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29 fevereiro 2012 às 06:00

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Diane Keaton

diane 1 Diane Keaton

Foi a primeira musa de Woody Allen e para sempre estará marcada pela melhor fase do cineasta. Será Annie Hall (protagonista do filme que lhe deu o Oscar de Atriz), até porque seu nome verdadeiro é Diane Hall e na vida real Annie é seu apelido.

Nada mal para esta atriz e diretora americana de longa carreira que nunca se casou (embora tenha dois filhos adotivos Dexter e Duke) e nunca fez uma operação plástica ou colocou botox. Mas foi indicada quatro vezes ao Oscar de Melhor Atriz. Reds/Idem, 1981; As Filhas de Marvin/Marvin´s Room. 1996; Alguém tem que Ceder/Something Gotta Give, 2003 e naturalmente Annie Hall, que se chamou no Brasil Noivo Nervoso, Noiva Neurótica. Este filme que a tornou também ícone da moda, ao usar roupas antigas de forma inusitada.

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Nascida em Los Angeles, em 5 de janeiro de 1946, começou a trabalhar no teatro durante os estúdios de Arte Dramática na Universidade de Santa Anna. Fez pequenas pontas nas produções musicais (Kiss Me Kate, The Sound of Music e Bye, Bye Birdie). Aos 19 anos mudou-se para Nova York, onde estudou interpretação no Neighborhood Theatre, estreando num dos papéis da peça musical Hair na Broadway em 1968.

No ano seguinte, trabalhou na peça Play it Again, Sam, escrita por Woody Allen, e três anos depois levada às telas com a dupla, pelo diretor Herbert Ross. Apesar do Oscar por Annie Hall, sua reputação crítica como atriz dramática só foi confirmada quando interpretou o papel principal em À Procura de Mr. Goodbar de Richard Brooks, no mesmo ano de 1977. Separou-se de Allen no final dos anos 70 e foi durante algum tempo mulher de Warren Beatty, que a dirigiu no filme Reds.

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Pouca gente se lembra de sua carreira como diretora de cinema. Antes de tentar a direção de um longa (o documentário Heaven, sobre a vida após a morte) em 1987 já havia dirigido um curta de dezessete minutos em 1982, What Does Dorrie Want? (sobre sua irmã) e tentado uma carreira como fotógrafa, publicando dois álbuns de fotos: Reservations e Still Life.

Heaven Diane Keaton

Como diretora tentou diversos gêneros, com resultado irregular. Incluindo filmes de TV (1991 – Linda e Selvagem /Wildflower. Com Patricia Arquette e Beau Bridges); comédias (1995 – Meus Tios Heróis/Unstrung Heroes. Com Andie MacDowell e Jonh Turturro; e o fracasso em 2000 – Linhas Cruzadas/Hanging Up. Com Diane Keaton e Meg Ryan).

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Lançamento nos EUA: Then Again Diane Keaton. A Memoir. Random House New York. 2011. 270 páginas.

keaton Diane Keaton

Não se podia esperar de Diane Keaton uma autobiografia convencional. Ela é sabidamente uma pessoa difícil, mas de quem curiosamente as pessoas gostam. Por isso espere muito poucas informações sobre sua carreira e namorados neste livro em que ela divide as páginas com sua falecida mãe.

Acontece que, Diane descobriu que a mãe Dorothy Hall, antes que sofresse de Alzenheimer, durante toda sua vida escreveu 85 diários, detalhando sua vida, fazendo confidências ou simplesmente pelo prazer de escrever. Diane achou então que não conseguiria falar de si sem ter o contraponto da mãe, dividindo o livro entre as duas, o que ela escreveu Then (então) e o que Diane escreveu agora ou será de que novo? (Again, já que a vida se repete tanto...)

diane 5 Diane Keaton

Por isso que ele não é uma memória do show business, mas da vida caseira e rotineira de uma mãe de família (que felizmente tem um bom texto) e também por isso que o livro acaba sendo uma sucessão de mortes de parentes, em particular do pai (mas será que não é isso que consiste basicamente a própria vida?).

