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1 maio 2012

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Em cartaz – As neves do Kilimanjaro

as neves Em cartaz   <i>As neves do Kilimanjaro</i>

As neves do Kilimanjaro (de Robert Guediguian. França, 2011. Lês Neiges de Kilimanjadro.)

Com Jean Pierre Daroussin, Ariane Ascaride, Gerard Meylan, Gregoire Le Prince Rinquet, Marilyne Canto. Robinson Stevenin. Imovision. 107min.

Gosto muito dos filmes de Guediguian, um cineasta de Marselha, que foi descoberto pelo Festival de Cannes e teve desde então uma bem-sucedida carreira que tem sido acompanhada pelos brasileiros, até por que ele ficou amigo do Jean Thomas, dono da Imovision, que também é de Marselha!

Eu me lembro de ter sido em Cannes o primeiro jornalista de tevê a entrevistar ele, sua mulher e musa Ariane, e seu ator Gerard. Embora tenha sido Daroussin que faz aqui o papel principal quem ficou mais famoso e tem feito muitos papeis em filmes de outros cineastas, alias ele esta especialmente bem neste neste trabalho porque tem uma cara comum, sensibilidade e técnica. Prefiro, porém, os filmes de Robert quando ele situa a ação justamente em sua cidade natal, dando para nós uma visão rara do que é a vida num porto francês, onde os operários que lutaram a vida inteira em movimentos sindicais conseguiram um padrão de vida razoável, até confortável só para ver tudo ameaçado com as crises econômicas do momento.

É muito interessante acompanhar a vida cotidiana de um casal de meia idade, com um casal de filhos já casados, com crianças pequenas (ela para ajudar cuida de velhos ou entrega jornais). Mas o marido velho sindicalista perde o emprego (se submetendo a uma sorte da qual ele podia ficar de fora) e praticamente vira um aposentado. Não pensem que o filme tenha algo a ver com Hemingway ou aquele outro filme famoso com Gregory Peck e Ava Gardner, sobre as famosas neves africanas.

Aqui o casal ganha dos amigos, que fizeram uma coleta, um presente de 40 anos de casamento, que são bilhetes de avião para irem até a África para verem a famosa montanha. Mas o mundo piorou muito e na festa deles está presente um jovem colega que irá participar de um assalto violento na casa deles (os amarram, batem neles, e levam todo o dinheiro). A cunhada fica em crise nervosa e o casal não consegue entender o porquê da violência.

O ladrão cometeu o erro de levar uma revista em quadrinhos assinada que irá ajudar a encontrá-lo. Mas não foi um ato sem razão, o rapaz tem que sustentar seus dois meios-irmãos, porque a mãe deles simplesmente os largou (isso para não falar dos pais que desapareceram faz tempo). A sequência em que a mãe tenta se explicar é muito forte e das melhores do filme. Ao contrário do similar americano, sempre superficial, este filme aprofunda os sentimentos, as razões, dores e perdas. Sem exageros, mas de forma realista e mesmo poética, mas com sabor de vida, de verdade.

Aliás, todos os atores tem isso, cara de gente, habitando um universo que existe, com os altos e baixos de qualquer um de nós. É o grande mérito de um cineasta muito interessante que desta vez consegue um de seus melhores trabalhos.

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30 abril 2012

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Segundo Festival de Anápolis, casos e causos

Anápolis Facebook e1335740783152 Segundo Festival de Anápolis, casos e causos

Divulgação

Pela segunda vez estive neste grande pólo industrial de Goiás, passagem também para Brasília, que fez uma segunda edição de um Festival de cinema brasileiro. Como curador de longas, tentei escolher os melhores filmes dos últimos tempos, desde O Palhaço, de Selton Mello, até outros mais antigos (Estômago, Olhos Azuis, que acabaram sendo os dois grandes vencedores do festival). Sou da teoria que é melhor apresentar só bons filmes premiados. Deixando os mais experimentais para outro momento.

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De qualquer forma, festival vale também por reencontrar amigos. Como David Cardoso, que já foi o maior ídolo do cinema brasileiro, nos anos 70 até meados de 80, e saber que mesmo morando em Mato Grosso ele voltou a filmar (terminou Fronteira, financiado por ele mesmo), além de ter atuado em filmes alheios. Somos amigos há muitos anos até por que sempre reconheci seus méritos e sempre defendi a Boca do Lixo.

David estava em Anápolis para receber um prêmio pela carreira. Grande contador de histórias, ele contou uma divertida sobre Mazzaropi. David participou de vários filmes do humorista como produtor executivo e numa dessas vezes escalou para um papel de filha do Mazza, uma bela jovem de origem húngara que estava namorando e que esteve em Noite Vazia, de Khouri.

Mazza estava fora e quando a viu, achou bonita e tudo parecia estar bem. O problema é que a moça tinha um sotaque forte e carregado que não sabia disfarçar e tudo era gravado em som direto, sem dublagens. Foi quando alguém levantou o problema para Mazza que constatou que era dispendioso demais rodar tudo de novo com outra atriz. O jeito que ele deu foi muito engenhoso: mandou fazer de novo a cena em que ela se apresenta e falava com sotaque. Mazza apenas acrescentou uma fala inventava na hora dizendo: Está vendo como são as coisas, a gente manda a filha estudar fora e ela já volta com sotaque!

Outro grande contador de causos é Walter Webb, produtor, diretor e que tem uma carreira notável que vai agora contar num livro de memórias. Ele adiantou algumas histórias. Por exemplo, foi assistente do produtor-chefe de Samuel Bronston, aquele que nos anos 60 criou um Império na Espanha usando dinheiro da remessa de lucros bloqueado pelo governo e que tinha que ser usado naquele País. Foi assim que rodou alguns superespetáculos com El Cid, 55 dias em Pequim, o Mundo do Circo, com John Wayne e A Queda do Império Romano. Além de 55 Dias em Pequim.

Walter relembra como Bronston era um cavalheiro que gastava dinheiro a rodo (mandava buscar de avião todo dia caviar fresco na Rússia), mas o curioso mesmo são algumas fofocas que eu desconhecia. Que Charlton Heston era mão de vaca, chegando a pegar madeira (sarrafos) dos sets para aquecer sua lareira, Sophia Loren muito gentil e encantadora. Não causava problemas. Mas tinha outros problemáticos, geralmente aqueles que bebiam muito. De Ava Gardner já era público e notório, mas havia outros na mesma situação que caíam de tanto beber e às vezes eram amarrados para fazerem suas cenas. É o caso de Robert Ryan (não sabia, mas todo mundo confirma a informação).

Havia também os gays assumidos ou não, entre eles Alec Guinness, a turma do diretor Nicholas Ray que se unia ao ator grandão John Ireland e ao veterano Akim Tamiroff para orgias homossexuais. E o triste caso de Jeffrey Hunter, que fazia Jesus Cristo, que além de alcoólatra também se viciou em cocaína pesada. E teria sido essa droga que causou sua morte, numa queda em seu banheiro, quando ia consertar lâmpada escorregou e bateu com a cabeça. Mas a droga estava por trás de tudo!

David confirmou outra história que já havia saído em livro, que Robert Wagner teria contado numa noite de muita bebida para o próprio David que a mulher dele Natalie Wood o pegou em flagrante transando ou brincando, como ele disse, com outro homem. Por isso que ela ficou tão fula quando deve ter pegado em flagrante naquela noite no barco (parece que os dois compartilhavam Christopher Walken e isso deixou Natalie enfurecida, a bebida também ajudou e foi o que a levou ao acidente e a morte!).

Grande cinéfilo Walter também me deu de presente um filme raro e Cult, Studs Lonigan, que já revi e achei especialmente interessante até porque foi das primeiras aparições de Christopher Walken.

E como os festivais não param de acontecer eu já estou noutro em Recife, para onde vim escondido de Buenos Aires para fazer uma surpresa para meu amigo Ney Latorraca que iria receber um prêmio especial pela carreira. A Denise Del Cueto, famosa promotora, descobriu a velha amizade e me propôs que eu viesse direto e me escondesse a tempo de lhe entregar o prêmio. Dito e feio. Foi pesado e cansativo para mim, mas valeu a pena porque Ney ficou emocionado e o festival esta superlegal, num Recife moderno e rico, num cinema de uma plateia alegre e participante (dizem sempre que o melhor show do festival é a plateia) e tem sido superagradável. Depois aos poucos eu vou contando.

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29 abril 2012

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Lançamento em DVD: Amargo Regresso

Amargo Regresso *** Coming Home

Áudio: Inglês. Legenda: português. 1978.Cor. 127 min Originalmente United, depois MGM aqui Versátil. Wide 1.85. Censura 18 anos.

Direção: Hal Ashby. Elenco: Jon Voight, Jane Fonda, Bruce Dern, Robert Carradine, Penelope Milford, Robert Ginty, Olivia Cole, Bruce French.

Amargo Regresso.1 Lançamento em DVD: <i>Amargo Regresso</i>

Sinopse: Em 1968, logo depois da morte de Luther King e quando a Guerra do Vietnã ainda estava acontecendo, um oficial fuzileiro Bob embarca para lutar no conflito enquanto sua mulher Sally se oferece como enfermeira voluntária de um hospital para veteranos feridos ou incapazes. Lá reencontra um colega de escola, Luke, que voltou ferido e agora só se locomove em cadeiras de rodas.

Comentários: Nunca mais tinha assistido a este filme depois de sua estreia. Mas o tempo não me fez mudar de ideia. Ainda é um resultado muito claro de sua época e ficou datado. Naquele momento era muito ousado e corajoso ousar criticar a Guerra do Vietnã, porque fazia pensar que isso era antipatriótico e antiamericano (não muito diferente do que sucede ainda hoje com novas guerras em que os americanos se envolveram, por razões ainda menos justificadas).

Então este projeto teve muita importância, ajudando em coisas mais simples (por exemplo, não existiam leis que facilitam acesso aos lugares para os deficientes físicos) até mais complexas (na época houve muito escândalo porque o casal tem uma cena de cama – por sinal, muito no escuro e com uma double de corpo para Jane – onde se mostra a primeira cena de sexo oral feminino. Que era a forma de um paralítico satisfazer a mulher. Um assunto que havia sido cuidadosamente ignorado por todos os outros filmes sobre o assunto até então.

