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19 maio 2012

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O melhor filme de lutas do ano

The Raid1 O melhor filme de lutas do ano

Não sou eu só quem diz, está em toda parte e corri para assistir porque estava curioso. A verdade é que eu gosto, assumo, de filmes de lutas marciais, desde que originais e bem feitos e este aqui é o mais bem lutado dos últimos anos. Admiro muito a engenhosidade dos coreógrafos dessas lutas, que parecem para valer, mas demonstram a incrível pericia, coragem desses atletas.

O diferencial aqui é que são todos grandes lutadores e vieram do lugar menos esperado, justamente da Indonésia. O filme a que estou me referindo se chama The Raid - Serbian Maut (o titulo original quer dizer Invasão Mortal!) e não é uma continuação, ao contrário, agora que está sendo feita esta sequência e vai ser chamar Berandal (ao mesmo tempo que os americanos estão preparando a versão local).

É curioso que quando entrei na sala a bilheteria me preveniu é versão original com legendas, não tem problemas? Aliás, como já esta sucedendo no Brasil onde cada vez é mais comum filme dublado em português.

Bom, isso é outra historia, aqui quero elogiar esse filme inacreditável a partir da aparência dos atores (sai com a certeza que foram os indonésios que em priscas eras colonizaram o norte do Brasil!).

Acostumado com chineses e japoneses, onde todos são mais ou menos parecidos, aqui há uma variante incrível de tipos. Embora a história de policiais corruptos seja também parecida com a nossa.

 Um esquadrão tipo SWAT, se prepara para invadir um velho prédio com inquilinos onde no alto habita o maior dos traficantes de droga. A polícia vai entrando, mas é denunciada e logo se descobre que aquela missão já estava destinada a fracassar. E para complicar, o herói do filme - Iko Uwais- tem dentro da organização, como segunda pessoa justamente seu irmão!

E o chefão de tudo claro que é traidor. Nada disso, porém, tira o poder das cenas de brigas e lutas, que mesmo sendo pobres de recurso são brilhantes de execução e imaginação. Nada daquelas coisas voadoras de Hong Kong, aqui é na porrada mesmo, em que eles entram entusiasmados gritando e pulando, às vezes bem violento.

O filme é da Sony Classics que no Brasil tem a mania de esconder seus títulos em Home Vídeo, espero que tenham o bom senso de fazer um bom lançamento deste já nascido cult. Aliás, guardem o nome do diretor que esse ainda vai dar o que falar: o gales Gareth Evans!

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18 maio 2012

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Primavera em Nova York – Mais teatro com Newsies

Um dos problemas da Broadway é que os teatros são antigos e as cadeiras muito estreitas, especialmente para um cara grande como eu.

Sofro muito com as pernas espremidas e geralmente luto por uma poltrona no corredor (aisle). Nem sempre consigo como foi o caso do musical Newsies, que é outro dos filmes que viraram show de teatro.

NewsiesOnBroadway Primavera em Nova York   Mais teatro com <i>Newsies</i>

Mesmo tendo sido fracasso no cinema e sendo praticamente desconhecido no Brasil (até onde lembro não saiu em DVD no Brasil já que eu tive que importá-lo). Enfim, fiz tudo para segurar a dor nas pernas e tentar gostar do espetáculo que estava sendo consagrado por um público de teens (lotado) que gritavam como se fosse show de rock (o porque não entendi muito bem!).

Foi quando me caiu a ficha: não é irônico se aplaudir um show sobre uma greve de jornaleiros menores de idade, que defendem os direitos das crianças que trabalham, que defende além do direito de greve também a importância e força do sindicalismo (como se sabe nos EUA ambos ainda são fantasmas rejeitados pelos donos do poder, tanto que o máximo que se ouve sobre greve por aqui são as de roteiristas de Hollywood ou atores).

iYM1mPIG7xuw Primavera em Nova York   Mais teatro com <i>Newsies</i>

Eles gritam "greve" e a plateia que mal sabe do que isso se trata, canta que a justiça está chegando já às ruas. E assim por diante. E sabe aquele Pulitzer que leva o nome do famoso prêmio  de jornalismo e literatura? Pois é, o cara era um mau caráter, reacionário e péssimo dono de jornal, nos mostra o show.

