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17 maio 2012

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Estreia – O Corvo

O Corvo (The Raven). EUA, 12. Direção de James McTeigue. Paris Filmes. Com John Cusack, Alice Eve, Luke Evans, Brendan Gleeson, Kevin McNally, Oliver Jackson Cohen, Pam Ferris. 

Eu já tinha achado o direto McTeigue muito ruim em V de Vingança e comprova isto mais uma vez neste decepcionante thriller de suspense, banal e violento (acaba mesmo sendo grosseiro) que comete o erro imperdoável de trazer a pior interpretação da carreira do sempre afável John Cusack, um ator que nunca alcançou a grandeza que sempre esperávamos mas que ainda continua com nossa simpatia.
corvo Estreia   <i>O Corvo</i>
Mesmo aqui onde fica o tempo todo de boca aberta (dá uma de Kristen Stewart) talvez na tentativa de ficar mais parecido com o lendário escritor que interpreta, Edgar Allan Poe (1809-1849).

Não é a primeira vez que se constrói uma história em cima da vida do próprio Poe, que já participou como personagem de mais de 54 filmes e telepeças. O próprio Corvo um de seus mais famosos poemas macabros já foi usado antes inclusive como comédia de terror por Roger Corman (com Karloff e Lorre). Mas não espere humor neste filme sombrio e aborrecido.

corvo1 Estreia   <i>O Corvo</i>

Com Cusack fora de combate fica difícil até seguir uma história tão previsível e já feita tantas vezes. Chamar um escritor para tentar resolver uma série de assassinatos, tipo serial killer, que estão sucedendo pelo que parece ser um fã tresloucado que inspira as mortes em obras de Poe (eu lembro especialmente da comédia inglesa de terror, As Sete Máscaras da Morte, com Vincent Price, onde um ator louco matava os críticos se inspirando nas peças de Shakespeare! Naturalmente ele se torna primeiro suspeito (porque está duro e o pai da mulher que ama, um homem muito rico, não permite o casamento). E assim por diante.

corvo2 Estreia   <i>O Corvo</i>

Embora velho como tema, o script poderia ter menos lugares comuns e absurdos, o elenco poderia ser melhor (não gosto da mocinha que fica melhor como loira burra - como em Ela é Demais - que heroína, apesar do pai ser um famoso ator inglês Trevor Eve). Outro ótimo Brendan Gleeson está no pior dia como o pai dela.

Enfim, é uma causa perdida que será melhor esquecer.

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17 maio 2012

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Estreia – O que Eu Mais Desejo

Direção de Hirokazu Koreeda. Com Koki Maeda, Oshiro Maeda, ryoaga Aiashi. 2011.

filmes 2234 O Que Eu Mais Desejo 4 300x199 Estreia   <i>O que Eu Mais Desejo</i>

Por coincidência está em cartaz no cinema Lincoln Plaza, em frente ao Lincoln Center, este mesmo filme japonês que está estreando nesta semana em São Paulo. E que prazer poder falar bem deste belo, encantador e delicado trabalho daquele que é provavelmente o melhor diretor japonês vivo. Leon Cakoff e Renata sempre foram seus admiradores e trouxeram para a Mostra seus primeiros trabalhos (até brigavam comigo, no bom sentido, porque às vezes eu reclamava que os filmes eram um pouco longos, cansativos). Mas desta aqui não há o que criticar.

Koreeda tem um notável para dirigir criancas, o que fica patente de novo neste filme sobre a infância, passado numa ilha isolada do Japão, onde existe um vulcão que monotonamente espalha cinzas todos os dias pela cidade.

Apesar disso, a vida continua para dois irmãos pequenos (as crianças são realmente irmãs na vida real), que foram separados porque seus pais brigaram e agora Koichi vive com a mãe e avós maternos e o irmão caçula Ryu está com o pai que é musico, irresponsável mas não mau sujeito. Os dois poucos se veem mas falam por telefone e combinam uma aventura (uma característica do filme é a grande quantidade de comida que aparece,desde junkfood até sushi de carne de cavalo a vários tipos de doce). Mesmo desafiando o cotidiano do colégio, eles acabam por reunir uma turminha de oito criancas, que partem para uma aventura escondido de seus pais.

Ouviram dizer que uma maneira de fazer um pedido que sempre dá certo é no momento em que o trem bala cruza com o outro trem normal de carreira. E assim movem céus e terras, conseguem dinheiro para comprar as passagens e lutam para encontrar um tunel onde esse encontro sera possível.

Nem é preciso dizer que o elenco infantil é maravilhoso, que o filme chega mesmo a lembrar os trabalhos do Grande Ozu com sua simplicidade e encanto. Claro que está repleto de detalhes saborosos, mas eu deixa para vocês a chance de descobri-los. Basta dizer que é muito japonês, muito universal, um filme singelo que é uma delícia de se assistir.