Este foi um roteiro original que Jane Fonda fez desenvolver por Nancy Dowd, que ficou com o crédito de argumento quando o script foi rejeitado, deixando apenas a ideia central. Uma história de amor durante a Guerra. Quem o escreveu foi Waldo Salt (Serpico, Midnight Cowboy) e Robert C. Jones (Deu a Louca no Mundo, Adivinhe quem vem para Jantar), fixando-se mais nos problemas trazidos pela Guerra, principalmente para os veteranos.

Foi muito comentado também na época como o casal se conheceu (melhor dizendo se reencontra, mas isso só será revelado depois), que é uma variante da velha formula do “meeting cute”, o encontro engraçadinho do casal que irá se apaixonar, aqui ele derruba a sacolinha de urina que se a molha! Sem dúvida uma cena original e reveladora.

A fotografia é do aclamado Haskel Wexller, famoso por usar iluminação natural, e dar um toque realista às cenas. Como já demonstrei muitas vezes, não gosto de não enxergar nada, nem aprecio o uso de lentes de longo alcance, que era moda na época. Isso faz com que a  gente nem consiga identificar direito nenhum dos veteranos no hospital (muitos deles veteranos de verdade e dizendo textos improvisado por eles mesmo, inclusive na cena inicial ) nem terem uma personalidade própria. Fica difícil mesmo entender porque o trio central foi tão premiado por todos.

Jane Fonda prejudicada por um cabelo ruim (em dois tempos, e mesmo com a mudança) não tem grandes cenas e não há por que ter ganho um segundo Oscar de atriz. Bruce Dern como é seu hábito super-representa no que é um papel realmente difícil do marido traído tanto pela esposa quanto por sua pátria, que o mandou para uma Guerra que não era como sonhava.  E onde o heroísmo tomava formas hediondas (como os soldados de seu pelotão cortarem as cabeças dos mortos para os exibirem).

Somente Jon Voight traz alguma humanidade a seu personagem mais positivo, que ilustra melhor o esforço do cadeirante, sua revolta inicial (quando briga com os médicos e com a vida) até as tentativas de aceitação fazendo esforços e tentando ter uma vida normal. Seu personagem tem elementos de Ron Kovic, que depois iria inspirar Nascido em Quatro de Julho.

Fora isso, o filme resulta um pouco caótico e inconcluso (dizem que a canção final teria uma letra significativa, mas não é possível se entendê-la – não há legendas e que é de Tim Buckley que se matou justamente aos 28 anos, em 1975 e era o ídolo do diretor Hal Ashb. Aliás, nesta edição há um featurette especial A Man Out of his Time, em homenagem ao diretor Ashby 1929-88, que morreu de câncer no fígado. Falam dele o diretor Norman Jewison, Dern e Voight, Jane está ausente dos depoimentos. Ahsby, por sinal, é visto num plano rápido e distante dirigindo um carro esporte que faz uma ultrapassagem.

Hoje já sabemos das histórias de Ashby, que era completamente drogado e bastante irresponsável, o que era compensado por ser também talentoso (e também ótimo montador). Tem também um making of retrospectivo (Coming Back Home). O filme ganhou três Oscars: Ator, Atriz e Roteiro Original. Mas foi ainda indicado para outros: coadjuvantes Bruce Dern (que é pai de Laura Dern) e Penelope Milford (que não foi muito adiante), direção, montagem e filme. Jon Voight foi melhor ator em Cannes e novamente o casal ganhou o Globo de Ouro (tiveram indicações de roteiro, direção, filme e coadj Dern). O casal também ganhou Críticos de Los Angeles, Voight críticos de Nova York e o roteiro foi escolhido pelo Sindicato dos Roteiristas.

Reza a lenda que o papel central foi antes oferecido a Sylvester Stallone, Jack Nicholson e Al Pacino que o recusaram. E Meryl Streep faria o papel de Vi, mas não pode porque estava fazendo peça (mas não faz muito sentido porque Jane era coprodutora!). John Schlesinger ia ser o diretor (quando o roteiro de Nancy), mas foi afastado (honrosamente teria dito que o filme deveria ser feito por um diretor americano por causa da temática).

A sensação que eu tenho ao ver o filme é que o assunto poderia ficar melodramático e com medo disso acabaram realizando um filme distanciado que na época falava mais próximo aos norte-americanos e hoje envelheceu mal. Jon Voight ganhou mais porque tinham esquecido dele por Perdidos na Noite (Midnight Cowboy). O prêmio para Jane também poderia ter sido por outros trabalhos. Teria preferido qualquer uma das outras alternativas: Ingrid Bergman por Sonata de Outono, Ellen Burstyn por Tudo bem no ano que vem, Jill Clayburgh por Uma Mulher Descasada e Geraldine Page por Interiores. Dessas só Jill nunca ganhou porque um câncer estragou sua carreira.

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28 abril 2012

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Coluna de DVD – Lançamentos

Lançamento de dois clássicos: Sturges e Losey

Contrastes Humanos ****
Sullivan´s Travels

Áudio: Inglês. Legendas: Português. Comédia. Standard . 90min. PB. 1941. EUA. Classicline. 12 anos.

Diretor: Preston Sturges. Elenco: Joel McCrea, Veronica Lake, Robert Warwick, William Demarest, Franklin Pangborn, Porter Hall, Eric Blore e Sturges (como o diretor do estúdio).

contrastes Coluna de DVD   Lançamentos

Sinopse: John L. Sullivan (McCrea, mais conhecido como astro de faroestes) é um mimado e bem-sucedido diretor de filmes comerciais que deseja fazer um sobre os problemas das pessoas comuns, os pobres. Apesar da oposição dos seus produtores, ele resolve se disfarçar de vagabundo (era a época da depressão econômica) e sem um tostão no bolso vai em busca de experiências para usar nos seus filmes. Mas a realidade é bem pior do que ele esperava.

Comentários: Uma das mais famosas sátiras do cinema, pouco conhecida no Brasil, mas cultuada na França e mesmo Estados Unidos. Também está esquecido por aqui a figura do diretor Preston Sturges que é muito importante.

Sturges, Preston (1898-1959)

contrastes 2 Coluna de DVD   Lançamentos

Um início brilhante, um final melancólico. Ele era daqueles que antigamente se chamavam de um renascentista, por ter uma enorme e erudita cultura. Tão brilhante que o fez ser um dos melhores roteiristas de sua geração e depois um grande diretor para a Paramount, com fitas engraçadas, satíricas e mesmo ousadas.

De repente, tudo acabou. Tentou teatro, ser dono de restaurante, trabalhar no exterior, mas a chama que brilhou tão intensamente também se apagou com a mesma rapidez. Ficou ao menos o legado de seus filmes, típicos produtos de sua época, os anos 40.

contrastes 3 Coluna de DVD   Lançamentos

Nascido em 28 de agosto em Chicago, estudou na França, Alemanha, Suíça, trabalhando para a firma de cosméticos da mãe. Na verdade, sua história é mais complicada. Criado de forma pouco ortodoxa por excêntricos e ricos, foi chamado aos 16 anos para dirigir a firma de cosméticos da mãe e foi assim que virou um inventor, criando o batom à prova de beijo (e outros que parecem coisas saídas de suas futuras comédias).

A partir dos anos 20, ele concentrou seus talentos em escrever e, com inteligência, conseguiu convencer a Paramount a deixá-lo também ser o diretor de The Great McGinty. Só ganhando dez dólares de salário. Acabou ganhando um Oscar de Roteiro e o estúdio não teve outra forma de liberar seus maiores astros para suas outras fitas, sempre comédias que não se sabia como passavam pela censura.

contrastes 4 Coluna de DVD   Lançamentos

Papai por Acaso, por exemplo, conta a história de uma garota chamada Trudy que numa mesma noite, encontra, se casa e fica grávida de um pracinha, cujo nome ela se lembra apenas vagamente (Eddiie Bracken que faz o mocinho do filme acabaria sendo seu ator predileto).

Outro clássico da comédia é As três Noites de Eva em que o virginal Henry Fonda é a vítima da predadora Barbara Stanwyck. Foi  autor de quatro peças de teatro. Escreveu 15 roteiros para Hollywood, a maior parte deles para a Paramount.

A partir de 1940, passou a dirigir, mas em poucos anos gastava sua verve, caindo em desgraça até o fim da vida. Como tinha temperamento violento e volátil, depois de brigar com a Paramount tentou a sorte numa comédia com Betty Grable na Fox. Mas tristemente havia perdido a graça. Morreu em 6 de agosto de enfarto em Nova York.

contrastes 51 Coluna de DVD   Lançamentos

Dir.: 1940 – O Homem que se Vendeu (The Great McGinty. Brian Donlevy, Akim Tamiroff). Natal em Julho (Christmas in July. Dick Powell, Ellen Drew). 1941 – As Três Noites de Eva (Lady Eve. Barbara Stanwyck, Henry Fonda).

1942 – Contrastes Humanos (Sullivan’s Travels. Joel McCrea, Veronica Lake). Mulher de Verdade (The Palm Beach Story. Claudette Colbert, Fred MacMurray).

1944 – Papai por Acaso (The Miracle of Morgan’s Creek. Betty Hutton, Eddie Bracken). Herói de Mentira (Hail the Conquering Hero. Eddie Bracken, Ella Raines). Triunfo Sobre a Dor (The Great Moment. Joel McCrea, Betty Field).

1946 – Trapalhadas do Haroldo (Mad Wednesday. Harold Lloyd, Rudy Vallee).

1948 – Odeio-te Meu Amor (UnfaithfullyYours. Rex Harrison, Linda Darnell).

1949 – Esta Loura É um Demônio (The Beautiful Blonde from Bashful Bend. Betty Grable, Cesar Romero).

1955 – As Memórias do Major Thompson (Les Carnets du Major Thompson. Jack Buchanan, Martine Carol).

Este filme é do auge de sua carreira, quando os críticos o idolatravam e o público correspondia. Ele escreveu um roteiro muito hábil onde consegue mostrar os problemas sociais da realidade americana da época, enquanto ao mesmo tempo satiriza a indústria de Hollywood e a própria ingenuidade dos diretores (ou dos americanos).