É interessante ver que o show, que tem seu coração e proposta de esquerda, é produzido por uma corporação altamente capitalista como é a  Disney! Ele  estava sendo preparado devagar e sem muita esperança quando logo na primeira performance teve criticas tão boas que resolveram arriscar e levá-lo para uma temporada pequena na Broadway (os anúncios ainda falam que vão parar em meados de agosto). Mas está sendo tão bem recebido que não duvido que fique mais tempo em cartaz.

A verdade é que não chega a ser inspirado, as canções são de Alan Menken (aquele mesmo de Leap of Faith, que já foi tirado de cartaz e também de todos aqueles desenhos famosos, um dos quais Aladdim também já está a caminho dos palcos). O cara é bom e ganhou aquela montanha de Oscars, mas este seu escore não é especialmente memorável. Funciona melhor em cena do que disco porque foi montado muito profissionalmente por Jeff Calhoun (que já fez muita bobagem antes como Bonnie e Clyde, Grey Gardens).

Os cenários são aquelas batidas estruturas metálicas que servem para qualquer coisa, são a casa dos meninos órfãos, depois a prisão ou qualquer outra coisa que precisarem. Ou seja, não há aqueles cenários majestosos de antigamente, os figurinos são banais e o elenco que deveria ser de menores de idade é formado como de costume por dançarinos de vinte e tantos anos, de estatura baixa (alguns praticamente anões) e capacidade atlética.

O ator mais conhecido seria Jeremy Jordan que esteve em Bonnie e Clyde e no filme Joyful Noise com Dolly Parton.

Nada carismático é uma espécie de versão feia do nosso Fábio Assunção (penso sempre que foi Chris Bale que fez o papel no cinema). Seu personagem também é inseguro, vive cantando sobre a vontade de largar Nova York e se mudar para Santa Fé, no Novo México, ou seja, um chato que não assume sua liderança nem seu talento para o desenho.

a 560x375 Primavera em Nova York   Mais teatro com <i>Newsies</i>

Mas eu gostei da mocinha Kara Lindsay, que tem um jeito de Sally Field, e do vilão John Dossett (que é Pulitzer), veterano de Mama Mia e Gypsy. E também da coreografia de Christopher Gatelli (de South Pacific) cheia de energia e invenção (como dançar em cima de folhas de jornal).

Bom, pelo tom do comentário dá para sentir que acabei gostando do espetáculo. Ele é direto, forte, atinge o público de maneira positiva.

ps* Newsies para quem não entendeu seriam os jovens jornaleiros, aqueles que vendem os jornais com as noticias no começo do século passado em Nova York.

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17 maio 2012

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Primavera em Nova York- a estreia americana de O Ditador

O Ditador Primavera em Nova York  a estreia americana de <i>O Ditador</i>

Tinha certa expectativa de assistir o novo filme de Sacha Baron Cohen depois da decepção do descontrolado e quase ofensivo Bruno (2009), bem inferior a seu famoso Borat (2006), que inaugurou seu estilo de semi-documentário fake.

Sacha que é judeu e britânico, pisa em terreno mais polêmico com O Ditador já que apresenta um ditador de um pais rico em petróleo e deserto mas que ele faz questão de dizer que não é árabe e em momento nenhum se toca em religião. Para provocar a ira dos mamoetanos. Se isso for possível.

O truque é que tudo o que assistimos no trailer na verdade resuma unicamente os primeiros minutos do filme, que dali em diante muda completamente e se torna por sinal muito menos engraçado. Inclusive, notei um corte do trailer, já que não tem aquela frase em que ele diz: "Salve os Estados Unidos, o país onde inventaram a AIDS!"

 O Ditador 2 Primavera em Nova York  a estreia americana de <i>O Ditador</i>

Alguém resolveu cortar a piada. Sacha tem a mania ou precaução, de fazer versões diferentes para cada país. Esta americana tem apenas 83 minutos, incluindo os letreiros que continuam a ter piadinhas até mais ou menos a metade. O Ditador, naturalmente feito por Sacha, chama-se Aladeen (piada evidente) e seu castelo num Oasis é uma famosa construção na Espanha, em Sevilha, assim como as externas nas Ilhas Canárias e Marrocos.