Não se pode acusar Diane de falta de sensibilidade, mas de esconder detalhes da vida amorosa e ser gentil com quase todo mundo. Jack Nicholson, por exemplo, com que ela acha que fez seu último bom filme e que lhe rendeu uma nova indicação ao Oscar Alguém Tem que Ceder foi tão bacana no final das filmagens, deu para ela parte do lucro que teve, com a percentagem da bilheteria que lhe cabia! Um cavalheiro sem dúvida.

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Já não é tão simpática com Coppola que, segundo ela, nas filmagens do Chefão III dirigia de seu próprio trailer, sem descer ao set, e ficou feliz quando Winona Ryder caiu doente porque ele sempre escreveu o papel para a filha Sofia (o estúdio era contra, mas não teve coragem de contrariar o diretor).

Também não sabia antes porque nunca saiu na imprensa que ela teve um longo romance com Al Pacino, cheio de idas, voltas e rompimentos (não nos primeiros porque ele estava envolvido com Jill Clayburgh e Tuesday Weld). Mas durante o terceiro e agora amargamente admite que ele nunca teve a intenção de se casar com ela (todos os indícios levam a crer que é sobre ele que se devia escrever um livro mais interessante).

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De Woody Allen também não há grandes novidades, assume que foram mesmo namorados, que a mãe dela gostava de Woody (que era gentil com ela). É curioso saber que quando os dois fizeram Annie Hall já não eram namorados há mais de dois anos, mas que mesmo assim ainda eram parceiros na tela e funcionava. Diane diz que não sabe explicar porque talvez eles ficavam confortáveis um com o outro. Ainda éramos amigos e nos comportávamos como tal.

Acho que é interessante citar Diane sobre as filmagens de Annie Hall. Conta ela que foi uma filmagem sem dificuldades, ninguém tinha grandes expectativas, apenas estavam se divertindo e só Woody se preocupava como sempre com o script. Mas se a cena não funcionava, ele não tinha dúvidas e a reescrevia na hora, enquanto Gordon Willis termina de fazer a iluminação.

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Ele não acha suas palavras sagradas e aceita quebrar as regras. Gosta de procurar soluções visuais para as cenas (telas duplas, flash backs, tudo isso ele aprendeu a gostar). Conta que Gordon o ajudava a escolher o plano principal que tivesse mais impacto no público. Sem cortar sempre para closes. Essas inovações ele usou em Annie (que ela diz que não é autobiográfico dela nem da família, como todo mundo pensa por que Hall é o sobre nome real dela. Nem do namoro deles).

A direção de Woody era ser flexível, esquecer as marcas, soltar o diálogo, não se fixar depois nas palavras e principalmente usar a roupa que você quiser usar! Isso deu margem para Diane inventar um estilo que ela diz ter roubado das mulheres que andavam nas ruas do Soho em meados dos anos 70, com a ajuda de Aurore, mulher do diretor de arte Dean Tavoularis. Mas essa liberdade não era total como posso deixar pensar.

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Woody tinha controle em cada ideia, cada escolha, cada decisão vinha de sua mente. Annie Hall foi sua primeira história de amor. E foi o amor que colou as vinhetas juntas. Embora amarga, a mensagem é clara, o amor se apaga, Woody se arriscou e deixou o público sentir a tristeza de um adeus num filme engraçado. Woody tem Chutzpah e seu segredo é que escreve sempre seus roteiros. São suas palavras, a infraestrutura, o ponto de partida, a razão e pretexto para tudo mais.

Filmografia


2012 -The Wedding (com Robert  DeNiro e Katherine Heigl, estreia de 19 de outubro nos EUA). Darling Companion (estreia 20 de abril, de Lawrence Kasdan com Kevin Kline e Dianne Wiest).