Nao deixe de ver.

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16 maio 2012

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Primavera em Nova York – Quinta parte

peça 1 Primavera em Nova York – Quinta parte

No ano passado eu cheguei a comprar ingresso para ver a peça Other Desert Cities, que ainda estava em previews, e dei de presente para um amigo quando, na última hora, preferi assistir outra. Mas ela continua em cartaz, fazendo sucesso, e felizmente tive a chance de poder assisti-la no pequeno, e quase centenário,  Booth Theatre.

Meu primeiro choque foi quando abriu a cortina: a cara nova da protagonista Stockard Channing (indicada ao Oscar por Cinco Graus de Separação, mais famosa por ser a moça assanhada de Grease). Nem dava para reconhecer, virou outra pessoa de tanto que mexeram na cara dela.

peça 2 Primavera em Nova York – Quinta parte

Só depois de meia hora que a gente esquece do terror e passa a prestar atenção no texto de Jon Robin Baitz, que é bem armado, ou seja, coloca os personagens, desenvolve a psicologia deles e, no final, explica tudo direitinho como manda o figurino da dramaturgia (aliás, confesso que gosto de texto assim, no estilo Harold Pinter, só com Pinter e assim mesmo de vez em quando).

 Enfim, aqui é a filha única que vem passar o natal (embora sejam judeus) com os pais que vivem agora em Palm Springs numa daquelas casas de vidro que constroem no deserto.

Ela é Stockard e ele é, o outrora famoso, Stacy Keach, que destruiu sua carreira por causa do uso da cocaína, mas agora esta fazendo um comeback (está inclusive no próximo Bourne Legacy). Com 71 anos, ele virou um velho leão, com cara de Lionel Barrymore, mas ainda uma presença forte.

 peça 3 Primavera em Nova York – Quinta parte

A filha (feita por Elizabeth Marvel) vem apresentar para a família seu novo livro, que são memórias que ela tem de seu irmão mais velho, que aparentemente se suicidou (e os culpados só podem ser os pais e a tia, que está tentando largar o alcoolismo, feita pela veterana de TV Judith Light).

 Há ainda, para mim melhor do elenco, Thomas Sadoski, que faz o irmão mais novo e agora produtor de TV, aliás, ele está na nova série da HBO, Newsroom (esqueci de mencionar que os pais, ambos são ex-astros de cinema e bem de vida).

Em dois atos e um epílogo, para tudo ficar bem amarradinho, lava-se a roupa suja de forma satisfatória. Não sei se alguém comprou os direitos para o Brasil, mas não me parece nada especial. Mas como só tem cinco pessoas no elenco e um único set, ao menos seria viável.

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15 maio 2012

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Primavera em Nova York – Quarta parte

The Five Year Primavera em Nova York   Quarta parte

Uma das coisas boas de assistir teatro em Nova York é que quase sempre a gente esbarra com gente famosa na plateia, sentada pertinho da gente. Embora o novaiorquino seja notável por fazer de conta que não percebe ninguém, não dá a menor bola e por isso celebridades gostam de viver lá.

Ontem, por exemplo, quem se sentou atrás de mim foi Susan Sarandon, maravilhosamente bem para quem já tem 65 anos (e ainda por cima estava acompanhada por um rapaz com cara de oriental, que teria ao menos trinta e tantos anos a menos que ela).

No dia anterior foi um das minhas favoritas, a inglesa Emily Blunt, que eu tive a pachorra de seguir e ficar observando. Ela tem realmente olhos lindos (deve ser míope porque usava óculos enormes estilo Harry Potter) e achei até mais bonita do que na tela.

Justamente por causa disso que fui assistir ontem ao filme dela que acaba de fracassar nos cinemas americanos e descobri que foi uma grande injustiça. É uma nova comedia de Judd Apatow, que é considerado o atual mestre do gênero, Cinco Anos de Noivado (não duvido que no Brasil sai direto em DVD) dirigido por Nicholas Stoller.

Com roteiro dele e de Jason Segel, aquele chato de Os Muppets, que é um daqueles equívocos do cinema atual. Não é bonito, não é engraçado, não serve para galã, nem bandido e não há motivo para se ver um filme inteiro com esse chato de galochas.

Para dizer a verdade, ele é apenas mais ou menos uma comedia, tem alguns momentos engraçados mas leva-se a sério demais para funcionar nestes tempos de pornochanchada (dá para perceber que Apatow andou forçando alguns diálogos mais apelativos e grossos, atévulgares, mas não conseguiu mexer na inocência da história).