Ele é sanguinário e por qualquer coisa manda seus associados (só que em vez de serem executados, estes fogem para os Estados Unidos) enquanto prossegue com seu plano de construir ogivas e bombas atômicas para fins bélicos. Seu maior inimigo é o irmão (papel indigno para Bem Kingsley) que lhe prepara uma cilada quando Aladeen vai até Nova York para falar na ONU (é importante lembrar que ele tem também vários sósias que morrem em atentados contra ele). Por uma série de circunstâncias, Aladeen fica fora da Assembléia e obrigado a sobreviver em Nova York, com a ajuda de uma militante (Anna Faris) com quem eventualmente se envolve. Até sexualmente.

Uma pena que por causa dessa trama a maior parte do filme é apenas mais uma repetição do tema do Peixe Fora D’Agua, ou seja, um ex-ditador sem poder, descobrindo os prazeres do capitalismo.  Como sempre o problema é a falta de gosto, ou melhor dizendo, o mau gosto de muitas piadas, grosseiras ou vulgares. Uma delas, por exemplo, é elenco esquecendo um celular dentro do útero de uma mulher que está ajudando a nascer o bebê (mas tem uma piada boa sobre o tema em outro momento, quando fala para a mulher: - Você esta grávida? Pode escolher entre menino ou aborto!).

O Ditador 3 Primavera em Nova York  a estreia americana de <i>O Ditador</i> 

Tem outras coisas que ofendem, numa delas, um emissário chinês quer que George Clooney faça sexo oral para ele. Aí dizem mas ele não é gay, são apenas boatos! Parece que você que é gay. O chinês responde, não é sexo! É poder (ainda assim Clooney não topou fazer a ponta, mas quem faz a cena ainda que sugerida é o corajoso Edward Norton). Aliás, nos diálogos também há um exagero de palavrões e sugestões de sexo oral, incluindo Aladeen aprendendo a se masturbar pela primeira vez.

Quem foi burra o suficiente para aceitar a ponta foi Megan Fox, que segundo mostra o filme ganha presentes e dinheiro para fazer sexo com xeiques ricos como o Ditador. Ou seja, se prostitui, se não é verdade, é uma brincadeira que só a compromete, não a promove em nada.

E vai assim por diante, depois de uma comecinho razoável, o filme fica muito irregular (ainda assim a plateia americana parecia achar alguma graça), mas felizmente no fim dá uma reviravolta muito interessante. E Sacha faz um discurso altamente crítico e violento, defendendo a Ditadura que é boa porque assim se pode torturar prisioneiros sem julgamento, prender negros sem justificativa e vai assim por diante apontando todos os atuais defeitos da chamada democracia americana. A plateia riu meio amarelo, me parecendo que custaram a entender a piada.

Felizmente tem muitas gags, muito chutes nas partes, e outras baixarias, perdido entre um outro momento de doçura e alguns vazios.

Aposto que o melhor do filme ficou na sala de edição cortados ou por um algum advogado com medo de processo ou da fúria vingativa dos sucessores de Bin Laden.

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17 maio 2012

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Estreia – O Corvo

O Corvo (The Raven). EUA, 12. Direção de James McTeigue. Paris Filmes. Com John Cusack, Alice Eve, Luke Evans, Brendan Gleeson, Kevin McNally, Oliver Jackson Cohen, Pam Ferris. 

Eu já tinha achado o direto McTeigue muito ruim em V de Vingança e comprova isto mais uma vez neste decepcionante thriller de suspense, banal e violento (acaba mesmo sendo grosseiro) que comete o erro imperdoável de trazer a pior interpretação da carreira do sempre afável John Cusack, um ator que nunca alcançou a grandeza que sempre esperávamos mas que ainda continua com nossa simpatia.
corvo Estreia   <i>O Corvo</i>
Mesmo aqui onde fica o tempo todo de boca aberta (dá uma de Kristen Stewart) talvez na tentativa de ficar mais parecido com o lendário escritor que interpreta, Edgar Allan Poe (1809-1849).

