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26 janeiro 2012 às 06:00

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Estreia – Millennium – Os Homens Que Não Amavam As Mulheres

Millenium - Os Homens Que Não Amavam As Mulheres (The Girl with the Dragon Tatoo). 158 min. EUA, 11. Direção de David Fincher. Roteiro de Steven Zaillan. Baseado em livro de Stieg Larsson.

Com Daniel Craig, Christopher Plummer, Rooney Mara, Robin Wright, Stellan Skasgaard, Joely Richardson, Steven Berkoff, Geraldine James, Goran Visjnic.

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Mas será que eu já não vi este filme antes? Dá realmente essa impressão e preciso de algumas linhas para explicar: o livro original do escritor sueco Stieg Larsson (1954-2004) acabou se tornando um bestseller mundial pouco depois da morte prematura de seu autor (aos 50 anos, todos os livros dele são póstumos, não viveu para curtir seu êxito mundial). Essa trilogia de livros é unida pelo nome Millenium (que é o da revista para onde o herói trabalha e está sendo usado na edição brasileira e também serve para identificar as versões norte-americanas e diferenciá-la das suecas, feitas em 2009-10. Ou seja, foi tão grande sucesso dos livros, que eles primeiro tiveram uma versão sueca que teve distribuição internacional. Apenas o primeiro deles foi lançado em nossos cinemas e não teve grande repercussão. Chamou-se também Os Homens que não amavam as mulheres (Mann som Hatar Kvinnor). Eis a ficha dele: Suécia, 09. Direção de Niels arden Opley.

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Com Michael Nyqvist, Noomi Rapace, Lena Endre, Peter Harbe, Sven Bertil Taube, Peter Andersson. Distribuidora: Imagem. Não gosto deste título literal e prefiro o título que lhe deram os americanos, traduzindo A Garota da Tatuagem de Dragão (que é muito mais sugestivo e não julga ninguém). Um detalhe: a atriz que fez a heroína Lisbeth é muito mais interessante e competente do que a versão americana, tanto que Noomi Rapace está fazendo carreira internacional (no recente Sherlock Holmes: Jogo de Sombras, também em Prometheus, de Ridley Scott, que estreará em breve). Por que o filme não foi bem de bilheteria, não chegaram a estrear comercialmente por aqui suas continuações que eu já assisti e que achei muito hardcore, ou seja, ainda mais violentos e sensuais, acompanhando sempre Lisbeth e explicando melhor como ela se tornou punk e revoltada (seriam A Garota que Brincava com o Fogo e A Garota que Chutou o Ninho de Vespas).

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Nunca entendi porque os americanos insistiram em refazer a história quando é tão evidente que a temática é pesada e mais europeia que deles. Menos ainda porque David Fincher insistiu em realizá-la, logo depois de ter dado certo com A Rede Social. Um erro porque ele não tinha muito a acrescentar, tornando o filme longo (quase três horas!), muito explícito (mostra duas cenas de violência sexual de maneira discutível, um sexo oral e uma sodomia, como se tivesse prazer em se fixar naquilo).

É justo eu deixar claro que acho Fincher um diretor superestimado. Pessoalmente é um sujeito pretensioso e arrogante, que se acha gênio desde que ele era famoso como diretor premiado de comerciais e fez Clube da Luta (que foi aquele filme que no Brasil provocou matança, onde morreu uma amiga minha, o que tornou o caso pessoal). Mas para ser justo ele fez um bom trabalho com Seven, A Rede Social e Benjamin Button. Mas aqui não tem nenhuma personalidade e o filme é muito parecido, mas inferior ao original. Inclusive no desperdício de Daniel Craig como o herói jornalista, num personagem que nada faz além de apanhar com frequência e ficar pesquisando na casa gelada do inverno sueco!

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Os dois contam basicamente a mesma história: a de um investigador/ jornalista dessa revista chamada Millenium, Mikael que depois de perder um caso muito badalado de difamação, para uma grande corporação, é convocado por um industrial octognerário (feito por Christopher Plummer possível vencedor do Oscar de coadjuvante por outro filme, Toda Forma de Amar) que deseja saber por que sua sobrinha favorita desapareceu décadas antes. Os suspeitos são alguns parentes que eram nazistas ativos naquela época (apesar da Suécia ter sido neutra). A família toda é muito rica, mas não se dão entre si e não ajudam muito na investigação que se torna mais interessante porque ele contrata como ajudante/pesquisadora uma garota que é toda tatuada e cheia de piercing, que é justamente essa Lisbeth Salander, uma mulher de poucas palavras e muita briga que mantém ligações lésbicas, hacker e mestre em invadir casas e descobrir segredos. Mas também excelente para desenterrar esqueletos dos armários.

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Mikael aos poucos se envolve com ela, chegando a ter também uma relação sexual. É quando a versão americana derrapa forçando ao final uma situação que procura tornar a heroína mais normal, mais convencional. Lisbeth teria se apaixonado por Mikael e sonhado em ser normal (entre aspas). É uma das razões porque prefiro o filme original, a outra é a atriz Rooney Mara. Ela tinha tido uma participação eficiente como a garota do começo em A Rede Social, o que a levou a ser escolhida para Lisbeth. Mas lhe falta a atitude, a experiência, o peso do personagem que ela deixa mais superficial e menos rancorosa.

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É preciso dizer também que a resolução não é muito surpresa e me pareceu muito prolongada. E novamente erra em colocar um ator mais conhecido do que os outros como vilão maior. Também não vi maior trabalho de criação na direção (o resultado de bilheteria é decepcionante, custou por volta de US$ 90 milhões - pra onde foi tanto dinheiro? - e não rendeu nem isso, é mais um que não se pagou no mercado americano).

É verdade que a esta altura os livros também já são sucesso aqui no Brasil e o interesse vai aumentar. Mas continuo preferindo as versões originais suecas.

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