Afinal é sobre um casal que passa cinco anos apaixonado mas apenas noivos, sem se casarem (Pensando bem, hoje em dia não faz a menor diferença, se ainda fosse nos anos 50! Agora que me caiu a ficha que o ponto de partida é uma besteira e por isso fracassou).

Uma pena porque Emily é encantadora embora tenha muito pouco a fazer, as piadas ficam com Segel, grandão e feio e ainda por cima com a mania de sempre aparecer pelado (vamos fazer um abaixo assinado para acabar com isso!).

Na história, ele é um chef de cozinha (e aí temos um possível candidato para novo livro de culinária no cinema) que aceita se mudar para o interior em Michigan, porque a noiva ganhou uma chance de fazer doutorado lá. Para ele é uma fria literalmente e na falta de emprego melhor, acaba virando caçador e infeliz.

Quem faz o orientador dela, que obviamente também dá em cima da moça é o inglês Rhys Ifans (aliás, muito bem) enquanto de contraponto tem também um casal formado pelo melhor amigo dele e a irmã dele que se casam antes porque a garota fica grávida (está na cara que o papel deste melhor amigo foi escrito pensando em Seth Rogen e na sua ausência escolheram um sósia).

No final das contas, eu acabei gostando do filme que é romântico e divertido, mas muito menos engraçado do que prometia. E viva Emily!

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14 maio 2012

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Primavera em Nova York – Terceira Parte

nice Primavera em Nova York   Terceira Parte

Não há dúvida que foi o sucesso de Anything Goes (ainda em cartaz) que eles tentaram repetir com este novo Nice Work If you Can Get it.

Isto é, fazer uma compilação das melhores canções de um compositor genial do passado (lá Cole Porter, aqui George Gerswhin) numa história leve, divertida, propositalmente antiquada, com milionários, contrabandistas e filhos ilegítimos.

E muita invenção, humor, boas gags e eficiente coreografia. O resultado é um dos melhores shows no momento em cartaz na Broadway.

 nice2 Primavera em Nova York   Terceira Parte

Quem gosta do velho estilo de espetáculo do tipo Crazy For You (montado há cerca de duas décadas) vai adorar esta enxurrada de canções da melhor qualidade. E muito bem encaixadas num roteiro inspirado de Joe Di Pietro (ainda que inspirado em trechos de P.G.Woodhouse e Guy Bolton) sem qualquer apelação (poderá ser visto por crianças se elas tivessem paciência). Esse Di Pietro ganhou o Tony por Memphis e antes fez um outro Cult off Broadway, I Love You, You’re Perfect, Now  Change. Mas ainda se supera.

Quase todos os velhos standards estão lá: But not for Me, I’ve Got a Crush on You, Someone to Watch Over Me, S’Wonderful, Fascinating Rhythm, Lady Be Good,They All Laughed, Sweet and Lowdown, Let’s Call the All Thing off e naturalmente a música título. 

Algumas delas usadas para efeito cômico (como Do, Do, Do; Blah Blah  Blah, By Strauss, Treat me Rough, todas essas são utilizadas em sketchs especialmente engraçados). Resultando em duas horas e meia (com intervalo) de puro prazer.

Sou fã de Matthew Broderick ou será que devo dizer que um dos meus filmes favoritos é Curtindo a Vida Adoidado!

Ultimamente ele andava meio descuidado, ficando com a aparência de sapo velho. Mas emagreceu, treinou muito e se não virou um Fred Astaire o que seria mesmo impossível é capaz de fazer piruetas bem marcadas e livrar sua cara numa boa. Também a voz que nunca foi grande coisa não compromete (ainda assim a gente sente uma certa falta de empenho, de alegria de viver, como se o palhaço tivesse ficado triste, desmotivado).

 Sua parceira é a também estrela da Broadway Kelli O’Hara (South Pacific, Pajama Game) que tem a mais bela voz de sua geração mas um físico ingrato. Lembra aquela atriz inglesa Imelda Staunton mais jovem, ou seja, esta longe de ser bonita, ou uma atriz especial.

nice3 Primavera em Nova York   Terceira Parte

Felizmente o resto do elenco é ótimo. Fiquei chocado como o tempo passou para Estelle Parsons que surge apenas no fim para resolver a situação (Estelle ganhou um daqueles Oscars de coadjuvante de que ninguém se lembra e que não lhe trouxe sorte, por Bonnie e Clyde).

 Em compensação quem esta ótima é Judy Kaye, de longa carreira (Mama Mia, Tony por Phantom of the Opera, Ragtime). Tem voz possante e agora é uma senhora de voz e presença poderosa. O mordomo também é outro papel notável; Michael McGrath (Memphis, Born Yesterday) já veterano parece ter a chance de sua vida. Jennifer Laura Thompson (Urinetown) insiste em imitar Kristin Chenoweth mas tem um número irresistível numa banheira (Delishious).

