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26 janeiro 2012 às 06:00

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Estreia – J. Edgar

J. Edgar (Idem) EUA, 11. Direção e trilha musical de Clint Eastwood. Warner. 137 min. Roteiro de Dustin Lance Black (Milk).

Com Leonardo Di Caprio, Armie Hammer, Naomi Watts, Judi Dench, Josh Hamilton, Ken Howard, Jessica Hecht, Josh Lucas, Detmot Mulroney, Zach Grenier, Denis O´Hare, Lea Thompson.

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Aos 81 anos, Clint Eastwood continua a trabalhar como diretor, co-produtor (aqui ao lado de Brian Grazer e Ron Howard da Imagine) e autor da trilha musical original (por sinal, discreta). No momento roda um novo filme como ator (Trouble with the Curve, com Amy Adams). Mas, para mim, este é seu pior trabalho em muitos anos, um projeto nada comercial a partir de sua proposta inicial: quem sabe hoje em dia, mesmo nos Estados Unidos, quem foi J. Edgar Hoover? Ninguém.

Isso explica o fracasso comercial. Mas ele tomou outra opção muito discutível que foi a de contar um lado polêmico da vida do biografado até agora mais sugerido do que confirmado, mostrando que ele gostava de se travestir e manteve durante anos uma ligação homossexual com seu homem de confiança.

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Poderia ter sido um caso platônico, mas o filme desbanca numa constrangedora cena em que esse parceiro tem crise de ciúmes – por Hoover - lhe disse que iria sair com a estrela Dorothy Lamour - os dois brigam e terminam no chão com um beijo na força conquistado a força! Uma cena que não funciona principalmente porque o ator que faz o parceiro não tem experiência para segurar um momento tão intenso. É o loirinho (filho de milionários) Armie Hammer que fez os gêmeos em A Rede Social, mas que é derrubado também por uma das piores maquiagens que eu já no cinema recente.

Enquanto é excepcional o trabalho do make up em Albert Nobs e principalmente em A Dama de Ferro, falha aqui ao ter que envelhecer os protagonistas, bem jovens (Armie nasceu em 1986).

Não conseguem convencer, embora Di Caprio faça um tremendo esforço procurando franzir o cenho, bancar o antipático, mas a verdade é que não mereceu a indicação ao Globo de Ouro e se entrar no Oscar é só por prestígio pessoal.

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Talvez o problema tenha sido em chamar como roteirista um especialista em temas gays (o mesmo de Milk), o que também provocou rejeição de parte da plateia (o filme teria custado US$ 35 milhões e rendeu por volta de 36, ou seja, nem se pagou, já que teria que para isso render o triplo – o resto fica com o distribuidor e exibidor). Se bem que no fundo mesmo poucos vão se interessar por Mr. Hoover (não confundir com o ex-presidente americano Herbert do mesmo sobrenome).

Este aqui é John Edgar Hoover (1895- 1972), que durante anos foi o todo poderoso presidente/chefe do FBI (para onde entrou em 1924). Um homem feio e antipático que passou incólume por vários presidentes (Roosevelt, Truman, Eisenhower, Kennedy, Lyndon Johnson, Nixon) se mantendo no cargo porque tinha um dossiê secreto sobre os segredos dos poderosos que usava para fazer chantagem! Sem qualquer escrúpulo.

O filme conta praticamente toda a história recente dos Estados Unidos através do trabalho de Hoover, que é um filhinho da mamãe (Judi Dench, em seus dias menos felizes), mal resolvido (tenta paquerar a secretária feita por Naomi Watts, outra vítima da maquiagem, que acaba se tornando sua pessoa de confiança).

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Na verdade, isso já foi feito antes em inúmeros filmes e séries de TV, porque ele adorava aparecer e chegava a forjar flagrantes para se promover.

Aqui seria então a “inside story”, os bastidores dos fatos famosos que incluem as prisões dos gângsters mais famosos (assim que ele se consagra), como Dillinger e Machine Gun Kelly, mas também algumas coisas positivas como a modernização da organização, a instauração do método de identificação por digitais, ou seja, foi ele que instaurou e incentivou o uso de métodos científicos para  combater a criminalidade.

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O filme até que tenta ser justo com seus feitos, mas não adianta muito porque ele é um sujeito carrancudo e por vezes desprezível, e por alguma razão não provoca qualquer simpatia. Isso se esboça quando persegue os subversivos durante a Segunda Guerra, mas vai cair no exagero e o absurdo quando irá perseguir os liberais durante os anos 60! Até com acusações falsas a gente como Martin Luther King e a atriz Jean Seberg.

Enfim, é um tremendo mau caráter que Clint tenta descrever com alguma imparcialidade e que resultou num filme informativo, mas a meu ver o mais fraco trabalho desde Rookie, em 1990.

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