2 fevereiro 2012 às 06:00
Estreia – Histórias Cruzadas
(The Help) EUA, 11. 147 min. Touchstone. Direção de Tate Taylor. Com Viola Davis, Octavia Spencer, Jessica Chastain, Emma Stone, Cicely Tyson, Bryce Dallas Howard, Allison Janney, Sissy Spacek, Mike Vogel, Mary Steenburgen e Chris Lowell.

Este é um caso semelhante ao de O Homem que Mudou o Jogo, um filme que ficou na prateleira na expectativa do Oscar, que todo mundo achava que iria concorrer e até ganhar. É verdade que o atraso teve as consequências óbvias tais como a chegada das cópias piratas e a perda de impacto (o filme já saiu de moda como acontece com tanta rapidez hoje em dia).
Foi um grande sucesso nos Estados Unidos, custou por volta de 25 milhões de dólares e rendeu mais de 170 milhões). Nada mal para um filme pequeno, de interesse mais para o público feminino (e o público negro), mas que tinha a vantagem de ser baseado num livro que foi best-seller.

Eu fiquei muito assustado quando vi nos EUA alguns dizerem que o filme é corajoso e ousado, ao mostrar o relacionamento entre patroas brancas e empregadas negras num Estado sulista, em meados dos anos 60, quando finalmente começa a integração racial. Gente, eu estou falando há relativamente pouco tempo. Que coragem é essa que só nos anos 60 foram terminar com a divisão entre raças e tratar os negros como cidadãos? Devia ser visto como uma vergonha nacional isso sim.
Bom, antes tarde do que nunca. Mas tira um pouco da força do filme que, não é especialmente bem dirigido, já que a autora do livro autobiográfico Kathryn Stockett (vivida no filme por Emma Stone) exigiu que fosse um velho amigo dela de infância no Mississipi, um ator chamado Tate Taylor (esteve em Inverno Dalma, Queer as Folk e Quebrando as Regras, mas em papéis pequenos).
Dirigiu antes um curta e Pretty Ugly People, 08, com Octavia Spencer que chamou para o filme. Isso explica porque ele não tem sido reconhecido muito pelos colegas e não está entre as indicações do Oscar: que foram para Octavia, Viola Davis, filme e outra coadjuvante Jessica Chastain, ou seja, relativamente poucas.
Reza a lenda que o livro original foi rejeitado mais de 60 vezes por diversos editores, o que não precisa nem ser comentado. Mas até que Tate fez um trabalho importante na escalação do elenco e na familiaridade criada entre elas.
Basicamente é um drama de costumes, que mostra como se comportam as madames de classe média alta em relação à chamada “ajuda”, ou seja, as empregadas domésticas. Embora nunca em guerra aberta, elas são vítimas de todo tipo de preconceito e humilhação e mesmo quando demonstram amizade, a barreira fica muito clara.
Emma faz Skeeter, uma estudante recém-formada que tem a ideia de gravar o que pensam essas empregadas, coisa inédita e ainda escandalosa (o personagem seria a mãe da autora). As que aceitam dar o depoimento estão, inclusive, se arriscando.
Bryce Howard tem o papel ingrato de ser a jovem esposa ambiciosa e insegura que desconta na serviçal. Enquanto Jessica (A Árvore da Vida) faz uma recém-esposa de homem muito rico que precisa de ajuda para ser uma boa esposa.
As verdadeiras protagonistas são Viola e Octavia, ambas excelentes atrizes que nos tocam o coração. Viola tem mesmo chance de levar como atriz, caso Meryl – que, aliás, é sua amiga - não estivesse tão arrasadora com Dama de Ferro -e Octavia parece certa como coadjuvante.
Acho que o filme comporta mais comentários e analises e estou consciente que este comentário está superficial. É um filme que eu quero ver de novo e com mais cuidado.
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