Nada disso surpreende quando vai se ver o nome da coreografa e diretor que é Kathleen Marshall , irmã de Rob Marshall e quem montou justamente Anything Goes - além de outros mais antigos como Kiss me Kate, Wonderful Town, Grease e The Pajama Game. Este é um daqueles shows que espero que dure muito porque eu o reveria de novo sem problemas.

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13 maio 2012

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Primavera em Nova York – Parte dois

Once Primavera em Nova York   Parte dois

Sempre houve uma relação muito próxima entre teatro e cinema, em particular no teatro musical. Praticamente todos os grandes shows musicais foram eventualmente adaptados para o cinema (como Um Violinista no Telhado, cuja montagem teatral original está em cartaz em São Paulo).

Se bem que de uns anos para cá, o fluxo se inverteu e tem sucedido justamente o contrário, filmes que viraram peças. Este ano então a moda chegou ao cúmulo, incluindo A Família Addams (já saiu da Broadway, mas está em São Paulo) e Priscila, a Rainha do Deserto (em SP e numa montagem melhor ainda na Broadway, aliás, produzidas por Bette Midler).

Neste momento, temos ainda Anything Goes (filmado várias vezes), Chicago (que era o filme Pernas Provocantes, com Ginger Rogers), Ghost, Mary Poppins (já no seu quinto ano), Rei Leão (mais de 11 anos), Newsies (da Disney, o filme nunca passou em nossos cinemas, foi direto para Home Vídeo), Spider Man Turn Off the Dark, Sister Act (Mudança de Hábito), Wicked (baseado em O Mágico de Oz e até de certa maneira O Phantom of the Opera.

Once2 Primavera em Nova York   Parte dois

Este ano o musical que teve mais indicações para o Tony foi justamente um filme que virou show, embora o filme tenha sido irlandês e nem tão conhecido assim. Falo de Apenas uma Vez/Once, de um certo John Carney, estrelado por uma dupla que desconhecida e continua até hoje, Glenn Hansar e Marketa Inglove.

Era a história de um irlandês que conserta aspiradores e de hobby canta na rua suas próprias composições. Assim atrai a atenção de uma jovem emigrante tcheca que também toca piano e canta. Os dois começam um romance, mas ela tem marido (que viaja), mãe e filha pequena.

A história é apenas essa e só ficou famosa porque teve uma canção que ganhou o Oscar, mas já estava esquecida. A bela Falling Slowly, que agora aparece logo no começo e no encerramento. Não é difícil entender porque os críticos ficaram encantados com o show. Ele é simplesmente diferente.

Quando você entra no teatro, a cortina está aberta e você pode ir diretamente para o palco, onde está armado um típico bar irlandês, com espelhos e muitos quadros e também uma banda típica local, que aos poucos se organiza e começa a interpretar canções regionais, às vezes inclusive com dança.

 E isso durante praticamente meia hora! Até quando a plateia retoma seus lugares e começa a peça que é basicamente o filme, só que encenado naquele ambiente. Entra o herói (no filme nem tinha nome aqui virou Guy, que pode ser também Cara) e os coadjuvantes que formam também a banda vão trazendo os elementos de cena necessários.

E Depois a moça (que não tem nome, também é girl) e para ela trazem um piano (ela fala com sotaque forte e errando palavras, do que é tirado o maior efeito possível). Quase todas as canções são solos do casal embora tenha variações, seja a capela , meio dançado. Tudo de forma muita delicada, encantadora e também um pouco devagar (no final do primeiro ato, quase me vejo lutando contra o sono).

O show é modesto e bonitinho, mas funciona principalmente pelo acerto na escolha da dupla central, os dois desconhecidos para mim. Steve Kazee este em Spamalot do Monty Python e no 110 Degres on the Shade.

Nenhum filme importante. Mas é um rapaz de boa presença, boa voz, carismático. A moça se chama Cristin Millioti e tem créditos ainda menos conhecidos. As canções ainda são aquelas dupla do filme, Hansar e Marketa. O diretor para variar é inglês e se chama John Tiffany. Bem possível de ganhar o Tony. Se bem que eu prefira coisas mais animadas.

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12 maio 2012

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Primavera em Nova York 2012 – Estreia Dark Shadows

dark2 ok Primavera em Nova York 2012   Estreia <i>Dark Shadows</i>
Nunca cheguei a assistir nenhum episódio da série Dark Shadows, embora tenha sido exibida no Brasil pela Bandeirantes, nem dos longas que foram extraídos dela, embora tivessem a curiosidade da presença em seu canto de cisne da estrela Joan Bennett. Apenas ouvi falar que ela era Cult, talvez por ser muito pobre e com cenografia ridícula.

