Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 9,7 milhões de brasileiros possuem deficiência auditiva, o que representa 5,1% da população do país. E, sem dúvidas, mesmo na era digital, as barreiras de comunicação ainda representam um um extremo obstáculo para a plena inclusão e participação das  pessoas surdas ou com perda auditiva relevante nos mais diversos setores da sociedade.

A lei 10.436/2002 reconhece como meio legal de comunicação e expressão a Língua Brasileira de Sinais - Libras - e outros recursos de expressão a ela associados. Em 2009, com a entrada em vigor da Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, ficou consagrado o princípio da acessibilidade comunicacional como um dos pilares para a promoção da dignidade das pessoas surdas ou com perda auditiva.

Em ambiente empresarial, um jovem que está de pé se comunica em libras com outras pessoas que estão sentadas.

Com o advento da Lei Brasileira de Inclusão da PcD (Lei 13.146/2015), aquilo que já era obrigatório ganhou ainda mais foça, pois o novo texto legal assevera a necessidade eliminação das barreiras de comunicação, através da presença de intérprete de libras nos mais diversos serviços públicos e privados, sobretudo no âmbito educacional e nas relações de trabalho, de modo que a negativa ou falta de acessibilidade comunicacional pode refletir na eventual responsabilidade civil da instituição ou do agente que deu causa por ação ou omissão.

Contudo, embora o texto legal seja um forte parâmetro para judicialização do direito a acessibilidade, na prática as pessoas surdas ou com perda auditiva ainda enfrentam muitas barreiras de natureza comunicativa.

E pensando em soluções inovadoras para esse público o jovem Felipe Barros, que é surdo e estudante de Sistemas de Informação, teve a ideia de criar uma  plataforma web de videoconferências para acessibilidade comunicativa entre surdos e ouvintes. Uma ideia inovadora que certamente vai fazer a diferença na vida muitas pessoas.

Trata-se da Signumweb, que promete disponibilizar intérpretes de libras na tela do computador ou de um smartphone em qualquer serviço da sociedade.

Um intérprete se comunica em libras através de um notebook. Na tela do PC Thiago Helton conversa com um surdo.

É como se fosse um "Uber dos Intérpretes". As empresas interessadas e cientes do seu dever legal de promover a acessibilidade em todas as suas formas podem assinar um plano com a Signumweb. Sempre que um cliente surdo necessitar de atendimento basta acionar a plataforma que um intérprete de líbras estará disponível online para fazer  tradução.

Eu estive presente no evento de lançamento da Signumweb e identifiquei alguns diferenciais desta plataforma:

- Serviço de intérpretes disponível 24h por dia sem limites territoriais;
- A pessoa surda não gasta nem um centavo para ter acesso à plataforma;
- Os intérpretes de libras podem ter uma renda complementar na comodidade da sua casa;
- Excelente relação custo x benefício para o mundo corporativo;
- As empresas que adotarem a plataforma sairão na frente da concorrência no atributo acessibilidade ganhando mercado com o respeito dos clientes e consumidores surdos ou com perda auditiva (fora os amigos e familiares);

Uma ideia fantástica que eu já torço muito para que dê certo. Certamente, ferramentas como essa podem ser fundamentais para derrubar as barreiras de comunicação não só nas relações privadas, mas também no serviço público de um modo geral.

Os intérpretes que desejarem se cadastrar plataforma, empresas e pessoas interessadas podem entrar em contato com através do e-mail: contato@signumweb.com.br. Na última matéria do Faça Parte falamos sobre empreendedorismo e a startup Signumweb foi uma das iniciativas promissoras que mostramos (clique aqui para assistir).