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30 março 2012

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Estreia – Beleza Adormecida

Beleza Adormecida Estreia   <i>Beleza Adormecida</i>

Beleza Adormecida (Sleeping Beauty). Austrália, 2011, 104 min. Vinny Filmes

Direção: Julia Leigh. Com  Emily Browning, Rachael Blake, Ewen Leslie, Peter Carroll, Chris Haywood, Hugh Keays-Byrne, Bridgette Barrett.

Ano passado no Festival de Cannes este filme concorreu aos prêmios credenciados por ser apresentado (não nos créditos) por uma das queridinhas do Festival e colega australiana

Jane Campion. Não ganhou nada, mas é um filme de arte curioso, daqueles que lidam com o erotismo de uma maneira muito particular, quase um antierotismo. É obra de uma diretora/roteirista que vem de uma carreira como escritora, se dizendo influenciada por romancistas como Yasunari Kawabata, Gabriel Garcia Marquez e segundo alguns Georges Bataille.

Para o espectador mais modesto, a gente encontra elementos que me fizeram lembrar Belle de Jour, de Buñuel e De Olhos Bem Fechados, de Kubrick. O que não é nada mal. Ao contrário de outros filmes da moda, inspirados em contos infantis ou de fada, o título aqui é para ser levado ao pé da letra. É realmente a história de uma garota que ganha a vida dormindo! Que vai dormir e acorda sem saber o que lhe sucedeu, como se nada tivesse acontecido.  Um papel para uma jovem australiana Emily Browning que já conhecíamos no papel central do fracasso Sucker Punch (ela tem uma cara antiga e se especializa em não registrar emoções!). E que passa o filme quase sempre sem roupa.

Ela interpreta Lucy, que é quase um zumbi, uma morta-viva sobrevivendo de expedientes na cidade grande, se prostituindo ocasionalmente, trabalhando em serviços de limpeza e office- boy, funcionando em experiências médicas, tentando estudar, cheirando cocaína ocasionalmente.

Sua vida parece mudar quando é recrutada por uma cafetina de luxo chamada Carla (Rachael Blake) que trabalha com uma lista de clientes muito velhos e aparentemente impotentes que não querem mais ser vistos quando fazem sexo. Daí a proposta do filme: uma garota que toma um chá que a faz dormir profundamente num leito de luxo. Os velhos podem fazer dela o que desejarem, mas sempre evitando, garante a Madame Carla, sem penetração.

O filme é apenas isso, o retrato por vezes constrangedor e nunca emotivo. Nem especialmente dramático. Diz quem conhece os livros de Miss Leigh (The Hunter, Disquiet) que é um personagem que se enquadra dentro da psicopatia da autora e se é mal-estar que ela pensou em transmitir sem dúvida conseguiu.  Não curto especialmente personagens sonambulisticos que quase não falam, não sabem se expressar, nem dizem a que vieram. Mas certamente existem pessoas assim e semelhantes desvios da sexualidade. Não é o que eu chamaria de boa diversão.

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30 março 2012

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O grande show de Tim Maia e a revelação de Abravanel

tiago1 andre muzell agnews tl O grande show de Tim Maia e a revelação de Abravanel

Tudo que vocês têm ouvido não é exagero, é verdade mesmo. O neto de Silvio Santos é tão talentoso quanto dizem as revistas e realmente tem o papel de sua vida neste Tim Maia Vale Tudo, o Musical, que agora está em cartaz em São Paulo no Teatro Procópio Ferreira onde promete superar o sucesso que fez no Rio de Janeiro (dizem que os ingressos já estão esgotados até meados de maio, não sei como eles vão fazer quando Tiago sair para fazer a novela da Gloria Perez).

É verdade que tem concorrência com outros musicais também em cartaz, mas eles são importados. Um Violinista no Telhado, já escrevi aqui, é uma obra prima no seu gênero e o único deles em montagem que não é cópia de estrangeiros.

Não vi A Família Addams, mas dizem que é uma versão revista e melhorada do que assisti na Broadway enquanto Priscila, tem a seu favor o melhor do teatro para o gênero. Sou fã do Teatro Bradesco no Shopping Bourbon, que acho que tem as melhores condições tanto para a encenação quanto para o público. Aliás, o espetáculo é o mais rico em cenários e figurinos (delirantes e um show a parte) já montado no Brasil.

Mas este Vale Tudo tem um lugar a parte no coração da gente não apenas porque falo de um ídolo nacional como me parece a melhor tentativa do gênero “biografia nacional”, desde aquele notável Duas Irmãs sobre as Irmãs Batista.

Embora as produções de Sandro Chaim sejam irregulares e o Teatro Procópio Ferreira não é o ideal (cadeiras estreitas, pouca visibilidade)  aqui ele contou com a ajuda de um texto de Nelson Motta (eu sempre gosto do jeito dele escrever e acho que acertou dando uma estrutura quase didática para contar a vida de Tim, começando com sua crise de saúde em cena e voltando em “flash backs”).

Sem esconder seus defeitos e vícios, consegue pintar um retrato humano e convincente de uma personalidade muito difícil. Seu segredo: nunca falta humor, o espetáculo sempre é divertido, mesmo longo, é bom de ver.

Mas o grande acerto e a sorte foi a escolha de Tiago Abravanel para o protagonista. Não sei com não lhe deram todos os prêmios do ano. Raramente em minha vida eu vi uma explosão de talento, garra, energia, carisma como a de Tiago vivendo Tim.

tim maia ok O grande show de Tim Maia e a revelação de Abravanel

Ele pode até passar a impressão de que foi fácil criar o personagem, não se engane porque há ali grande esforço de composição e caracterização. Tiago não faz a si mesmo, é interpretação o que se vê fácil no palco, feliz de estar ali, feliz de estar sendo descoberto, de poder usar o físico que poderia ser ingrato para o que promete ser uma carreira muito bem sucedida.

Conhecia Tiago de mesa de restaurantes e uma vez quando eu iria dirigir Into the Woods, ele foi fazer um teste e fiquei muito impressionado (ele fez uma sequência de Miss Saigon que estava interpretando no Teatro Abril). Achei ótimo e lhe disse com toda sinceridade, que não tinha papel para ele, mas que era tão talentoso que não tinha como não aprová-lo.

Acabei largando o show quando vi que os produtores não tinham dinheiro suficiente para montá-lo e musical não se faz sem recursos. Não dá certo. Mas essa boa impressão mais do que se confirma quando Tiago faz a plateia inteira cantar, vibrar até mesmo se emocionar (confesso que vem lágrimas aos olhos, no meu caso também pela alegria de ver um talento ser reconhecido).

Dizem os que viram o espetáculo no Rio que agora ele ficou mais equilibrado que antes era um “one man show”. Custo a crer porque o que está em cartaz é um espetáculo com um ótimo elenco, onde todos cantam muito bem (por vezes mais que isso), com uma direção criativa e eficiente (de João Fonseca, aliás, porque não colocaram biografias no programa?).

Não gosto de destacar ninguém para não ser injusto, mas Izabella Bicalho (em particular como Elis) e Reiner Tenente (como Roberto Carlos) têm seus grandes momentos.

E olha que não era fã em especial de Tim Maia. Como todo mundo, de repente descobri que conhecia todas as musicais e gostei de cantar junto com todo mundo. Porque vale muito a vibração, a  alegria, a emoção. E o prazer de ver nascer uma estrela.

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29 março 2012

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Estreia – Fúria de Titãs 2

Fúria de Titãs 2 (Wrath of the Titans). EUA, 2012. 99 min. Direção de Jonathan Liesbeman.

Com Liam Neeson, Sam Worthington, Ralph Fiennes, Rosamund Pike, Edgar Ramirez, Toby Kebell,  Bill Nighy, Danny Huston, John Bell, Sinead Cusack, Lily James. Warner. 3D.

tita2 Estreia   <i>Fúria de Titãs 2</i>

A versão anterior de 2010 foi uma decepção e só não fracassou porque foi um dos primeiros filmes da safra de ação e efeitos especiais em 3D  e ainda por cima com o astro de Avatar, recém saído do triunfo. Hoje já sabemos que ele é um canastrão e fadado a não ir muito longe (impressiona especialmente como está fracote e nada bombado para voltar a ser Perseus, um semideus, como ele próprio se intitula). Por outro lado mudou o diretor, tiraram o horrível Louis Leterrier e o substituiram por Liebesman, um certo sul-africano que fez muito terror (Ao Cair da Noite, O Massacre da Serra Elétrica e Invasão do Mundo Batalha de Los Angeles).

Seu truque foi até inteligente. Rodou tudo com câmera na mão, como se fosse da série Bourne. Sempre na cara das pessoas (às vezes até com superclose que em Imax e 3D pode ser assustador!). Sempre no detalhe, no fulcro da ação e da briga. Também capricharam no elenco que traz de novo e com papéis muito mais consistentes os competentes Liam Neeson (como Zeus) e Ralph Fiennes (como seu irmão Hades, condenado aos infernos e reparando bem os dois são parecidos. Os dois que estiveram juntos em A Lista De Schindler, parece que se ajudam porque ambos contribuem para o filme ser melhor que o anterior).

tita Estreia   <i>Fúria de Titãs 2</i>

Também a heroina é outra, no lugar de Gemma Aterton está uma de minhas favoritas, a inglesa e muito charmosa Rosamund Pike como Andromeda (ela é Orgulho e Preconceito, Minha Versão do Amor, O Retorno de Johnny English, mas ainda merece mais. Substituiu a imemorável Alexa Davalos). Também no elenco colaborando está Edgar Ramirez que faz Ares é venezuelano e fez sucesso no papel da minissérie Carlos (também esteve em Che, Domino, Ultimato Bourne). E outros britânico ótimos, Bill Nighy (meio irreconhecível como Hefaestus) e o mais jovem Toby Kebell (que fica com o alívio cômico na figura de Agenor, ele esteve antes em Príncipe da Pérsia, Rockn´Rolla , Cavalo de Guerra, mas não tinha me chamado a atenção).

A história é mais fácil de seguir porque não passa de uma sequência de momentos de ação, com pouco papo e pouca metragem (tem apenas 99 apenas minutos contando o longo letreiro). Agora Perseus vive como pescador e o único filho Hélius (perdeu a mulher e outro filho), quando fica sabendo que seu pai o Deus Zeus está perdendo o poder desde quando houve uma aliança entre Hades e Poseidon e também Ares (Deus da Guerra) contra ele com a ideia de devolverem o poder ao pai deles, o temível Kronos. Perseus resolve então intervir e com ajuda de Andrômeda e Agenor) vai a luta passando por vários obstáculos e dificuldades todos culminando com grandes lutas e embates – inclusive contra os Ciclopes, com a ajuda do cavalo voador Pégaso, já que neste capítulo a mitologia é um pouco mais simplificada. Sempre com um detalhe: Perseus apanha muito, mas sempre vence por causa da astúcia e inteligência (não a força bruta) . E tudo sempre conclui com grandes explosões e fogos delirantes.

tita1 Estreia   <i>Fúria de Titãs 2</i>

É verdade que a câmera balança tanta que teve gente que passou mal e que nessa linguagem tudo parece mais intenso. Para mim, a impressão de que o capítulo 2 é bem aceitável e consumível do que o anterior.

