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25 fevereiro 2012 às 12:00

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A festa do Oscar

Oscar 2012 A festa do Oscar

Este ano a festa do Oscar resolveu investir no silêncio e mistério, quanto menos se falar em como será a entrega de prêmios, eles acham melhor. Exatamente o oposto do que fizeram ano passado e justamente para evitar novo desastre (se é possível alguém esquecer de James Franco como o pior apresentador de todos os tempos!). Assim sabemos apenas que a decoração deverá lembrar um velho palácio do cinema (um daqueles antigos cinemas antigos) e que haverá uma apresentação do Cirque du Soleil (eles estão com um show atualmente em cartaz no Teatro Kodak e estou supondo que seja parte dele. Porque de certa maneira o Cirque está em toda parte e já começando a se repetir).Quem produz o show é o premiado responsável por Uma Mente Brilhante, Brian Grazer (Apollo 13, 24 Horas) que conseguiu trazer de volta Billy Crystal como mestre de cerimônias.

Não custa relembrar as crises que levaram a isso. A Academia chamou antes o jovem produtor e diretor Brett Ratner (Roubo nas Alturas) que deu entrevista pornográfica (ou quase) na rádio para Howard Stern e por isso dispensado (falta de decoro e ainda falou mal de gay!) junto com o apresentador que tinha pensado (Eddie Murphy que pediu demissão).

Logo depois a Academia também exerceu uma opção para não continuar futuramente no Teatro Kodak (admitindo que nunca esteve contente com o espaço, aliás compreensivelmente porque ele parece um bolo de noiva, acanhado e sem recursos técnicos esperados). Para complicar ainda mais a Kodak, que está falindo, pediu para tirar o nome dela do edifício!

São tempos de crise também para a própria diretoria da Academia que este ano foi especialmente criticada pelo comportamento de alguns de seus “branchs” (ramos), em particular o de música que escolheu apenas duas canções como finalistas (deixando de lado astros do rock e pop como Madonna e Elton John, aliás em músicas bem aproveitáveis e a presença deles sempre ajudaria o problema de busca de audiência). Além disso, essas duas não serão apresentadas ao vivo durante o show.

Uma delas justamente a canção Real in Rio, da animação Rio, composta por Carlinhos Brown, Sergio Mendes e a cantora negra Siedah Garrett e que ficou absurdamente fora da lista dos finalistas. Pior que isso é que a outra indicada, Man  or Muppet  do neozelandês da série da HBO Flight of the Conchords Brett McKenzie, pode ser a pior canção de todo o filme, mas é muito difícil o marketing dos Muppets (que hoje pertence a Disney) e o fator nostalgia não levarem o Oscar. Pelo jeito, vai ser mais uma derrota para o Brasil.

Houve também críticas violentas contra o branch dos documentários (há anos que isso sucede), que outra vez deixou vários projetos importantes fora da categoria (como o premiadíssimo e bem sucedido Senna, sobre Ayrton Senna e o filme de Werner Herzog em 3D, A Caverna dos Sonhos Perdidos, entre outros).

Só o do filme estrangeiro (tenha sempre em conta que quando usamos essa tradução estamos querendo dizer, “filme em língua não inglesa”) escapou meio ileso este ano porque tem um único favorito, que é o iraniano A Separação, que ganhou todos os prêmios do ano e ainda por cima tem o fator político a seu lado (o país é o que mais persegue os cineastas, mandando-os inclusive para a prisão. Ou seja, não são só os méritos do filme que levará o Oscar). E Tropa de Elite 2 ter ficado fora da lista? Gosto muito do filme mas sempre achei que os americanos não iriam entende-lo tão facilmente. De qualquer forma acho que a indicação ajudou o filme a ser lançado por lá e amealhar boas críticas, deve facilitar a carreira do diretor Padilha na exterior.

De qualquer forma, não há como esconder que a Academia esta meio perdida não sabendo que rumos tomar em praticamente tudo. Também foi uma decisão tola mudar o numero de finalistas de dez para nove (e mesmo assim estão ali alguns que não mereciam essa honra, como Tão Forte tão Perto que entrou para agradar o eleitor mais velho, já que a pesquisa indica que o votante médio tem sessenta e poucos anos, é branco e naturalmente mais conservador).

