28 janeiro 2012 às 06:00
Neste domingo tem SAG (Screen Actor´s Guild)
Toda vez que eu falo em SAG as pessoas fazem cara de nada. E depois de um tempo replicam: “não sei o que é isso”. Diz uma amiga que no Facebook está tendo, pelo menos, uma certa agitação e expectativa. Espero que sim, já que vou comentar neste domingo (29) a entrega do prêmio do Sindicato dos Atores, ou seja, Screen Actor´s Guild, que já tem bastante tradição, mas procura ser mais discreto (ao menos até agora não faz o pré-show do tapete vermelho, embora depois aparecem as fotos dos vestidos. Aliás, o problema é que o padrão geral das roupas melhorou muito, como se demonstrou no Globo de Ouro. Fica difícil encontrar cafonices para a gente zombar!).
Sua importância estratégica é simplesmente porque a maior parte dos votantes do Oscar são atores, então, em geral, tem maior chance de repetir a dose. Outra coisa boa é que a transmissão é produzida pela própria Turner, ou seja, a dona da TNT, portanto tudo é mais direto (duas horas em vez de três) e mais direto, menos categorias, um prêmio especial (neste caso, Mary Tyler Moore, sobre quem já escrevemos aqui) e a recordação dos sócios do Sindicato que faleceram (nesse caso, muito completo). Os apresentadores são sempre atores que vão se revezando, os indicados ficam em mesas grandes por equipes e, assim como o Globo, é servida bebida alcoólica (mas ao contrário dele, não sei se é por ser festa da categoria, eles se contêm e são mais discretos e festivos).
Não há menos dúvida, porém, que há excesso de premiações hoje em dia e a tendência é confundí-las e esvaziar a última e mais importante, que seria o Oscar (marcado para domingo da 26). Por isso eles sonham em adiantar a premiação, mas isso causaria muitos problemas:
1) Como no resto do mundo Hollywood para durante as festas e começa a retornar para o Globo. Mexer na data traria também problemas na programação de filmes para o fim do ano, isto é, seria uma confusão dos diabos;
2) Outro o problema maior é que o Oscar mais ou menos concorre com o Super Bowl (final do futebol americano), o que impede mudanças radicais ao menos em breve;
3) A Academia tem outro problema para resolver que é com o Kodak Theater (será que terão que encontrar outro patrocinador agora que a Kodak pediu concordata?). Eles admitiram que se decepcionaram com o teatro (é pequeno, tecnicamente tem problemas, como apenas uma entrada para o exterior por onde podem entrar e sair sets, pouco aparelhado etc e tal). Quando manifestaram a vontade de não continuar nele, apareceu uma oferta de outro auditório em Los Angeles, muito maior e melhor. Então não duvidem que haja mudanças.
Voltando ao SAG, vocês sabem que, como faz supor o nome, eles apenas premiam atores, nada mais. E não tem a categoria melhor filme, mas o último prêmio é Melhor Elenco (ou Ensemble/Conjunto) que não existe no Oscar. Ou, como eles dizem, “Outstanding Performance by a Cast in a Motion Picture”, “In a Drama Series” ou “Comedy Series”. Ou seja, quando levam o prêmio, todo o elenco presente sobe no palco, o que não deixa de ser divertido (eles escalam um deles para falar em nome de todos).
Neste ano, em particular, os indicados são fortes porque quase todos têm elenco grande e muito competente. É o caso de Meia Noite em Paris, Missão Madrinha de Casamento, Os Descendentes, menos um pouco de O Artista. Mas muito de Histórias Cruzadas, que parece ser o favorito por misturar um elenco feminino excepcional, de atrizes brancas e negras. Entre elas a grande Viola Davis e Emma Stone (já comentei com vocês que nesta última viagem descobri que ela é muito popular atualmente nos EUA, onde já a chamam de nova namoradinha da América, isso antes do novo Homem Aranha).
Embora a escolha dos indicados tenha sido bastante semelhante ao resultado do Globo de Ouro, foram lembrados alguns nomes diferentes. Vamos falar deles:
Para melhor ator: Demián Bichir é um já veterano ator mexicano que pareceu ter a chance de sua vida com o filme de Chris Weitz (Lua Nova, Um Grande Garoto), que por sua vez é neta de mexicano (sua avó Lupita Tover foi estrela no começo do falado). Ele fez esse filme pessoal que não estreou aqui ainda e nem se quando chega porque foi fracasso. É sobre um jardineiro mexicano sem papéis que tenta ajudar um filho adolescente que foi preso.
Bichir (1968) segura o personagem, mas não faz nada de excepcional. Ele é veterano de muitos filmes como o mexicano Sexo, Pudor e Lágrimas. Esteve ainda em Sem Notícias de Deus, Che, as séries Weeds e Capadocia.
Demian disputa com George Clooney (Os Descendentes), Leonardo Di Caprio (J Edgar), Jean Dujardin (O Artista) e Brad Pitt (O Homem que Mudou o Jogo). Destes apenas Di Caprio dançou na lista do Oscar (e o pior é que ele não está bem mesmo no filme).
Para coadjuvantes duas novidades nas indicações , um deles merecida, outro um total equívoco:
Nick Nolte – Pensava–se que este seria o ano da reabilitação do ator, depois de problemas com alcoolismo e ao que parece a saída do "rehab". Ele está bem como o pai (é meio autobiográfico, também um ex-bêbado) no filme Guerreiro, que acabou de sair em Home Vídeo (vou comentar mais tarde, mas é bem interessante o drama sobre lutas). Nolte (1941) já foi indicado duas vezes ao Oscar (O Príncipe das Marés e Temporada de Caça). Nolte entrou na lista do Oscar.