Não é a primeira vez que se constrói uma história em cima da vida do próprio Poe, que já participou como personagem de mais de 54 filmes e telepeças. O próprio Corvo um de seus mais famosos poemas macabros já foi usado antes inclusive como comédia de terror por Roger Corman (com Karloff e Lorre). Mas não espere humor neste filme sombrio e aborrecido.

corvo1 Estreia   <i>O Corvo</i>

Com Cusack fora de combate fica difícil até seguir uma história tão previsível e já feita tantas vezes. Chamar um escritor para tentar resolver uma série de assassinatos, tipo serial killer, que estão sucedendo pelo que parece ser um fã tresloucado que inspira as mortes em obras de Poe (eu lembro especialmente da comédia inglesa de terror, As Sete Máscaras da Morte, com Vincent Price, onde um ator louco matava os críticos se inspirando nas peças de Shakespeare! Naturalmente ele se torna primeiro suspeito (porque está duro e o pai da mulher que ama, um homem muito rico, não permite o casamento). E assim por diante.

corvo2 Estreia   <i>O Corvo</i>

Embora velho como tema, o script poderia ter menos lugares comuns e absurdos, o elenco poderia ser melhor (não gosto da mocinha que fica melhor como loira burra - como em Ela é Demais - que heroína, apesar do pai ser um famoso ator inglês Trevor Eve). Outro ótimo Brendan Gleeson está no pior dia como o pai dela.

Enfim, é uma causa perdida que será melhor esquecer.

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17 maio 2012

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Estreia – O que Eu Mais Desejo

Direção de Hirokazu Koreeda. Com Koki Maeda, Oshiro Maeda, ryoaga Aiashi. 2011.

filmes 2234 O Que Eu Mais Desejo 4 300x199 Estreia   <i>O que Eu Mais Desejo</i>

Por coincidência está em cartaz no cinema Lincoln Plaza, em frente ao Lincoln Center, este mesmo filme japonês que está estreando nesta semana em São Paulo. E que prazer poder falar bem deste belo, encantador e delicado trabalho daquele que é provavelmente o melhor diretor japonês vivo. Leon Cakoff e Renata sempre foram seus admiradores e trouxeram para a Mostra seus primeiros trabalhos (até brigavam comigo, no bom sentido, porque às vezes eu reclamava que os filmes eram um pouco longos, cansativos). Mas desta aqui não há o que criticar.

Koreeda tem um notável para dirigir criancas, o que fica patente de novo neste filme sobre a infância, passado numa ilha isolada do Japão, onde existe um vulcão que monotonamente espalha cinzas todos os dias pela cidade.

Apesar disso, a vida continua para dois irmãos pequenos (as crianças são realmente irmãs na vida real), que foram separados porque seus pais brigaram e agora Koichi vive com a mãe e avós maternos e o irmão caçula Ryu está com o pai que é musico, irresponsável mas não mau sujeito. Os dois poucos se veem mas falam por telefone e combinam uma aventura (uma característica do filme é a grande quantidade de comida que aparece,desde junkfood até sushi de carne de cavalo a vários tipos de doce). Mesmo desafiando o cotidiano do colégio, eles acabam por reunir uma turminha de oito criancas, que partem para uma aventura escondido de seus pais.

Ouviram dizer que uma maneira de fazer um pedido que sempre dá certo é no momento em que o trem bala cruza com o outro trem normal de carreira. E assim movem céus e terras, conseguem dinheiro para comprar as passagens e lutam para encontrar um tunel onde esse encontro sera possível.

Nem é preciso dizer que o elenco infantil é maravilhoso, que o filme chega mesmo a lembrar os trabalhos do Grande Ozu com sua simplicidade e encanto. Claro que está repleto de detalhes saborosos, mas eu deixa para vocês a chance de descobri-los. Basta dizer que é muito japonês, muito universal, um filme singelo que é uma delícia de se assistir.

Nao deixe de ver.

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16 maio 2012

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Primavera em Nova York – Quinta parte

peça 1 Primavera em Nova York – Quinta parte

No ano passado eu cheguei a comprar ingresso para ver a peça Other Desert Cities, que ainda estava em previews, e dei de presente para um amigo quando, na última hora, preferi assistir outra. Mas ela continua em cartaz, fazendo sucesso, e felizmente tive a chance de poder assisti-la no pequeno, e quase centenário,  Booth Theatre.

Meu primeiro choque foi quando abriu a cortina: a cara nova da protagonista Stockard Channing (indicada ao Oscar por Cinco Graus de Separação, mais famosa por ser a moça assanhada de Grease). Nem dava para reconhecer, virou outra pessoa de tanto que mexeram na cara dela.

peça 2 Primavera em Nova York – Quinta parte

Só depois de meia hora que a gente esquece do terror e passa a prestar atenção no texto de Jon Robin Baitz, que é bem armado, ou seja, coloca os personagens, desenvolve a psicologia deles e, no final, explica tudo direitinho como manda o figurino da dramaturgia (aliás, confesso que gosto de texto assim, no estilo Harold Pinter, só com Pinter e assim mesmo de vez em quando).

