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23 fevereiro 2012 às 15:00

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Relembrando O Gordo e o Magro

Neste dia 23 de fevereiro de 1965 morreu um dos maiores comediantes do cinema, Stan Laurel (nascido na Inglaterra em 1990). Para nós, o sempre inesquecível Magro, da famosa dupla O Gordo e o Magro, Stan Laurel e Oliver Hardy (1892-1957).

Havia um ritual: o público já conhecia a música-tema deles (A Cukoo Song) e quando a ouvia, já começa a cantar ou assoviar junto. Felizes da vida e certos de que iriam se divertir muito. Porque Stan Laurel e Oliver Hardy, ou O Gordo e o Magro, como eram conhecidos no Brasil, formaram a dupla de comediantes mais famosa e querida do cinema em todos os tempos.

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Houve outras (Martin & Lewis, Abbot & Costello, e etc), mas nunca tiveram a longevidade, nem a eterna popularidade deles. Comprovei isso quando apresentei durante alguns anos na TV Cultura, um Festival Gordo e o Magro, que reprisou praticamente todos os curta-metragens que ele fizeram (alguns mudos foram estranhamente dublados para a televisão). E tinha incrível repercussão entre todas as idades. Por uma simples razão: eles continuavam a ser muito engraçados.

Na verdade, só com o passar do tempo é que a gente percebe a qualidade da dupla. Apesar do fato de eles serem sempre complemento de programa (ou seja, passavam junto com outro filme mais caro e mais importante), a maior parte de suas fitas foram curtas e sempre de orçamento muito baixo, em preto e branco.

A única vez que trabalharam para um grande estúdio foi para a Fox, pouco antes de encerrarem a carreira (esses filmes estão disponíveis no Brasil em dois boxes lançados em DVD). Antes disso, trabalharam para independentes com Mack Sennett e Hal Roach (ambos especializados em comédias). Por que eram tão populares?  Talvez porque eram tão inocentes (os dois com freqüência dormiam na mesma cama e não havia qualquer maldade nisso, era costume mesmo na época), tão precisos na reação (era famoso o chamado “Slow Burn” do Gordo, quando o parceiro fazia alguma coisa errada e ele olhava para os lados, algumas vezes antes de reagir).

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Outro detalhe importante: eles eram os únicos comediantes que contavam com a cumplicidade da plateia, já que com freqüência ambos olhavam para a câmera (em particular o Gordo), dividindo o momento com o espectador.

Mas comédia a gente não explica, apenas se ri. E no gênero, os dois são mestres indiscutíveis. Stan Laurel era o magro e todos concordam o cérebro da dupla. Oliver Hardy talvez fosse até melhor ator, mas era mais preguiçoso, aceitava as ordens do amigo. Laurel era inglês de nascimento e trabalhou muito, não apenas como ator (185 filmes), roteirista (42 filmes) e também diretor (11 filmes, até não creditado como em Bullfighters que esta no pacote). Oliver também chegou a dirigir (12 filmes), mas basicamente foi ator (num impressionante numero: 485 filmes curtos e longos!). Desde o encontro com Hardy, só fez dois filmes sem o parceiro e assim mesmo pressionado por contrato, Zenóbia em 1939, com o humorista Harry Langdon e um faroeste com John Wayne, O Lutador de Kentucky, de 1949. Laurel nunca aceitou trabalhar sem ele.

Ele era inglês de nascimento e descendia de família de atores. Estreou no palco adolescente e fez parte da famosa companhia de Fred Karno, que veio para os EUA em 1910 e 1913. Quem também fazia parte da troupe era Charles Chaplin, que por sinal nunca negou a influência que sofreu do companheiro de elenco. O primeiro filme é de 1918, seguido por uma sucessão deles em papéis grandes e pequenos.

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Oliver Hardy nasceu em Atlanta, Geórgia, e sua família nada tinha a ver com teatro. Mesmo assim ele queria se cantor e largou o estudo de direito para entrar num grupo teatral e vejam que ironia, sua estreia foi numa ponta no curta Lucky Dog, de 1917, que era justamente estrelado por Laurel. Mas ninguém teve a ideia de formar uma dupla até uma década depois, quando finalmente se estabeleceram ainda no cinema mudo.

O primeiro longa só veria em 1931, Pardon Us/Perdão para Dois e no ano seguinte, 1932, outro curta da dupla The Music Box/Entrega a Domícilio, onde eles tentam entregar um piano numa casa na colina, ganharia o Oscar da categoria. Em 1960, Laurel chegou a ganhar um Oscar especial da Academia “por seu criativo e pioneiro trabalho como na comédia cinematográfica”.

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Hardy já tinha morrido três anos antes na pobreza (eles nunca ganharam muito dinheiro em cinema). Laurel também iria morrer praticamente sem dinheiro, mas ao menos viveu o suficiente para ser consagrado. Porque ironicamente foi graças a televisão reprisando os seus filmes que o Gordo e o Magro voltaram a ser famosos e queridos. Foi mesmo criado um fã-clube que persiste até hoje, chamado como um de seus filmes, Os filhos do Deserto.

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