O alto e simpaticão McCrea (1905-90) era uma espécie de Gary Cooper ainda mais cool, que representava o mínimo possível, mas tinha cara de bom moço americano. E Sturges usa isso (pensem, no filme até o herói é bobinho e pensa que é cheio das verdades, só para no transcorrer dos problemas cair em si. Tudo isso em tom de comédia).

Como a namorada do diretor também faz bom uso de uma baixinha, que, na époc,a era estrela por causa de um gimmick, um truque, ela usava o cabelo caído num dos lados, que se tornou sua marca registrada. Foi assim que Veronica Lake (1922-73) foi algo mais do que simplesmente a parceira de Alan Ladd numa série de policiais (se davam bem porque ambos eram pequenos e frios).

Num determinado momento ela também se disfarça de homeless e funciona bem no filme.  Mas ele é cheio de referências. Por exemplo, Sullivan planeja fazer um filme chamado O Brother, Where Art Thou ?, um título que depois foi emprestado pelos Irmãos Coen no filme de 2000, E aí Irmão, Cadê Você? (com George Clooney, justamente sobre a depressão e trens).

e Coluna de DVD   Lançamentos

O autor do livro mencionado é Sinclair Beckstein, um amalgama de Upton Sinclair, Sinclair Lewis e John Steinbeck, autores americanos famosos. Não apenas Veronica está grávida durante a filmagem, mas também adiantada, entre seis e oito meses (a filha nasceu um mês depois do fim das filmagens).

Mas só sabiam disso a figurinista Edith Head e a mulher de Sturges, que guardaram segredo e desenharam as roupas adequadas para esconder a condição. Sturges teve a ideia do filme quando leu reportagem sobre o ator John Garfield, que teria sido “hobo” (nome para sem teto na época) viajando em trens de carga pelo país.

Sturges tinha grande admiração por Chaplin e queria ter usado um trecho de um filme dele na cena da igreja, mas este não deu permissão. Ainda assim McCrea faz uma imitação de Carlitos. Foi usado eventualmente um desenho animado da Disney com o cachorro Pluto para deixar a mensagem final: a vida já é dura demais, as pessoas são infelizes e já faz um trabalho importante quem vive para divertir os outros, para tornar a vida mais suportável.

E a melhor maneira seria fazendo os outros rirem.  Por isso, Sturges chegou a escrever no roteiro uma fala que Sullivan diria: "Esta é a história de um homem que queria lavar um elefante. O maldito elefante quase o arruinou”.

Ainda assim ficou a dedicatória do começo que diz  “Em lembrança de todos aqueles que nos fizeram rir, os palhaços, os comediantes de todas as épocas e lugares, cujos esforços diminuíram nossa carga um pouco. A eles este filme é afetuosamente dedicado”.

Na época o filme foi elogiado pela associações de negro pela maneira digna e decente dos negros. O seu pôster muito artístico é considerado um dos melhores de todos os tempos. E o filme ficou em 61º lugar dentre os melhores de todos os tempos do American Film Institute.

O Mensageiro ***

The Go-Between

Áudio: Inglês. Legendas: Português.  Romance. Wide . 118 in. Cor. 1970. EUA.Lume. 14 anos.

Diretor: Joseph Losey. Elenco: Michael Redgrave, Alan Bates, Margaret Leighton, Michael Gough, Dominic Guard, Julie Christie, Edward Fox, Richard Gibson.

Sinopse: Um homem de meia idade retorna a um lugar que o faz recordar o verão de 1900, quando ele tinha 13 anos e é convidado de um colega de escola. Fica amigo da irmã de vinte e poucos anos dele, Marian, que esta noiva de um visconde, mas pede para ele entregar mensagens para um vizinho Ted Burgess, que escondia um amor proibido.

Comentários: Não confundir com outros filmes homônimos, tem aquele horrível com Kevin Costner (que deveria ser O Carteiro), tem um policial de 2009 com Woody Harrelson. Mas este é O Mensageiro mais famoso e mais raro, porque é uma produção inglesa independente e que na época ganhou a Palma de Ouro de Cannes e outros prêmios, o Bafta de roteiro(do grande dramaturgo Harold Pinter), revelação (o garoto Dominic Guard, que não foi adiante), coadjuvantes (Edward Fox e Margaret Leighton).

Foi indicado ao Globo de Ouro de filme estrangeiro, Oscar de coadjuvante (Margaret Leighton), Baftas de atriz (Julie), direção de arte, fotografia, figurino, direção, filme, som e ator coadj (Michael Gough).

O diretor Joseph Losey é outro dos grandes que esta esquecido no momento e que merece também um flashback:

Losey, Joseph (1909-1984)

O mais ilustre diretor que foi vítima da Lista Negra de Hollywood, provocada pelo McCarthismo e que melhor deu a volta por cima, criando para si um estilo barroco e rebuscado, bem ao gosto dos europeus. Seu melhor trabalho, porém, foi quando obrigado a se refugiar na Inglaterra realizou filmes pequenos (em geral com o ator Stanley Baker, depois Dirk Bogarde), quase sempre pessimistas.

A obra-prima é O Criado, com roteiro do dramaturgo Harold Pinter (sempre obscuro e elíptico, mas que não conseguiu esconder as entrelinhas homossexuais e a flagrante disputa pelo poder). Mas foi com o lírico O Mensageiro que ele ganhou a Palma de Ouro em Cannes e finalmente uma carta de reabilitação (entretanto, ele nunca retornou profissionalmente à sua terra natal).

Sua obra parece estar sempre preocupada no confronto entre o bem e o mal, e embora Losey afirmasse estar do lado do bem, com frequência era o mal que se saia vitorioso. Ex-estudante de medicina e literatura em Harvard, começou a escrever para o teatro em 1930, envolvendo-se na montagem de peças esquerdistas e trabalhando até em Moscou. Teria estudado cinema inclusive com o grande Eisenstein, antes de voltar para a América para dirigir teatro e filmes educacionais para a Rockefeller Foundation (assim fez dezenas de fitas industriais).

Joseph Losey Coluna de DVD   Lançamentos

Seu primeiro curta comercial foi uma fita com marionetes mas seu quarto, A Gun in his Hand (feito para a série da MGM, O Crime não Compensa) lhe deu um Oscar na categoria. Isso lhe deu fôlego para estrear no longa com um trabalho polêmico contra a guerra e os preconceitos raciais (O Menino dos Cabelos Verdes).

Foi a partir de 1951, colocado na lista negra e proibido de trabalhar na América. Mudou-se para a Inglaterra, onde trabalhou sob pseudônimo, sobrevivendo com comerciais de TV, até que o ator mais popular da Inglaterra, Dirk Bogarde, acreditou nele e aceitou trabalhar em suas fitas. Apoiado pela crítica francesa, seu retorno com força total na década de 60 culminou com a Palma de Ouro em Cannes para O Mensageiro.

Seu estilo barroco e rebuscado é o reflexo de um autor sério e consciente, mas menos político do que se julga. Este estilo lhe causou problemas com os produtores de Cerimônia Secreta. Quando exibido na TV americana, ele foi remontado e um ridículo prólogo e epílogo foram rodados às pressas, para tornar o filme menos difícil para o público.

Trabalhou com roteiristas de primeira, como Harold Pinter (aqui mas também em O Criado e Estranho Acidente) e Tennessee Williams (num interessante fracasso, O Homem que Veio de Longe).

Filmografia:

1939 – Pete Roleum and His Cousins (CM com marionetes)

1941 – A Child Went Forth (CM). Youth Gets a Break (CM)

1945 – A Gun in His Hand (CM)

1948 – O Menino dos Cabelos Verdes (The Boy with Green Hair. Dean Stockwell, Robert Ryan)

1949 – O Fugitivo de Santa Maria (The Lawless. MacDonald Carey, Gail Russell)

1950 – O Cúmplice das Sombras (The Prowler. Van Heflin, Evelyn Keyes). O Maldito (M. David Wayne, Luther Adler)

1951 – Noite Inovidável (The Big Night (John Barrymore Jr., Preston Foster). O Homem que o Mundo Esqueceu (Stranger on the Prowl/Imbarco a Mezzanotte. Paul Muni, Joan Lorring. Sob pseudônimo de Andréa Forzano)

1954 – O Monstro de Londres (The Sleeping Tiger. Assinado por um testa-de-ferro, Victor Hanbury. Dirk Bogarde, Alexis Smith)

1955 – A Man on the Beach (Donald Wolfit, Michael Medwin. CM). Um Homem em Desespero (The Intimate Stranger ou Finger of Guilt. Richard Basehart, Mary Murphy. Com pseudônimo de Joseph Walton)

1956 – A Sombra da Forca (Time Without Pity. Michael Redgrave, Ann Todd)

1957 – Por Amor Também se Mata (The Gypsy and the Gentleman. Melina Mercouri, Patrick MacGoohan)

1959 – Entrevista com a Morte (Blind Date. Stanley Baker, Hardy Krüger)

1960 – Armadilha a Sangue Frio (The Criminal. Stanley Baker, Sam Wanamaker)

1961 – O Mundo os Condenou (The Dammed. MacDonald Carey, Viveca Lindfors)

1962 – Eva (Idem. Jeanne Moreau, Stanley Baker)

1963 – O Criado (The Servant. Dirk Bogarde, James Fox)

1964 – O Rei, o Cidadão (King and Country. Dirk Bogarde, Tom Courtenay)

1966 – Modesty Blaise (Idem. Monica Vitti, Terence Stamp)

Untitled 1 61 Coluna de DVD   Lançamentos

1967 – Estranho Acidente (Accident. Dirk Bogarde, Stanley Baker)

1968 – O Homem que Veio de Longe (Boom! Elizabeth Taylor, Richard Burton)

1969 – Cerimônia Secreta (Secret Cerimony. Elizabeth Taylor, Mia Farrow)

1970 – No Limiar da Liberdade (Figures in a Landscape. Robert Shaw, Malcolm McDowell)

1971 – O Mensageiro (The Go-Between. Julie Christie, Alan Bates)

1972 – O Assassinato de Trotsky (The Assassination of Trotsky. Alain Delon, Richard Burton)

1973 – Casa de Bonecas (A Doll’s House. Jane Fonda, Delphine Seyrig)

1974 – Galileo (Idem. Topol, John Gielgud). A Inglesa Romântica (The Romantic Englishwoman. Glenda Jackson, Helmut Berger)

romantic Coluna de DVD   Lançamentos

1976 – Cidadão Klein (Monsieur Klein. Alain Delon, Jeanne Moreau)

1978 – Les Routes du Sud (Yves Montand, Miou-Miou)

1979 – Don Giovanni (Idem. Ruggero Raimondi, Kiri Te Kanawa)

1982 – La Truite (Isabelle Hupert, Jean-Pierre Cassel)

1984 – A Sauna (Steaming. Vanessa Redgrave, Sarah Miles).

