3 março 2012 às 06:00
Coluna de DVD – Lançamentos
Top Secret! Superconfidencial *** Top Secret!
Áudio: Ingl, Port. Leg: Port. Drama de guerra. Wide 1984.Cor. 90 min. Paramount.EUA. Livre.
Diretor: Jim Abrahams, David e Jerry Zucker. Elenco: Val Kilmer, Omar Sharif, Lucy Gutteridge, Jeremy Kemp, Peter Cushing, Christopher Villiers, Michael Gough.
Sinopse: O astro americano do rock Nick Rivers é enviado para a Alemanha Oriental num programa cultural para substituir o maestro Leonard Bernstein e acaba se envolvendo numa trama para libertar cientista, quando se envolve com a filha dele.
Comentários: Esta é a menos conhecida das comédias do trio que criou os clássicos Apertem os Cintos Que o Piloto Sumiu e a série Corra que a Polícia Vem Aí. Foi mesmo fracasso de bilheteria e só agora está saindo em Home Video. Embora cult e com algumas piadas especialmente fortes para sua época (ainda mais para censura livre!) o resultado é bem irregular.
Algumas piadas ficaram datadas, outras não funcionam até porque poucos têm como referência os filmes que estão sendo parodiados. A sátira foi criada e dirigida pelo mesmo um trio de cineastas: Jim Abrahms e os irmãos David e Jerry Zucker, este último também conhecido como o realizador do famoso Ghost - Do Outro Lado da Vida. Fizeram o filme em 1984, depois de Apertem os Cintos e de tentarem criar para a TV a série Police Squad, que foi um fracasso e que só acertaria depois nos cinemas justamente como Corra que a Polícia Vem Aí.
Top secret! com ponto de exclamação é uma sátira a todos os filmes de espionagem, não exatamente os de James Bond, mas principalmente os da Segunda Guerra Mundial, aqueles em que um agente do governo ia atrás da Cortina de Ferro cumprir uma missão naturalmente impossível. Mas não ficam por aí, também brincam com os filmes de guerra contra os nazistas, as comédias musicais de Elvis Presley e ainda se dão ao luxo de lançarem no cinema um estreante chamado Val Kilmer, que depois faria uma brilhante carreira (é ele mesmo que canta com sua voz, paródias e outras famosas como Tutti Frutti e Are You Lonesome Tonight?, de Elvis Presley).
Aos 25 anos, ele faz o papel do ídolo do rock Nick Rogers, um cantor que tem a missão de enfrentar fascistas, mas eu aconselho a não ser preocupar muito com a história que é um mero pretexto para se construir piadas e fazer referências a filmes famosos. E o vento Levou, Casablanca, O Terceiro Homem, Tubarão, O Mágico de Oz, A Noviça Rebelde, Goldfinger, A Lagoa azul, ET, Os Caçadores da Arca Perdida e principalmente os filmes de fuga de prisão como Fugindo do Inferno. Além disso se dá ao luxo de ter participações especiais de alguns ícones, como o astro dos filmes de terror Peter Cushing e principalmente o Doutor Jivago Omar Sharif. Sem esquecer também alguns números musicais parodiando Elvis e os Beach Boys. E uma sequência com uma casa que acabou virando o cartaz do filme.
Como extra algumas cenas cortadas (piadinhas que bem podiam ter ficado) e comentário em áudio com os três diretores e um crítico que faz perguntas bobas e fora de hora (legendado). Quando falam alemão em geral é iídiche, dialeto judeu. Rodado no estúdio Pinewood perto de Londres, foi fracasso de bilheteria.
Repórteres de Guerra *** The Bang Bang Club
Áudio: Ingl, Port. Leg: Port, Ing. Drama de guerra. Standard. 2010.Cor. 108 min. Paris Filmes. Canada/EUA.16 anos.
Diretor: Steven Silver. Elenco: Ryan Phillipe, Malin Akerman, Taylor Kitsch, Neels van Jaarsveld (que faz João), Frank Rautenbach, Nina Milner, Jessica Haines.
Sinopse: Quatro repórteres fotográficos em ação na África do Sul se tornam amigos e criam de brincadeira um nome para a turma, se chamando The Bang Bang Club (porque estão sempre arriscando a vida para fotografarem lugares perigosos e violentos).