Era basicamente uma telenovela e durou entre 1966 a 71, trazendo como protagonista Barnabas Collins, o ator Jonathan Frid, que morreu com 87 anos, há algumas semanas, sem poder ver a participação dele e outros atores originais da série na sequência da festa onde canta Alice Coooper (descrito por Johnny Depp, ou seja, Barnabas no filme como a mulher mais feia que já viu na vida!).

Dark Shadows já está em cartaz nos Estados Unidos, mas não me pareceu que vai abalar o reinado de Avengers, todo mundo com que cruzei estava louco para assistir, mesmo que fosse de novo a aventura da Marvel. A sala em que assisti com qualidade de imagem de primeiríssima linha na primeira sessão do dia de estreia estava quase vazia e com público frio.

Deram uma ou outra risada, já que tem sacadas boas, mas está longe de ser uma comédia. Também não é o filme que estava se esperando para dar finalmente um Oscar de diretor para Tim Burton, que já faz tempo que merece. A melhor coisa, e nisso não há novidade, é a presença de Johnny Depp, que está discreto, bem maquiado, sinistro, mas sem excessos. Considerando que tem que fazer um papel de vampiro assassino ingrato e que mata todos os que o salvaram porque esta há quase dois séculos morrendo de sede de sangue!

E não para por aí, não é exatamente uma figura doce e adorável como Edward Mãos de Tesoura. Mata mesmo os outros, inclusive a mulher de Burton, Helena Bonham Carter que faz uma esquisita psiquiatra. E não chega a ter grandes poderes, a não ser a vida eterna e a capacidade de hipnotizar humanos. Mas o tempo todo eu senti o medo que o filme tem de virar uma variação da Família Monstro ou Família Addams. O que é um engano.

dark3 ok Primavera em Nova York 2012   Estreia <i>Dark Shadows</i>

Porque fica num meio termo perigoso, não é bem terror, não é comédia, nem melodrama romântico, embora tenha momentos de romance. Acaba sendo apenas mais uma obra da fantasia de Burton, ao custo de U$S 125 milhões, que reúne sua equipe (eficiente) de confiança como o compositor Danny Elfman, o produtor Richard Zanuck, figurinista Coleen Atwood.

Outra pessoa que está bem no filme, aliás tem o melhor papel depois de Depp, é a francesa Eva Green, que não tinha dado certo desde James Bond. Ela tem o papel chave da bruxa maligna que vive na Costa do Maine e é apaixonada por Barnabas, mas quando recusada consegue armar a vingança diabólica (não se sabe porque tem tanto poder!).

De qualquer forma, alem de transformar Barnabas em vampiro, faz com que a mulher que ele ama se mate e o enterra vivo num caixão todo acorrentado. Quando este retorna, Eva esta muito bem de vida, já que tomou toda a fortuna da família de Barnabas, mas mesmo assim continuou louca por ele. 

E o ponto alto do filme seria a sequência dos dois fazendo sexo literalmente subindo pelas paredes. Quando Barnabas retorna já é nos anos 70 escolhido porque era a época em que todos se vestiam e se comportavam de maneira mais bizarra, o que permite que ele use um linguajar antiquado, se assuste um pouco com as novidades.

Mas nem isso é aproveitado direito pelo roteiro, poderiam ter muito mais piadas com os contrastes de costumes. Assim como toda família é muito mal explorada. Michelle Pfeiffer faz a matriarca Elizabeth que aceita Barnabas de volta. Michelle continua uma bela mulher, mas não lhe dão nada especial para fazer, aliás está todo mundo perdido. Como a adolescente Carolyn, que esconde um segredo, mas é o pior trabalho de Chloe Grace Moretz, que nem ganha quase closes.

dark1 ok Primavera em Nova York 2012   Estreia <i>Dark Shadows</i>
Jonny Lee Miller (filho de Bernard Lee o M de Bond e ex marido de Angelina Jolie), faz o irmão de Elizabeth, Roger que parece ser vigarista, mas logo é tirado de cena. O menino David (Gulliver McGrath) é ajudado pelo fantasma da mãe dele, mas é outra falha do filme já que mal entendemos sua presença ou ação assim como a figura do outro fantasma que acompanha o interesse romântico que, supostamente, seria reencarnação da outra.

Confuso? Também acho, confesso que não entendi direito.

Há regras mal delineadas do que um vampiro pode ou não fazer. A luz do dia não o perturba, mas do sol sim, não se vê no espelho, mas não tem problemas com água. E sorry, nada a ver com a Saga Crepúsculo. Diante de tudo isso repito: tenho minhas dúvidas a respeito do êxito do filme e mesmo da continuação para qual já deixam a porta aberta.

