coisa certa dos atores). O título original do filme se refere a uma forma japonesa de teatro de bonecos que já tem mais de 400 anos, um estilo de contar histórias usando bonecos grandes com cabeças muito detalhadas, operados por vários artistas que usam roupas negras. Moshe, que já tinha feito Holly (2006), conseguiu produção de um desenhista de renome Alex McDowell (Clube da Luta, Minority Report, Fantástica Fábrica de Chocolates) que se interessou pela mistura de gêneros e influências e pelo projeto de pré-visualização (de forma a baixar custos). Isso levou o filme à produtora Snoot, de Keith Calder.
Realmente há uma proposta de misturar tons e gêneros, inclusive fazendo citações de certos musicais da Metro. O filme até começa bem falando de uma distopi post apocalíptica, da tradição autodestrutiva do homem, e da ditadura de Nicola em cima de uma misteriosa cidade. Chega ao estranho sem nome (Josh), mas o filme já se desintegrou antes disso na primeira e inconvincente luta. Woody Harrelson ainda segura as pontas como um dono de bar assim como a trilha de Terence Blanchard enquanto Demi faz uma cortesã de Nicola. Mas falta um Tarantino para escrever diálogos mais espertos e inteligentes. Duvido muito que fãs de filmes de ação embarquem nesta.
Uma Doce Mentira *** De Vraies Mensonges.
Áudio: Francês, português. Legenda: Português, inglês. Widescreen.
França, 2010. Comédia romântica 105 min. Vinny. 10 anos.
Diretor: Pierre Salvadori. Elenco: Audrey Tautou, Sami Bouajila, Nathalie Baye, Stephanie Lagarde, Judith Chemia, Cecilia Boland, Daniel Duval.
Sinopse: A cabeleireira Émile recebe uma carta anônima e em vez de jogá-la fora procura ajudar sua mãe solitária e amargurada desde que o marido sumiu. Repassa a carta para ela sem imaginar que foi Jean, funcionário de Émile quem a escreveu.
Comentários: O diretor Pierre Salvadori (1964-) é um realizador e roteirista francês, nascido na Tunísia e especialista em comédias cada vez mais inteligentes e refinadas. Foi humorista de one man shows (que na França acontecem em cabarés), depois roteirista de séries de tevê.
Dirigiu:
1993- Cible Émouvante (Jean Rochefort, Marie Trintignant)
1995- Les Apprentis (Guillaume Depardieu, François Cluzet)
1998- Quem conta um Conto (...Comme elle Respire. Marie Trintignant, Guillaume Depardieu)
1998- Os Vendedores de Areia (Les marchands des Sables.Mathieu Demy, Maria Golovine)
2003- Boas Intenções /Por Gentileza (Après Vous...Daniel Auteil, José Garcia)
2006- Amar...Não tem Preço (Hors de Prix. Gad Elmaleh, Audrey Tautou)
E retorna agora novamente com Audrey noutro filme encantador e divertido. Eu pelo menor gostei muito deste pequeno bombom sem grandes recheios, mas que alegra e diverte. Tautou faz o de sempre, uma jovem confusa mas simpática, que é sócia de um cabeleireiro do interior que recebe uma carta anônima, sem desconfiar que é do rapaz que está fazendo reformas no local (Sami, que na verdade é um sujeito que fala várias línguas e é superpreparado, e totalmente apaixonado por ela).
Sem desconfiar de nada, ela usa a carta como base para uma que manda como se sua mãe tivesse um admirador anônimo (a intenção é animá-la porque o marido a deixou por outra mais jovem que esta grávida) criando assim a maior confusão. Claro que é comedia romântica e os mal-entendidos, nem sempre verossímeis, são para criar risos e o final que já esperamos. Quem faz a mãe é a ilustre Nathalie Baye, que a idade e suponho as plásticas e enchimentos deixaram quase irreconhecível. Mesmo assim defende bem o personagem.
O filme me lembrou muito Admiradora Secreta, uma comédia americana que fez sucesso em vídeo nos anos 80, com um pouco de Cyrano de Bergerac (o clássico das cartas), Venus Instituto de Beleza (que era com Nathalie), mas não vejo maior problema nisso. É isso mesmo que se pretendeu uma comédia solar e agradável.
Órfãos da Guerra *** The Childfren of Huang Si
Áudio: Português, inglês. Legendas: Português, inglês. Drama. Widescreen. 125 min. Cor. 2008. EUA. Vinny. 16 anos.
Diretor: Roger Spottiswoode. Elenco: Chow Yun Fat, Michelle Yeoh, Jonathan Rhys Meyers, Radha Mitchell, Guang Li,
Lin Ji, Matt Walker,David Weham.
Sinopse: Em 1937, durante a ocupação da China pelo Japão o jovem jornalista inglês George Hogg lidera 60 crianças órfãs numa viagem de 500 milhas através das montanhas cobertas de neve de Liu Pan Shan até a beira do deserto da Mongólia. Acaba ficando amigo de grupo de guerrilheiros comunistas, enquanto se apaixona por enfermeira australiana.
Comentários: Ficou inédita em nossos cinemas esta aventura australiana dirigida por ex-montador americano e produzida pelo famoso Arthur Cohn (que fez Central Do Brasil e Abril Despedaçado). Na verdade a primeira coprodução entre Austrália e China (com 10 mil figurantes). Rodado nos dois países (Austrália: interiores, China em locações e no famoso estúdio de Shangai). Uma historia pouco familiar para o público atual, que se lembra pouco das crueldades das tropas japonesas de ocupação que matavam e estupravam com tanta crueldade que os chineses nunca perdoaram ou esqueceram.
Não gosto de Jonathan que sempre me parece bêbado ou drogado, nunca ligado no que faz. Por vezes cai num exagero lamentável. Age de forma muito ingênua e mal informada. Escapa duas vezes da morte certa salvo num ultimo momento (tudo é muito bem produzido). Dali em diante prossegue saga que se conclui ao final, durante os letreiros quando algumas de suas crianças, hoje velhas, o relembram com respeito. Vale a pena conhecer pela proposta e a qualidade de produção. Sem extras.
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