 Enfim, aqui é a filha única que vem passar o natal (embora sejam judeus) com os pais que vivem agora em Palm Springs numa daquelas casas de vidro que constroem no deserto.

Ela é Stockard e ele é, o outrora famoso, Stacy Keach, que destruiu sua carreira por causa do uso da cocaína, mas agora esta fazendo um comeback (está inclusive no próximo Bourne Legacy). Com 71 anos, ele virou um velho leão, com cara de Lionel Barrymore, mas ainda uma presença forte.

 peça 3 Primavera em Nova York – Quinta parte

A filha (feita por Elizabeth Marvel) vem apresentar para a família seu novo livro, que são memórias que ela tem de seu irmão mais velho, que aparentemente se suicidou (e os culpados só podem ser os pais e a tia, que está tentando largar o alcoolismo, feita pela veterana de TV Judith Light).

 Há ainda, para mim melhor do elenco, Thomas Sadoski, que faz o irmão mais novo e agora produtor de TV, aliás, ele está na nova série da HBO, Newsroom (esqueci de mencionar que os pais, ambos são ex-astros de cinema e bem de vida).

Em dois atos e um epílogo, para tudo ficar bem amarradinho, lava-se a roupa suja de forma satisfatória. Não sei se alguém comprou os direitos para o Brasil, mas não me parece nada especial. Mas como só tem cinco pessoas no elenco e um único set, ao menos seria viável.

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15 maio 2012

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Primavera em Nova York – Quarta parte

The Five Year Primavera em Nova York   Quarta parte

Uma das coisas boas de assistir teatro em Nova York é que quase sempre a gente esbarra com gente famosa na plateia, sentada pertinho da gente. Embora o novaiorquino seja notável por fazer de conta que não percebe ninguém, não dá a menor bola e por isso celebridades gostam de viver lá.

Ontem, por exemplo, quem se sentou atrás de mim foi Susan Sarandon, maravilhosamente bem para quem já tem 65 anos (e ainda por cima estava acompanhada por um rapaz com cara de oriental, que teria ao menos trinta e tantos anos a menos que ela).

No dia anterior foi um das minhas favoritas, a inglesa Emily Blunt, que eu tive a pachorra de seguir e ficar observando. Ela tem realmente olhos lindos (deve ser míope porque usava óculos enormes estilo Harry Potter) e achei até mais bonita do que na tela.

Justamente por causa disso que fui assistir ontem ao filme dela que acaba de fracassar nos cinemas americanos e descobri que foi uma grande injustiça. É uma nova comedia de Judd Apatow, que é considerado o atual mestre do gênero, Cinco Anos de Noivado (não duvido que no Brasil sai direto em DVD) dirigido por Nicholas Stoller.

Com roteiro dele e de Jason Segel, aquele chato de Os Muppets, que é um daqueles equívocos do cinema atual. Não é bonito, não é engraçado, não serve para galã, nem bandido e não há motivo para se ver um filme inteiro com esse chato de galochas.

Para dizer a verdade, ele é apenas mais ou menos uma comedia, tem alguns momentos engraçados mas leva-se a sério demais para funcionar nestes tempos de pornochanchada (dá para perceber que Apatow andou forçando alguns diálogos mais apelativos e grossos, atévulgares, mas não conseguiu mexer na inocência da história).

Afinal é sobre um casal que passa cinco anos apaixonado mas apenas noivos, sem se casarem (Pensando bem, hoje em dia não faz a menor diferença, se ainda fosse nos anos 50! Agora que me caiu a ficha que o ponto de partida é uma besteira e por isso fracassou).

Uma pena porque Emily é encantadora embora tenha muito pouco a fazer, as piadas ficam com Segel, grandão e feio e ainda por cima com a mania de sempre aparecer pelado (vamos fazer um abaixo assinado para acabar com isso!).

Na história, ele é um chef de cozinha (e aí temos um possível candidato para novo livro de culinária no cinema) que aceita se mudar para o interior em Michigan, porque a noiva ganhou uma chance de fazer doutorado lá. Para ele é uma fria literalmente e na falta de emprego melhor, acaba virando caçador e infeliz.