Darling Companion Diane Keaton

2011 - Tilda (telefilme, comédia de Bill Condon com Ellen Page)

2010 - Uma Manhã Gloriosa (Morning Glory, com Harrison Ford)

Uma Manhã Gloriosa Diane Keaton

2008 - Loucas por Amor, Viciadas em Dinheiro (Mad Money com Queen Latifah). Casamento em Dose Dupla ( Smother com Dax Shepard)

Loucas por Amor Viciadas em Dinheiro Diane Keaton

2007 - Não Quero ser Grande (Mama´s Boy). Minha Mãe Quer Que Eu Case (Because I Said So)

Minha Mãe Quer Que Eu Case Diane Keaton

2006 - Surrender, Dorothy (telefilme)

se Diane Keaton

2005 - Tudo em  Família (The Family Stone). Terminal Impact (narradora)

Tudo em Família Diane Keaton

2003 - Alguém Tem Que Ceder (Something´s Gotta Give com Jack Nicholson). On Thin Ice (telefilme)

Alguém Tem Que Ceder Diane Keaton

2002 - Crossed Over (telefilme)

Crossed Over Diane Keaton

2001 - Plano B ( Plan  B). Sister Mary Explains it All (TV). Ricos, Bonitos e Infiéis (Town & Country com Warren Beatty)

Ricos Bonitos e Infiéis Diane Keaton

2000 - Linhas Cruzadas (Hanging Up. Dirigido por ela)

Linhas Cruzadas Diane Keaton

1999 -  Simples como Amar (The Other Sister)

Simples Como Amar Diane Keaton

1997 - Aurora Boreal (Northern Lights. Telefilme). The Only Thrill (como Diane Lane)

1996 - As Filhas de Marvin (Marvin´s Room com Leonardo Di Caprio).  O Clube das Desquitadas (The First Wives Club com Bette Midler)

O Clube das Desquitadas Diane Keaton

1995 - O pai da Noiva 2 (Father of the Bride Part 2. Steve Martin)

O Pai da Noiva 2 Diane Keaton

1994- A Rainha do Ar (Amelia Earhart: The Final Flight. TV)

1993 - Olha quem está falando Agora (Look who´s Talking Now. Voz). Um Misterioso Assassinato em Manhattan (Manhattan Murder Mystery de Woody Allen)

Um Misterioso Assassinato em Manhattan Diane Keaton

1992 - O Jogo do Poder (Running Mates. Telefilme. Ed Harris)

1991 - O Pai da Noiva (Father of the Bride)

O Pai da Noiva Diane Keaton

1990 - O Poderoso Chefão II (The Godfather Parte II)

1989 - Mulheres, Amigas e Irmãs ( The Lemon Sisters)

1988 - O Preço da Paixão (The Good Mother, com Liam Neeson)

1987 - Presente de Grego (Baby Boom). A Era do Rádio (Radio Days de Woody Allen)

Presente de Grego Diane Keaton

1986 - Crimes do Coração (Crimes of the Heart de Bruce Beresford, com Jessica Lange)

1984 - Mrs Soffel (Idem com Mel Gibson). A Garota do Tambor (Little Drummer Girl)

1982 - A Chama Que Não se Apaga (Shoot the Moon de Alan Parker)

1981 - Reds (Idem de Warren Beatty). The Wizard of Malta (narradora)

Reds Diane Keaton

1979 - Manhattan (Idem de Allen)

Manhattan Diane Keaton

1978 - Interiores (Interiors de Allen)

1977 - À Procura de Mr. Goodbar (Looking for Mr Goodbar de Richard Brooks). Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (Annie Hall, de Woody Allen)

Noivo Neurótico Noiva Nervosa Diane Keaton

1976 - Dois Vigaristas em Nova York (Harry and Walter Go to New York de Mark Rydell). Loucuras do Matrimônio (I Will.. I Will.. for Now, com Elliot Gould)

1975 -  A Última Noite de Boris Grushenko (Love and Death de Allen)

1974 - O Poderoso Chefão II (The Godfather Part II de Coppola)

O Poderoso Chefão II Diane Keaton

1973 - O Dorminhoco (Sleeper de Allen)

1972 – Sonhos de um Sedutor (Play it Again Sam, de Allen dirigido por Herbert Ross). O Poderoso Chefão (The Godfather de Coppola)

O Poderoso Chefão Diane Keaton

1970 - As Duas Faces do Amor (Lovers and Other Strangers)

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