Mas este não é um típico filme de Losey, que geralmente era menos romântico e menos bem comportado. É sempre a história de um velho (Michael Redgrave) que recorda 50 anos depois quando era jovem de 13 anos e acabou servindo de intermediário, leva e traz literalmente entre um casal que se amava mas que não podia ficar junto por causa das diferenças de classe.

É uma adaptação do livro semiautobiográfico de 1953 de  LP Hartley (1895-1972), tambem autor de O Assalariado.

Muito ajudado pelo roteiro de Pinter, depois vencedor ate do Prêmio Nobel, no que resultou no filme (ainda que com visual bem da época), num filme sobre memória, rito de passagem (de adolescente para adulto), bastante elegante e cheio de clima.

Mas é principalmente (mais outra) ao sistema de castas e classes da sociedade inglesa observada por um certo Leo Colston (Dominic Guard), filha de uma viúva empobrecida que vai passar as férias de verão como convidado de uma família aristocrática (Gough e Leighton) em sua mansão em Norfork Brandon Hall. Lá ele fica amigo de  Lady Marian Trimingham (Julie Christie) que ama outro, mas que não pode ficar com ele por causa de seu pobre e considerado vulgar (Alan Bates).

Leo entregava as mensagens e agora ficará sabendo de um segredo de família. No fim, o filme acaba fazendo perguntas ingênuas: "Pode um caso desses permanecer secreto? E quando acaba a inocência?"

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27 abril 2012

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Os Vingadores – Origem

1 - Origens

Com o orgulhoso brado Avante Vingadores, uma equipe de heróis conquistou admiradores ao longo de décadas de aventuras em quadrinhos, e mesmo tendo constantes mudanças em sua formação, se firmaram no meio extremamente competitivo da indústria de HQs. Alcunhados Os Heróis Mais Poderosos da Terra, Os Vingadores (The Avengers – no original) seguem uma longa tradição nos quadrinhos: A de agrupar heróis de poderes e personalidades distintas em uma única equipe.

No período conhecido como Era de Ouro (década de 30 e 40), a editora National Periodics publicava as aventuras da Sociedade da Justiça no título All Star Comics que reunia o Lanterna Verde, o Flash e o Gavião Negro junto com outros personagens menos conhecidos. Foi a semente dos supergrupos de heróis uniformizados, unidos por uma causa em comum.

A National Periodics, já rebatizada de Dc Comics, usou a mesma estratégia nos anos 60 (A Era de Prata dos quadrinhos) e criou a Liga da Justiça reunindo no título The Brave & The Bold: Superman, Batman, Mulher Maravilha, Lanterna Verde, Flash e outros cuja força em conjunto os tornava quase imbatíveis na luta contra qualquer supervilão, terrestre ou extraterrestre, que estivesse pretensiosamente disposto a dominar o mundo. Tanto a Sociedade da Justiça quanto a Liga da Justiça, cada uma em sua própria época, foram sucessos editoriais, angariando um público leitor fiel.

17 <i>Os Vingadores</i>   Origem

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2. Surgem Os Vingadores

O sucesso da Liga da Justiça pela Dc Comics estimulou o já lendário Stan Lee a criar, para a editora Marvel, o Quarteto Fantástico. Mas, diferente da Liga da Justiça, os membros do quarteto formam uma família agraciada com poderes incríveis. O sucesso obtido com o título do quarteto foi o pontapé inicial para a criação de um novo universo de heróis: um habitado por personagens que equilibravam virtudes com defeitos, dúvidas e problemas que os aproximava dos leitores, enquanto os da DC Comics trazia um tom mais maniqueísta.

No Universo Marvel, o Homem Aranha não despertava a admiração pelos seus atos, mas desconfiança e ódio, assim também eram os mutantes dos X-Men. Enquanto o Homem de Ferro lutava com problemas cardíacos e desenvolve, mais tarde, dependência alcoólica, o Hulk era um monstro furioso e descontrolado etc. A rivalidade entre as editoras, nascida alí, seguiu crescente até os dias de hoje e para cada sucesso criativo de uma, havia uma “resposta” da outra,  na briga por um mercado que ao longo dos anos tornou-se cada vez mais lucrativo. E foi como uma resposta que a Marvel Comics publicou em julho de 1963 (mesmo ano dos X Men) Os Vingadores com roteiro de Stan Lee e desenhos de Jack Kirby, o mago da arte do gênero e co-criador de vários personagens surgidos no período.

Na história, o vilão Loki culpa o Hulk de vários crimes jogando seu meio-irmão Thor contra o gigante verde. À luta se junta o Homem de Ferro e o casal Homem Formiga e Vespa, mas a feroz luta que se segue leva os heróis a unirem seu poder de fogo e a derrotar Loki. Nascía ali, no título The Avengers 1 (setembro de 1963) a primeira formação da equipe : Hulk, Thor, Homem de Ferro, Vespa e Homem Formiga. A aposta da editora foi alta em colocar a nova equipe em título próprio, o que nem sempre acontecia.

Thor – por exemplo - apareceu pela primeira vez no título Journy Into Mistery #83” (agosto de 1962), Homem de Ferro na revista Tales of Suspense #39 (Março 1963) mas a equipe de Os Vingadores vinha em título próprio. Ao final da segunda aventura da equipe,  o Hulk deixa o grupo, mas este ganha um reforço inesperado já na edição nº4 quando o submarino dos vingadores encontra um corpo congelado nas gélidas águas do ártico, que se descobre ser o lendário Capitão América– herói da Segunda Guerra. Com sua volta, a equipe de Os Vingadores, recém – criada, ganha um reforço gigantesco: o herói deslocado no tempo que tenta se readaptar à nova sociedade (então anos 60) gerando um leque de possibilidades no roteiro que seria explorada no título solo do Capitão e nas páginas de Os Vingadores.

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De baixo pra cima: Capas de Avengers nº 1, Vingadores nº 1, pela Editora Bloch nos anos 70, e Avengers nº4.

3. Renovação Constante

Pouco mais de um ano após a volta do Capitão América, Os Vingadores sofreram a primeira de muitas mudanças em suas fileiras. Os membros originais da equipe se retiram e deixam a cargo do Capitão recrutar novos membros. A partir da edição 16 de Avengers, a nova formação recebe os ex-vilões Feitiçeira Escarlate, Mercúrio (saído das páginas de X Men) e Gavião Arqueiro (saído das páginas de Tales of Suspense, 57, na qual enfrentou o Homem de Ferro).

Essa fase, desenhada por Don Heck,  foi extremamente popular no Brasil, já que muitas delas foram adaptadas para o desenho animado do Capitão América, exibido no programa do Capitão Aza na hoje extinta Tv Tupi. Os membros originais voltariam posteriormente à equipe, mas somados a eles novos e importantes personagens : Hank Pym, ex- Homem Formiga, retorna na edição 28 (1966) agora com o poder de aumentar seu tamanho e passando a se chamar  Golias; o Pantera Negra (regente do fictício país Africano de Wakanda) na edição 52 (1968); o sintozóide (andróide com órgãos artificiais) Visão na edição 57 (1968) – que viria a viver um romance com a Feitiçeira Escarlate, chegando a se casarem mais tarde; a ex- espiã Viúva Negra, que surgiu pela primeira vez em uma aventura do Homem de Ferro publicada em Tales of Suspense nº 52 em 1964, entra na edição 111 (1973) entre outros.

A cada geração, vários artistas se destacaram nos roteiros e desenhos dos Vingadores depois da saída de Stan Lee e Jack Kirby: Roy Thomas, John Buscema, George Perez, Steve Englehart, John Byrne, Sal Buscema, e, inclusive o brasileiro Mike Deodato que no final dos anos 90 desenhou um arco tão mal recebido, no qual o Homem de Ferro torna-se um terrível vilão, que foi logo desconsiderado para efeitos de cronologia..

Os roteiros de várias fases dos Vingadores visitaram e revisitaram temas clássicos da fantasia e da ficção científica: Invasão Alienígena na Guerra Kree-Skrull na primeira metade dos anos 70; A criação de vida artificial que já foi explorada nos livros de Isaac Azimov aparece na história do robô Ultron, que adquire consciência própria e ódio pelos seres humanos; a chegada do semi-Deus Hércules (mitologia grega), vilões em busca do poder absoluto levando à corrupção absoluta (a saga de Thanos, a saga de Korvac) etc...

4- O filme

O filme de Os Vingadores é uma produção inédita em termos de adaptação de uma HQ de superheróis. Já houveram outros filmes de equipe de heróis (os X Men, Watchmen de Zack Snyder, e até mesmo a fracassada Liga Extraordinária) , mas o ineditismo deste reside na ousadia de juntar personagens que já possuem seus filmes solos (Capitão America, Thor, Homem de Ferro) bem sucedidos.

O risco, caso um desses filmes anteriores tivesse naufragado  nas bilheterias, era uma possibilidade e teria comprometido o projeto de Os Vingadores, que vinha sendo apontado ao final de cada filme da Marvel ao longo dos últimos cinco anos : Ao final de Homem de Ferro, em 2008, Nick Fury (Samuel L.Jackson) procura Tony Stark para convidá-lo a participar dos vingadores, ao final de O Incrível Hulk (2008) Tony Stark aparece conversando com o General Ross, ao final de Homem de Ferro 2 (2010) aparece o martelo de Thor caído no deserto, e daí seguindo em frente até o desafio de uni-los em uma aventura conjunta que tem gerado crescente expectativa não apenas para os aficionados em HQ como também para aqueles que simplesmente apreciam um filme de ação cheio de efeitos especiais e personagens interessantes.

