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18 fevereiro 2012 às 13:35

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Lançamento em DVD

A Versátil tem tido um trabalho notável lançando no Brasil filmes clássicos de ótima qualidade (tanto nas cópias, quanto na seleção), tanto americanos quanto europeus, de forma que hoje é certamente a melhor do gênero no Brasil. Essa excelência fica demonstrada neste mais recente pacote de lançamentos raros e importantes.

Os Ambiciosos  ***  La Fièvre Monte à el Pao

os ambiciosos ok Lançamento em DVD

Áudio: Francês. Leg: Port. Drama. Standard. 97 min. Preto e Branco. 1958. França/México. Versátil. 14 anos.

Diretor: Luis Buñuel. Elenco: Gérard Phillipe, Maria Felix, Jean Servais, Victor Junco, Raul Dantes, Miguel Angel Ferriz, Domingo Soler, Pillar Pellicer, David Reynoso.

Sinopse: El Pao é a capital da ilha de Ojedam num pais fictício da América Latina, onde descendente de Francês, Ramon Vasquez, trabalha como secretário do governador militar e é apaixonado pela mulher dele Inês. Quando o governador é morto por assassino político, Ramon sobe na hierarquia e se torna ministro, mesmo tendo que enfrentar um policial corrupto  que faz chantagem para ficar com Inês.

Comentários: Este é um filme atípico de Buñuel (1900-83), que também coescreveu o roteiro no que deve ser o mais político e menos surrealista de seus filmes. É mais uma alegoria do que são as ditaduras latinas, situando a ação numa ilha prisão onde se misturam prisioneiros comuns e políticos. É, basicamente, a história da corrupção de um homem que começou idealista, cheio de ideias e propostas, mas quando vai subindo na carreira as concessões terminam por destruí-lo e a quem ama (o final é um pouco aberto demais e poderia ter mais impacto).

É curioso porque o filme já demonstra como Buñuel já havia se reabilitado e conseguido prestígio na França, sendo o começo de sua grande fase (ainda que este filme não esteja entre seus mais elogiados e nunca foi reprisado no Brasil).

Mas os franceses de esquerda adoravam este tipo de história denunciando esse tipo de governo e, por isso, ele contou com a presença do astro de maior prestígio na época na França, Gérard Phillipe 1922-59, (super engajado, também sucesso no palco, morreu aos 36 anos em Paris, de câncer no fígado, possivelmente apressado pelas más condições de trabalho neste filme feito no calor dos trópicos e locações sem conforto.

Ele foi diagnosticado ao voltar da filmagem e, sem esperança, apenas aguardou a morte. No filme já dá sinais de estar doente e sem muita vitalidade. Também é super importante no projeto além da presença do maior fotógrafo do cinema latino da época o grande Gabriel Figueroa, assim como a de Jean Servais (recém consagrado por Rififi) como o vilão sem escrúpulos. Mas a grande figura do filme é a maior Diva do cinema mexicano em seu apogeu, Maria Félix (o filme é falado em Frances na qual ela dominava).

Maria (1914-2002) foi celebrada em canto e verso (porque também foi casada pelo maior compositor de seu tempo Agustin Lara, além do astro Jorge Negrete, até a morte dele em 53. De Grande beleza e personalidade foi a maior estrela do México em todos os tempos em filmes clássicos como La Escondida, o francês French Can Can de Jean Renoir, A Bela Otero, Rio Escondido, Maclovia, Dona Diabla etc. Embora não seja dos grandes trabalhos do diretor e cai por vezes no excessivo dramalhão, mesmo assim é interessante e fora do comum. Trailers e texto sobre o diretor.

Quando Desceram as Trevas *** Ministry of Fear

quando desceram as trevas ok Lançamento em DVD

Áudio: Inglês. Leg: Port. Suspense. Standard. 83 min. Preto e Branco. 1943. EUA. Versátil. 14 anos.

Diretor: Fritz Lang. Elenco: Ray Milland, Marjorie Reynolds,  Dan Dureya, Carl Esmond, Hilary Brooke, Alan Napier, Percy Waram.

