4 fevereiro 2012 às 06:00
As estreias americanas que eu assisti (Parte 1)
Como Agarrar o meu Ex- Namorado - Confissões de um Fã
Não perco o vício: assim que chego em qualquer cidade, no exterior principalmente, corro para ver o que está em cartaz nos cinemas. Desta vez, para transmitir o SAG, eu já fui na expectativa de conseguir asssitir em primeira mão à volta ao cinema de Debbie Reynolds na comédia de ação One for the Money, da Lion´s Gate, que será lançada aqui no Brasil pela Playarte. O título será Como Agarrar o meu Ex-namorado (previsto para estrear dia 16 de março). Cheguei mesmo a tentar fazer uma junket do filme mas a data não deu certo (apesar da atenção e gentileza da Playarte). Talvez tenha sido melhor assim.
Abrindo um parêntesis. Muitas vezes admiti a minha admiração por Debbie Reynolds, desde o tempo de criança, assumindo que sou fã dela desde Tammy e, antes disso, em Quando Canta o Coração. Depois, sempre a defendi como boa atriz e principalmente comediante. E vi com admiração como ela enfrentou os problemas da vida, divórcios, falências, crises com a filha e assim por diante, inclusive os leilões que tem feito com seu Museu de Hollywood (ela completa 80 anos agora em 1 de abril). Sempre com coragem e bom humor.
O problema é que ser fã (que vem de fanático) não me deixa cego nem surdo. Sempre estive consciente de que na ânsia de agradar, Debbie por vezes cai no exagero, na caricatura, principalmente na televisão (fez a mãe de Roseanne, horrível embora tenha acertado como a mãe de Will e Grace, no caso Grace). Minha esperança tinha renascido com o acerto dela naquele pouco visto Mãe é Mãe (Mother, 96), em que o diretor Albert Brooks a dirigiu com cuidado, cortando os excessos e pedindo sutileza. Embora o filme não tenha sido sucesso, deu a Debbie uma merecida indicação ao Globo de Ouro.
Ou seja, não é que ela não saiba fazer, é que os diretores têm medo de dirigi-la (o que por sinal sucede sempre com os monstros sagrados), o que deve ter sido o caso aqui de uma moça chamada Julie Anne Robinson (que fez muitos episódios de séries, mas um único longa, o fraco A Última Canção, com Chaning Tatum). Sua inexperiência fica clara também como não sabe contar a história no tom certo, misturar policial com comédia e nem sequer valoriza a charmosa e interessante Katherine Heigl, que faz a protagonista. Eu não sabia antes mas o filme é baseado no primeiro de uma série de livros de sucesso de Janet Evanovich e que já havia sido adaptado para um telefilme em 2002 (One for the Money, com Lynn Collins).
A heroína chamada Stephanie Plum perdeu seu emprego de vendedora de roupa de baixo e consegue que seu primo lhe dê um emprego como caçadora de recompensas, aquela profissão bem americana de ir atrás de pessoas que fugiram depois de conseguir que uma agência pagasse a fiança para ficarem fora da cadeia pelo crime que cometeram. Mais ou menos como acontecia no Velho Oeste. A graça seria que ela é inteiramente incompetente com armas e com investigações e, ainda por cima, tem de encontrar uma ex-transa (não é bem namorado, ela ficou com ele mas este sumiu na manhã seguinte, deixando-a até agora com muita raiva e desejo de vingança). O papel desse policial que está sendo perseguido pelos colegas e pode ou não ser inocente é feito por Jason O´Mara que não me deixou maiores lembranças (ele é o irlandês das séries Terra Nova e Life on Mars). Nem precisa dizer que os dois brigam muito, entram em tiroteios e confusões e naturalmente voltam a se envolver.
O problema com o filme é que a diretora não sabe conduzir a história, não explica direito qual o papel de outro policial que aparece de vez em quando para ajudar a heroína (feito pelo mulato da Broadway Daniel Sunjata, que é muito mais carismático que O´Mara e dá a impressão de ser o parceiro dos livros seguintes. O problema é que dado ao fracasso do filme, dificilmente haverá essas continuações no cinema). Assim, as sequências que deviam ser divertidas não têm graça, a identidade do vilão é mais do que óbvia e várias coisas são absurdas (como a prostituta que fica amiga).
Nessa confusão sem graça, Debbie faz justamente a avó de Stephanie e tem quatro ou cinco cenas pequenas de comédia, que ela faz com todas as caretas do mundo. Um exagero de envergonhar o Zorra Total. A sequência com o revólver que aparece no trailer é uma calamidade. Vira a estrela da chanchada!
Claro que me sinto culpado ao escrever isso e fazer essa Mea Culpa. Nem sei se é a coisa certa confessar a decepção (não apenas de Debbie mas também de Katherine, que é das minhas favoritas). Mas é essa mania horrível de ser sempre sincero.
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