Os membros de Os Vingadores não apenas lutam contra inimigos de enorme poder,  mas também entre si, com seus temperamentos explosivos e personalidades distintas. Cabe ao roteiro e a direção de Joss Whedon explorar essa dinâmica entre os personagens de forma a fazer uma aventura envolvente e não apenas uma colagem de cenas de ação. Whedon é bem indicado em sua função, já que além de ter criado o seriado de TV Buffy- A Caça Vampiros, que possui uma linguagem bem calcada nas HQs, roteirizou várias histórias dos X Men para a editora Marvel.

O palco armado para essa aventura é um investimento fabuloso em termos artísticos e comerciais tanto da parte do Marvel Studios como da Walt Disney que distribuí o filme, que adapta os personagens dos quais agora é a proprietária (a Disney comprou a editora Marvel há algum tempo atrás).

Trívia

1- Em 1998, houve um filme chamado Os Vingadores (The Avengers) baseado em uma série de TV inglesa homônima. A história não tinha nada de superheróis e mostrava o casal de agentes secretos britânicos John Steed (Ralph Finnes no filme e Patrick McNeee na TV) e Emma Peel (Uma Thurman no filme e Dianne Rigg na TV, que depois foi substituída).

O ex-007 Sean Connery fez o vilão do filme, dirigido por Jeremy S. Chechik, que ameaça o mundo com uma máquina que controla o clima. Não foi muito bem nas bilheterias, mas trouxe de volta personagens cultuados pelos admiradores de séries antigas.

2- 4 atores interpretaram o Dr. Banner, alter-ego do incrível Hulk: Na série de TV dos anos 70, Bill Bixby fazia o cientista e Lou Ferrigno o monstro verde. Em 2003, Eric Bana ficou com o papel do Dr. Banner no filme dirigido por Ang Lee, ficando o Hulk a cargo da computação gráfica, assim como no filme de 2008, dirigido por Louis Leterrier em que Edward Norton interpretou o atormentado cientista.

Os dois filmes do Hulk foram os que menos arrecadaram de bilheteria comparado aos demais filmes dos heróis Marvel. Como Norton se desentendeu com os produtores do Marvel Studios, Mark Ruffallo ficou com o papel no filme dos vingadores. Lou Ferrigno ficou com a voz da criatura tanto no filme de 2008 como no de Os Vingadores.

3- Ao longo de sua rivalidade, as editoras Dc Comics e Marvel Comics se uniram várias vezes para promover encontros entre seus personagens. A ideia de um encontro entre as duas principais super equipes de ambas as editoras já era alimentada há décadas até ser realmente concretizada entre setembro de 2003 e maio de 2004, quando foi publicado em formato de minissérie Liga da Justiça Vs. Vingadores com roteiro de Kurt Busiek e desenhos do renomado George Perez.

Curiosamente, embora tentativas anteriores de promover uma aventura em conjunto tivessem naufragado, o roteirista Roy Thomas criou,  nos anos 70, para  a Marvel Comics, um grupo de super seres vindos de uma terra paralela batizada de Esquadrão Supremo, formada por personagens inspirados na Liga da Justiça.

4- O papel que coube a Samuel L.Jackson em Os Vingadores, o superespião Nick Fury, teve uma adaptação para a TB em 1998 entitulada Nick Fury: Agent of Shield, com o personagem encarnado por David Hasselholf, ator  das séries de TV A Super Máquina (anos 80) e Baywatch (anos 90).

O personagem Nick Fury, herói condecorado na segunda guerra e que se torna o comandante da Shield - agência de espionagem no universo da editora Marvel foi criado em 1963 por Stan Lee e Jack Kirby e não era negro a princípio.

Somente quando a editora Marvel recriou seu universo de heróis em uma dimensão paralela chamada “Universo Ultimate” ou “Ultiverso”, que o personagem foi retratado como afro-americano com as feições do personagem sendo feitas tomando o rosto do próprio ator Samuel L. Jackson, fã assumido do gênero quadrinhos.

Esta versão dos personagens Marvel chegou a ganhar dois desenhos de longa-metragem chamados Os Supremos, lançado diretamente em DVD em 2006.

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Acima Nick Fury nos quadrinhos tradicionais e na pele de David Hasselholf nos anos 90 e abaixo Nick Fury reformulado no Universo Ultimate, já com o rosto de Samuel L. Jackson.

5- Entre 2006 e 2007, Os Vingadores foram dividos em lados opostos da lei durante a saga “Guerra Civil”. O governo americano ordena o registro de todos os super seres, o que os faria abdicar de sua identidades secretas.

A favor do governo ficou um grupo liderado pelo Homem de Ferro e contra a decisão governamental e defendendo as liberdades individuais fica o grupo liderado pelo Capitão América, que ao final do evento é assassinado. Claro, que tempos depois tudo isso é revertido e o Capitão América volta à vida.

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27 abril 2012

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Revisitando clássicos em Blu-ray: Lady for a Day

Revisitando clássicos: Lançamento em Blu-ray (EUA): Lady for a Day /Dama por um Dia. EUA, 1933. Preto e branco. Distribuidora Inception.

Áudio: Apenas inglês. Legendas: não tem. Originalmente da Columbia. Roteiro de Robert Riskin baseado em conto de Damon Runyn.

Direção: Frank Capra (1897-1991). Elenco: May Robson, Warren William, Guy Kibee, Glenda Farrell, Jean Parker, Ned Spark, Walter Connolly, Nat Pendleton.

Comentários: Este já foi o 24° filme do mestre da comédia social americana Frank Capra, o primeiro que lhe deu quatro indicações ao Oscar e também as primeiras para a produtora Columbia, que naquela época era uma das mais pobres de Hollywood.

Foi nesta vez que aconteceu a cena famosa e folclórica, em que Frank se levantou quando o apresentador Will Rogers disse: "Venha buscar o Oscar, Frank". Só no meio do caminho que percebeu que era o outro Frank o vencedor:  Frank Lloyd . Mas não foi grave porque no ano seguinte ele ganharia todos os prêmios principais da Academia com seu célebre Aconteceu naquela Noite. Esta edição traz uma cópia restaurada e em excelente estado (extraída da cópia em 35 mm do próprio diretor, já que o negativo original não existe.

lady for a day title still Revisitando clássicos em Blu ray: <i>Lady for a Day</i>

Mas o trabalho foi perfeito e realizado por uma distribuidora pequena porque o filme não pertence mais a Columbia (ainda que use seu logotipo antigo, por sinal muito bonito) porque Capra tinha adquirido os direitos do estúdio quando quis refazer uma refilmagem, no que viria a ser seu último trabalho, também chamado aqui Dama por um Dia (Pockeful of Miracles, 1961), que existe em DVD no Brasil. Por isso mesmo que este original é pouco conhecido embora tenha sido sucesso de bilheteria e tenha sido indicado aos Oscars de diretor, atriz (May Robson), filme e roteiro.

A refilmagem

Dama por um Dia (o remake): Continental. Elenco: Bette Davis, Glenn Ford, Hope Lange, Peter Falk, Edward Everett Horton, Ann- Margret, Peter Mann, Thomas Mitchell, Arthur O´Connell, Mickey Shaugnessy, David Brian, Sheldon Leonard, Jerome Cowan.

Sinopse: Nos anos trinta, uma mulher que vende maçãs nas ruas de Nova York consegue a ajuda de um gangster para transformá-la numa Dama por um dia. E assim enganar a família do noivo da filha (que não sabe de sua origem humilde).

Comentários: Capra não se deu bem com o co-produtor Glenn Ford (que exigiu entre outras coisas aumentar o papel de sua namorada Hope Lange e também impôs Bette Davis, sua antiga parceira em outros filmes. Mas ela parece mais avó de Ann do que sua mãe!).

Capra preferia outro elenco Helen Hayes (aceitou mas tinha compromisso com tour), Shirley Booth (não quis), Frank  Sinatra, Dean Martin e Shirley Jones (mas Ford impôs sua então namorada Hope Lange).

Capra ficou tão aborrecido com os problemas que dali em diante aposentou. O fato é que sua fita não tem o mesmo padrão de seus clássicos. Mantém basicamente a mesma história (inspirada no conto Madame La Gimp, do escritor Damon Runyon, famoso pelos tipos pitorescos de Nova York que descrevia em obras como Eles e Elas/Guys and Dolls, Doce Inocencia, A Garotinha que Caiu do Céu), excelente elenco (ele lançou a muito jovem sueca e futura estrela Ann-Margret,  que chega a até a cantar uma canção, mas errou no galã que é um canastrão que depois sumiu).

dama por um dia Revisitando clássicos em Blu ray: <i>Lady for a Day</i>

É quase uma fábula bem humorada sobre Apple Annie e sua turma. Mas não é tudo que se podia esperar. Ainda assim teve indicações ao Oscar para Figurinos (Edith Head), Canção (a imemorável musica tema Pocketful of Miracles, de Cahn e Van Heusen) e Ator Coadjuvante (a revelação de Peter Falk). Elenco de aoio reúne grandes figuras do passado ou atores característicos , entre eles a ex-estrela do cinema mudo Betty Bronson (mulher do prefeito), Jack Elam, Snub Pollard, Ellen Corby (Waltons).

Curiosamente a mesma historia teve duas versões que eu não conhecida, uma em 1971 na Turquia e outra em Hong Kong, chamada Chefão por um Dia, de 89, estrelada por Jackie Chan.

O original

É importante se falar da parceria de Capra com o roteirista Robert Riskin (1897-1955). Eles eram grandes amigos (Riskin era na época namorada de Glenda Farrell, o que explica sua presença no filme fazendo a namorada do  gangster, alias sua especialidade na Warner). Fizeram juntos até o começo dos anos 50, todos os grandes trabalhos (coincidência ou não, sem Riskin, Capra entrou em declínio).  Entre eles, Aconteceu Naquela Noite. Do Mundo nada se Leva, Adorável Vagabundo, Horizonte Perdido e O Galante Mr. Deeds.