Sinopse: Durante a Segunda Guerra, Stephen Neale sai de um sanatório onde cumpriu pena,  acusado de ter matado sua esposa doente (eutanásia). Antes de pegar o trem para Londres, para numa festa onde ganha um bolo que está sendo disputado por espiões. Acaba se envolvendo assim numa série de mistérios e perseguições, que envolve o Ministério da Home Security criado na época para lutar contra espiões.

Comentários: Este é um  filme americano menor do alemão expressionista Fritz Lang (1890-1976), que mantém seu estilo de fotografia claro/escuro para contar uma adaptação de romance do ex-crítico Graham Greene (que ficaria mais célebre depois com sua ligação com o diretor Carol Reed, com quem faria a obra prima O Terceiro Homem).

Estrelada pelo hoje esquecido, mas vencedor do Oscar, o inglês Ray Milland,  é basicamente uma aventura de espionagem com uma história de amor pouco convincente (a mocinha e ele se apaixonam imediatamente e ela até trai o irmão por isso) passada numa Londres chuvosa de estúdio onde todo mundo parece ser nazista ou vendido para eles.

Bastante movimentado, com uma sucessão de adivinhações, sessões espíritas, esconderijo no metrô, fugas por apartamentos etc, mas resulta num thriller frio, como se Lang nunca se deixasse se envolver com a história ou não acreditasse nela. Na verdade, foi ele quem descobriu o romance e tentou comprar os direitos. Quando aceitou o projeto produzido pelo também roteirista Seton I Miller,ex-safonista.

Seu agente, porém, esqueceu de colocar no contrato que poderia fazer modificações e todas que sugeriu foram recusadas. Por isso ele não gostava do filme, dizendo que esta longe de suas intenções e só o fez obrigado. Também não estava bem de saúde e durante as filmagens ficou sabendo da doença que o faria perder um olho!

Também a história lembra demais o Hitchcock de 39 degraus e Correspondente Estrangeiro. Hoje é visto mais com um exercício de estilo, com elegância inegável, mas um trabalho menor. Edição traz Trailers de clássicos e texto sobre Vida e obra de Lang.

Os Visitantes da Noite ** Les visiteurs du Soir

os visitantes da noite ok Lançamento em DVD

Áudio: Francês. Leg: Português. Romance. Standard 1.33. 1942. 122  min. PB. França. 14 anos.

Diretor: Marcel Carné. Elenco: Alain Cuny, Arletty, Fernand Ledoux, Marie Déa, Jules Berry, Henri Rust, Marcel Herrand, Roger Blin e como figurantes (Alain Resnais e Simone Signoret).

Sinopse: No final do século XV, casal de menestréis Gilles e Dominique são, na verdade, enviados do diabo para espalhar a discórdia no castelo do Barão Hughes. Gilles seduz a filha do barão que estava para se casar com outro enquanto Dominique conquista não apenas o Barão, mas também o noivo. O problema é que Gilles contrariando as ordens de seu chefe se apaixona de verdade pela moça.

Comentário: Numa excelente cópia restaurada, esta é a primeira vez que sai em Home Video no Brasil este clássico francês que foi durante muito tempo celebradíssimo pela crítica que louvava a obra do diretor Marcel Carné (1906-96), principalmente quando ele trabalhava com o poeta Jacques Prévert como roteirista, numa série de filmes que a crítica chamou de realismo poético (era uma espécie de precursor do filme noir, com clima melancólico e personagens trágicos que também previam a guerra próxima e a derrocada da França que foi ocupada durante anos pelos Nazistas).

Foi nessas condições difíceis que Carné trabalhou neste filme e no próximo que é considerado pela crítica francesa como o melhor filme francês de todos os tempos, O Boulevard do Crime (disponível em DVD). Esta alegoria durante muito tempo foi vista como uma espécie de resistência ao invasor alemão, mas é difícil atualmente se observar alguma mensagem política (embora tenha influenciado outros filmes do gênero como o de Bergman, O Sétimo Selo).

Rodado com dificuldades (primeiro no Val de Marne, depois num estúdio em Nice, na Cote D´Azur). Assim o Diabo seria Hitler e o amor seria a única forma de resistência! O que não convence muito hoje em dia. Há vários problemas, sendo o maior o fato de que a concepção de atores e beleza mudou muito. Todo o elenco aqui carece de beleza e cai em maneirismos, sendo que o diabo de Jules Berry é exagerado e ate cômico.

