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3 fevereiro 2012 às 06:00

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Direto em Home Video: Filmes importantes

Não entendo muito o critério de lançar filmes indicados a prêmios diretamente em Home Video, ou seja basicamente DVD (que hoje estão em crise, por causa da pirataria como qualquer criança sabe). Já sucedeu isso com o vencedor do Oscar recente Guerra ao Terror, agora novamente com Toda Forma de Amar (que é o favorito para Oscar de coadjuvante com Christopher Plummer) e mais dois filmes badalados e que foram indicados a prêmios e considerados de qualidade. É o caso de 50 por cento (50/50) da Swen e também Guerreiro (Warrior), da Imagem.

50 Direto em Home Video: Filmes importantes

50 por cento (50/50) EUA, 11.100 min. Áudio: português, inglês. Leg: português, inglês.14 anos. Widescreen. Cor.

Elenco: Joseph Gordon Levitt, Anna Kendrick, Seth Rogen,Anjelica Huston, Bryce Dallas Howard, Serge Houde, Matt Frewer, Phillip Baker Hall, Will Reiser (como Greg).

Diretor: Jonathan Levine (Warm Bodies, 12, The Wackness, 08, All the girls love Mandy Lane, 06). Roteiro de Will Reiser.

Sinopse: Adam de 27 anos descobre que esta com câncer e seu amigo Kyle o ajuda a atravessar a crise e os problemas com as mulheres e a família.

Foi indicado ao Globo de Ouro de Melhor Comédia e Ator de Comédia (Levitt), ao Sindicato dos Roteiristas como Melhor Roteiro Original, ganhou como Roteiro do National Board, foi Melhor Filme no Festival de Aspen, indicado ao Independent Spirit (ainda não entregaram) como Filme, Roteiro de Estreante e Coadjuvante (Anjelica). No Festival de Hollywood, Levitt foi votado Ator do Ano. Foi ainda indicado como Roteiro pelos críticos de Dallas, San Diego, Washington (ganhou) e Broadcast. Nada mal para um filme relativamente modesto (custou oito milhões de dólares, mas rendeu nas salas americanas mais de 34!), que foi o mais sensível na atual moda de se fazer histórias sobre o recrudescimento das pessoas atingidas por câncer.

Uma história autobiográfica da próprio roteirista que foi incentivado pelo ator Seth Rogen para passar para o cinema (que assina como co-produtor), suas desventuras, mas sempre em tom de comédia (a HBO tem uma série parecida com herói feminino, Laura Linney em The Big C). É um tom difícil de conseguir, porque raramente se conta a história de um rapaz jovem que é atingido pela doença. É curioso que James MacAvoy ia fazer o papel, mas teve que deixar o projeto e com menos de uma semana para se preparar foi substituído por Joseph Gordon Levitt, que mudou muito desde os tempos em que fez a serie Third Rock from the Sun. Hoje é um dos mais talentosos e ocupados atores de sua geração (ele é de 1981). Ele raspa sua cabeça inclusive numa cena que não estava no script e o diálogo entre os dois foi totalmente improvisado. Seth Rogen era amigo pessoal de Reiser e ajudou durante a doença, depois convencendo-o a escrever o filme.

A produtora foi a mesma Summit (Lion´s Gate) de Crepúsculo e queria um beijo ao final com a terapeuta (feita por Anna Kendrick também de Crepúsculo),  mas eles se recusaram a filmá-la. Embora passado em Seattle, foi rodado no Canadá por questões econômicas. Quem faz a namorada do herói que não agüenta a pressão e começa a traí-lo foi Bryce Howard, filha de Ron Howard e também em The Help. Curiosamente foi ela que sugeriu o título atual que emplacou (já que o herói tem cinqüenta por cento de chances de escapar com vida do tratamento). Embora preocupado com a vida sexual e amorosa do herói, o filme consegue ser humano (como no relacionamento com sua família) sem nunca cair na sitcom ou apelação. Chega mesmo a funcionar até na conclusão. Nunca chega a ser depressivo como outros do gênero. Vale a pena conhecer.

2 Direto em Home Video: Filmes importantes

Guerreiro (Warrior) EUA, 2011. Áudio: inglês, português. Leg: inglês, português. Imagem. 139 min. Cor. Widescreen. 12 anos.

Diretor e história original de Gavin O´Connor. Roteiro de O´Connor, Anthony Tambakis, Cliff Dorman.