O filho de Capra, o Jr, faz uma apresentação do filme e também comentários em áudio (mas às vezes confunde as coisas e da informações ate erradas). A primeira coisa a chamar a atenção é o fato de que a história se passa em plena Depressão econômica, quando ela estava a todo vapor (o cinema era muito barato e não foi afetado, era a diversão das massas) . Na verdade, Capra tinha um histórico importante de abordar temas difíceis e políticos, mas parece que percebeu que o jeito de lidar com o assunto era fazer o que é basicamente um conto de fadas, meio Cinderela, só que com uma mulher idosa.

Glenda Farrell Guy Kibbee Jean Parker Lady for a Day 1933 Revisitando clássicos em Blu ray: <i>Lady for a Day</i>

Frank Capra havia sido emprestado para a MGM para rodar um filme chamado Soviet e em troca teria Robert Montgomery para estrelar este filme. Só que o projeto foi cancelado e ele também não conseguiu os outros astros que pretendia: Marie Dressler como protagonista,William Powell ou James Cagney como o gângster Dave e nem W.C. Fields para fazer o juiz. Por isso teve que se contentar em escalar atores mais baratos que trabalhavam para a Columbia com poucas exceções (o senhor que faz o deficiente que não tem as pernas era um sujeito que Capra conhecia das ruas).

Mas o filme tem muitas qualidades, além da excepcional fotografia de Joseph Walker (outro que trabalharia o resto da vida com Capra, ate se aposentar). Tem um ritmo rápido (Capra que veio ainda do cinema mudo reclamava da lentidão dos filmes daquele época e procurou fazer tudo mais rápido e direto aqui). E uma historia sentimental e emocionante que o espectador não consegue resistir.

Afinal se trata de amor de mãe. A fábula de uma vendedora de maçãs na rua que guarda dinheiro para educar a filha na Europa (como se isso fosse possível!). Mas esta vai se casar com nobres italianos que vem conhecê-la. Para salvar da enrascada, conta com a ajuda de um gângster galante que é capaz de movimentar tanto o submundo quanto os policiais e mesmo os políticos de Nova York (obviamente mostrando que está tudo superligado um no outro!).

lady for a day Revisitando clássicos em Blu ray: <i>Lady for a Day</i>

E assim Apple Annie vira Dama por um Dia, sendo saudada ate pelo governador! Não se mostra logicamente o que iria acontecer com ela no dia seguinte mas sonhar a gente ainda pode sem pagar impostos.

Para mim o ponto fraco do filme é a presença da atriz central, May Robson (1858-1942), que era australiana, veio do teatro e eu elogiei tanto no Nasce uma Estrela, de Janet Gaynor. Ela fez vários testes e só foi selecionada no ultimo momento, o que demonstra que o própria Capra temia. Ela tem um tipo de mulher má, de velha bruxa, não tem a ternura, a delicadeza de uma mãe como o personagem. Além disso é velha demais para ter uma filha tão jovem (mesmo problema no remake, onde Bette Davis não está nada à vontade supermaquiada para envelhecer.

cast lady for a day500 Revisitando clássicos em Blu ray: <i>Lady for a Day</i>

É o papel mais apagado de sua carreira, parece mais uma avó e ainda assim uma vovó ruim! Isso prejudica muito a revisão do filme que por vezes consegue ser encantador e por isso virou cult. Afinal, bem que a gente gostaria de acreditar que até mesmo nos piores ladrões da rua, nos gângsters, nos policiais e nos políticos ainda existem uma coisa boa dentro deles e farão uma ato de generosidade se tiverem essa oportunidade!

Esta versão também inclui um trecho longo que não existia no DVD, segundo informa Leonard Maltin. Fica na barreira dos 55  minutos e consiste numa conversa entre Barrie Norton, o futuro genro com o pai dele, Walter Connoly, seguido por outra cena entre Warren William e Guy Kibee enquanto eles discutem quem deve ir à festa de Annie.

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26 abril 2012

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Estreia – Os Vingadores

Os Vingadores (The Avengers)  EUA, 2012. Direção e roteiro de Joss Whedon. Marvel Disney Paramount. 142 min. Com Robert Downey Jr, Gwyneth Paltrow, Scarlett Johanson, Jeremy Renner, Samuel L. Jackson, Chris Evans, Chris Hensworth, Mark Ruffalo, Tom Hiddleston, Stalan Skasgaard, Paul Bettany (voz de Jarvis), Lou Ferrigno (voz de Hulk), Jenny Agutter, Stan Lee (dando entrevista para a teve dizendo que nao acredita em invasão).

Já faz anos que a gente está se preparando para a chegada deste Avengers, promovidos de maneira muito hábil com teasers no final dos filmes individuais dos super-heróis e endereçados diretamente aos fãs de quadrinhos.

Também a escolha do diretor parecia acertada ao usar o critério de aproveitar um diretor que fosse fã do gênero (como fizeram com Sam Raimi em Homem-Aranha) e que mesmo fazendo algumas mudanças, respeitasse as regras fundamentais do original. No caso, Joss Whedon vindo da TV (mais adiante a biografia dele e algumas restrições).

avengers Estreia   <i>Os Vingadores</i>

Ainda assim este primeiro grande blockbuster do ano (não esqueçam que o fracassado John Carter levou a derrubada do Presidente da Disney!) deve agradar e fazer sucesso. Para mim, por uma razão basica: é bem divertido!

É verdade que o filme custa um pouco a engatar por uma razão evidente: são muitos personagens e depois de uma primeira sequência de ação há muito o que explicar e contar (o que às vezes é feito em flashbacks recurso pouco usado neste tipo de filme). Mas as informações são fundamentais. Nick Fury (Jackson), que não possui superpoderes, tem surpreendentemente pouco a fazer a não ser gritar ordens e brigar com o Conselho Supremo, já que a ação fica por conta dos outros super-herois que andou convocando e recolhendo.

O que tem mais presença, a princípio, é mais conhecido do público em geral O Homem de Ferro (que afinal já teve duas aventuras próprias). Robert Downey está com a língua afiada soltando farpas e sendo até amoroso com Pepper ou implicando com outro que retorna, o Capitão América (Chris Evans, já mais a vontade com o personagem). Logo a princípio, um desconhecido ainda para o espectador, o Gavião ( Hawkeye) já é coopetado pelo inimigo (não gosto do ator que o interpreta, Jeremy Renner, que é o unico que não me convence) assim como o Professor Erik Selvig (Stellan).

Toda a ação é motivada por um ataque de alienígenas que vêm recuperar uma fonte de energia que estava sendo estudada e explorada pelos humanos, e advinha quem está no commando da invasão? Justamente o irmão adotivo de Thor (que naturalmente se junta ao grupo e em determinado momento, veja que alívio, irá recuperar o seu Martelo!). É o tal de Loki é interpretado sinistramente pelo britânico Tom Hiddleston. Desta vez sem o menor escrúpulo de assumir sua vilania encenando um espetacular assalto e destruição a Nova York. Scarlett Johanson faz a única mulher do grupo, a Viúva Negra, de origem russa (não fizeram o filme dela ainda).

avengers1 Estreia   <i>Os Vingadores</i>

Mas sabem quem rouba o filme? É justamente o Hulk, que já vinha de duas tentativas fracassadas de ser aceito no cinema e que parece encontrar seu passo certo com a cara de Mark Ruffalo (que sempre é uma boa figura) e sempre desenhado por efeitos digitais. Acho que Whedon sacou o importante: Hulk vem com senso de humor e provoca duas ou tres situações que fazem os fãs vibrar!

Faço restrições apenas a direção de Whedon, já que ele insiste em closes e planos próximos (defeito que adquiriu da televisão de onde veio, que incomodam principalmente na tela grande das salas). Há muita câmera na mão e principalmente uma ausência de estilo, de enquandramentos mais elegantes, de um desenho de produção marcante (melhora a situação na criação dos ETs e principalmente suas naves, já que nesse caso a execução ficou em cima dos computadores).

Mas a restrição acaba não sendo tão importante, porque o filme sabe brincar com os possíveis defeitos (numa hora em que Chris Hensworth que faz o Thor, começa a falar com seu vozeirão empolado, Downey Jr. vem tirando sarro: Para com essa história de fazer Shakespeare (se referindo a  Shakespeare no Parque, que é a temporada de peças do autor que são encenadas anualmente no Central Park, em Nova York).

No mais, tudo certo, bastante ação, que não deixa a gente perceber o longa-metragem, humor, personagens simpáticos, a tradicional denuncia da frieza dos governantes. Ah, e não precisa ficar esperando teasers ao final, pois desta vez estão ausentes.

Joss Whedon (1964)

we Estreia   <i>Os Vingadores</i>

Produtor, diretor e roteirista americano, nascido em 23 de junho de 1964, em Nova York como Joseph Hill Whedon. Descende de uma família em que o pai Tom Whedon (Dick Van Dyke, Benson), seu avô John Whedon (Donna Reed Show, Leave it to Beaver) e os irmãos mais novos Jed Whedon e Zack Whedon são todos bem sucedidos roteiristas de televisão.

A mãe Lee Steams era professora de história e também romancista. Cresceu em Nova York e foi educado no Riverdale Country School, onde a mãe era professora. Também frequentou por dois anos o Winchester College na Inglaterra antes de ter o diploma de graduado em cinema pela Universidade de Wesleyan.

Mudou-se para Los Angeles, quando conseguiu o emprego para escrever para a série Roseanne e logo depois uma temporada inteira de Parenthood. Escreveu um roteiro que se tornaria o filme Buffy, a Caça Vampiros. Não gostou do resultado (o script foi reescrito e transformado em comédia), mas continuou fazendo textos para cinema (Alien a Ressurreição, Toy Story I pelo qual foi indicado ao Oscar).