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29 março 2012

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Estreia – Heleno

Heleno Estreia   <i>Heleno</i>

Heleno. Brasil, 12. Direção de José Henrique Fonseca. Roteiro de Fernando Castets, Fonseca e Felipe Bragança. Com Rodrigo Santoro, Othon Bastos, Herson Capri, Aline Moraes, Angie Cepeda, Erom Cordeiro, Duda Ribeiro. Preto e branco.116 min.

Comentam os exibidores que este ano estão com dificuldade de cumprir a chamada cota de tela, ou seja, os dias obrigatórios de filmes nacionais. Todas as comédias tem sido um fracasso e este mais ambicioso (Rodrigo ganhou como Melhor Ator em Havana) é uma decepção.

Heleno2 Estreia   <i>Heleno</i>

Não acredito que tenha maior repercussão com o público não apenas por ser em preto e branco. Há ao menos duas ou três gerações que desconhecem o PB e O Artista, ao menos é indispensável ser assim. Aqui poderiam muito bem ter usado um colorido de época. Mas quem fez não quis ou não soube sequer construir um universo Noir, de claros e escuros e cinzas contrastantes que lhe daria ao menos alguma beleza. Ao contrário, procurou o desfoque, o granulado, a câmera na mão.

Mas o equívoco maior é mesmo o roteiro. Eu quando era criança ouvi falar de Heleno e como ele era apelidado de Gilda (em relação aquela de Rita Hayworth), o que por sinal passa batido, como, aliás, tudo no filme, e havia sido um grande astro do futebol que acabou mal. Sempre achei que era uma história que deveria ser contada porque tinha todos os elementos dramáticos que podiam interessar. Claro que hoje ninguém sabe quem foi Heleno, mas o triste é que vai sair do cinema do mesmo jeito, porque o roteiro conseguiu o feito de não contar grande coisa a não ser suas brigas com os colegas e seus feitos amorosos. Não mostram sua infância, a mãe é mencionada num telefonema, não se tem ideia de como começou, o que o motivou, enfim, quem era esse sujeito nos anos de formação. Ele já aparece consagrado e com a cabeça cheia. Menciona-se a sífilis que ele não queria tratar e supõe-se que foi ela a maior causadora de seus delírios (informam-me que há pelo menos 3 tipos de sífilis, e além disso a penicilina surgia recente com a Segunda Guerra, nada disso é esclarecido).

O que vemos é uma repetitiva e aborrecida insistência em mostrar Heleno com duas mulheres (que além de tudo são parecidas). Uma cantora latina (a colombiana Angie Cepedas que fez Pantaleão e as Visitadoras, mas que não deixa qualquer impressão especial) e uma moça de família (Aline Moraes em seu pior dia). Fora os atropelos nos lençóis do Hotel Quitandinha (ao menos foi o que me pareceu), o filme insiste nos delírios de antipatia do protagonista, que nunca se humaniza. Está sempre brigando com os colegas, ofendendo-os e insistindo nos sonhos de ganhar título pelo Botafogo e depois jogar no Maracanã. E aí esta o problema máximo: este é um filme sobre um ídolo do futebol, onde não tem futebol. Claro que se vê um flash ou outro, mas nunca uma jogada completa, algo que justificasse a fama do jogador.

Heleno3 Estreia   <i>Heleno</i>

Para o desastre não ser completo, felizmente Rodrigo se defende bem, ajudado por uma magreza exigida pelo papel, uma maquiagem bem caracterizada. É uma presença digna em busca de um personagem que nunca se encontra ou se esclarece.

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29 março 2012

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Estreia – Um Método Perigoso

Um Método Perigoso (A Dangerous Method). Ingl, Alem, Suíça, 11. Direção de David Cronenberg. 99 min. Com Michael Fassbender, Keira Knightley, Viggo Mortensen, Vincent Cassel e Sarah Gadon.

metodo 5 Estreia   <i>Um Método Perigoso</i>

São muitos os chamados, mas poucos os escolhidos. Podia-se dizer o mesmo sobre a corrida do Oscar. Muitos filmes de qualidade se apresentam, mas por alguma razão ficam para trás e não chegam nem mesmo a serem finalistas.

É o caso desta produção bonita e elegante, que concorreu em Cannes (onde também passou em branco), deu uma imerecida indicação de ator a Mortensen para o Globo de Ouro, mas que, apesar de tudo, merece sua atenção.

metodo 1 Estreia   <i>Um Método Perigoso</i>

Faz tempo que o canadense deixou de ser apenas um diretor de filmes de ficção científica ou terror (e por vezes brilhante como em A Mosca).

Para ampliar seu espaço com os competentes thrillers policiais recentes Marcas da Violência e Senhores do Crime (por sinal, ambos com Viggo Mortensen, razão porque o utilizou de novo aqui no papel chave de Sigmund Freud apesar do ator não ter  nem a dimensão técnica para segurar um personagem tão cerebral e complexo.

metodo 4 Estreia   <i>Um Método Perigoso</i>

Essa falha pode explicar o fracasso do filme que, apesar disso, é sempre interessante, muito bem produzido (paisagens de vilas suntuosas na Suíça) e tem um grande interesse para os ligados em psicanálise. Um detalhe Cronenberg antes tentou contratar Christoph Walts (que recusou para fazer Água para Elefantes) e Christian Bale.

Sua qualidade nasce do roteiro do britânico Christopher Hampton que primeiro transformou em teatro The Talking Cure, o livro de John Kerr (não o ator). É bom lembrar que Hampton fez um trabalho parecido com Ligações Perigosas e fez outros roteiros notáveis como Desejo e Reparação, Chéri, Carrington, O Americano Tranquilo.

metodo 2 Estreia   <i>Um Método Perigoso</i>

De certa forma, o filme relata o nascimento justamente da psicanálise através da correspondência e eventuais encontros entre dois médicos que pesquisam uma pratica semelhante. O Dr. Freud (Viggo) em Viena, trabalhando com discrição e Jung, na Suíça, vivendo no luxo porque era casado com uma mulher rica (foi rodado na Bavária, Viena e Vestfália).

As teorias tomam forma quando aparece uma paciente, Sabina Spielrein, que parece ter alguma forma de demência, dominada por alguma forma de histeria, gritando, fazendo caras e caretas, por vezes agressiva. Keira Knightley sai-se dignamente de um personagem muito difícil, mas que tem um arco interessante. Começa como louca varrida e eventualmente estudará e se tornará uma colega deles e a responsável pela introdução da psicanálise na União Soviética.

metodo 3 Estreia   <i>Um Método Perigoso</i>

O método perigoso não é cuidar da moça, mas a fraqueza de Jung (que era um sujeito atraente e metido a conquistador, muito bem vivido pelo ator do momento, Michael Fassbender, agora famoso por ser despir em Shame).

Assim aos poucos se aproxima de Sabina e atravessa as fronteiras do permissivo, tendo um romance com a moça. O que é contra a ética e, pior do que isso, pode ser muito prejudicial ao tratamento. Freud não aprova e os dois entram em conflito.

metodo 6 Estreia   <i>Um Método Perigoso</i>

Como se vê, o filme tem seus atrativos de escândalo (médico seduzindo paciente, brigando com seu melhor amigo, traindo a esposa).

Gostei bastante do filme e tomara que não se perca em meio a tantos lançamentos  mais comerciais ou mais premiados.

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28 março 2012

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Descobrindo filmes: London Boulevard

london1 Descobrindo filmes: <i>London Boulevard</i>

Inglaterra, 2010. Irlanda, Inglaterra, 2010. Direção e roteiro de William Monahan. Com Colin Farrell, Keira Knightley, David Thewlis, Ray Winstone, Ben Chaplin, Anna Friel, Eddie Marsan.

Por alguma razão, foi recebido negativamente e ainda não foi lançado no Brasil este filme noir britânico que marcou a estreia na direção do premiado roteirista de Os Infiltrados, William Monahan, aqui adaptando um livro de Ken Bruen.

Há outra adaptação dele de 2011, The Blitz, com Jason Stathan. Não apenas o resultado é competente como é fácil entender porque não fez sucesso: os personagens são difíceis de gostar, a trama é tortuosa e confusa e o final não tem nada de comercial. Tudo isso justamente o faz ser classificado como noir.

london2 Descobrindo filmes: <i>London Boulevard</i>

O que mais me impressiona é como o irlandês Colin Farrell conseguiu se tornar um ator competente e, até mesmo, humano, ao menos quando está na Europa. Seu retorno a Hollywood o fez escorregar duas vezes, caricato em Quero Matar Meu Chefe e opaco em A Hora do Espanto.

Mas estava excelente em Bruges - Na Mira do Chefe e volta a convencer aqui, com seu cabelo já grisalho e egocentrismo sob controle. Mas é um filme niilista e trágico, como se podia esperar de seu autor, que escreveu também Rede de Mentiras, o fraco Cruzada e O Fim da Escuridão.

london3 Descobrindo filmes: <i>London Boulevard</i>

Colin faz Mitchel, que sai da prisão onde pretende nunca mais voltar para reencontrar os antigos colegas e esbarra num dos gângsteres mais violentos do momento, papel típico para Ray Winstone, que é sugerido como homossexual, tem problemas com sua irmã desonesta e fora de controle (Anna Frield).

Vai trabalhar como segurança de uma estrela de cinema (Keira) que vive reclusa com a ajuda de um canastrão (ele se apresenta assim) drogado (Thewlis) e tem problemas com um marido maluco e colecionador de carros.

Um amigo (Ben Chaplin) oferece a Mitchel um trabalho como coletor de dívidas para um usurário, mas ele acaba se envolvendo com a atriz. Eu gosto de Keira, embora leia com espanto como os americanos reclamam da ausência de busto grande e sua boca travada, que vive cercada por ofensivos papparazis.

As diversas tramas se cruzam num retrato da vida noturna londrina que faz lembrar que o cinema inglês sempre teve uma tradição nesse tipo de história desde os anos 1950 até chegar a clássicos como Diário de um Gângster e Vilão (nos anos 1970).

Monahan demonstra que aprendeu bastante com Scorsese e tem competência para continuar na profissão. Muitos críticos reclamam que ele aproveitou todos os clichês do gênero. Acho, porém, que ele os revitalizou e os tornou sensível. Mas levem sempre em conta que eu curto os filmes noir.

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27 março 2012

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Correção de omissões

Estava assistindo ao DVD da  entrega do BAFTA deste ano (com certo atraso, mas com prazer) quando percebi, na homenagem aos falecidos, a presença de um diretor que foi importante que não me lembro de ter sido anunciado por aqui. Antes tarde do que nunca, eis a recordação dele.

John Mackenzie (1932- 2011)

Diretor inglês de origem escocesa, vindo da TV. Depois dos estudos, passou a trabalhar no teatro Gateway, em Edinburgh. Estabeleceu-se em Londres, onde iniciou carreira na BBC-TV, colaborando em produções de Ken Loach (de Vida em Família) e estreou na direção na TV em 1967, com Voices in the Park. Realizou sua primeira obra para o cinema em 1969, mas foi apenas em 1980, com The Long Good Friday, que conseguiu boa repercussão (mas não no Brasil, onde foi lançado e ignorado em Home Video).

long good friday 1980 Correção de omissões

Foi considerado uma provocação ao governo inglês (e teve problemas com a censura), ao tratar tratava de um assunto tabu: o IRA (organização terrorista irlandesa separatista), numa espécie de suspense político envolvendo a Máfia.