Arletty tem mais cara de drogada do que jovem sedutora e o galãzinho parece sofrer de tuberculose (Alain Cuny teria seu melhor momento como o intelectual que se mata em La Dolce Vita de Fellini). Mesmo a cenografia de Alexandre Trauner com seu castelo branco bem discutível esconde o orçamento modesto. Ainda assim, Carné insiste em alguns efeitos ingênuos mais curiosos, no começo quando o diabo faz um gesto bondoso (ressuscitando um urso, o que dá uma pista falsa), quando eles fazem os convidados dançarem  em câmera lenta e quando mostram a luta de espadas (muito mal feita) através de um reflexo numa água de piscina.

Nem mesmo os diálogos pseudo românticos e poéticos resistiram ao tempo e da para entender porque os críticos e realizadores da Nouvelle Vague detestavam o diretor (que ficou desacreditado nos anos 50 em diante) e o filme, que resulta pedante e falsamente comprometido. Sem crédito, Antonioni foi assistente de direção. Traz trailer de cinema e texto sobre Carné.

Desejos Proibidos  ***** Madame De...; The Earrings of Madame De...
max ok Lançamento em DVD

Áudio: Francês. Leg: Português. Romance. Standard 1.33.1953.  97 min. PB. França  Italia. 14 anos.

Diretor: Max Ophuls. Elenco: Danielle Darrieux, Charles Boyer, Vittorio De Sica, Jean Galland, Jean Deboucourt, Lia de Leo.

Sinopse: Na França, no final do século 19, a Condessa Louisa, esposa de rico general francês vende os brincos que o marido lhe deu no dia do casamento para pagar dívida. Mas o marido recupera os brincos e lhes dá a amante que os perde em Constantinopla onde são comprados por um nobre italiano, que por sua vez lhes da de presente a sua amada, justamente a Condessa Louisa. Mas ela não sabe manter o jogo da discrição.

Comentário: Indicado para o Oscar de figurino, esta é a obra-prima de Ophuls (1902-57) que ainda faltava sair em Home Video no Brasil. É uma delicada e sutil história de amor, realizada com todo o bom gosto e requinte de que o cineasta era capaz, lembrando mais Cara de uma Desconhecida do que Lola Montes. Tem o tom de um valsa (seu tema constante) ao relatar o drama de uma mulher frívola que entra na ciranda de amores e mentiras, que por fim a destroém.

A direção de arte é esplêndida, assim como a cópia restaurada, mas não se pode esquecer a marca registrada do diretor que são os travellings - os grandes movimentos de câmera, que fazem a dupla central deslizar pelo salão. Até hoje ainda esta viva Danielle Darrieux (nasceu em 1917 e continua trabalhando no teatro) que faz o papel título (nunca se diz o sobrenome dela, de alguma forma ele sempre é encoberto ou truncado).

A história é baseada em livro de Louise de Vilmorin (que também escreveu Julieta de Allegret, o roteiro de História Imortal de Welles, o episódio Adolescência de A Francesa e o Amor, e os diálogos de Os Amantes de Louis Malle).

Ao final tinha uma conclusão mais longa mostrando (spoiler!) como os brincos iam parar com uma jovem freira e depois com uma jovem que se casava com um General, fechando o circulo (ou seja, essa moça seria a próxima Madame De... Mas Ophuls achou  que isso enfraquecia o filme e o cortou pessoalmente já nas copias finais).

Contam que o famoso diretor Jean-Pierre Melville ajudou dirigindo figurantes nas cenas de dança de salão. De Sica (o célebre diretor neo-realista e popular astro de comédias) aceitou o papel porque era grande admirador de Ophuls e já queria ter feito o papel de Gabin em O Prazer.

O papel do Barão foi escrito já pensando nele! A mesma coisa aconteceu com Danielle. Charles Boyer era desde os anos 30 o ator francês mais famoso de Hollywood, onde continuava radicado na época mas voltou a França especialmente para participar do projeto (embora tenha tido diversas discussões com o diretor).

Uma pequena joia, o filme é indicado porém a quem admira o gênero romântico à moda antiga. Traz vida e oba de Ophuls e trailers de clássicos.

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