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12 maio 2012

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Primavera em Nova York 2012 – Primeira parte

best man curtain call e1336740947225 Primavera em Nova York 2012   Primeira parte

Chuva leve e uma temperatura agradável. Mas sem sol o Times Square fica frio e sem graça. Costumo vir todos os anos para Nova York nesta época porque é o momento estratégico em que estão em cartaz todas as melhores peças da temporada que desejam concorrer ao Tony, ou seja, o Oscar do teatro.

É também o momento em que fecha aquilo que não deu certo e desde que estou aqui duas já anunciaram seu fechamento, uma comédia chamada Seminar, que estava com Jeff Goldblum e um musical caro chamado Leap of Faith (versão de um filme chamado Fé Demais) e Cheira Mal, que era com Steve Martin, o show e com Raul Esparza.

A crítica acabou com ele chamando-o de buraco negro e vai fechar neste fim de semana. Eu já tinha decidido não vê-lo já que tem outras opções boas em cartaz. Ah, também saiu a notícia pela TV que vai fechar o musical Como Vencer na Vida sem Fazer Força.

Mas isso já era previsível desde que largou o show o Daniel Radcliffe (Harry Potter, com quem eu vi e gostei muito). Quem está em cartaz, ao menos nesses dias ainda, é Nick Jonas, um dos Jonas Brothers da Disney (talvez o mais inexpressivo, não tem cara de nada, nem suas fãs conseguiram segurar a bilheteria).

Diante da necessidade de escolher, eu vou deixar de ver uma nova montagem de Um Bonde Chamado Desejo só com atores negros, a comédia Harvey (só estreia no dia seguinte ao que vou embora), a comédia All Black, premiada com o Pulitzer, Clybourne Park, Evita (já vi demais), o erótico Venus in Fur,  Magic/Bird sobre basquetebol (outra que está fechando), remontagens de Godspell e Jesus Christ Superstar (ambas elogiadas, mas já vi muitas versões e não dá par ficar mais tempo). Enfim, a vida é sempre uma escolha e não se pode ter tudo... Palavras que consolam.

Comecei no dia em que cheguei - porque achei que era um início com chave de ouro- assistindo Gore Vidal’s The Best Man, que ele escreveu no começo dos anos 60 e que contém referências a infidelidade do presidente Kennedy!

Há uns poucos anos teve outra remontagem que perdi, mas lembro bem do filme, que foi chamado aqui ridiculamente de Vassalos da Ambição. Dirigido por Franklin Schaffner, tinha Cliff Robertson, Henry Fonda e me lembro que era em preto e branco e tinha certo impacto porque foi dos primeiros filmes a tocar no assunto de homossexualismo (o jovem candidato a indicação para concorrer à presidência de um partido, é suspeito de ter tido no passado ligações homossexuais quando serviu o exército).

Esta montagem é notável pelo elenco que reuniu, começando por Angela Lansbury (na verdade é uma participação especial com apenas duas cenas longas e não havia mesmo porque ser indicada ao Tony), que faz uma matrona fofoqueira moralista com seu tom habitual um pouco over the top.

Mas acho sempre um privilégio ver esta lenda viva em cena, uma das poucas sobreviventes e em ação (é a terceira vez que a vejo com sua bengalinha depois de  A Little Night Music e Blithe Spirit).

Quem rouba literalmente a montagem e foi indicado ao Tony é outra figura lendária, o James Earl Jones, que é a voz da CNN e o Darth Vader, que eu já tinha encontrado, mas nunca tinha visto em cena. Embora veterano ele dá um show

Vibrante e versátil encontrando novos tons na figura de um antigo presidente americano que está morrendo de câncer e na dúvida de quem apoiar. Chegou mesmo em ser aplaudido em cena aberta com todo respeito.

Além disso, é um prazer se ouvir um texto inteligente de Gore Vidal, cheio de frases notáveis dignos de um Oscar Wilde. Claro que é coisa de teatro (hoje saiu uma reportagem no New York Times justamente comentando isso)!

Por acaso no dia era também aniversário de uma das estrelas do elenco, Candice Bergen. Que tem outras grandes frases além desta: Gosto de pensar que inteligência seja contagiosa. Infelizmente, não é !

Parece-me que é a primeira vez que Candice faz teatro. Ela se tornou uma senhora matrona e pesada, mas fez uma plástica que lhe devolveu o mesmo rosto bonito da juventude.

Ela faz a esposa separada do outro candidato que é John Larroquete, mas que voltou para apoiá-lo na campanha eleitoral.

Nem é preciso dizer que a peça foi montada porque este é o exato momento em que estão ocorrendo as convenções republicanas (a peça não diz qual é o partido, mas tudo indica ser o Democrata, até porque é uma licença poética ter tido um presidente negro nos anos 50, como seria o caso de Earl Jones. Ele só foi presidente americano num telefilme).