O curioso deste ano é que houve a coincidência de se prestar homenagens ao cinema antigo. Os franceses fizeram uma comédia muda e em preto e branco, O Artista, que relembra o cinema antes do sonoro. Ou seja, os franceses homenagearam a antiga Hollywood (inclusive filmando por lá e com atores americanos) enquanto o americano Martin Scorsese realizou com A Invenção de Hugo Cabret, uma belíssima homenagem ao cinema francês e em particular ao primeiro grande autor de todo o cinema que foi Georges Méliès. O Artista vai mal de bilheteria (chegou agora aos 28 milhões de dólares) apesar de ser o favorito para o Oscar, depois de ter ganhado o Sindicato dos Produtores e Diretores.

Aqui no Brasil todo mundo adora o filme enquanto Hugo Cabret mesmo em 3D tem o problema de ser um filme juvenil, de que criança não gosta, falando de um diretor que ninguém se lembra quem foi. (Ainda assim deve levar prêmios técnicos, já que foi o campeão de indicações. Por mim, Scorsese é quem seria o Melhor Diretor).

A questão, porém, é mais complicada. Nestes anos todos de Oscar nunca a Academia deu um prêmio de Melhor Filme ou de Melhor Diretor para um trabalho em língua estrangeira (houve diretores estrangeiros sim, mas sempre com filmes falados em inglês). E sabe-se muito bem que a festa do Oscar é produzida com a finalidade de vender o filme norte-americano no exterior, a indústria saudando a si própria mostrando como eles são bons e tecnologicamente brilhantes. É mais marketing do que arte. E nessa festa sempre o estrangeiro foi apenas tolerado, só celebrado com algum Oscar especial ou o coitado do filme estrangeiro que tem que passar por inumeráveis barreiras até conseguir um lugar ao Sol.

Eles dariam assim de bandeja um Oscar para um filme francês de desconhecidos e que em sua terra nem conseguiu ser indicada como a produção do ano (para justamente o Oscar de filme estrangeiro!)?

Por isso corre o risco de sobrar o prêmio para um filme que tenha mais a cara da Academia, um Os Descendentes (que no Brasil sofre uma grande rejeição) e mesmo o muito americano Histórias Cruzadas. Como fizeram com Crash e Guerra ao Terror, dois absurdos do passado recente.

Como Melhor Ator há grande chance de sair vencedor o Jean Dujardin  por O Artista, que seria a forma de recompensar o filme em troca do já premiado George Clooney ou sempre afável Brat Pitt. Meu medo é que Dujardin me faz pensar em Roberto Benigni. Pelo filme se sente que é caricato, faz tipos e tem a tendência de fazer sempre a mesma coisa (seu agente OSS 117 demonstra isso). Não me convenceu assim como o próprio O Artista vende uma ideia falsa do que foi o cinema mudo (mas isso já é uma outra história).

Como Melhor Atriz temos outro duelo. Acho Meryl Streep um assombro como A Dama de Ferro (assim como a maquiagem que é ainda mais sensacional e ainda por cima discreta) e já estava na hora de levar o terceiro Oscar (a última vitória foi em 1983 e ela acaba sendo a mulher que mais perdeu o prêmio, por 15 vezes). Mas pode ser que prefiram Viola Davis que é uma atriz sensacional também e que impressiona em Histórias Cruzadas. Qualquer uma das duas seria justo (bem que podia haver um empate!).

Quanto aos coadjuvantes, parece não haver dúvidas que será o ano do veterano Christopher Plummer (Toda Forma de Amor, apenas em DVD) e a ainda pouco conhecida Octavia Spencer (Histórias Cruzadas). Assim como são favoritos de roteiro o Woody Allen como original (Meia-Noite em Paris) e Os Descendentes, como adaptado. Animação deve ser o Rango (que se lembrem de que foi feito pelo diretor da trilogia Piratas do Caribe).

De qualquer forma, estarei a postos comentando pela TNT, a festa completa incluindo o tapete vermelho este ano mais cedo porque no domingo muda o horário de verão. Ao menos vamos ter suspense e esperamos boas surpresas.

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