Quem faz o orientador dela, que obviamente também dá em cima da moça é o inglês Rhys Ifans (aliás, muito bem) enquanto de contraponto tem também um casal formado pelo melhor amigo dele e a irmã dele que se casam antes porque a garota fica grávida (está na cara que o papel deste melhor amigo foi escrito pensando em Seth Rogen e na sua ausência escolheram um sósia).

No final das contas, eu acabei gostando do filme que é romântico e divertido, mas muito menos engraçado do que prometia. E viva Emily!

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14 maio 2012

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Primavera em Nova York – Terceira Parte

nice Primavera em Nova York   Terceira Parte

Não há dúvida que foi o sucesso de Anything Goes (ainda em cartaz) que eles tentaram repetir com este novo Nice Work If you Can Get it.

Isto é, fazer uma compilação das melhores canções de um compositor genial do passado (lá Cole Porter, aqui George Gerswhin) numa história leve, divertida, propositalmente antiquada, com milionários, contrabandistas e filhos ilegítimos.

E muita invenção, humor, boas gags e eficiente coreografia. O resultado é um dos melhores shows no momento em cartaz na Broadway.

 nice2 Primavera em Nova York   Terceira Parte

Quem gosta do velho estilo de espetáculo do tipo Crazy For You (montado há cerca de duas décadas) vai adorar esta enxurrada de canções da melhor qualidade. E muito bem encaixadas num roteiro inspirado de Joe Di Pietro (ainda que inspirado em trechos de P.G.Woodhouse e Guy Bolton) sem qualquer apelação (poderá ser visto por crianças se elas tivessem paciência). Esse Di Pietro ganhou o Tony por Memphis e antes fez um outro Cult off Broadway, I Love You, You’re Perfect, Now  Change. Mas ainda se supera.

Quase todos os velhos standards estão lá: But not for Me, I’ve Got a Crush on You, Someone to Watch Over Me, S’Wonderful, Fascinating Rhythm, Lady Be Good,They All Laughed, Sweet and Lowdown, Let’s Call the All Thing off e naturalmente a música título. 

Algumas delas usadas para efeito cômico (como Do, Do, Do; Blah Blah  Blah, By Strauss, Treat me Rough, todas essas são utilizadas em sketchs especialmente engraçados). Resultando em duas horas e meia (com intervalo) de puro prazer.

Sou fã de Matthew Broderick ou será que devo dizer que um dos meus filmes favoritos é Curtindo a Vida Adoidado!

Ultimamente ele andava meio descuidado, ficando com a aparência de sapo velho. Mas emagreceu, treinou muito e se não virou um Fred Astaire o que seria mesmo impossível é capaz de fazer piruetas bem marcadas e livrar sua cara numa boa. Também a voz que nunca foi grande coisa não compromete (ainda assim a gente sente uma certa falta de empenho, de alegria de viver, como se o palhaço tivesse ficado triste, desmotivado).

 Sua parceira é a também estrela da Broadway Kelli O’Hara (South Pacific, Pajama Game) que tem a mais bela voz de sua geração mas um físico ingrato. Lembra aquela atriz inglesa Imelda Staunton mais jovem, ou seja, esta longe de ser bonita, ou uma atriz especial.

nice3 Primavera em Nova York   Terceira Parte

Felizmente o resto do elenco é ótimo. Fiquei chocado como o tempo passou para Estelle Parsons que surge apenas no fim para resolver a situação (Estelle ganhou um daqueles Oscars de coadjuvante de que ninguém se lembra e que não lhe trouxe sorte, por Bonnie e Clyde).

 Em compensação quem esta ótima é Judy Kaye, de longa carreira (Mama Mia, Tony por Phantom of the Opera, Ragtime). Tem voz possante e agora é uma senhora de voz e presença poderosa. O mordomo também é outro papel notável; Michael McGrath (Memphis, Born Yesterday) já veterano parece ter a chance de sua vida. Jennifer Laura Thompson (Urinetown) insiste em imitar Kristin Chenoweth mas tem um número irresistível numa banheira (Delishious).

Nada disso surpreende quando vai se ver o nome da coreografa e diretor que é Kathleen Marshall , irmã de Rob Marshall e quem montou justamente Anything Goes - além de outros mais antigos como Kiss me Kate, Wonderful Town, Grease e The Pajama Game. Este é um daqueles shows que espero que dure muito porque eu o reveria de novo sem problemas.