Comentários: Inédito em nossos cinemas, este filme fala de um assunto muito pouco abordado (a crise de violência que sofreu a África do Sul durante suas primeiras eleições livres) e tem ainda o interesse de trazer como co-roteirista e um dos protagonistas um repórter fotográfico brasileiro, chamado João Silva (o livro tinha o subtítulo Snapshots from a Hidden War). É sem dúvida um assunto pouco abordado (como aqui pela primeira vez se denunciava a triste situação no Sudão).
O diretor Silver é sulafricano e até então produziu mais documentários para a televisão. Este é seu primeiro longa de ficção e não faz um mau trabalho. O filme é prejudicado pela canastrice irremediável de Ryan Phillipe, que acaba sendo o protagonista e que inicia a história, embora seja muito melhor o rapaz que faz Kevin Carter e não é à toa que Taylor Kitsch, depois de participar de Wolverine agora é o astro das superproduções John Carter de Marte e Battleship. Também é conhecida Malin (aqui morena), que faz a editora do jornal e que tem um romance com Ryan. Roteiro poderia ter se aprofundado mais na personalidade dos rapazes, mas cumpre seu papel. Chegou a ser indicado ao Oscar canadense, o Genie (sete inclusive Taylor).
Crime de Amor ** Crime D´Amour
Áudio: Francês, Port. Leg: Port. Drama. Wide. 2010. Cor. 104 min.California. França.14 anos.
Diretor: Alain Corneau. Elenco: Kristin Scott Thomas, Ludivine Sagnier,Patrick Mille, Guillaume Marquet, Gerald Laroche, Julien Rochefort.
Sinopse: Christine é uma alta executiva fria e que manipula as pessoas, inclusive sua assistente de confiança Isabelle, que a trai com seu amante durante viagem ao Japão. Christine percebe e arma uma armadilha para ela. Só que Isabelle, mais esperta, concebe um complicado plano de assassinato.
Comentários: Não foi um final de carreira feliz para o bom diretor Alain Corneau (1943-2010) este filme que ficou inédito em nossos cinemas. Ele era um competente artesão de policiais na linha dos clássicos noir americanos (Calibre Python 357, Encurralado Para Morrer) que fez sua obra prima em 1991: Todas as Manhãs do Mundo (Tous les Matins du Monde com Gérard Depardieu).
Prejudicado por um roteiro esquemática e previsível e por interpretações irregulares (Ludivine telegrafa com exagero tudo que faz ou vai fazer com antecedência e simplesmente não tem cara de inteligente). Parece imitação de filme americano de rivalidade entre executivos, mas sem a mesma elegância ou luxo ou suspense. Dá até para assistir pelo eterno charme de Kristin, mas não é nada de importante.
Inferno na Ilha ** Kogen av Bastoy/King of Devil´s Island
Áudio: Norueguês, Port. Leg: Port, Ing. Drama. Wide. 2011.Cor. 120 min.Paramount.Noruega/Suécia.16 anos.
Diretor: Marius Holst. Elenco: Stellan Skasgaard, Benjamin Helstad, Kristoffer Joner, Trond Nilssen, Morten Lovstad, Daniel Berg.
Sinopse: No inicio dos anos 1920, na ilha Bastoy, na Costa da Noruega existia um reformatório para jovens rebeldes de 11 a 18 anos, que explodiu em uma revolta.
Comentários: Inédito em nossos cinemas, este filme premiado em sua terra natal (filme, trilha, ator coadjuvante para Trond) foi o mais caro local (US$ 4 milhões e meio) ficando 54 dias em rodagem. Embora só conheçamos por aqui o Skasgaard, que faz o diretor (não em seus melhores dias), o filme não chega a ser empolgante e está longe de ser um novo Papillon, mas tudo é muito civilizado e sem grandes lances.
Em termos de fita de prisão, faltam maiores torturas, castigos mais terríveis, bandidos mais marcantes (há apenas um empregado acusado de sodomia), maiores reviravoltas e surpresas.
Acaba sendo bem comportado demais e apenas o frio e o gelo parecem ser os inimigos (os próprios empregados são relativamente educados). Feito em tons de cinza e azul, pretende ser sério mas não tem força para lidar com uma trama familiar demais.
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