Sua versão de O Cônsul Honorário (baseado em romance de Graham Greene) desapontou. Prosseguiu uma honrosa carreira, principalmente em filmes feito para a televisão. Sua morte, em 8 de junho em Londres, passou desapercebida no Brasil. Também dirigiu episódios de séries The Jazz Age, The Wednesday Play, Centre Play, Play for Today e a última The Wright Stuff (09).

Filmografia

1969 – One Brief Summer (Clifford Evans, Felicity Gibson). 1971 – Escola de Sádicos (Unman, Wittering and Zigo. David Hemmings, Carolyn Seymor). 1975 – Made (Carol White, John Castle). 1979- A Sense of Freedom ( David Hayman, Jack D´Arcy). 1980 – Caçada na Noite (The Long Good Friday. Bob Hoskins, Helen Mirren). 1981 – A Sense of Freedom (TV. David Hayman, Alex Norton). 1983 – O Cônsul Honorário (Beyond the Limit ou The Honorary Consul. Richard Gere, Michael Caine). 1985 – The Innocent (Tom Bell, Kika Markaham). Sindicato da Violência (Act of Vengeance. Charles Bronson, Ellen Burstyn. TV). 1987 – O Quarto Protocolo (The Fourth Protocol. Michael Caine, Pierce Brosnam). 1990 – Vingança Infernal (Blue Heat ou Last of the Finest. Brian Dennehy, Bill Paxton. TV). 1992 – Caso Kennedy – Uma Conspiração (Ruby. Danny Aiello, Sherilyn Fenn). 1993 – Uma Viagem ao Inferno (Voyage. Rutger Hauer, Eric Roberts). 1995- – Infiltrator – Em Busca da Verdade (The Infiltrator. Oliver Platt, Peter Riegert. TV). 1996 – Viagem da Morte (Deadly Voyage. Omar Epps, Joss Ackland. TV). 1998 – Perfil de um Espião (Aldrich Ames: Traitor within. Timothy Hutton, Joan Plowright. TV). Looking After Jo Jo (Robert Carlyle, Patricia Brake. TV). 2000 – Alto Risco (When the Sky Falls. Joan Allen, Patrick Bergin. TV). 2001 – Armadilha Internacional (Quicksand .Michael Caine, Michael Keaton).

Mais um britânico que eu não relembrei (mas como fez filmes de gênero, terror da Hammer, acaba merecendo um registro).

Don Sharp (1921- 2011)

Diretor de origem inglesa nascido em Hobart, na Tasmânia (que pertence a Austrália) em 9 de abril. Começou como ator e prosseguiu na profissão em Londres,  depois da Segunda Guerra.

Começou a dirigir nos anos 1950, realizando filmes B (infantis, musicais) até quando foi chamado pela Hammer, onde fez alguns filmes de terror que se tornaram cults. Foi também ocasional diretor de segunda unidade (cenas de ação) em filmes como Esses Homens Maravilhosos e suas Máquinas Voadoras (65). E mais tarde em telefilmes e séries (Act of Will, Q.E.D.; Os Campeões, Os Vingadores, Hammer House of Horror, Ghost Squad).

homens Correção de omissões

Faleceu em 14 de dezembro de 2011 na Cornuália.

Filmografia

1955- The Stolen Airliner (Fella Edmonds, Diana Day). 1958- The Golden Disc (Lee Patterson, Mary Steele) The Adventures of Hal 5 (John Glyn Jones, John Charlesworth). 1959- The  Professionals (William Lucas, Andrew Faulds). 1960- Linda (Carol White, Alan Rothwell).  1962- Two Guys Abroad (George Raft, Max Rosembloom). 1963- It´s All Happening (Tommy Steele, Angela Douglas). 1963   Beijo de Vampiro (The Kiss of the Vampire). Christopher Lee , Barbara Shelley).1964- Pacto com o Diabo ( Witchcraft. Lon Chaney Jr, Jack Hedley).Piratas Diabólicos (The Devil-Ship Pirates.Christopher Lee, Andrew Keir). 1965- A Maldição da Mosca (Curse of the Fly. Brian Donlevy, George Baker).  A Face de Fu Manchu (The Face of Fu Manchu. Christopher Lee, Nigel Green). 1966-Rasputin: o Monge louco (Rasputin The Mad Monk, Christopher Lee, Barbara Shelley). Pum Pum, Você está Morto! (Our Man in Marrakesh. Tony Randall, Senta Berger). 1966- As 13 Noivas de Fu Manchu (The Brides of Fu Manchu. Christopher Lee, Marie Versini). 1967- Aqueles Fantásticos Loucos Voadores (Those Fantastic Flying Fools/Rocket to the Moon. Burl Ives, Troy Donahue).   The Violent Enemy (Tom Bell, Susan Hampshire).1970- A Taste of Excitement (Eva Renzi, Paul Hubschmid).1973- Dark Places (Christopher Lee, Joan Collins). Psychomania (Nicky Henson, George Sanders).1974- Callan (Edward Woodward, Catherine Schell). 1975- Hennessy (Rod Steiger, Lee Remick). 1978- The Four Feathers (TV. Beau Bridges, Robert Powell). Os 39 Degraus (John Mills, Robert Powell). 1979- A Ilha dos Ursos (The Bear Island. Vanessa Redgrave, Donald Sutherland). 1985- A Woman of Substance (Minissérie TV. Deborah Kerr, Jenny Seagrove). Perigo Na Montanha (What Waits Bellow. Robert Powell, Timothy Bottoms). 1986-Tusitala (Minissérie TV. Kirk Alexander, Dorothy Alison). Hold the Dream (TV. Jenny Seagrove, Stephen Collins). 1988- Paixões Proibidas (Tears in the Rain. TV. Sharon Stone, Christopher Cazenove).

Um caso semelhante, só que italiano. Fui descobrir na Ciak a perda de importante diretor.

Vittorio De Seta (1923- 2011)

Diretor italiano, praticamente desconhecido no Brasil. Nascido em Palermo, em 15 de outubro, estudou Arquitetura em Roma, ingressando no cinema por acaso, como assistente de Le Chanois. Rodou curta-metragens, estreando no longa com um filme-bomba: Banditi a Orgosolo, prêmio de primeira obra em Veneza, um semidocumentário louvado por sua autenticidade.

Mas seus outros filmes não conseguiram o mesmo sucesso, impedindo-o de trabalhar mais assiduamente. Fez muitos curta-metragens ( I Dimenticati, 59,  Pastori di Orgosolo, 58; Um Giorno in Barbagia, 58; Pescherecci, 58;  Pasqua in Sicilia,56 ; Parabola D´Oro, 56;   Lu Tempo du li pisci spata,54 ; Isole di fuoco.55; Sulfarara,55 ; Contadini del mare, 55).

dominica Correção de omissões

Morreu 28 de novembro de 2011, na Calábria.

1961 – Banditi a Orgosolo (Michele Cossu). 1964 – I Dimenticati (Doc). 1965 – Un Uomo a Metà (Jacques Perrin, Lea Padovani). 1970 – L’Invitata (Johana Shimkus, Michel Piccoli). 1973 – Diario di Un Maestro (Minissérie TV). 1974 – Un Anno a Pietralata (TV). 1993 – In Calabria. 2006- Lettere dal Sahara. 2008- Il Mondo Perduto: I Cortometraggi di Vittorio De Seta 1954-59 (Doc. Video). 2008- Articolo 23 (CM).

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26 março 2012

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O Lorax: Em Busca da Trúfula Perdida

O Lorax: Em Busca da Trúfula Perdida (The Lorax) EUA, 2012. Direção de Chris Renaud e Kyle Balda. Com as vozes no original de Taylor Swift, Zac Effron, Danny De Vito, Ed Helms, Betty White.

rubens 1 <i>O Lorax: Em Busca da Trúfula Perdida</i>

A dupla de Meu Malvado Favorito está de volta com outra animação que foi enorme e inesperado sucesso de bilheteria nos EUA (onde já esta com 163 milhões de dólares para um orçamento de 79 milhões). Aqui no Brasil estão recorrendo àquele novo sistema de fazer pré-estreias diárias antes do lançamento oficial que irá ocorrer na próxima sexta-feira. É uma tentativa de criar boca a boca já que no Brasil o personagem não é tão conhecido quanto lá fora.

Já houve antes outras adaptações da obra do mestre da historia infantil, o Dr. Seuss Theodor Suss Geisel (1904-91), que enquanto vivo não liberou seus contos para o cinema depois que não apreciou o primeiro (Os Cinco Mil Dedos do Dr. T, 53), que eram feitos em geral apenas como desenho para a tevê. O primeiro a quebrar a barreira liberado pelos herdeiros foi o Grinch feito com atores e estrelado por Jim Carrey (2000), que era interessante seguido pelo fracasso e horrível O Gato (Cat in the Hat, 03), também com atores (cheguei mesmo a ver um musical da Broadway com todos eles e que não durou muito).  Mas o melhor foi como animação, no simpático Horton e o Mundo dos Quem (08).

rubens 2 <i>O Lorax: Em Busca da Trúfula Perdida</i>

Todas suas historietas tem algo em comum a) são contadas em versos, o que dificulta sua tradução para outra língua e também a naturalidade que é norma no cinema. (aqui se fala pouco e sempre que possível rimando). 2) sempre tem uma moral, uma lição a ensinar, considerando que é para crianças, é muito adequado. O espantoso do êxito deste filme aqui é que ele é abertamente ecológico e ilustra o tema de forma ate didática ainda que poética. E como se sabe há nos EUA uma direita republicana em negar a existência das dores do Planeta e impedir qualquer lei que venha a restringir sua proliferação. Portanto, eles devem estar fulos da vida com o simpático e bigodudo herói que é a entidade encarregada de proteger a natureza (embora não tenha nenhum superpoder para isso).

Os filmes de animação tem tido a inteligência de seguir as ilustrações originais dos livros, feitas também pelo autor.  Nesta história, o herói é um garoto de 12 anos, Ted, que vive numa cidade do futuro, onde não existe árvores ou qualquer vegetação. Tudo é de plástico ou coisa que o valha e a principal atividade de seu ditador baixinho e inseguro The Onceler é vender garrafas de ar puro. Quando a garota de seus sonhos expressa o desejo de ver ao menos uma vez na vida uma árvore de verdade o garoto sai do perímetro blindado da cidade e vai pedir conselhos a um sábio que em flashback vai narrar a situação.

