Há muito tempo os fãs dessa que foi a primeira série de teve brasileira, o lendário "O Vigilante Rodoviário" esperavam a chance de revê-la. Primeiro começou a ser exibida pelo Canal Brasil, e agora sai num boxe a preço acessível (varia entre 45 a 50 reais) numa edição da Spectra Nova/Procitel em quatro DVDs (3 com 9 episódios cada, um com 8), reunindo todo o material ainda disponível (recuperaram 35 episódios, sendo que três deles estão perdidos: O Pagador, Cinco Valentes, Orquídea Glacial). A caixa só falha em informações, já que não tem entrevistas ou making of, ou folhetos.
Por isso que resolvi entrevistar o criador da série, Ary Fernandes(aliás, a caixa de DVDs também fala pouco dele, mas não dá muito destaque). Felizmente a coleção Aplauso já publicou sua biografia (que agora pode ser consultada). Agradeço a filha do Ary, Vânia Pesce por nos facilitar esta conversa.
1) Há algum tempo achávamos que o seriado estava perdido. O que sucedeu? Como foi encontrado e recuperado?
O que ocorreu foi que 1992, fui para o Rio de Janeiro, onde faria uma matéria para Globo. Seria uma homenagem a minha série "O Vigilante Rodoviário" , que seria exibida no Fantástico. Levei as latas com os filmes dos episódios da série e devido ao grande volume, despachei-as na bagagem do avião. Quando cheguei ao Rio, fui pegá-las na esteira e para minha surpresa, o volume todo havia sumido.
A entrevista que seria apenas uma homenagem, acabou se transformando em uma grande matéria tentando desvendar, qual teria sido o destino dos filmes, estendendo-se inclusive, ao Jornal Nacional. Por fim, descobriu-se que elas foram levadas por engano para um laboratório, que por coincidência, também tinha naquele vôo um volume igual ao meu! Muitas pessoas na época pensavam que era tudo combinado, uma “armação” para divulgação, mas não foi nada disso, foi por muito pouco que não perdi a série.O que as pessoas desconhecem é que até alguns anos atrás, nós produtores não dispunhamos de local apropriado para armazenarmos nossos filmes. O processo normal para nós, era deixá-los armazenados nos próprios laboratórios e muitas vezes, armazenávamos em nosso escritório ou em casa.
Com o passar dos anos, pelas más condições no acondicionamento, esse material sofria processo de deterioração, o celulóide melava, avinagrava. Exemplo disso, está no Vigilante mesmo: O episódio “O Pagador” foi perdido por completo. A “Orquídea Glacial” sofreu abaulamento. Foi necessário interromper a telecinagem, pois poderia perdê-lo também.“Os Cinco Valentes“ foi telecinado, porém o negativo estava muito danificado e o resultado final foi abaixo do esperado. Estes problemas com os filmes, não aconteceram somente comigo, mas também com outros produtores, era um sério problema que acometia todos nós.
Hoje temos a Cinemateca do Estado, que dispõe de excelentes profissionais, salas aclimatadas com refrigeração controlada, enfim algo equiparado aos paises do primeiro mundo. Após nossa parceria atual PROCITEL/CANAL BRASIL (GLOBOSAT), O Vigilante passou por remasterização e foi telecinado na Casablanca.
2) Como foi a dificuldade para lançar em DVD? Está satisfeito com o resultado?
Não foi fácil, Rubens! Trabalhamos muito para chegarmos até aqui! Há anos, eu sonhava em disponibilizar a série em DVD e também trazê-la novamente para televisão.Durante todos estes anos, fomos várias vezes procurados por interessados em trazê-la de volta, porém havia necessidade do trabalho de remasterização e telecinagem da série, mas por causa do custo todos desistiam de prosseguir com as negociações.