Toda a encenação é como se fosse a convenção e até as indicadoras de lugar usa um chapeuzinho das cores norte-americanas. Tem um locutor e as imagens ainda em preto e branco. Embora a maior parte da ação se passe nos apartamentos do hotel.

O, geralmente, humorista Larroquete faz com competência  o ex-secretário de Estado William Russell, que tem um defeito grave para político, não sabe e não gosta de mentir.

Culto e inteligente (ou seja, mais dois defeitos), ele não quer usar golpes sujos, mas é obrigado a agir quando o rival ameaça usar um arquivo médico que fala de seus problemas quando teve uma crise de nervos.

O elenco é enorme (28 pessoas) e hoje na Broadway quase não tem diferença de preço entre musical e peça normal, está tudo perto dos 150 dólares por ingresso (eu tive que pagar 200 por caixeiro viajante porque está lotando). Mas considerando o preço de shows no Brasil não há nada de se estranhar.

Deixa eu falar o, porém das decepções: O ponto fraco da montagem é a presença de Erin McCormack da série de TV Will e Grace, que é o político ambicioso. Fique mal impressionado com sua figura. Ele baixo, muito fraco, não tem porte ou presença.

É leve demais para fazer bandido e erra totalmente na escolha de como fazer o que seria o vilão, aquele que é capaz de tudo para vencer, usando todas as armas. Mas ele faz o personagem sem humanidade, já se vê que é bandido na primeira cena e vai assim até o final.

Pode ter sido a linha que lhe deu o diretor no caso Michael Wilson (nada de notável em seu currículo) porque a atriz que faz sua esposa (Kerry Butler, vinda de musicais como Xanadu, Catch Me If You Can) está caricata e ridícula.

Pode ser que o texto tenha muitas coisas datadas, mas achei ele pertinente, porque o mundo e a política como se bem sabe só piorou. Por que Gore não escreve mais para o teatro, é uma pena. Como foi um prazer confirmar minha admiração por Earl Jones e rever Ângela.

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11 maio 2012

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Festival Katharine Hepburn – 105 anos

Por coincidência, este mês três grandes astros estariam comemorando 105 anos e por isso o TCM realiza festivais com todos eles, John Wayne, Laurence Olivier e o primeiro deles com Katharine Hepburn.

O especial Katharine Hepburn vai ao ar hoje.

13h - LEVADA DA BRECA (Bringing Up Baby, 1938, classificação indicativa livre)

14h55 - NÚPCIAS DE ESCÂNDALO  (The Philadelphia Story, 1940,

17h - ADIVINHE QUEM VEM PARA JANTAR (Guess Who's Coming To Dinner, 1967,

Os filmes do Festival 

Levada da Breca/Bringing Up Baby. Preto e branco. 1938.Diretor: Howard Hawks

13 Festival Katharine Hepburn   105 anos

Elenco: Cary Grant, Katharine Hepburn, Barry Fitzgerald, Charles Ruggles, May Robson, George Irving, Fritz Feld, Ward Bond, Jack Carson. 

Sinopse: David, um paleontólogo que está para se casar conhece Susan, uma excêntrica herdeira que tem um leopardo, Baby (que o irmão trouxe do Brasil e que só fica calma quando ouve a canção I Can´t Give You Anything But Love). Susan está decidida a se casar com ele, de qualquer maneira.

Comentários: Uma das comédias mais famosas e queridas de Hollywood, originalmente da RKO (foi votada em décimo quarto lugar pelo AFI dentre as melhores de todos os tempos), considerada a obra-prima do gênero “screwball comedy” (comédia maluca) e que Bogdanovich tentou refazer com Esta Pequena é uma Parada (What´s up Doc?, 72) com Barbra Streisand e Ryan O´Neal.

A dupla nunca esteve melhor, muito bem conduzida por Hawks (seu timing de humor é um primor). Há muita energia, numa autêntica batalha dos sexos (e das estrelas), vários momentos memoráveis (inclusive com o célebre cachorro Asta, da série Thin Man). Sai numa cópia de boa qualidade (uma novidade é que coloca opção de dois tamanhos de legendas).

Não foi indicada a qualquer Oscar. O público atual não está acostumado com o gênero, com suas sutilezas e elegância, misturadas com o clima de farsa.

Núpcias de Escândalo/The Philadelphia Story. Preto e Branco. 1940. Diretor: George Cukor. Elenco: Cary Grant, Katharine Hepburn, James Stewart, Ruth Hussey, John Howard, Roland Young, John Halliday, Mary Nash, Virginia Weidler.

22 Festival Katharine Hepburn   105 anos

Sinopse: Ex-marido retorna para reconquistar Tracy, quando ela está para se casar com outro.