Houve tempo em que a floresta estava coberta dessas árvores coloridas chamadas Trúfulas, mas a ambiciosa família do rapaz (isso é curioso e diferente, também os familiares são os bandidos da história, em particular a mãe megera!) vai descobrir um uso comercial de suas folhas e em dois tempos, tudo será destruído. Agora Ted tem em suas mãos a única e última semente que vai tentar plantar (naturalmente há uma grande perseguição para aproveitar o 3D).

rubens 3 <i>O Lorax: Em Busca da Trúfula Perdida</i>

O que me espanta é que as crianças tenham embarcado numa história tão cheia de alegoria e não especialmente engraçada. Eu gosto do visual, da caracterização dos personagens, mas preferia, por exemplo, os Hortons, que era menos linear. Mas isso sou eu, nunca me arrisco a entender a cabeça das crianças que ainda mais hoje em dia tem suas próprias razões e gostos e habilidades. Acho ao menos o filme positivo e bonito. Mas nada de excepcional.

Curiosidade: o filme é o primeiro a apresentar o novo logotipo da Universal que comemora seus 100 anos de idade.

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25 março 2012

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Clássico da comédia italiana sai em DVD: Uma Vida Difícil, com Alberto Sordi

Uma Vida Difícil  ****

Una Vita Difficile

Áudio: Italiano. Leg: Port. Wide 1.85. 114 min. PB. 1961. Itália. Versátil. 14 anos.

Diretor: Dino Risi. Roteiro de Rodolfo Sonego. Elenco: Alberto Sordi, Lea Massari,  Franco Fabrizi, Claudio Gora, Lina Volonghi, Antonio Centa, Mino Dora, Loredana Nusciak e participações especiais de Silvana Mangano, Vitttorio Gassman e o diretor Alessandro Blasetti.

Sinopse: Silvio era jornalista e fez parte ativa da resistência aos nazistas. Ele tenta levar adiante seus ideais políticos na Itália do boom econômico, onde não consegue criar sua mulher e filho, sem se corromper.

una vida Clássico da comédia italiana sai em DVD: <i>Uma Vida Difícil</i>, com Alberto Sordi

Comentários: Este sempre foi um dos meus filmes italianos favoritos, talvez porque quando o vi em sua estreia era coisa rara se denunciar a corrupção no cinema. Justamente quando a Itália se recuperava da Segunda Guerra e crescia economicamente o filme de Dino Risi, produzido pelo famoso Dino de Laurentiis (que até Oscar especial levou no fim da carreira) especialmente para os talentos de Alberto Sordi, o humorista romano por excelência, revelado por Fellini e especialista em figuras patéticas, anti-heróis que não davam certo na vida.

Não era exatamente chapliniano porque era muito italiano no comportamento exuberante, na fanfarronice, na sua habilidade de misturar drama e comédia (aliás o filme é difícil de classificar, como muitos dele). Justamente por isso que sua carreira muito longa teve percalços.

Fellini quando quis usá-lo como figura central em seus primeiros filmes esbarrou no preconceito dos exibidores/produtores que não o queriam no elenco. E mesmo no Brasil, eles diziam que filme de Sordi era fracasso certo (dele e de Walter Matthau que, por alguma razão, o brasileiro não curtia).

Mas ele é certamente o mais típico representante da comedia a la italiana, que criticava abertamente os costumes do país em desenvolvimento (e basta ver os problemas que ela enfrenta atualmente para se ter certeza que ela não mudou muito).

1 Clássico da comédia italiana sai em DVD: <i>Uma Vida Difícil</i>, com Alberto Sordi

O roteiro de filme italiano geralmente tem a participação de muita gente, de quatro a oito pessoas. Mas aqui é obra de um único: Rodolfo Sonego (1921-2000), que era habitual colaborador e pessoa de confiança de Sordi (fez praticamente todos os filmes dele desde o começo de carreira e outros ocasionais como As Bonecas, Anna, Satyricon, de Fellini, Esposamante).

Da sua maneira particular, Sordi faz um idealista que luta contra os nazistas arriscando a vida até quando é socorrido por uma mulher do interior que lhe dá abrigo e amor. Eventualmente quando tenta a vida como jornalista e realiza seu sonho de virar escritor, volta para casar com ela  (e terem um filho).

Mas a vida será difícil, também com a sogra que os ajuda, e o ponto chave é quando ele recusa servir a um industrial poderoso que tenta suborná-lo. O que é melhor:  conservar a dignidade ou se vender e arrumar a vida. Pensei muitas vezes no filme quando eu mesmo tentava evitar as armadilhas da profissão, manter um padrão de vida baixo para não ser obrigado a trabalhar no que não queria, ou de alguma forma me corromper.

Não que o filme seja moralista, mostra a vida como ela é, só que sempre com senso de humor (porque se não de outra forma se torna impossível suportá-la). Embora o elenco de apoio neste filme seja realmente secundário, quem tem uma presença forte é a interessante Lea Massari (que esta ainda viva e participou de filmes importantes como Aventura de Antonioni, Um Sopro no Coração de Louis Malle, As Coisas da Vida com Romy Schneider).

Eu ainda tive a sorte de conhecer e entrevistar Alberto Sordi em Veneza, quando praticamente ele se ofereceu para ser entrevistado, ao descobrir que eu era brasileiro, estava louco para falar da sua experiência no Brasil aonde veio descansar e passava a semana inteira nas praias do Guarujá, dizia ele cercado de mulheres (porque os maridos só vinham no fim de semana).

23 Clássico da comédia italiana sai em DVD: <i>Uma Vida Difícil</i>, com Alberto Sordi

Noutro ano, ainda o vi na ultima aparição quando mostrou seu ultimo filme (mas já estava doente e cansado). Sua casa era uma atração em Roma (tudo sabia onde morava e a mostrava) e ele era O Rei de Roma, querido e respeitado.

Sordi, Alberto

(1919-2003) - Ator italiano, nascido em 15 de junho, em Roma. Um dos cômicos mais populares do seu País. Mas nunca se limitou a ser engraçado, procurando temas mais sérios em sátiras como Uma Vida Difícil, de Risi, O Mafioso, de Lattuada, A Grande Guerra, de Monicelli.

Nunca conseguiu ser aceito internacionalmente, apesar de algumas tentativas (O Melhor dos Inimigos/ The Best of Enemies, de Guy Hamilton, 1961; Adeus às Armas/ A Farewell to Arms, de Charles Vidor, 1957). Passou também a escrever roteiros (O Médico do Instituto) e a dirigir com razoável habilidade.

Já em 1936 era ator de teatro e dublador de Oliver Hardy. Estreou no cinema fazendo pontinhas (trabalhou em mais de 150 filmes!), até que Fellini o transformou em astro em duas obras primas: O Abismo de um Sonho e Os Boas Vidas.

Direção

1966 – O Gentleman (Fumo di Londra. Sordi, Fiona Lewis). Você É Contra ou a Favor do Divórcio? (Scusi, Lei è Favorevole o Contrario? Sordi, Silvana Mangano).
1967 – Um Italiano na América (Un Italiano in America. Sordi, Vittorio De Sica).
1969 – Amor, Ajuda-me (Amore Mio, Aiutami. Sordi, Monica Vitti).
1971 – Os Casais (Le Coppie. Epis. La Camera. Sordi, Monica Vitti).
1973 – Uma Mulher em Busca do Amor (Polvere di Stelle. Sordi, Monica Vitti).
1974 – Finché c’È Guerra c’È Speranza (Sordi, Silvia Monti).
1976 – O Comum Sentido do Pudor (Il Comune Senso del Pudore. Sordi, Florinda Bolkan).
20 Clássico da comédia italiana sai em DVD: <i>Uma Vida Difícil</i>, com Alberto Sordi

1978 – Onde Passaremos as Férias? (Dove Vai in Vacanza? Epis. Férias Inteligentes. Sordi, Anna Longhi).
1980 – Io e Caterina (Sordi, Catherine Spaak).
1982 – In Viaggio con Papà (Sordi, Carlo Verdone). Io So che Tu Sai che lo So (Sordi, Monica Vitti).
1983 – Il Tassinaro (Sordi, Silvana Pampanini).
1984 – Tutti Dentro (Sordi, Joe Pesci).
1987 – Un Tassinaro a New York (Sordi, Dom DeLuise).
1992 – Assolto per aver Commesso il Fatto (Sordi, Angela Finocchiaro).
1994 – Nestore l’ultima Corsa (Sordi, Enzo Monteduro).
1998 – Incontri Proibiti (Sordi, Valeria Marini).

Como ator

1998 Incontri proibiti.
1995 - A História de um jovem homem pobre ( Romanzo di un giovane povero de Etore Scola).
1994 Nestore l'ultima corsa.1992 Assolto per aver commesso il fatto.
1991 Vacanze di Natale '91.
1990 In nome del popolo sovrano. L'avaro.
1989 I promessi sposi (TV).
1988 Una botta di vita.
1987 Un tassinaro a New York.1986 Troppo forte.
1985 Sono un fenomeno paranormale.
1984 Tutti dentro. Bertoldo, Bertoldino e... Cacasenno.
1983 Il tassinaro.
1982 - Io so che tu sai che io so. In viaggio con papà.
1981 - Il marchese del Grillo de Monicelli.
1980 Io e Caterina.
1979 Il malato immaginario. Onde Passaremos as Férias? (Dove va in Vacanza?.Epis. "Le vacanze intelligenti"). L'ingorgo - Una storia impossibile.
1978 Le témoin. 1977 - Os Novos Monstros (I Nuovo Mostri. Episódios "First Aid"/"Come una regina"/"Elogio funebre"de Monicelli, Risi, Scola. Um Burguês Muito Pequeno (Un borghese piccolo piccolo de Monicelli).
1976 - Aquelas Estranhas Ocasiões (Quelle strane occasioni. epis "L'Ascensore"). O Comum Sentido do Pudor (Il comune senso del pudore).
1975 Qual é o seu Signo ?(Di che segno sei?).
1974 Finché c'è guerra c'è speranza.

finch c guerra c speranza alberto sordi alberto sordi 009 jpg tpfv Clássico da comédia italiana sai em DVD: <i>Uma Vida Difícil</i>, com Alberto Sordi
1973 Uma Mulher em Busca do Amor (Polvere di stelle com Monica Vitti). Anastasia mio fratello ovvero il presunto capo dell'Anonima Assassini.1972 La più bella serata della mia vita. Semeando a Ilusão (Lo Scopone Scientifico com Bette Davis). Roma de Fellini (Roma, como ele mesmo).