Armie Hammer – Fez o papel duplo de gêmeos em A Rede Social quando chegou a impressionar. Mas pelo jeito foi engano porque está constrangedor como o amante gay de Edgar Hoover. O rapaz é de 1986, casado e careta, filho de milionários, e já está em Mirror, Mirror, uma estilizada Branca de Neve (como príncipe, claro) com Julia Roberts. Ficou de fora no Oscar, graças a Deus.
Concorre com o favorito Christopher Plummer (Toda Forma de Amor), Jonah Hill (O Homem que Mudou o Jogo), e o inglês Kenneth Branagh (Sete Dias com Marilyn). Todos também estão no Oscar.
Não há novidades entre as atrizes protagonistas, que são Viola Davis (Histórias Cruzadas) Glenn Close (Albert Nobbs), Tilda Swinton (Precisamos Falar de Kevin), Meryl Streep (A Dama de Ferro) e Michelle Williams (Sete Dias com Marilyn). Tilda não emplacou o Oscar.
Dentre as atrizes coadjuvantes temos a premiada Octavia Spencer (Histórias Cruzadas), a argentina Bérenice Bejo, Janet Mc Teer (Albert Nobs) e duas que não entraram no Globo, mas sim no Oscar:
Jessica Chastain – por Histórias Cruzadas. Mas este é a ruiva do momento, nascida em 1981, já que está numa enormidade de filmes: A Árvore da Vida, o injustiçado Coriolanus (aliás, Vanessa Redgrave que faz a mãe devia estar nesta lista), O Abrigo, No Limite da Mentira, Em Busca de um Assassino (outro que saiu aqui em Home Vídeo, pela Califórnia) e ainda Wilde Salome, dirigido por Al Pacino.
Melissa McCarthy - A comediante do momento, nascida em 1970, gordinha e adorável na série Mike & Molly e antes em Gilmore Girls e Samantha Who. Também em Juntos pelo Acaso, Plano B. Representa a nova geração de obesos que abundam na América.
As outras categorias são de televisão:
Elenco de comédia: 30Rock, The Big Bang Theory, Glee, Modern Family e The Office (que foi o último ano de Steve Carell).
Elenco de drama: Boardwalk Empire, Breaking Bad,Dexter, Game of Thrones – a única novidade e possível favorito - e The Good Wife.
Ator em comédia: Os já veteranos Alec Baldwain (30 Rock), Ty Burrell (Modern Family), Steve Carell (Office), John Cryer (Two and a Half Man), Eric Stonestreet (Modern).
Atriz em comédia - Julia Bowen (Modern Family), Eddie Falco (Nurse Jackie), Tina Fey (30 Rock), Sofia Vergara (Modern Family), Betty White (No Calor de Cleveland). Betty comemorou recentemente os 90 anos e já ganhou premio especial pela carreira do SAG . Também concorre por telefilme.
Ator em drama – Patrick J Adams (Suits), Steve Buscemi (Boardwalk Empire), Kyle Chandler (que ganhou o Emmy pela última temporada de Friday Night Lights), Michael C. Hall (Dexter), Bryan Cranston (Breaking Bad).
Atriz em drama: Kathy Bates (Harry´s Law), Glenn Close (Damages), Jessica Lange (American Horror Story, que levou o Globo), Julianna Margulies (The Good Wife) e Kyra Sedgwick (The Closer).
Na categoria ator em telefilme ou minissérie tem novidade que á presença de Laurence Fishburne pela produção da HBO (ainda inédita, deverá ser exibida no Brasil este ano!) em Thurgood (na verdade é um teatro filmado, onde Fishburne (nascido em 1961 e que estreou aos 15 anos em Apocalypse Now) faz o papel do primeiro negro que foi indicado e serviu na Corte Suprema de Justiça nos EUA. É um bom trabalho que ele fez ao mesmo tempo que estava na série CSI que já largou!
Outro que não estava no Globo é Greg Kinnear (nascido em 1963) por sua interpretação de Jack (John) Kennedy na polêmica minissérie Os Kennedys/The Kennedys . Geralmente ele tem feito papeis mais leves em comédia (Pequena Miss Sunshine, Melhor é Impossível, Sabrina). Filho de diplomata, ficou conhecido como primeiro repórter, depois apresentador do Talk Soup da MTV. Ninguém dava por ele mas se afirmou na carreira.
Os outros indicados são Paul Giamatti que faz muito pouco em Too Big to Fail/ Grande Demais Para Quebrar da HBO (já estreou aqui e tem sido reprisada), Guy Pearce, que ganhou o Emmy por Mildred Pierce, e James Woods também por Grande Demais Para Quebrar (um retrato muito serio de como começou a recessão americana a partir do ponto de vista do Secretário do Tesouro, feito por William Hurt, que deveria ter sido lembrado também).
Na categoria de atriz em telefilme e minissérie a novidade é Betty White pelo inédito aqui The Lost Valentine (eu já assisti o telefilme, que é sobre uma senhora de idade que recorda seu grande amor que perdeu durante a Segunda Guerra e que irá receber uma medalha póstuma. Ela aparece relativamente pouco porque tudo é contado em flashback com outra atriz: Meghann Fahy. Tem no elenco ainda Jennifer Love Hewitt).
As outras indicadas são Diane Lane, excelente em outro filme da HBO, Cinema Verité (em cartaz no canal), a brilhante Maggie Smith em Downton Abbey (não é Downtown!) desta vez com mais frases e piadas, Kate Winslet (Mildred Pierce) e Emily Watson num filme inglês bem interessante, chamado Appropriate Adult (onde ela cumpre a lei local, onde um adulto tem que acompanhar um processo para impedir que o acusado seja prejudicado).
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