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13 maio 2012

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Primavera em Nova York – Parte dois

Once Primavera em Nova York   Parte dois

Sempre houve uma relação muito próxima entre teatro e cinema, em particular no teatro musical. Praticamente todos os grandes shows musicais foram eventualmente adaptados para o cinema (como Um Violinista no Telhado, cuja montagem teatral original está em cartaz em São Paulo).

Se bem que de uns anos para cá, o fluxo se inverteu e tem sucedido justamente o contrário, filmes que viraram peças. Este ano então a moda chegou ao cúmulo, incluindo A Família Addams (já saiu da Broadway, mas está em São Paulo) e Priscila, a Rainha do Deserto (em SP e numa montagem melhor ainda na Broadway, aliás, produzidas por Bette Midler).

Neste momento, temos ainda Anything Goes (filmado várias vezes), Chicago (que era o filme Pernas Provocantes, com Ginger Rogers), Ghost, Mary Poppins (já no seu quinto ano), Rei Leão (mais de 11 anos), Newsies (da Disney, o filme nunca passou em nossos cinemas, foi direto para Home Vídeo), Spider Man Turn Off the Dark, Sister Act (Mudança de Hábito), Wicked (baseado em O Mágico de Oz e até de certa maneira O Phantom of the Opera.

Once2 Primavera em Nova York   Parte dois

Este ano o musical que teve mais indicações para o Tony foi justamente um filme que virou show, embora o filme tenha sido irlandês e nem tão conhecido assim. Falo de Apenas uma Vez/Once, de um certo John Carney, estrelado por uma dupla que desconhecida e continua até hoje, Glenn Hansar e Marketa Inglove.

Era a história de um irlandês que conserta aspiradores e de hobby canta na rua suas próprias composições. Assim atrai a atenção de uma jovem emigrante tcheca que também toca piano e canta. Os dois começam um romance, mas ela tem marido (que viaja), mãe e filha pequena.

A história é apenas essa e só ficou famosa porque teve uma canção que ganhou o Oscar, mas já estava esquecida. A bela Falling Slowly, que agora aparece logo no começo e no encerramento. Não é difícil entender porque os críticos ficaram encantados com o show. Ele é simplesmente diferente.

Quando você entra no teatro, a cortina está aberta e você pode ir diretamente para o palco, onde está armado um típico bar irlandês, com espelhos e muitos quadros e também uma banda típica local, que aos poucos se organiza e começa a interpretar canções regionais, às vezes inclusive com dança.

 E isso durante praticamente meia hora! Até quando a plateia retoma seus lugares e começa a peça que é basicamente o filme, só que encenado naquele ambiente. Entra o herói (no filme nem tinha nome aqui virou Guy, que pode ser também Cara) e os coadjuvantes que formam também a banda vão trazendo os elementos de cena necessários.

E Depois a moça (que não tem nome, também é girl) e para ela trazem um piano (ela fala com sotaque forte e errando palavras, do que é tirado o maior efeito possível). Quase todas as canções são solos do casal embora tenha variações, seja a capela , meio dançado. Tudo de forma muita delicada, encantadora e também um pouco devagar (no final do primeiro ato, quase me vejo lutando contra o sono).

O show é modesto e bonitinho, mas funciona principalmente pelo acerto na escolha da dupla central, os dois desconhecidos para mim. Steve Kazee este em Spamalot do Monty Python e no 110 Degres on the Shade.

Nenhum filme importante. Mas é um rapaz de boa presença, boa voz, carismático. A moça se chama Cristin Millioti e tem créditos ainda menos conhecidos. As canções ainda são aquelas dupla do filme, Hansar e Marketa. O diretor para variar é inglês e se chama John Tiffany. Bem possível de ganhar o Tony. Se bem que eu prefira coisas mais animadas.

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12 maio 2012

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Primavera em Nova York 2012 – Estreia Dark Shadows

dark2 ok Primavera em Nova York 2012   Estreia <i>Dark Shadows</i>
Nunca cheguei a assistir nenhum episódio da série Dark Shadows, embora tenha sido exibida no Brasil pela Bandeirantes, nem dos longas que foram extraídos dela, embora tivessem a curiosidade da presença em seu canto de cisne da estrela Joan Bennett. Apenas ouvi falar que ela era Cult, talvez por ser muito pobre e com cenografia ridícula.