1971 - Uma Noiva para Dois (Bello, onesto, emigrato Australia sposerebbe compaesana illibata de Luigi Zampa com Claudia Cardinale).  Por que? ( Detenuto in attesa di giudizio de Nanny Loy).
1970 - Os Casais (Le Coppie.  episodios "La camera" e "Il leone"). A Contestação (Contestazione generale. Epis). O Presidente do Borgorosso Futebol Clube (Il presidente del Borgorosso Football Club de Luigi F.D´Amico).
1969 - A Fabulosa Clínica do Dr. Tersilli (Il Prof. Dotti Guido Tersilli, Primario Della Clinica Vila Celeste convenzionata com le Mutue. De Luciano Salce). Amor Ajuda-me (Amore mio aiutami) com Monica Vitti. Os Carbonários ( Nell'anno del Signore ).
1968 Conseguirão os Nossos Heróis encontrar o Amigo Misteriosamente Desaparecido na Africa? ( Riusciranno i nostri eroi a ritrovare l'amico misteriosamente scomparso in Africa? de Scola).O Médico do Instituto (Il medico della mutua de Luigi Zampa).
1967 Um Italiano na América (Un italiano in America). As Bruxas (Le Streghe. Epis. Senso Civico).
1966 - Desculpe é a Favor ou Contra? (Scusi, lei è favorevole o contrario? ). As Rainhas  (Le Fate. Epis. Fata Marta). Esses  Nossos Maridos (I nostri mariti epis. Il marito di Roberta).O Gentleman ( Fumo di Londra).
1965 - Esses Italianos (Made in Italy .Epis'La Famiglia de Nanny Loy). Pesadelo de Ilusões (Thrilling). Os Complexos (I complessi .Epis. Guglielmo il dentone). Esses Homens Maravilhosos E Suas Máquinas Voadoras (Those Magnificent Men in their Flying Machines de Ken Annakin). As Tres Faces de uma Mulher (I tre volti. episódio Latin Lover) .
1964 Il disco volante. A minha Senhora (La mia signora com Silvana Mangano).
1963 Il boom de Vittorio De Sica. Il diavolo. Il maestro di Vigevano.
1962 - O Mafioso (Il Mafioso de Lattuada com Norma  Bengell). Il commissario.

mafioso 1 preview Clássico da comédia italiana sai em DVD: <i>Uma Vida Difícil</i>, com Alberto Sordi

1961 Uma Vida Difícil (Una vita difficile de Dino Risi). O Juízo Universal (Il Giudizio Universale de De Sica).  O Melhor dos Inimigos (The Best of Enemies com David Niven).
1960 Crime em Monte Carlo (Crimen). 1960 Regresso ao Lar (Tutti a casa de Luigi Comencini). Ele Ladrão, Ela Gatuna (Ladro lui, ladra lei com Sylva Koscina). O Vigilante  Trapalhão (Il vigile de Luigi Zampa com Sylva Koscina). Gastone. Férias em Majorca (Brevi amori a Palma di Majorca com  Belinda Lee). A Grande Guerra  (La Grande Guerra de Monicelli). I Magliari - Renúncia de um Trapaceiro (I Magliari de Francesco Rosi).

1959 Costa Azul, praia dos Amantes ( Costa Azzurra). Um Moralista em Apuros (Il moralista).  Férias de Inverno  (Vacanze d'inverno  com Michèle Morgan) .Policarpo (Policarpo, ufficiale di scrittura ).Oh! Qué mambo/OK Mambo,  de John Berry. Inferno na Cidade (Nella città l'inferno de Renato Castellani). O Viúvo ( Il vedovo de Dino Risi).
1958 Contos de Verão (Racconti D´Estate com Mastroianni). Veneza, a Lua e Você (Venezia, la luna e tu, de Dino Risi).Domingo é Sempre Domingo (Domenica è sempre domenica) de Mastrocinque.  Fortunella  (Idem) de Eduardo De Fillipo. Le septième ciel.O Marido (Il marito).
1957 Adeus às Armas (A Farewell to Arms com Rock Hudson). O Médico e o Charlatão (Il medico e lo stregone de Monicelli). Il conte Max. Aconteceu em Roma( Souvenir d'Italie). De Pietrangeli. Arrivano i dollari!
1956 Era di venerdì 17.Mi permette, babbo! Meu Filho Nero (Mio figlio Nerone com Brigitte Bardot). Guardia, guardia scelta, brigadiere e maresciallo. Faccia da mascalzone .
1955 O Solteirão (Lo scapolo de Pietrangeli).I pappagalli . Bravissimo.Accadde al penitenziario.A Bela de Roma (La bella di Roma com Silvana Pampanini).  Boa Noite Advogado (Buonanotte... avvocato! Com Giulietta Massina). O Signo de Venus (Il segno di Venere de Dino Risi com Sophia Loren).Gran varietà.Um Herói de Nossos Tempos (Um eroe di nostri Tempi de Monicelli). Piccola posta.
1954 A Arte de Dar um Jeito(  L'arte di arrangiarsi ).Canzoni, canzoni, canzoni. Um Americano em Roma (Um americano in Roma de Steno). Una parigina a Roma. Accadde al commissariato. L'allegro squadrone.  Nossos tempos (Tempi nostri com Gina Lollobrigida). Il matrimonio.Amores de Meio Século (Amori di mezzo secolo. Epis "Dopoguerra 1920") .Tripoli, bel suol d'amore.A Sedutora ( Il seduttore).
1954 Via Padova 46.
1953 Ci troviamo in galleria de Bolognini. Os Boas-Vidas ( I Vitelloni de Fellini). L'incantevole nemica Com Silvana Pampanini.O Juiz Dirige a Comédia (Um Giorno in Pretura com Sophia Loren). Duas Noites com Cleopatra (Due notti con Cleopatra com Sophia Loren).
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1952 Abismo de um Sonho (Il sceicco bianco de Fellini) .Viva il cinema! (Narrador).È arrivato l'accordatore. Giovinezza.
1951 Cameriera bella presenza offresi... Mamma mia, che impressione! Totó, o Rei de Roma (Totò e i re di Roma de Steno e Monicelli).
1948 Sob o Sol de Roma ( Sotto il sole di Roma de Castellani). Che tempi!
1947 Il passatore. O Delito( Il delitto di Giovanni Episcopo). De Lattuada. Il vento mi ha cantato una canzone.
1945 Le miserie del Signor Travet .L'innocente Casimiro.  Chi l'ha visto?
1944 Circo equestre Za-bum (episódio "Galop finale al circo").Tre ragazze cercano marito.
1943 Sant'Elena, piccola isola.1942 Casanova farebbe così! La signorina.I 3 aquilotti . Giarabub . Le signorine della villa accanto.1940 Cuori nella tormenta.
1939 La notte delle beffe.
1938 La principessa Tarakanova (sem crédito).
1937 Cipião Africano (Scipione l'africano).Il feroce Saladino

Eu sei que a matéria esta longa mas  não estaria completa sem também a carreira do diretor Dino Risi.

Risi, Dino (1916- 2008 )

Diretor italiano, especializado em comédias de costumes, por vezes contundentes e amargas (Uma Vida Difícil, Aquele que Sabe Viver). Nascido em 23 de dezembro, em Milão, na Lombardia, estudou Medicina e Psiquiatria (que exerceu), refugiou-se na Suíça durante a Guerra, onde seguiu o curso de Cinema de Jacques Feyder. Começou fazendo curtas-metragens (em 5 anos rodou 23, muitos deles premiados em Veneza e Bruxelas). Foi assistente de Lattuada e escreveu alguns roteiros antes de fazer seu primeiro longa em 1952. Trabalhou principalmente para a Produtora Titanus, em comédias de sucesso onde sua verve e espírito satírico foram descobertos pela crítica francesa. Em 1953, tentou em vão fazer um filme na Vera Cruz paulista. Também atingido pela crise do cinema italiano, decaiu em nível de produção e inspiração. O filho, Marco Risi, também passou à direção.Assim como outro filho Marco Risi, seu irmão Nelo Risi.  Faleceu em 6 de junho. Escreveu em 2004 a autobiografia I Miei Mostri. Teve romances com Anita Ekberg e Alida Valli mas sua companheira foi a pouca conhecida atriz Leontine Snell com quem viveu 40 anos.

Direção

1952 – Vacanze col Gangster (Marc Lawrence, Mario Girotti).
1953 – Viale della Speranza (Liliana Bonfatti, Cozetta Greco). Amor na Cidade (Amore in Città. Epis. Paradiso per Quatro Ore).
1955 – O Signo de Vênus (Il Segno di Venere. Sophia Loren, Vittorio De Sica). Pão, Amor e ... (Pane, Amore e ... Sophia Loren, Vittorio De Sica).
1956 – Pobres mas Belas (Poveri Ma Belli. Marisa Allasio, Renato Salvatori).
1957 – A Irresistível Sabella (La Nonna Sabella. Tina Pica, Sylva Koscina). Pobres Porém Famosas (Belle Ma Povere. Marisa Allasio, Renato Salvatori).
1958 – Veneza, a Lua e Você (Venezia La Luna e Tu. Alberto Sordi, Marisa Allasio).

veneza Clássico da comédia italiana sai em DVD: <i>Uma Vida Difícil</i>, com Alberto Sordi
1959 – Pobres Milionários (Poveri Milionari. Renato Salvatori, Maurizio Arena). O Viúvo (Il Vedovo. Alberto Sordi, Franca Valeri). Sua Excelência, o Trapaceiro (Il Mattatore. Vittorio Gassman, Dorian Gray).
1960 – Um Amor em Roma (Un Amore a Roma. Mylène Demongeot, Elsa Martinelli).
1961 – A Porte Chiuse (Anita Ekberg, Ettore Manni). Uma Vida Difícil (Une Vita Difficile. Alberto Sordi, Lea Massari).
1962 – La Marcia Su Roma (Vittorio Gassman, Ugo Tognazzi). Aquele que Sabe Viver (Il Sorpasso. Vittorio Gassman, Jean-Louis Trintignant).
1963 – Minha Esposa É Um Sucesso (Il Sucesso. Co-d. Mauro Morassi. Vittorio Gassman, Jean-Louis Trintignant). Os Monstros (I Mostri. Vittorio Gassman, Ugo Tognazzi). Il Giovedi (Walter Chiari, Michèle Mercier).
1964 – O Caradura (Il Gaucho. Vittorio Gassman, Nino Manfredi).
1965 – As Bonecas (Le Bambole. Epis. La Telefonata. Nino Manfredi, Virna Lisi). Os Complexos (I Complessi. Epis. Una Giornata Decisiva. Nino Manfredi). Esses Nossos Maridos (I Nostri Mariti. Epis. Il Marito di Attilia. Ugo Tognazzi).
1966 – Férias à Itália (L’Ombrellone. Enrico Maria Salerno, Sandra Milo). Operação San Genaro (Operazione San Gennaro. Nino Manfredi, Totò).
1967 – O Tigre e a Gatinha (Il Tigre. Vittorio Gassman, Ann-Margret).
1968 – O Profeta (Il Profeta. Vittorio Gassman, Ann-Margret). Mata-me com Teus Beijos (Straziami Ma di Baci Saziami. Nino Manfredi, Ugo Tognazzi).
1969 – Vejo Tudo Nú (Vedo Nudo. Nino Manfredi, Sylva Koscina). Auto-Stop, Destino Incerto (Il Giovane Normale. Lino Capolichio, Janet Agren).
1970 – A Mulher do Padre (La Moglie del Prete. Marcello Mastroianni, Sophia Loren).
1971 – Nós as Mulheres Somos Assim (Noi Donne, Siamo Fatte Così. Monica Vitti, Enrico Maria Salerno).
1972 – Este Crime Jamado Justiça (In Nome del Popolo Italiano. Ugo Tognazzi, Vittorio Gassman).
1973 – Sábado Infernal (Mordi e Fuggi. Marcello Mastroianni, Oliver Reed). Sexo Louco (Sessomatto. Giancarlo Giannini, Laura Antonelli).
1974 – Perfume de Mulher (Profumo di Donna. Vittorio Gassman, Agostina Belli).
1976 – Telefones Brancos (Telefoni Bianchi. Vittorio Gassman, Agostina Belli). Almas Perdidas (Anima Persa. Vittorio Gassman, Catherine Deneuve).
1977 – Venha Dormir lá em Casa Esta Noite (La Stanza del Vescove. Ugo Tognazzi, Ornella Muti). Novos Monstros (I Nuovo Mostri. Co-d. Ugo Tognazzi, Vittorio Gassman).
1978 – Primo Amore (Ugo Tognazzi, Ornella Muti).
1979 – Caro Papà (Vittorio Gassman, Aurore Clément). I Seduttori della Domenica (Epis.)
sunday lovers italian sexy comedy rare dvd 8d188 Clássico da comédia italiana sai em DVD: <i>Uma Vida Difícil</i>, com Alberto Sordi
1980 – Sono Fotogenico (Renato Pozzeto, Edwige Fenech). Os Amantes Sensuais (Sunday Lovers. Epis. Ugo Tognazzi, Rossana Podestá). Fantasma d’Amore (Romy Schneider, Marcello Mastroianni).
1982 – Sexualmente Falando (Sesso e Volontieri. Laura Antonelli, Johnny Dorelli).
1983 – ... E La Vita Continua (Virna Lisi, Clio Goldsmith. TV).
1984 – Le Bon Roi Dagobert (Coluche, Ugo Tognazzi).
1985 – Scemo di Guerra (Coluche, Beppe Grillo).
1986 – Il Comissario lo Gatto (Lino Banfi, Maurizio Ferrini).
1987 – Teresa (Serena Grandi, Marcel Bozuffi).
1989 – Il Vizio di Vivere (Carol Alt. TV). Mãe Coragem (La Ciociara. Sophia Loren, Sidney Penny). Quattro Historie di Donne (Epis. Carla. TV).
1990 – Vita Coi Figli (Giancarlo Giannini, Monica Bellucci. TV). Tolgo il Disturbo (Vittorio Gassman, Dominique Sanda).
1992 – Missione d’amore (Carol Alt, Florinda Bolkan. minissérie. TV).
1996 – Jovens, Belos e Apaixonados (Giovani e Belli. Anna Falchi, Luca Venantini). Esercizi di Stile (Epis. Myriam. Elena Sofia Ricci, Massimo Wertmuller).
2002 – Le Ragazze di Miss Italia (TV.Nadia Bengala, Bárbara Chiappini
).