Elenco: Tom Hardy, Joel Edgerton, Nick Nolte, Kevin Dunn, Frank Grillo, Jennifer Morrison.

Sinopse: Dois irmãos que não se dão e seguiram caminhos diferentes na vida irão se encontrar como rivais e oponentes no mundo da MMA (Mixed Martial Arts). Tommy é ex-fuzileiro naval, que serviu no Iraque e retorna a sua cidade e faz as pazes com o pai. Brendan é um bem-comportado professor de física de escola publica que passa por problemas financeiros e para cuidar da família (esta prestes a perder a casa) volta a lutar num ringue.

Embora ache o título sugestivo, muita gente o culpa pelo filme não ter feito melhor carreira nos cinemas americanos ao ser confundido com um mero filme de ação (custou 30 milhões de dólares e não rendeu mais do que 17). O diretor O´Connor ainda não é consagrado, mas tem uma boa carreira em filmes como Livre para Amar (aquele que deu indicação ao Oscar para Janet McTeer), o esportivo Desafio no Gelo (Miracle com Kurt Russell) e Força Policial (Pride and Glory, com Edward Norton e Colin Farrell). Mas preparem-se para um bom drama sobre artes marciais.

Quem teve melhor resultado público com o filme foi Nick Nolte, que tem uma boa interpretação como o pai dos dois irmãos que se enfrentam. Ele foi indicado como coadjuvante pelos criticos de Broadcast, On Line, Chicago, Satelitte (com Tom Hardy também como protagonista), pelo SAG, tendo ganho no de San Diego. Foi também indicado ao Oscar de Coadjuvante . É curioso que o personagem foi escrito especialmente para Nolte pela dupla de roteiristas (que são seus vizinhos em Malibu. Os produtores a princípio porém relutaram em escalá-lo por causa de sua reputação de bêbado).  O filme é dedicado ao fundador do Tapout chamado Charles Mask Lewis que morreu dias antes da filmagem, vítima de motorista bêbado.

Ele iria fazer o papel do promotor de lutas e o diretor O´Connor assumiu o personagem. Muito bem realizado, quase um épico, é o tipo do filme que irá agradar os que gostam deste tipo de luta que entrou recentemente em moda (até pela presença de brasileiros). Mas pode atingir um público maior ao mostrar o conflito entre os dois irmãos e o pai, sem cair em exageros ou melodramas. Aprecio em especial o ator inglês Tom Hardy, que para mim foi revelado em Rock n´rolla, de Guy Ritchie (como o capanga gay), esta atualmente em O Espião que Sabia Demais, mas se consagrou mesmo com A Origem/Inception (por sinal está em papel marcante Bane no último Cavaleiro das Trevas). Ele é quem faz o caladão e problemático veterano de guerra enquanto o irmão bom (é meio Caim e Abel) fica nas mãos de um australiano que você conhece mais de cara do que de nome, Joel Edgerton, veterano de Star Wars (A Vingança do Sith), Reino Animal, o novo Enigma de Outro Mundo e no novíssimo Great Gatsby.

Como vários filmes recentes assume a crise financeira nos EUA a que já chamam de recessão. Embora a trama possa ser um pouco clichê e lembre vagamente o recente O Vencedor com Mark Wahlberg, alterna momentos de tragédia grega com violência física (as lutas, embora brutais, são bem encenadas). Tanto que os dois atores se machucaram feio, Joel com os ligamentos na cena da gaiola (pararam a produção por seis semanas por isso) e Tom quebrou dedo do pé, costelas e um dedo da mão.

Originalmente o filme iria se passar em Long Beach mas mudaram para Pittsburgh por causa dos incentivos fiscais locais. O final agora em Atlantic City ia ser feito em Las Vegas. O campeão Olimpico Kurt Angles faz o lutador russo Koba. A primeira cena que Nick Nolte rodou foi aplaudido ao final pela equipe (mas não consta do filme, esta nos extras da edição em DVD americana). Também nessa edição tem um começo alternativo na Prisão de Moundsville em West Virginia em que o personagem de Tom Hardy aparecia lutando numa “Cage”. Mas também foi cortada. Outros lutadores da UFC como Anthony Johnson e Nate Marquardt aparecem no filme. Pelo comentário dá para sentir que é um filme de luta e ação, mas de qualidade acima da média. Também vale conferir.

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