Também trabalhou revisando roteiros (mas sem crédito, como fez com Velocidade Máxima (94). Em 97, teve a chance de transformar Buffy em série de TV, que fez grande sucesso entre os jovens e rendeu um spin-off Angel, igualmente êxito. Outra série, Firefly, virou cult e deu origem a um longa-metragem assim como outra série Dollhouse,que teve o mesmo status. Foi justamente essa reputação de agradar os que gostam de fantasia-ficção científica que fez a Marvel pensar nele para Os Vingadores. É casado com Kai Cole e tem dois filhos. Fã de Matrix e Mad Max 2, ele também mexeu no roteiro de Twister e X Men I ( sem crédito).

buffy1 Estreia   <i>Os Vingadores</i>

Filmografia

2002 - Firefly (Série de teve.Nathan Fillion, Morena Baccarin).
1996-  2003 –Buffy: A Caça-Vampiros (Buffy, The Vampire Slayer. Sarah Michelle Gellar, Allyson Hannigan).
1990-  2004- Angel: o Caça Vampiros (Angel.David  Boreanaz , Amy Acker).
2005 -  Serenity-a Luta pelo Amanhã (Serenity. Nathan Fillion, Morena Baccarin).
2007 - The Office (Idem. 2 episódios). 2008- Dr. Horrible´s Sing-Along Blog (TV).
2004 – Dollhouse (Série de TV).
2010- Glee (1 episódio, Dream On). Astonishing X Men:Gifted.
2011 - Thor (Idem. Dirigiu as cenas no final do crédito, sem crédito).
2012 - Os Vingadores (Avengers. Robert Downey Jr, Chris Evans).
2012 -  Much Ado About Nothing (Nathan Fillion, Amy Acker).

Como roteirista

Escreveu episódios para Roseanne (89), Parenthood (90- 91), o filme que deu origem a série Buffy, a Caça Vampiros, de Franz Rubel Kuzui (92), o filme Toy Story I ( 95), Alien - A Ressurreição (97), Titan (Titan A.E. ,2000), Atlantis - O Reino Perdido (desenho, 2001), episódios da série Buffy, 96-2003, Buffy animação (criação), a série Firefly, 02-03, a série Angel ( 99-04), o longa Serenity (05), Dr. Horrible´s Sing Along, 08, Commentary! The Musical!, CM. 08, This American Life Live!, 09, episódios de Dollhouse (09-10), Astonishing X Men: Gifted, 10, Buffy - the Vampire Salyer: Sedason 8 Motion Comic, 11; Comic-Com Episode IV:A Fan´s Hope (Doc). The Cabin in the Woods (12, de Drew Goddard). Os Vingadores/Avengers,12, Much Ado About Nothing, adaptando Shakespeare, 12, In Your Eyes, de Brin Hill, 12.

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26 abril 2012

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Estreia – Sete Dias com Marilyn

Sete Dias com Marilyn (My Week with Marilyn) Inglaterra, 2011. Direção de Simon Curtis. Com Kenneth Branagh (como Laurence Olivier), Michelle Williams (como Marilyn), Eddie Redmayne (como Colin Clark, que escreveu o livro original), Dougray Scott (como Arthur Miller), Dominic Cooper (como o fotografo e sócio de Marilyn Milton Greene), Julia Ormond (Vivien Leigh), Toby Jones, Michael Kitchen , Karl Moffat (como o fotografo Jack  Cardiff), Zoe Wanamaker (como a coach Paula Strasberg), Judy Dench (como Sybil  Thorndike), Emma Watson, Derek Jacobi.

mar3 Estreia   <i>Sete Dias com Marilyn</i>

Chega com bastante atraso e depois de já ter sido saboreado por muita gente em versão de download, este último filme importante do Oscar. Para entender a história seria bom que lessem outro artigo meu (nos jornais, eu o estou mandando junto, no blog acho melhor fazer uma ligação para o encontrarem no arquivo). Mas basicamente esta é uma adaptação de dois livros de um inglês que trabalhou como assistente no filme O Príncipe Encantado/The Prince and the Show Girl, de 1957, que era uma produção da própria Marilyn (com o então sócio Milton Greene, que havia sido o sujeito que lhe tirou as fotos peladas, depois desta experiência se separaram) e co-estrelada e dirigida pelo maior ator do mundo na época, o depois Lord Laurence Olivier. Foi um momento complicado de inseguranças, brigas, luta pelo poder que não chegaram a atrapalhar o resultado (o filme hoje raro de se encontrar aqui é bem divertido e algumas cenas chegam a ser reencenadas aqui).

Mas insiste o autor que ele teve, se não um grande romance, uma amizade colorida com Marilyn, simplesmente porque ela a tratava com carinho, paciência e delicadeza. Quem faz o papel é o ruivo e pouco fotogênico, mas bom ator, Eddie Redmayne que tem feito uma bela carreira (ganhou o Tony por Vermelho/Red), esteve em A Outra, Os pilares da Terra, Morte Negra, A Era de Ouro: Elizabeth, O Bom Pastor e o novo Les Misérables.

mar1 Estreia   <i>Sete Dias com Marilyn</i>

A grande questão é saber se Michelle Williams conseguiu ou não viver Marilyn de forma convincente. Acho bom explicar antes o truque que o produtor Harvey Weinstein usou. Sabendo muito bem que Michelle era uma boa atriz, mas não tem muito a ver com a original Marilyn, ele procurou fazer com que o público a aceitasse desde o começo. Assim pegou duas canções famosas de filmes de Marilyn, inclusive uma de Quanto Mais Quente Melhor, e as reencenou de outra forma, mudando totalmente a coreografia (como ela morreu em 1962 a maior parte das pessoas lembra de Marilyn de foto e não a viu em movimento, não tem elementos para julgar). Mas vendo Michelle em cena acredita e consome sua interpretação. Que é surpreendente porque Michelle é pequenina, miúda, não tem corpo (nada que não possa ser substituída por uma dublê de corpo na cena de nudez, ou em outros casos por enchimentos no busto e principalmente no traseiro). A diferença de altura não é tão significativa, Michelle tem 1m.63 e Marilyn 1.66.

mar Estreia   <i>Sete Dias com Marilyn</i>

Enfim, ela não faz uma imitação, ao contrário, foge de algumas características (como deixar sempre a boca aberta porque achava que isso alongava seu rosto) e de trejeitos, por demais imitados por travestis e drag queens. Não carrega nas tintas, mas ajudada por excelente maquiagem consegue passar o mais importante e que é o tema do filme, sua fragilidade, insegurança, mostra como Marilyn era uma criatura perdida e vulnerável. Que não conseguia perceber como era autodestrutiva e se tornava chata, quase insuportável. Acho uma coisa milagrosa e me fez respeitar Michelle como atriz.

O filme em si dá uma visão muito curiosa dos bastidores de uma filmagem, que ocorreram nos estúdios de Pinewood (como eu já gravei lá, e conhecia bem seus recantos, deu para confirmar como o filme soube utilizar seu pequeno jardim, suas dependências). É um trabalho bem competente deste Simon Curtis, um veterano produtor e diretor de séries de TV na Inglaterra, entre elas a famosa Cranford. Mas seu primeiro trabalho diretamente para o cinema.

mar2 Estreia   <i>Sete Dias com Marilyn</i>

Ele soube escolher o elenco de nomes de peso (tem até Emily/Hermione, de Harry Potter) e se tornar o melhor filme de ficção já realizado sobre Marilyn.

Para entender melhor Sete Dias com Marilyn

Em meados dos anos 50, Marilyn Monroe queria a provar a todo custo que era uma boa atriz, cursando o Actor´s Studio sob influencia de sua coach Paula Strasberg (1911-66), , que era a mulher de Lee Strasberg (1901-82) e mãe da atriz Susan Strasberg (1938-99) , todos ligados e dirigentes do Studio. Também isso deve ter influenciado na escolha de seu novo marido que era o célebre dramaturgo Arthur Miller (1915-2005), judeu, autor de clássicos do teatro como A Morte do Caixeiro Viajante, Panorama Visto da Ponte e de dois textos que faria sobre Marilyn, Os Desajustados (que seria o ultimo filme dela) e After the Fall (peça autobiográfica nunca filmada). Quem o interpreta no filme é o escôcês  Dougray Scott de Missão Impossível 2.

No seu testamento final, Marilyn deixou para Strasberg controlo de 75% de tudo que tinha, inclusive controle de sua imagem (como gratidão pela gentileza com que foi tratada. Hoje a viúva dele, Anna Strasberg, que sucedeu Paula Strasberg, ficou rica com milhões de dólares que ganha licenciando a imagem da estrela).

Para demonstrar seu talento, Marilyn fundou com seu amigo de confiança Milton H. Greene 1922-85 (vivido no filme por Dominic Cooper, o rapaz de Mama Mia) uma produtora especialmente para fazer este filme que se chamou no Brasil O Príncipe Encantado (The Prince and the Show Girl, 57 ) para a Warner (um dos raros filmes que não é da Fox, o estúdio de Marilyn). Importante: Greene é justamente o fotógrafo que mais fotos tirou dela, que a conhecida desde o começo da carreira e a produtora deles durou somente este filme. A viúva de Greene depois se casaria com o famoso fotografo Richard Avedon.

Para Marilyn, era uma grande ousadia co-produzir um filme junto com o mais famoso ator de teatro britânico de sua época Lord Laurence Olivier (1907-89), que era também famoso diretor de cinema por suas adaptações de Shakespeare (Hamlet, Henrique IV, Ricardo III). Aqui eles aproveitaram uma comédia que Olivier tinha feito no palco inglês com sua então mulher Vivien Leigh (1913-67, a lendária Scarlett O´Hara de E o Vento Levou. Naquele momento o casamento já era só de aparência e ela mantinha romances paralelos e tinha graves problemas de saúde. O divórcio, porém, só viria em 1961, quando ele se uniu abertamente a outra atriz, Joan Plowright. De qualquer forma, Vivien era ainda sedutora e mais bonita do que aparece no filme Sete Dias com Marilyn onde é vivida pela sem graça Julia Ormond, aquela que tentaram lançar como Sabrina, de Sidney Pollack.

O texto da peça e adaptação para o cinema foram de Terence Rattingan ( 1911-77), autor da moda na época de quem Vivien tinha feito Profundo Mar Azul (55) e que  também escreveu Vidas Separadas, Gente Muito Importante, Nunca te Amei, Cadete Winslow. Judi Dench que faz o papel da grande atriz teatro Dame Sybil Thorndike (1882-1976), que é apresentada com simpatia no filme mas que fez poucos filmes como Coração Indômito, Nicholas Nickleby do brasileiro Cavalcanti, Pavor nos Bastidores de Hitchcock, De Mãos dadas com o Diabo, A Grande Cartada.