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Uma Vida Difícil ****

Uma Vita Difficile

Audio:Italiano . Leg: Port. Wide 1.85. 114 min.PB. 1961. Itália. Versátil. 14 anos.

Diretor: Dino Risi. Roteiro de Rodolfo Sonego. Elenco: Alberto Sordi, Lea Massari, Franco Fabrizi, Claudio Gora, Lina Volonghi, Antonio Centa, Mino Dora, Loredana Nusciak e participações especiais de Silvana Mangano, Vitttorio Gassman e o diretor Alessandro Blasetti.

Sinopse: Silvio era jornalista que fez parte ativa da Resistência aos Nazistas e tenta levar adiante seus ideais políticos na Italia do Boom econômico onde não consegue criar sua mulher e filho, sem se corromper.

Comentários: Este sempre foi um dos meus filmes italianos favoritos, talvez porque quando o vi em sua estreia, era coisa rara se denunciar a corrupção no cinema. Justamente quando a Itália se recuperava da Segunda Guerra e crescia economicamente o filme de Dino Risi, produzido pelo famoso Dino de Laurentiis (que ate Oscar especial levou no fim de carreira) especialmente para os talentos de Alberto Sordi, o humorista romano por excelência, revelado por Fellini e especialista em figuras patéticas, anti-heróis que não davam certo na vida. Não era exatamente chapliniano porque era muito italiano no comportamento exuberante, na fanfarronice, na sua habilidade de misturar drama e comédia (alias o filme é difícil de classificar, como muitos dele). Justamente por isso que sua carreira muito longa teve percalços. Fellini quando quis usa-lo como figura central em seus primeiros filmes esbarrou no preconceito dos exibidores/produtores que não o queriam no elenco. E mesmo no Brasil, eles diziam que filme de Sordi era fracasso certo (dele e de Walter Matthau que por alguma razão o brasileiro não curtia!). Mas ele é certamente o mais típico representante da comedia a la italiana, que criticava abertamente os costumes do pais em desenvolvimento (e basta ver os problemas que ela enfrenta atualmente para se ter certeza que ela não mudou muito). O roteiro de filme italiano geralmente tem a participação de muita gente, de quatro a oito pessoas. Mas aqui é obra de um único Rodolfo Sonego (1921-2000) que era habitual colaborador e pessoa de confiança de Sordi (fez praticamente todos os filmes dele desde o começo de carreira e outros ocasionais como As Bonecas, Anna, Satyricon de Fellini, Esposamante). Da sua maneira particular, Sordi faz um idealista que luta contra os nazistas arriscando a vida ate quando é socorrido por uma mulher do interior que lhe da abrigo e amor. Eventualmente quando tenta a vida como jornalista e realizar seu sonho de virar escritor, volta para casar com ela (e terem um filho). Mas a vida será difícil, também com a sogra que os ajuda, e o ponto chave é quando ele recusa servir a um industrial poderoso que tenta suborna-lo. O que é melhor: conservar a dignidade ou se vender e arrumar a vida. Pensei muitas vezes no filme quando eu mesmo tentava evitar as armadilhas da profissão, manter um padrão de vida baixo para não ser obrigado a trabalhar no que não queria, ou de alguma forma me corromper. Não que o filme seja moralista, mostra a vida como ela é, só que sempre com senso de humor (porque se não de outra forma se torna impossível suporta-la). Embora o elenco de apoio neste filme seja realmente secundário, quem tem uma presença forte é a interessante Lea Massari (que esta ainda viva e participou de filmes importantes como Aventura de Antonioni, Um Sopro no Coração de Louis Malle, As Coisas da Vida com Romy Schneider). Eu ainda tive a sorte de conhecer e entrevistar Alberto Sordi em Veneza, quando praticamente ele se ofereceu para ser entrevistado, ao descobrir que eu era brasileiro, estava louco para falar da sua experiência no Brasil aonde veio descansar e passava a semana inteira nas praias do Guarujá, dizia ele cercado de mulheres (porque os maridos só vinham no fim de semana). Noutro ano, ainda o vi na ultima aparição quando mostrou seu ultimo filme (mas já estava doente e cansado). Sua casa era uma atração em Roma (tudo sabia onde morava e a mostrava) e ele era O Rei de Roma, querido e respeitado.

Sordi, Alberto

(1919-2003). Ator italiano, nascido em 15 de junho, em Roma. Um dos cômicos mais populares do seu país. Mas nunca se limitou a ser engraçado, procurando temas mais sérios em sátiras como Uma Vida Difícil, de Risi, O Mafioso, de Lattuada, A Grande Guerra, de Monicelli. Nunca conseguiu ser aceito internacionalmente apesar de algumas tentativas (O Melhor dos Inimigos/ The Best of Enemies, de Guy Hamilton, 1961; Adeus às Armas/ A Farewell to Arms, de Charles Vidor, 1957). Passou também a escrever roteiros (O Médico do Instituto) e a dirigir com razoável habilidade. Já em 1936 era ator de teatro e dublador de Oliver Hardy. Estreou no cinema fazendo pontinhas (trabalhou em mais de 150 filmes!), até que Fellini o transformou em astro em duas obras primas: O Abismo de um Sonho e Os Boas Vidas.

Dir.: 1966 – O Gentleman (Fumo di Londra. Sordi, Fiona Lewis). Você É Contra ou a Favor do Divórcio? (Scusi, Lei è Favorevole o Contrario? Sordi, Silvana Mangano). 1967 – Um Italiano na América (Un Italiano in America. Sordi, Vittorio De Sica). 1969 – Amor, Ajuda-me (Amore Mio, Aiutami. Sordi, Monica Vitti). 1971 – Os Casais (Le Coppie. Epis. La Camera. Sordi, Monica Vitti). 1973 – Uma Mulher em Busca do Amor (Polvere di Stelle. Sordi, Monica Vitti). 1974 – Finché c’È Guerra c’È Speranza (Sordi, Silvia Monti). 1976 – O Comum Sentido do Pudor (Il Comune Senso del Pudore. Sordi, Florinda Bolkan). 1978 – Onde Passaremos as Férias? (Dove Vai in Vacanza? Epis. Férias Inteligentes. Sordi, Anna Longhi). 1980 – Io e Caterina (Sordi, Catherine Spaak). 1982 – In Viaggio con Papà (Sordi, Carlo Verdone). Io So che Tu Sai che lo So (Sordi, Monica Vitti). 1983 – Il Tassinaro (Sordi, Silvana Pampanini). 1984 – Tutti Dentro (Sordi, Joe Pesci). 1987 – Un Tassinaro a New York (Sordi, Dom DeLuise). 1992 – Assolto per aver Commesso il Fatto (Sordi, Angela Finocchiaro). 1994 – Nestore l’ultima Corsa (Sordi, Enzo Monteduro). 1998 – Incontri Proibiti (Sordi, Valeria Marini).

Como Ator

1998 Incontri proibiti. 1995 A Historia de um jovem homem pobre ( Romanzo di un giovane povero de Etore Scola).
1994 Nestore l'ultima corsa.1992 Assolto per aver commesso il fatto. 1991 Vacanze di Natale '91.1990 In nome del popolo sovrano. L'avaro.1989 I promessi sposi (TV).1988 Una botta di vita. 1987 Un tassinaro a New York.1986 Troppo forte
1985 Sono un fenomeno paranormale.1984 Tutti dentro. Bertoldo, Bertoldino e... Cacasenno.1983 Il tassinaro
1982 Io so che tu sai che io so. In viaggio con papà .1981 Il marchese del Grillo de Monicelli.1980 Io e Caterina.

1979 Il malato immaginario.1979 Onde Passaremos as Férias? (Dove va in Vacanza?.Epis. "Le vacanze intelligenti").L'ingorgo - Una storia impossibile. 1978 Le témoin. 1977 Os Novos Monstros (I Nuovo Mostri. Episódios "First Aid"/"Come una regina"/"Elogio funebre"de Monicelli, Risi, Scola.

Um Burguês Muito Pequeno (Un borghese piccolo piccolo de Monicelli). 1976 Aquelas Estranhas Ocasiões (Quelle strane occasioni. epis "L'Ascensore").O Comum Sentido do Pudor (Il comune senso del pudore). 1975 Qual é o seu Signo ?(Di che segno sei?). 1974 Finché c'è guerra c'è speranza.1973 Uma Mulher em Busca do Amor (Polvere di stelle com Monica Vitti).
Anastasia mio fratello ovvero il presunto capo dell'Anonima Assassini.1972 La più bella serata della mia vita. Semeando a Ilusão (Lo Scopone Scientifico com Bette Davis).Roma de Fellini (Roma, como ele mesmo).

