arquivo confidencial

 

apresentador no palco, ao lado do artista. o galã do momento:

- o lôco, meu! tá aqui do meu lado o super léo, um dos maiores caráteres da tv brasileira. tanto no pessoal quanto no profissional, esse cara é um monstro sagrado! e se prepare porque você está no arquiiiivooo confidencial! 

- o quê? 

- ô lôco meu, arquivo confidencial! 

- não, não, não. é sério, não vou participar dessa merda. 

- que é isso, meu? 

- não, é serio. eu achava que essa porcaria era combinada. essa porra nunca foi combinada? pra mim, isso aqui era tudo teatro. 

que isso, meu? o lôco! aqui nada é combinado! é mais emoção na sua televisão. 

- não, não, não. tô fora. Não tem nada meu pra mostrar, ninguém me falou nada, não vou participar! me chamaram aqui pra fazer outra coisa. 

- que coisa? 

- sei lá, o que vocês falar pros caras que vão participar desse troço pra eles não desconfiarem? qualquer coisa, nem lembro. eu só sei que eu não vou participar. 

- o lôco, meu! mas o super pessoal gravou depoimento! um monte de gente falou! 

- que gente? Que gente? quem falou? nem tem ninguém pra falar, não tenho amigo, não tenho ninguém. 

- sua super mãe falou! 

- minha mãe falou? 

- falou! não, falou, produção? falou! 

- mas minha mãe é muda! 

- mas falou. Olha aí a super mãe do super léo! 

Entra um vídeo com uma muda fazendo gestos e ruídos para a câmera. termina com um coração feito com a união das duas mãos. 

- o lôco, o auditório aplaude de pé o depoimento da super dona norma, a mãe desse pentelho, o super léo. um exemplo de superação essa sua mãe, hein, bicho?

- mas que merda é essa? vocês botaram minha mãe pra fazer gesto pra câmera? isso é o fim do mundo! e ela não me contou! 

- não contou porque ela não fala, o lôco, meu! 

- nessa hora até agradeço a deus por não ter pai. que merda isso!

- você não tem pai? 

- não, morreu. 

- não tem pai, mas tem padrasto! roda aí! 

entra o vídeo do padrasto: 

- eu conheci o Léo pequenininho. comecei a comer a mãe dele muito cedo, ela até falava na época. o moleque era meio esquisito, não falava com ninguém, ficava pelos cantos. sei lá, dizem que é estranho que nem o pai. depois ele veio com essa história de fazer artes cênicas, de ser ator. eu até falei pra mãe dele: sei não, acho que esse moleque é viado... Enfim, ele insistiu e acabou dando certo, né léo? quer dizer, dando não, né campeão? virou ganharão, pega geral as gostosas na novela, né não? léo, a gente torce muito por você. sua mãe não fala nada, mas queremos que você saiba o quanto a gente te ama, garoto.

- o lôco, meu. super Léo emocionado aqui no palco! 

- emocionado o cacete, eu to puto! que merda é essa? eu vou embora dessa bosta! léo vai saindo do palco. 

- ficou bravo, o super léo. Bem que a vó dessa fera avisou, hein?

léo volta, em pânico: 

- vó? que vó? 

- a sua super vó, dona noêmia, também gravou! 

- não! minha vó, não! minha vó é esclerosada, porra! 

entra o video.

- o léo é uma bichinha complicada. desde criança é assim. tudo tem que ser do jeito dele. senão dá showzinho, bate o pezinho, fica todo todo nervosinho. gosta de dar que é uma coisa. mas dá, viu? mas dá. vinha passar férias aqui em casa e dava pros meninos todos da vizinhança. mas o preferido dele era o janjão. lembra do janjão, leozinho? (entra uma foto antiga do léo abraçado com o janjão). hoje o janjão é o empresário do léo. como durou esse amor. leozinho, apesar de tudo, a vovó te ama e torce muito por você. um beijo. 

volta para o estúdio. léo, produção e platéia estarrecidos, em silencio. apresentador: 

- ô lôco, quem sabe faz ao vivo!