Na negociação feita em 2008 com o Canal Brasil, fechamos uma parceria que acabou viabilizando a possibilidade de trazer ao alcance do público “O Vigilante Rodoviário”, agora em DVD. Os resultados deste trabalho foi muito bom, quem acompanhou a primeira exibição da série no Canal Brasil todas as segundas-feiras as 20h30, pode constatar e poderá a partir de agora verificar também nos DVDs.
3) Não foram encontrados os títulos de apresentação? Porque é sempre um deles que se repete!
Este material foi um dos que infelizmente não deu para recuperar, então para a atual abertura, foi utilizado uma outra apresentação da época, que usávamos em uma exibição feita nos cinemas. É por isso que o nome do elenco sempre se repete.
4) Faltaram extras, nem mesmo entrevista com vocês. Não deu?
Debatemos muito esta questão, e optamos que as entrevistas fossem eventualmente incluídas no momento em que a obra estivesse integralmente publicada. Isto ocorrerá com o lançamento, no próximo ano, de uma versão colorida inédita de “O Vigilante Rodoviário”, que foi produzida no final dos anos setenta e que ainda encontra-se em fase de recuperação, aí então vamos buscar outros elementos, para trazer aos fãs de "O Vigilante Rodoviário".
5) Qual sua reação ao vê-lo na TV e agora acessível para se ter em casa?
Com grande satisfação, pois trazer novamente “O Vigilante Rodoviário” aos fãs é a realização de um sonho antigo, é uma forma de retribuir o carinho e respeito que eles sempre demonstraram pelo meu trabalho e pela minha criação.
6) Não queria que se repetisse mas cada vez é outro publico, como surgiu o Vigilante para vc.
Rubens, temos observado que esta nova geração, que conheceu a série através de comentários de seus pais e avós, e que agora tiveram a oportunidade de assistir as aventuras do “O Vigilante Rodoviário” manifestaram impressões muito positivas.
Essas manifestações que chegaram até nós por e-mail e também as que pudemos ler em comentários na Internet e o que é mais interessante, é que eles levaram em consideração os parcos recursos que tínhamos naquela época.
Rubens, na realidade a idéia surgiu em uma época que eu nem imaginava entrar para o mundo artístico, pois desde garoto sempre sonhei que deveria ter um herói brasileiro.Eu adorava os seriados que naquela época passavam nos cinemas, e achava que fazia falta um herói genuinamente brasileiro, que falasse nossa língua e que tivesse um nome comum em nosso país. Não entendia o porque não haviam criado um herói nacional.
Mais tarde, depois de ter trabalhado no rádio, teatro e TV, fui para o cinema e foi nesta época, que tive idéia de criar um personagem totalmente brasileiro, realizando e dando vida ao meu antigo sonho.Inspirei-me na polícia rodoviária, pois a corporação era pequena e sempre bem quista pelo público.
Imaginei então, na figura simpática de um policial rodoviário cujo intuito não era somente orientar os motoristas e fazer com que as leis fosse cumprida, mas que alem disso ele tornasse um amigo nas estradas a quem todos pudesse recorrer.
7) Lembre um pouco as dificuldades de realização, o elenco (que não consta da caixa, era bem interessante mencionar mais
Rubens, as dificuldades foram muitas! (risos) O piloto da série foi concebido através de recursos próprios. Não estava sobrando dinheiro nesta época, muito ao contrário disso.O que sobrava e até hoje ainda sobra para mim, são muitas idéias e naquela época, uma grande vontade de realizar meu sonho. Quem esteve comigo nesta empreitada, foi meu grande amigo hoje falecido, Alfredo Palácios que na série foi o produtor técnico e comigo passou por todas as dificuldades.Quando retornava das filmagens; eu entrava noite à dentro escrevendo novos episódios. Mal dormia e logo já amanhecia o dia para começar tudo de novo.Assim que o piloto ficou pronto (O Diamante Grão Mongol), todos queriam assistir, muitos achava pretensiosa demais a empreitada de um jovem em fazer a primeira série para a televisão brasileira. Achavam-me um sonhador, idealista, por que no mundo só havia 3 países que produziam filmes em séries; e na América Latina nenhum país havia se aventurado até então.Em busca de patrocínio, eu andei muito com o mesmo terno cerzido nas calças, indo em várias empresas com a lata de filme debaixo do braço.Porém, foi na Nestlé através de Gilberto Valtério, um suíço de alto cargo executivo na empresa, que tudo começou a ganhar vida, era o que faltava para série ser realizada, patrocínio.