1971 Uma Noiva para Dois (Bello, onesto, emigrato Australia sposerebbe compaesana illibata de Luigi Zampa com Claudia Cardinale). Por que? ( Detenuto in attesa di giudizio de Nanny Loy). 1970 Os Casais (Le Coppie. episodios "La camera" e "Il leone") .A Contestação (Contestazione generale. Epis). O Presidente do Borgorosso Futebol Clube (Il presidente del Borgorosso Football Club de Luigi F.D´Amico).1969 A Fabulosa Clínica do Dr. Tersilli (Il Prof. Dotti Guido Tersilli, Primario Della Clinica Vila Celeste convenzionata com le Mutue. De Luciano Salce). Amor Ajuda-me (Amore mio aiutami) com Monica Vitti. Os Carbonários ( Nell'anno del Signore ).1968 Conseguirão os Nossos Heróis encontrar o Amigo Misteriosamente Desaparecido na Africa? ( Riusciranno i nostri eroi a ritrovare l'amico misteriosamente scomparso in Africa? de Scola). O Médico do Instituto (Il medico della mutua de Luigi Zampa). 1967 Um Italiano na América (Un italiano in America).As Bruxas (Le Streghe. Epis. "Senso Civico")

1966 Desculpe é a Favor ou Contra? (Scusi, lei è favorevole o contrario? ). As Rainhas (Le Fate. Epis. "Fata Marta").Esses Nossos Maridos (I nostri mariti epis. "Il marito di Roberta")

O Gentleman ( Fumo di Londra).1965 Esses Italianos (Made in Italy .Epis'La Famiglia de Nanny Loy). Pesadelo de Ilusões ( Thrilling). Os Complexos (I complessi .Epis."Guglielmo il dentone").Esses Homens Maravilhosos E Suas Máquinas Voadoras (Those Magnificent Men in their Flying Machines de Ken Annakin) .A Tres Faces de uma Mulher (I tre volti. episódio "Latin Lover").1964 Il disco volante. A minha Senhora (La mia signora com Silvana Mangano).1963 Il boom de Vittorio De Sica. Il diavolo. Il maestro di Vigevano.

1962 O Mafioso (Il Mafioso de Lattuada com Norma Bengell).
Il commissario. 1961 Uma Vida Dificil (Una vita difficile de Dino Risi). O Juízo Universal (Il Giudizio Universale de De Sica). O Melhor dos Inimigos (The Best of Enemies com David Niven).1960 Crime em Monte Carlo (Crimen). 1960 Regresso ao Lar (Tutti a casa de Luigi Comencini). Ele Ladrão, Ela Gatuna (Ladro lui, ladra lei com Sylva Koscina). O Vigilante Trapalhão (Il vigile de Luigi Zampa com Sylva Koscina). Gastone.Férias em Majorca (Brevi amori a Palma di Majorca com Belinda Lee).A Grande Guerra (La Grande Guerra de Monicelli).I Magliari - Renúncia de um Trapaceiro (I Magliari de Francesco Rosi). 1959 Costa Azul, praia dos Amantes ( Costa Azzurra). Um Moralista em Apuros (Il moralista). Férias de Inverno (Vacanze d'inverno com Michèle Morgan) .Policarpo (Policarpo, ufficiale di scrittura ).Oh! Qué mambo/OK Mambo, de John Berry. Inferno na Cidade (Nella città l'inferno de Renato Castellani). O Viúvo ( Il vedovo de Dino Risi).1958 Contos de Verão (Racconti D´Estate com Mastroianni). Veneza, a Lua e Você (Venezia, la luna e tu, de Dino Risi).Domingo é Sempre Domingo (Domenica è sempre domenica) de Mastrocinque. Fortunella (Idem) de Eduardo De Fillipo. Le septième ciel.
O Marido (Il marito).1957 Adeus às Armas (A Farewell to Arms com Rock Hudson). O Médico e o Charlatão (Il medico e lo stregone de Monicelli). Il conte Max. Aconteceu em Roma( Souvenir d'Italie). De Pietrangeli. Arrivano i dollari! 1956 Era di venerdì 17.Mi permette, babbo! Meu Filho Nero (Mio figlio Nerone com Brigitte Bardot). Guardia, guardia scelta, brigadiere e maresciallo. Faccia da mascalzone .1955 O Solteirão (Lo scapolo de Pietrangeli).I pappagalli . Bravissimo.Accadde al penitenziario.A Bela de Roma (La bella di Roma com Silvana Pampanini). Boa Noite Advogado (Buonanotte... avvocato! Com Giulietta Massina). O Signo de Venus (Il segno di Venere de Dino Risi com Sophia Loren).Gran varietà.Um Herói de Nossos Tempos (Um eroe di nostri Tempi de Monicelli). Piccola posta.1954 A Arte de Dar um Jeito( L'arte di arrangiarsi ).Canzoni, canzoni, canzoni. Um Americano em Roma (Um americano in Roma de Steno). Una parigina a Roma. Accadde al commissariato. L'allegro squadrone. Nossos tempos (Tempi nostri com Gina Lollobrigida). Il matrimonio.Amores de Meio Século (Amori di mezzo secolo. Epis "Dopoguerra 1920") .Tripoli, bel suol d'amore.A Sedutora ( Il seduttore).1954 Via Padova 46 ;1953 Ci troviamo in galleria de Bolognini. Os Boas-Vidas ( I Vitelloni de Fellini). L'incantevole nemica Com Silvana Pampanini.O Juiz Dirige a Comédia (Um Giorno in Pretura com Sophia Loren). Duas Noites com Cleopatra (Due notti con Cleopatra com Sophia Loren). 1952 Abismo de um Sonho (Il sceicco bianco de Fellini) .Viva il cinema! (Narrador).È arrivato l'accordatore. Giovinezza. 1951 Cameriera bella presenza offresi... Mamma mia, che impressione! Totó, o Rei de Roma (Totò e i re di Roma de Steno e Monicelli).1948 Sob o Sol de Roma ( Sotto il sole di Roma de Castellani). Che tempi! 1947 Il passatore. O Delito( Il delitto di Giovanni Episcopo). De Lattuada. Il vento mi ha cantato una canzone. 1945 Le miserie del Signor Travet .L'innocente Casimiro. Chi l'ha visto? 1944 Circo equestre Za-bum (episódio "Galop finale al circo").Tre ragazze cercano marito.1943 Sant'Elena, piccola isola.1942 Casanova farebbe così! La signorina.I 3 aquilotti . Giarabub . Le signorine della villa accanto.1940 Cuori nella tormenta.1939 La notte delle beffe .1938 La principessa Tarakanova (sem crédito). 1937 Cipião Africano (Scipione l'africano).Il feroce Saladino

Eu sei que a matéria esta longa mas não estaria completa sem também a carreira do diretor Dino Risi.

Risi, Dino

(1916- 2008 ) Diretor italiano, especializado em comédias de costumes, por vezes contundentes e amargas (Uma Vida Difícil, Aquele que Sabe Viver). Nascido em 23 de dezembro, em Milão, na Lombardia, estudou Medicina e Psiquiatria (que exerceu), refugiou-se na Suíça durante a Guerra, onde seguiu o curso de Cinema de Jacques Feyder. Começou fazendo curtas-metragens (em 5 anos rodou 23, muitos deles premiados em Veneza e Bruxelas). Foi assistente de Lattuada e escreveu alguns roteiros antes de fazer seu primeiro longa em 1952. Trabalhou principalmente para a Produtora Titanus, em comédias de sucesso onde sua verve e espírito satírico foram descobertos pela crítica francesa. Em 1953, tentou em vão fazer um filme na Vera Cruz paulista. Também atingido pela crise do cinema italiano, decaiu em nível de produção e inspiração. O filho, Marco Risi, também passou à direção.Assim como outro filho Marco Risi, seu irmão Nelo Risi. Faleceu em 6 de junho. Escreveu em 2004 a autobiografia I Miei Mostri. Teve romances com Anita Ekberg e Alida Valli mas sua companheira foi a pouca conhecida atriz Leontine Snell com quem viveu 40 anos.

Dir.: 1952 – Vacanze col Gangster (Marc Lawrence, Mario Girotti). 1953 – Viale della Speranza (Liliana Bonfatti, Cozetta Greco). Amor na Cidade (Amore in Città. Epis. Paradiso per Quatro Ore). 1955 – O Signo de Vênus (Il Segno di Venere. Sophia Loren, Vittorio De Sica). Pão, Amor e ... (Pane, Amore e ... Sophia Loren, Vittorio De Sica). 1956 – Pobres mas Belas (Poveri Ma Belli. Marisa Allasio, Renato Salvatori). 1957 – A Irresistível Sabella (La Nonna Sabella. Tina Pica, Sylva Koscina). Pobres Porém Famosas (Belle Ma Povere. Marisa Allasio, Renato Salvatori). 1958 – Veneza, a Lua e Você (Venezia La Luna e Tu. Alberto Sordi, Marisa Allasio). 1959 – Pobres Milionários (Poveri Milionari. Renato Salvatori, Maurizio Arena). O Viúvo (Il Vedovo. Alberto Sordi, Franca Valeri). Sua Excelência, o Trapaceiro (Il Mattatore. Vittorio Gassman, Dorian Gray). 1960 – Um Amor em Roma (Un Amore a Roma. Mylène Demongeot, Elsa Martinelli). 1961 – A Porte Chiuse (Anita Ekberg, Ettore Manni). Uma Vida Difícil (Une Vita Difficile. Alberto Sordi, Lea Massari). 1962 – La Marcia Su Roma (Vittorio Gassman, Ugo Tognazzi). Aquele que Sabe Viver (Il Sorpasso. Vittorio Gassman, Jean-Louis Trintignant). 1963 – Minha Esposa É Um Sucesso (Il Sucesso. Co-d. Mauro Morassi. Vittorio Gassman, Jean-Louis Trintignant). Os Monstros (I Mostri. Vittorio Gassman, Ugo Tognazzi). Il Giovedi (Walter Chiari, Michèle Mercier). 1964 – O Caradura (Il Gaucho. Vittorio Gassman, Nino Manfredi). 1965 – As Bonecas (Le Bambole. Epis. La Telefonata. Nino Manfredi, Virna Lisi). Os Complexos (I Complessi. Epis. Una Giornata Decisiva. Nino Manfredi). Esses Nossos Maridos (I Nostri Mariti. Epis. Il Marito di Attilia. Ugo Tognazzi). 1966 – Férias à Itália (L’Ombrellone. Enrico Maria Salerno, Sandra Milo). Operação San Genaro (Operazione San Gennaro. Nino Manfredi, Totò). 1967 – O Tigre e a Gatinha (Il Tigre. Vittorio Gassman, Ann-Margret). 1968 – O Profeta (Il Profeta. Vittorio Gassman, Ann-Margret). Mata-me com Teus Beijos (Straziami Ma di Baci Saziami. Nino Manfredi, Ugo Tognazzi). 1969 – Vejo Tudo Nú (Vedo Nudo. Nino Manfredi, Sylva Koscina). Auto-Stop, Destino Incerto (Il Giovane Normale. Lino Capolichio, Janet Agren). 1970 – A Mulher do Padre (La Moglie del Prete. Marcello Mastroianni, Sophia Loren). 1971 – Nós as Mulheres Somos Assim (Noi Donne, Siamo Fatte Così. Monica Vitti, Enrico Maria Salerno). 1972 – Este Crime Jamado Justiça (In Nome del Popolo Italiano. Ugo Tognazzi, Vittorio Gassman). 1973 – Sábado Infernal (Mordi e Fuggi. Marcello Mastroianni, Oliver Reed). Sexo Louco (Sessomatto. Giancarlo Giannini, Laura Antonelli). 1974 – Perfume de Mulher (Profumo di Donna. Vittorio Gassman, Agostina Belli). 1976 – Telefones Brancos (Telefoni Bianchi. Vittorio Gassman, Agostina Belli). Almas Perdidas (Anima Persa. Vittorio Gassman, Catherine Deneuve). 1977 – Venha Dormir lá em Casa Esta Noite (La Stanza del Vescove. Ugo Tognazzi, Ornella Muti). Novos Monstros (I Nuovo Mostri. Co-d. Ugo Tognazzi, Vittorio Gassman). 1978 – Primo Amore (Ugo Tognazzi, Ornella Muti). 1979 – Caro Papà (Vittorio Gassman, Aurore Clément). I Seduttori della Domenica (Epis.). 1980 – Sono Fotogenico (Renato Pozzeto, Edwige Fenech). Os Amantes Sensuais (Sunday Lovers. Epis. Ugo Tognazzi, Rossana Podestá). Fantasma d’Amore (Romy Schneider, Marcello Mastroianni). 1982 – Sexualmente Falando (Sesso e Volontieri. Laura Antonelli, Johnny Dorelli). 1983 – ... E La Vita Continua (Virna Lisi, Clio Goldsmith. TV). 1984 – Le Bon Roi Dagobert (Coluche, Ugo Tognazzi). 1985 – Scemo di Guerra (Coluche, Beppe Grillo). 1986 – Il Comissario lo Gatto (Lino Banfi, Maurizio Ferrini). 1987 – Teresa (Serena Grandi, Marcel Bozuffi). 1989 – Il Vizio di Vivere (Carol Alt. TV). Mãe Coragem (La Ciociara. Sophia Loren, Sidney Penny). Quattro Historie di Donne (Epis. Carla. TV). 1990 – Vita Coi Figli (Giancarlo Giannini, Monica Bellucci. TV). Tolgo il Disturbo (Vittorio Gassman, Dominique Sanda). 1992 – Missione d’amore (Carol Alt, Florinda Bolkan. minissérie. TV). 1996 – Jovens, Belos e Apaixonados (Giovani e Belli. Anna Falchi, Luca Venantini). Esercizi di Stile (Epis. Myriam. Elena Sofia Ricci, Massimo Wertmuller). 2002 – Le Ragazze di Miss Italia (TV.Nadia Bengala, Bárbara Chiappini).