Era basicamente uma telenovela e durou entre 1966 a 71, trazendo como protagonista Barnabas Collins, o ator Jonathan Frid, que morreu com 87 anos, há algumas semanas, sem poder ver a participação dele e outros atores originais da série na sequência da festa onde canta Alice Coooper (descrito por Johnny Depp, ou seja, Barnabas no filme como a mulher mais feia que já viu na vida!).

Dark Shadows já está em cartaz nos Estados Unidos, mas não me pareceu que vai abalar o reinado de Avengers, todo mundo com que cruzei estava louco para assistir, mesmo que fosse de novo a aventura da Marvel. A sala em que assisti com qualidade de imagem de primeiríssima linha na primeira sessão do dia de estreia estava quase vazia e com público frio.

Deram uma ou outra risada, já que tem sacadas boas, mas está longe de ser uma comédia. Também não é o filme que estava se esperando para dar finalmente um Oscar de diretor para Tim Burton, que já faz tempo que merece. A melhor coisa, e nisso não há novidade, é a presença de Johnny Depp, que está discreto, bem maquiado, sinistro, mas sem excessos. Considerando que tem que fazer um papel de vampiro assassino ingrato e que mata todos os que o salvaram porque esta há quase dois séculos morrendo de sede de sangue!

E não para por aí, não é exatamente uma figura doce e adorável como Edward Mãos de Tesoura. Mata mesmo os outros, inclusive a mulher de Burton, Helena Bonham Carter que faz uma esquisita psiquiatra. E não chega a ter grandes poderes, a não ser a vida eterna e a capacidade de hipnotizar humanos. Mas o tempo todo eu senti o medo que o filme tem de virar uma variação da Família Monstro ou Família Addams. O que é um engano.

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Porque fica num meio termo perigoso, não é bem terror, não é comédia, nem melodrama romântico, embora tenha momentos de romance. Acaba sendo apenas mais uma obra da fantasia de Burton, ao custo de U$S 125 milhões, que reúne sua equipe (eficiente) de confiança como o compositor Danny Elfman, o produtor Richard Zanuck, figurinista Coleen Atwood.

Outra pessoa que está bem no filme, aliás tem o melhor papel depois de Depp, é a francesa Eva Green, que não tinha dado certo desde James Bond. Ela tem o papel chave da bruxa maligna que vive na Costa do Maine e é apaixonada por Barnabas, mas quando recusada consegue armar a vingança diabólica (não se sabe porque tem tanto poder!).

De qualquer forma, alem de transformar Barnabas em vampiro, faz com que a mulher que ele ama se mate e o enterra vivo num caixão todo acorrentado. Quando este retorna, Eva esta muito bem de vida, já que tomou toda a fortuna da família de Barnabas, mas mesmo assim continuou louca por ele. 

E o ponto alto do filme seria a sequência dos dois fazendo sexo literalmente subindo pelas paredes. Quando Barnabas retorna já é nos anos 70 escolhido porque era a época em que todos se vestiam e se comportavam de maneira mais bizarra, o que permite que ele use um linguajar antiquado, se assuste um pouco com as novidades.

Mas nem isso é aproveitado direito pelo roteiro, poderiam ter muito mais piadas com os contrastes de costumes. Assim como toda família é muito mal explorada. Michelle Pfeiffer faz a matriarca Elizabeth que aceita Barnabas de volta. Michelle continua uma bela mulher, mas não lhe dão nada especial para fazer, aliás está todo mundo perdido. Como a adolescente Carolyn, que esconde um segredo, mas é o pior trabalho de Chloe Grace Moretz, que nem ganha quase closes.

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Jonny Lee Miller (filho de Bernard Lee o M de Bond e ex marido de Angelina Jolie), faz o irmão de Elizabeth, Roger que parece ser vigarista, mas logo é tirado de cena. O menino David (Gulliver McGrath) é ajudado pelo fantasma da mãe dele, mas é outra falha do filme já que mal entendemos sua presença ou ação assim como a figura do outro fantasma que acompanha o interesse romântico que, supostamente, seria reencarnação da outra.

Confuso? Também acho, confesso que não entendi direito.

Há regras mal delineadas do que um vampiro pode ou não fazer. A luz do dia não o perturba, mas do sol sim, não se vê no espelho, mas não tem problemas com água. E sorry, nada a ver com a Saga Crepúsculo. Diante de tudo isso repito: tenho minhas dúvidas a respeito do êxito do filme e mesmo da continuação para qual já deixam a porta aberta.

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