Comentários: Você deve conhecer melhor a refilmagem musical de 1956, chamada Alta Sociedade, com Bing Crosby, Frank Sinatra e Grace Kelly. Mas esta que é a obra prima. Uma deliciosa comédia Screwball, com um elenco excepcional, em plena forma.

De tal maneira que até James Stewart ganhou o Oscar de Melhor Ator (embora tenha sido um prêmio de consolação por ter perdido no ano anterior por A Mulher Faz o Homem). Ganhou ainda o prêmio de roteiro, e foi indicado também para Melhor Atriz (Hepburn), Coadjuvante (Ruth), Diretor e Filme.

Uma produção da Metro com que Katharine voltou a fazer sucesso (ela havia sido considerada veneno de bilheteria e para seu retorno, pediu para que o amigo Philip Barry lhe escrever especialmente esta peça, que montou com sucesso na Broadway. Depois impôs ao estúdio: só venderia os direitos com ela como estrela).

É uma lição de comédia com um timing perfeito, na história da milionária mimada que vai se casar com o homem errado. O ex-marido Grant vem com dois repórteres de uma revista de escândalo, tentando impedir as núpcias. Há ótimas piadas e coadjuvantes. 

Adivinhe QuemVem Para Jantar/Guess Who’s Coming to Dinner.108 min.Cor.1967

32 Festival Katharine Hepburn   105 anos

Diretor: Stanley Kramer. Elenco: Katharine Hepburn, Spencer Tracy, Sidney Poitier, Katharine Houghton, Cecil Kellaway, Beah Richards. Sinopse: Um velho casal liberal fica chocado quando sua única filha lhes apresenta o noivo: um negro.

Último filme de Tracy (1900-1967), que faleceu dias depois do fim das filmagens. Teve uma indicação póstuma ao Oscar, mas quem ganhou foi sua companheira, Katharine, que passa o filme todo com os olhos marejados de lágrimas.

É incrível que este filme tenha sido grande sucesso de bilheteria, em particular nos EUA, ao simplificar as situações. O negro é quase um super-homem: bonito, educado, rico, instruído etc. Além de tudo, Poitier era na época o número um de bilheteria. Sua pseudo-liberalidade envelheceu mal, mesmo como Love Story (o tema musical é uma antiga canção chamada Glory of Love).

A filha de Kate é, na vida real, sua sobrinha bonitinha na vida real, mas que não fez carreira. Também premiado com o Oscar de roteiro. Lançado como clássico.  Mesmo agora que se revela que o romance do casal era apenas fachada e farsa!

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10 maio 2012

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Uma Longa Viagem, documentário de Lúcia Murat, narrado por Caio Blat

Uma Longa Viagem <i>Uma Longa Viagem</i>, documentário de Lúcia Murat, narrado por Caio Blat

Dificilmente se vê um documentário tão criativo, original e emocionante quanto este Uma Longa Viagem, que foi premiado no Festival de Paulínia (pela crítica) e Gramado (Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Direção de Arte, Prêmio do Júri Popular e Prêmio Estudantil).

Em geral todos os trabalhos da diretora Lúcia Murat tem um padrão alto de qualidade e empenho, mas nunca como aqui, onde ela conta uma história autobiográfica, relembrando sua própria vida e a de seus dois irmãos. Nos anos 70, Lúcia foi presa pela ditadura por seu trabalho de militante enquanto seus dois irmãos tomam caminhos diferentes.

Uma Longa Viagem 2 <i>Uma Longa Viagem</i>, documentário de Lúcia Murat, narrado por Caio Blat

O mais curioso é o do caçula que foi vai para Londres em 1969, enviado pela família para não entrar na luta armada seguindo os passos da irmã. Durante os nove anos em que viaja pelo mundo, ele escreve cartas. O documentário prossegue o release mostra os anos loucos, quando drogas, misticismo e rock’n’roll andavam juntos pelas estradas mundo afora. Contrapondo-se às cartas, os comentários em off da irmã e diretora, Lúcia Murat, o irmão fica marcado pelo uso contínuo de drogas, mas não perde nem a inteligência, nem a sensibilidade. Na verdade, ele é um incrível ator, no melhor sentido, fazendo com que a gente ria com ele e não dele.

Lucia é a narradora principal, utilizando fotos e imagens antigas, mas principalmente recriando as cartas e algumas situações através de sets e cenas especialmente montadas, usando com criatividade a interpretação do sempre bom ator Caio Blat. Não é como a maioria dos filmes um suceder de talking heads, cabeças falantes que falam sobre os assuntos.

Tudo é revisto pela sensibilidade da diretora, auxiliada pela fotografia, direção de arte, trilha musical. É uma revisão pessoal, mas também emocional e coletiva de mais de uma geração, um filme sobre a memória, a vida, a morte, a passagem do tempo. Um trabalho belíssimo e fora do normal que merece ser prestigiado.

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