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24 março 2012

comentarios-icon9 Comentários »

Relembrando os faroestes Spaghetti

Sempre gostei que no Brasil não fossemos inteiramente dependentes do cinema americano, de Hollywood. Por causa de nossa tradição como país de imigrantes, sempre pudemos assistir ao que de mais interessante existia de todas as nacionalidades. A mais rara era exatamente a japonesa, já que o Brasil é um dos poucos países que teve imigrantes japoneses, principalmente por São Paulo e Paraná, circularam todos os filmes importantes ou comerciais do Japão (São Paulo tinha vários cinemas especializados, cada um de produtora/estúdio importante e em Santos, havia um dia por semana num cinema de bairro, o São José, que apresentava esses filmes. Várias eu fui lá ver programas duplos, com dois filmes por noite).

Mas aqui também não faltaram os filmes alemães (havia o cine UFA, nome da maior produtora alemã que me parece depois virou o Art Palácio) mesmo quando já havia o problema da guerra, os franceses (sempre com um clima de audácia, mulheres nuas, já que o franceses tinham a fama de fazer filmes “maliciosos” onde desaparecia a fronteira entre arte e exploração). E naturalmente os italianos.

E estes sempre foram muito populares aqui no Brasil. Se bem que a indústria deles tivesse o problema de exportação, fora o Brasil e parte da América Latina (em particular Argentina) poucos países do mundo compravam, consumiam os filmes italianos. E é por isso que eles chamaram todos os astros decadentes de Hollywood para irem fazer filmes na Itália, se aproveitando do que tinham ainda de prestígio. Como era tudo dublado não importava que falasse cada um sua própria língua, numa verdadeira Torre de Babel. Era a fase da Hollywood no rio Tibre, na qual estiveram também alguns brasileiros, como Norma Bengell (que fez bela carreira), a mulata Esmeralda Barros, Antonio de Teffé.

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É curioso que, quando eu era ainda garoto e depois adolescente, fizeram muito sucesso no Brasil primeiro os épicos de aventura mitológicas, surgidos depois de Hércules, 58, estrelado pelo halterofilista americano Steve Reeves (e a bela Sylva Koscina). Esse teve êxito ate mesmo nos Estados Unidos e deu origem a uma série longa de aventuras seja com romanos e suas  legiões, seja com outros fortões importados (eram precursores de  Schwazernegger e quase sempre sem nenhum talento, só eram montanhas de músculos). O gênero é chamado de Sword & Sandals ou Peplum. Acho curioso que poucos filmes desse ciclo existam aqui em DVD ao contrário da outro ciclo italiano seguinte que viria logo a seguir, o faroeste chamada spaghetti.

Embora no resto do mundo o sucesso tenha sido com o diretor Sergio Leone (sem dúvida, o melhor de todos do gênero) e sua trilogia surgida a partir de 64, com Clint Eastwood, Por um Punhado de Dólares, Por Uns Dólares a Mais e Três Homens em Conflito, esses filmes nunca foram bem distribuídos por aqui e mesmo Clint não ficou famoso. Na verdade, o faroeste a italiana surgiria com outro ator, Giuliano Gemma (1938 e ainda vivo) e seu mega êxito O Dólar Furado (Il Dolaro Bucato, 65) do hoje esquecido Giorgio Ferroni. Naturalmente para enganar a princípio o público eles todos usavam pseudônimo. Gemma era Montgomery Wood, Ferroni era Calvin Jackson Padget, Leone usava o de Bob Robertson (ou seja filho de Roberto, porque o pai dele se chamava Roberto Roberti, embora usasse o pseudônimo de Vincenzo Leone) e assim por diante.

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O Dólar Furado conta a história passada no fim da Guerra Civil americana, o ex-oficial Confederado retorna para casa na Virginia, mas seu irmão decide ir embora e acaba se tornando fora da lei. Quando acidentalmente tem que enfrentar o irmão é salvo por uma moeda de dólar (que fica furada). Depois tenta vingar a morte do irmão. Famoso por seus absurdos de trama e falta de autenticidade, de certa maneira é um cult e um clássico à sua maneira.

Numa época em que os faroestes americanos privilegiavam a intriga e a psicologia em troca da ação, os italianos (em geral associados aos espanhóis, porque a maior parte deles eram feitos no deserto da Almeria, na Espanha) não ligavam para a falta de autenticidade. Eram fantasia mesmo, com muito tiro, muita violência, histórias absurdas, mas movimentadas e principalmente uma trilha musical forte e constante, usando determinados temas que foram todos inspirados naqueles criados por Ennio Morricone para os filmes de Leone. No Dólar era assinada (por Gianni Ferrio e tinha canção interpretada por Fred Bongusto). Só para se ter uma ideia veja alguns dos pseudônimos deste filme no elenco: Ida Galli (Evelyn Stewart), Peter Cross (Pierre Cressoy), Frank Farrel (Franco Fantasia), Max Dean (Massimo Righi), John McDouglas (Giuseppe Addobbati).

Todo esse comentário foi provocado porque a distribuidora Flashstar, veterana e sobrevivente, me mandou pela assessoria dois exemplares do gênero. Adios Gringo (idem, 65) foi feito no mesmo ano de O Dólar e procura repetir a fórmula e o elenco Gemma e Ida (como Evelyn Stewart ela nunca se tornaria uma estrela, apesar de loira e bonita, apenas seria figura decorativa em filmes como A Doce Vida, que foi sua estreia, o Leopardo, num total nada mal de 62 títulos ). Traz ainda o coadjuvante Pierre Cressoy (que era francês e já tivera seu momento de glória vivendoVerdi, As Infiéis, Mascagni).

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O diretor era Giorgio Stegani, que havia sido roteirista de O Dólar (assinou como George Finlay!) e fez outros oito filmes (como O Dia da Lei, com Lee Van Cleef). A história é sobre pistoleiro Brent Landers (os nomes dos heróis e bandidos desses filmes são muito divertidos, tais como Django, Ringo, Arizona Colt e assim por diante, até O Homem sem Nome, que era de Clint). Esse Brent é enganado e compra gado roubado e depois tem que fugir acusado de um crime que não cometeu. Tudo cheio de ação e certa melancolia. Gemma era um homem bonito que começou como figurante (da para vê-lo em Ben Hur numa cena de sauna), foi ginasta e fez filmes de Hércules antes dos faroestes que finalmente o levaram a papéis mais sérios em fitas de máfia e até de arte (a imprensa pegou no pé dele porque seria o ator preferido do Papa de então).

Nada faz muito sentido e não deve ser levado a sério, mas pensando bem a mesma coisa sucedia com os antigos faroestes classe C americano, com Roy Rogers e outra infinidade de mocinhos, principalmente quando em formato de seriado. Eram pura aventura, com alívio cômico e ação.

Isso fica muito claro noutro filme da  Flashstar, 3 Balas para Ringo/3 Bullets for Ringo/3 Colpi di Winchester per Ringo, 66, de Emmino Salvi (outro roteirista que de vez em quando dirigia, mas sem qualquer prestígio). Seu diferencial é o humor, talvez porque tivesse a inteligência de não levar a sério seus astros canastrões, que funcionam melhor na piada. Um deles era Mickey Hargitay (1906-2006, outro halterofilista só que húngaro que ficou famoso como marido da estrela Jayne Mansfield e depois pai de Mariska Hargitay.

confilto Relembrando os faroestes Spaghetti

Nunca deu certo em Hollywood, mas prolongou um pouco a carreira na Itália, onde fez cerca de 12 trabalhos. Simpaticão era nulo como ator. O nome principal aqui é de Gordon Mitchell, (1924-2000) outro americano que foi para a Itália na onde de Steeve Reeves e fez longa carreira (146 créditos, sendo o mais famoso como gladiador de Satyricon, de Fellini). Era forte e feio, com cara de bandido e por isso trabalhou em tudo que é gênero.

A história aqui é sobre Ringo Carson, que é traído pelo amigo Frank Sanders depois de salvar Jane, filha sequestrada de homem rico. Ringo se reconcilia com a mãe cuja fazenda está sendo ameaçada justamente por aquele que o contratou antes. Não há muita lógica (Ringo fica cego a certa altura, mas se cura) e nos tiroteios ele atiram a esmo e sempre matam meia dúzia! Ou seja, para os fãs de bang bang eles são prato cheio (e o apelido nunca foi mais apropriado).

O que realmente me espanta é que, embora o faroeste seja ignorado pelos jovens e é considerado fora de moda, ainda têm cultuadores que continuam o consumindo de alguma forma ainda que saudosa.  Se bem que pensando melhor o atual John Carter não deixa de ser um faroeste disfarçado de aventura espacial.

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