3 fevereiro 2012 às 08:37
A Música Segundo Tom Jobim. Documentário de Ana Jobim e Nelson Pereira dos Santos
Foi uma curiosa opção feita pela neta do compositor e o veterano e ilustre cineasta Nelson Pereira: Eles fizeram um documentário que não nos fornece qualquer informação biográfica, não tem narrador, nem sequer identifica os que estão cantando ou interpretando a música de Jobim (o que torna o filme um quebra-cabeça com as pessoas se interrogando quem diabos é esse ai?!).
Foi uma opção narrativa (dizendo que palavras não fazem justiça a obra de Jobim), mas que rouba do filme qualquer valor cultural ou informativo. Vira apenas uma colagem de muitos momentos musicais, de origens diferentes, quase sempre de tapes estrangeiros. Prazerosos na medida em que você conhecer a obra e os interpretes do grande Jobim (1927-94).
Confesso que sou e sempre fui grande admirador dele, embora nunca tivesse a coragem de abordá-lo. Por isso o filme me tocou especialmente quando resgata uma raridade como uma sequência com Sylvia (Sylvinha) Telles que sempre foi minha musa e cantora preferida – e continua sendo – apesar de sua morte prematura em acidente de carro em 1962. O filme apresenta um número gravado pela Alemanha que eu desconhecia e apreciei muito. Assim como foi ótimo se emocionar novamente com Elis Regina (duas vezes em clipes do seu disco com Jobim), Maysa (da TV Cultura), Agostinho dos Santos (parece que também da Cultura). Enfim, o espectador tem que esperar pelo final para ver creditados os nomes das canções e dos interpretes (e como não é ainda copia em DVD, não fica fácil voltar atrás para revê-los, ou relembrar).
A pesquisa ao menos foi longe. Temos dois números de Sinatra com Jobim, interpretações de musicas suas por Gal Costa, Alaide Costa, Sammy Davis Jr, Diana Krall, Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan, Sabiá quando concorreu e ganhou Festival da Canção, Adriana Calcanhoto, cantores franceses (Pierre Barouh, Henri Salvador, Lio), italianos, orquestras sinfônicas, músicos de jazz e outros mais.
Começa bem com trecho antigo mostrando o velho Rio (será que é do filme Pista de Grama? Onde aparece também Elizeth Cardoso com João Gilberto ao violão?), mas não mostra nenhuma das belíssimas trilhas que Jobim fez para o cinema! São 42 músicas e a gente não sente como overdose. Mas como documentário resulta insatisfatório. O fã queria mais e melhor contado.
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