Faria tudo de novo! Valeu a pena!
8 – O Elenco (que não constam na caixa)
Os atores fixos eram:
Carlos Miranda – Vigilante Carlos
Reginaldo Vieira – Tuca
King – (Cão) Lobo
Em alguns episódios, houve a participação de vários atores e cantores e que são referencia há algum tempo.
A lista com os nomes do elenco segue abaixo em ordem alfabética:
| Alcides Gerardi – A Chantagem |
| Amândio Silva Filho – O Homem do Realejo |
| Arnaldo Weiss – O Mágico |
| Ary Fontoura – Aventuras em Vila Velha |
| Ary Toledo – Remédios Falsificados |
| Cavagnolle Neto - Mapa Histórico |
| Dirceu Conte - O Rapto do Juca |
| Edgard Franco – O Garimpo, Café Marcado, Fórmula do Gás, O Suspeito |
| Elísio Albuquerque – O Invento |
| Fausto Rocha – O Recruta |
| Fúlvio Stefanini – A Repórter e Zuni, o Potrinho |
| Etty Fraser – O Rapto do Juca |
| Geraldo Del’Rey – O Invento |
| Gilberto Marques – O Garimpo |
| Gilberto Wagner – O Suspeito |
| Guy Loup – Mistério do Embu |
| Henricão – Café Marcado |
| Ivo Ferro – Aventuras em Vila Velha |
| Juca Chaves – O Rapto do Juca |
| Laércio Laurelli – O Suspeito |
| Lola Brah – Aventuras em Ouro Preto |
| Lucy Meirellles – A Extorsão |
| Luís Guilherme – (menino Zeca) Zuni, O Potrinho |
| Márcia Cardeal – O Fugitivo |
| Maria Cecília Camargo – Fórmula do Gás |
| Mário Alimari – Pombo Correio |
| Mário Lúcio - O Assalto, O Suspeito, Bola de Meia, Os Cinco Valentes |
| Marlene França – O Rapto do Juca |
| Maurício Távora – Aventuras em Vila Velha |
| Marthus Mathias _ Café Marcado |
| Milton Gonçalves – As Aventuras do Tuca |
| Milton Riberio – O Fugitivo |
| Nestor Lima – O Garimpo |
| Nelson Turini – História do Lobo e outros episódios |
| Renato Máster – O Recruta |
| Rosamaria Murtinho – A Repórter |
| Sérgio Hingst – Fórmula do Gás |
| Stênio Garcia – Terras de Ninguém e A Chantagem |
| Tony Campello - A Extorsão |
| Valentino Guzzo – O Suspeito |
| Xandó Batista – O Mordomo, Zuni O Potrinho |
| Xerém - Mapa Histórico |
Fonte – livro “Ary Fernandes - Sua Fascinante História”
O vigilante também tem seu site oficial onde com a permissão deles extraímos algumas curiosidades. Vejam só:
A pergunta que não quer calar: o vigilante carlos era "dublado" na série?
"SIM". Durante toda a série, a voz do personagem Carlos, interpretado pelo ator Carlos Miranda era dublado por um radioator da Rádio São Paulo.
Embora o próprio Ary Fernandes o tenha contratado na época, infelizmente ele não se recorda do nome deste dublador que interpretou de forma brilhante e marcou para sempre a voz perfeita do personagem.
Qual foi a ordem adotada pela tv tupi para a exibição dos episódios?
Não havia uma ordem pré-estabelecida.
Conforme os episódios ficavam prontos, eram entregues a exibidora, que os colocava no ar.