Mas o mais impressionante do elenco é o trabalho de Kenneth Branagh, que foi indicado a todos os prêmios este ano por sua interpretação de Laurence Olivier, em que reflete não apenas em gestos e maneirismos, mas também em defeitos. Na verdade, Kenneth está homenageando seu ídolo, já que sempre foi saudado como herdeiro de Olivier na sua tentativa de recriar Shakespeare no cinema (fez como ele Hamlet e Henrique IV). O problema é que hoje pouca gente se lembra de Olivier e não souberam avaliar com foi bom seu trabalho que nunca cai na caricatura.

Em Sete Dias com Marilyn foi feito uma fiel revival dos bastidores da filmagem, inclusive rodando também nos estúdios da Pinewood. Como eu já gravei no lugar consegui reconhecer os ambientes e lugares, inclusive exteriores.

Fui procurar o que escrevi nos guias sobre O Príncipe Encantado

ma Estreia   <i>Sete Dias com Marilyn</i>

Sinopse: Elsie é uma corista que, em 1911, durante as festas do coração na Grã-Bretanha, se envolve com um príncipe de país fictício. O flerte acaba se transformando em algo mais sério.

Comentários: Marilyn é uma boa comediante que funciona no papel da corista. Ela perdeu alguns de seus piores maneirismos, por exemplo falar sempre sussurrando... Ou deixar sempre a boca aberta, porque lhe disseram que assim fotografava melhor. Isso lhe abriu o caminho para depois estrelar sua obra prima Quanto Mais Quente Melhor. Bem produzido, sempre teatral e agradável, não chega a ser um clássico mas é uma boa diversão.

ma3 Estreia   <i>Sete Dias com Marilyn</i>

No filme, a atriz Michelle Williams teve que recorrer a recursos de maquiagem usando enchimentos pelo corpo todo (tanto no busto, quanto no traseiro e inclusive usou uma dublê de corpo para uma cena de nudez). O filme original foi fotografado pelo grande Jack Cardiff ( Karl Moffat o interpreta aqui) e Michelle reproduz apenas uma única sequência, assim mesmo estilizada, que a mais bonitinha, quando ela está sozinha na sala e ensaia alguns passos.

Também na edição final do filme, o produtor Weinstein achou que era preciso e fechar com imagens de Marilyn cantando. A grande sacada foi recriar duas sequências com Michelle cantando (aparentemente com sua própria voz) musicas de O Mundo da Fantasia e outro filme, mas sem reproduzir exatamente a cena, fizeram algo totalmente diferente, até mesmo na voz. Que nunca é sequer imitada. Como se fosse uma nova Marilyn. Como ninguém tem memória, isso acaba ajudando a tornar o trabalho de Michelle convincente.

ma1 Estreia   <i>Sete Dias com Marilyn</i>

São reais os problemas de Marilyn durante a filmagem, que flutuava de peso (tinha retenção de água) e realmente teve um aborto natural durante esse período. Laurence Olivier já estava contratado quando Marilyn entrou no projeto e por isso que não abandonou o filme. Foi o único filme que Marilyn fez fora da América (na Inglaterra, claro) e era para ser um musical (mas Arthur Miller insistiu para que cortassem as canções). De qualquer forma, traumatizado Olivier levaria anos para retornar a direção e  assim mesmo em projeto pequeno (Three Sisters, 70).

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26 abril 2012

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Estreia – Contrabando

Contrabando (Contraband) EUA, 12. 109 min. Direção de Baltasar Kormakur. om Mark Wahlberg, Giovanni Ribisi, Kate Beckinsale, Ben Foster, Lukas Haas,Connor Hill, Bryce McDaniel, Caleb Andry Jones.

Faz tempo em que não tenho tanta vontade de sair de um cinema no meio de um filme quanto neste aqui (é contra meus princípios fazer isso, faço de tudo para ficar até o fim, mas juro que neste caso foi difícil). Tudo é tão vulgar, tão previsível, tão bobo, que foi um sofrimento. Não consigo entender como Mark Wahlberg entrou nessa (ele continua a ser o sempre ator discutível de sempre, faz tudo igual e sempre sem envolvimento, mas tem demonstrado maior percepção como produtor, ao menos até agora).

Contraband Estreia   <i>Contrabando</i>

Não havia porque Marl se envolver num projeto tão fraco como este (o filme na ausência de coisa melhor ficou em primeiro lugar nas bilheterias chegando aos razoáveis US$ 66 milhões para um orçamento de US$ 25 milhões comprovando que ele é bom negociante).

Esse diretor Baltasar Kormakur é islandês e já veterano produtor e diretor (vimos dele aqui em DVD A Fraude/ a Little Trip to Heaven, um filme esquisito com Forest Withaker, Julia Stiles). Ele está aqui refazendo um trabalho de 2008, inédito entres nós chamado Reykjavik-Rotterdam, de Oskar Jonasson, em que justamente Baltasar tinha feito o papel principal e também sido co-produtor.

contrabando Estreia   <i>Contrabando</i>

Engraçado que fazia tempo que não via um filme sobre esse tema contrabando (não esqueça que sou de Santos, o maior porto do Brasil), mas não precisa ser tão mal contado. A ação aqui começa em New Orleans, onde teoricamente Wahlberg é um contrabandista reformado, que agora tem um emprego legítimo (instala aparelhos de segurança), além de estar casado e com filhos (a inglesa e já quarentona Kate Beckinsale está miraculosamente mais bonita do que quando jovem, mas seu papel é um nada total).

O problema do herói é seu irmão mais novo que se envolve num caso de tráfico mal sucedido e fica devendo uma fortuna para um jovem chefão, Tim  Brigss (Giovanni Ribisi, tem a pior interpretação do ano, num dos tipos mais forçados e exagerados da história do cinema. Ele próprio se supera em canastrice. Sua presença é constrangedora e isso fica ainda mais claro porque compete com Ben Forster, outro ator composto que faz o sócio e amigão do herói. Ben, porém, tem talento e consegue segurar a barra).

contrabando1 Estreia   <i>Contrabando</i>

Como se isso não bastasse, tudo o mais é inverossímil. Para pagar a dívida do irmão, Mark inventa uma história de ir buscar dinheiro falso no canal do Panamá! E quando não dá certo, ele insiste indo procurar um outro bandido tresloucado (o mexicano Diego Luna). Aí tem uma correria para pegar o navio (aliá, tudo que envolve o plano é absurdo, mas nada igual ao que eles fazem para conseguirem chegar a tempo ao navio que está para zarpar e como antes o fizeram colidir!). E pretendem também criar uma ironia com uma obra de arte que foi roubada e que os mal informados agentes de polícia não são capazes de identificar!

Deve existir algum filme sobre contrabando com trama decente que mereça ser feito. Mas não é este aqui, um dos piores que já vi.

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26 abril 2012

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Estreia – As idades do Amor

As idades do Amor (Manuale D ´Amore). Itália, 2011. Direção de Giovanni Veronesi. Com Monica Belluci, Michele Placido, Robert De Niro, Carlo Verdone, Ricardo Scarmacio, Laura Chiatti, Valeria Solarino, Donatella Finochiario e Marina Rocco. 125 min. Comédia.

idades 2 Estreia   <i>As idades do Amor</i>

Antigamente a gente assistia todas as boas comédias italianas. Mas os tempos mudaram e são praticamente desconhecidos aqui, o astro e também diretor e produtor Carlo Verdone (que aqui faz o papel do apresentador de TV) e o diretor e roteirista Giovanni Veronesi que tem uma longa e bem sucedida carreira em comédias.

Também que este é o terceiro filme de uma série chamada Manuel do Amor e só esta sendo exibida no Brasil porque chamaram o americano Robert De Niro para reforçar o elenco (não é novidade De Niro falar italiano porque já o fez antes em Novecento de Bertolucci e na sua participação em O Poderoso Chefão - Parte 2).

idades 1 Estreia   <i>As idades do Amor</i>

O que também é nostálgico porque no fim dos anos 50 em diante sucedeu o Hollywood no Tibre quando praticamente todas as grandes de Hollywood foram para lá prolongar sua carreira na Europa!

A boa notícia é que o filme é bem divertido e deu vontade de conhecer os longas anteriores. Manuale D´Amore (05), tinha o mesmo diretor e Verdone, junto de outros famosos por lá (Sergio Rubini, Marguerita Buy, Silvio Mucino e quatro histórias que passam por se apaixonar, casamento, crises e traição).

 Estreia   <i>As idades do Amor</i>

O Manuele 2 (capítulo sucessivo), 07, tinha novamente Rubini e os três daqui (Belluci, Verdone, Scarmacio), só que se passava na Espanha (Barcelona) e segundo o IMDb os temas eram gay, fertilidade, relação pai e filha.

Naturalmente fizeram sucesso porque se não, não existiria este terceiro. Que me agradou bastante porque não é vazio e bobo como os similares americanos. Por exemplo, na primeira história, um jovem advogado apaixonado por sua noiva tem a chance de sua vida enganando camponeses e comprando suas terras por um preço mais baixo do que seu valor. Só que ao ir para a terra deles, fica amigo dos locais e se apaixona por uma bela loira. Ou seja, tem romance e sexo, mas também crítica social. E tudo bem divertido, rápido, alegre. E sempre conduzido por um cupido jovem (mas não criança) que envia suas flechadas.

idades 4 Estreia   <i>As idades do Amor</i>

O melhor episódio é o segundo com Verdone, que faz um apresentador de telejornal da TV,  que é casado e com filha adulta, mas que acidentalmente começa um caso com uma psicóloga bipolar que é mais louca do que a Glenn Close em Atração Fatal, além de gravar em DVD os dois transando, vai criando confusões que fazem perder o emprego (e no terceiro capítulo ele reaparece numa sequência de puro humor negro).

idades 5 Estreia   <i>As idades do Amor</i>

Justamente o final é o mais curto. De Niro é americano em Roma, que fez transplante de coração e conhece a bela filha (Monica) do porteiro/zelador do prédio (o astro Michele Plácido). Descobre sobre seu passado e basicamente é um romance com pouco de comédia. De Niro alterna inglês e italiano. Não é nada especial, mas não incomoda. O bom mesmo é saber que a comédia a la italiana resiste e ainda está viva.

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