30 janeiro 2012 às 07:30
As surpresas do Prêmio SAG

Não sei se posso falar em surpresas, mas a verdade é que agora que tudo embolou mesmo na corrida do Oscar. Enquanto no sábado saiu a notícia de que o Sindicato dos Diretores tinha escolhido O Artista como melhor Direção do ano, corroborando o que havia votado outro sindicato importante, o dos produtores, veio a festa de entrega do Sindicato dos Atores que acabou dividindo prêmios e dessa forma, voltou a dar interesse a corrida do Oscar.
Agora, pela primeira vez neste ano fica difícil apostar em quem será o vencedor. Não dá para saber se a votação dos atores (ou seja, aqueles que têm maior número de votantes no Oscar) vai se refletir ou não quando chegar a hora da Academia. Será possível que eles teriam coragem de dar um premio de Melhor Filme para um filme francês, mudo, preto e branco, que é fracasso de bilheteria nos Estados Unidos (aqui as pessoas saem no meio reclamando porque odeiam ler letreiros e cresceram já com o colorido, desconhecem e desprezam o preto e branco!)?
Melhor Ator ainda pode ser, como já fizeram antes atá com Roberto Begnini, mas filme? Logo no Oscar que nasceu para promover o cinema americano em todo o mundo? Duvido que os capitalistas tenham se modificado tão de repente assim, antes e sempre está o interesse deles, dos americanos. A grana deles, os bônus. A Europa, a França traz apenas a perfumaria, o lucro sempre tem sido deles.
Mas quando digo que a corrida ficou mais interessante no Oscar tem também o caso de Meryl Streep versus Viola Davis. As duas são amigas, ambas estão extraordinárias a sua maneira. Eu achava Meryl invencível por que seu trabalho como Margaret Tatcher é absolutamente fantástico e de cair o queixo. Mas fiquei pensando. Fiquei admirador de Viola depois que a vi como coadjuvante, chorando com Meryl de vilã e ela teve gestos e comportamentos de gente, não de atriz em cena. Agora me penitencio de não ter prestado atenção nela antes, nem nos três filmes que fez com Steven Soderbergh. Por outro lado a vi na Broadway ao lado de Denzel Washington e estava novamente extraordinária. Viola é excelente mesmo. E fiquei pensando, será que num ano de eleição, num ano em que os famigerados republicanos que provocaram a crise e não deram condições de Obama governar ameaçam voltar e piorados! Será que não seria bom ganhar não uma (Octavia Spencer está praticamente certa como coadjuvante, mas duas, com Viola levando de protagonista?) Se eu fosse Meryl retirava minha candidatura, me considerava hors concours e abria caminho para essa grande figura (não me contive e deixei claro como achei além de tudo Viola muito bonita na televisão!).
Se The Help não chega a ser um grande filme, infelizmente, ele tem uma importância social para o americano que não é difícil de imaginar. E não me digam que não virão algumas brasileiras grã-finas ou novas ricas brasileiras se comportarem de maneira parecida!
Até agora meu filme favorito tem sido o Hugo Cabret, de Scorsese, que havia ficado fora do SAG, porque seu forte não chega a ser seu elenco. Mas até isso foi consertado, porque pelo jeito a turma da Kristem Wiig ou Tina Fey, resolveu usar o nome de Scorsese como palavra de guerra... Cada vez que se dizia o nome dele tinham que beber um trago! E isso resultou num momento divertido de farra alcoólica numa festa que tem a mania de ser bem comportada demais. Embora seja servida bebida, todos agem como se estivessem numa festa particular, ou numa reunião do Sindicato. Atá agora quando finalmente abalaram o decoro tradicional.
Se o SAG confirmou Christopher Plummer como favorito (merecido) como coadjuvante, francamente não sei direito que possa ganhar. Temos ainda algumas semanas para ver como as coisas vão crescer e modificar. Mesmo porque tudo pode mudar de uma hora para outra. Vejam o bom moço e rico Armie Hammer que foi preso por consumir biscoitos de maconha!!! (e foi na festa como se nada houvesse!) ou o cabo de aço do musical Xanadu que estupidamente e injustificavelmente se quebrou!!!! Ou seja, nada é certo...
É justamente por isso que a gente gosta de cinema. Cinema é sonho como dizem Scorsese e O Artista. Cinema é luta, é guerra, é direitos humanos nos afirma Histórias Cruzadas, A Separação, ate mesmo A Árvore da Vida. Vamos ver que tendência vai vencer.
PS- Não mencionei muito, quero dizer nada, os prêmios da televisão porque não curto muito o Broadwalk Empire, ainda mais já sem Scorsese. Sem querer entreguei a morte do mocinho Michael Pitt (na verdade Buscemi já o tinha feito antes) também porque o acho péssimo e o SAG me pareceu meio avesso a novidades e ousadias. Ao menos na tevê.
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