Nem mesmo o Ary Fernandes lembra-se desta ordem, pois ele mal acompanhava pela TV devido a louca rotina que estava enfrentando!
Qual foi o primeiro episódio da série?
O primeiro episódio foi "O Diamante Grão Mongol".
Todos que participaram deste episódio, não eram atores profissionais e sim, figurantes e membros da própria equipe técnica da série.
Foi através deste episódio que apresentado para Nestlé, abriu as portas para que está empresa patrocina-se a série e assim,
viabilizar e inaugurar a "nova era dos filmes em séries para TV no Brasil!".
Em que ano foi exibida a série?
O primeiro episódio da série O Vigilante Rodoviário®, foi ao ar em "03 de janeiro de 1962", na Rede Tupi Canal 4, numa (4ª) quarta-feira, às 20:05pm.
Você conhece a lei 9610/98 dos direitos autorais e domínio público de uma obra?!
"DOMÍNIO PÚBLICO" é quando uma obra pode ser copiada sem a autorização do autor, editor ou de quem os representem.
De acordo com a Lei 9610/98, uma obra entra em domínio público "setenta (70) anos após a morte do autor, à contar a partir do 1º janeiro seguinte a sua morte", ou quando o autor não deixa herdeiros.
Quem sugeriu o ator carlos miranda para assumir o papel de vigilante rodoviário? Foi ELA!!!
Após exaustivos teste com vários atores, o criador e diretor da série Ary Fernandes, andava desanimado, pois não encontrava o ator que se encaixava com o perfil do personagem que ele havia idealizado.
Em casa, num desabafo com sua esposa Ignez Peixoto Fernandes; partiu dela a sugestão de testar um rapaz que já trabalhava na equipe de produção do filme.
À princípio, Ary Fernandes não deu créditos a sensibilidade feminina.
Contudo... aceitou!
E foi assim, que o então membro da equipe de produção do filme, Carlos Miranda,
foi descoberto como protagonista da série "O Vigilante Rodoviário®"!
Ao contrário do que se divulgou durante muitos anos!
Lobo Duro??!!
O único "dublê" usado para o cão Lobo, foi um "boneco de pelúcia da Lionela", o qual Ary Fernandes mandou confeccionar e referia-se carinhosamente como:"LOBO DURO"!!!!
Lobo chegou a andar de moto com o Vigilante Carlos! Contudo, após se machucar em cena, queimando uma das patas no escape da Harley Davidson, recusou-se a andar novamente.
Assim, coube a estratégia de usar um boneco para realização dessas cenas!
Onde encontrá-lo?!
"Em lugar nenhum!!!!! Não existe mais há muitos e muitos anos..."
Revista Veja de 28/05/2005 – Lobo era Vira-Lata ou Pastor Alemão??
O questionamento sobre a raça do Lobo recentemente voltou a tona, numa matéria da Revista Veja tem um fundo de veracidade.
Por mais estranho que possa parecer, o nosso querido, ilustre e mais famoso cão brasileiro, era um legitimo SRD (Sem Raça Definida) e com muito orgulho!
Ao contrário do que se pensa,Lobo era um cão de porte médio, em torno de 15 a 20 quilos e sua pelagem era na coloração: Preta, Cinza e Branca, mais próxima das cores de um Husky Siberiano, do que a coloração Preta e Amarela do Pastor Alemão.
Lobo era um cão de comportamento extremamente dócil e brincalhão!
Até nas horas de lazer em que estava com a família, demonstrava seu alto grau de inteligência!
Todas essas recordações, nos dá muitas saudades...
TROFÉU ROQUETE PINTO Existem quantos Troféus Roquette Pinto??!!
Só há 1 (um) Troféu Roquette Pinto, entregue oficialmente na cerimônia de premiação.
O cineasta criador e diretor da série Ary Fernandes, participou da solenidade, onde foi agraciado com esta estátua que está sob seus cuidados até hoje.