Alvo preferencial da base aliada na CPI do Cachoeira, o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), procura dar o troco na mesma moeda e vale-se agora de uma comissão instalada na Assembleia Legislativa para fustigar o PT e o PMDB no Estado.
O Tribunal de Justiça de Goiás vai decidir, na quarta-feira (9), se autoriza a CPI da Assembleia a investigar os contratos da empreiteira Delta com prefeituras de cidades goianas administradas por petistas e peemedebistas. A corte vai julgar recurso protocolado pela Procuradoria da Assembleia para poder ter acesso às contas das administrações que contrataram a construtora.
A comissão estadual foi instalada em maio, na esteira da Operação Monte Carlo, que levou à prisão o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. O objetivo era apurar ligações de agentes públicos com o contraventor e possíveis irregularidades em contratos firmados pelas prefeituras goianas com a Delta entre 1995 e 2012.
Perillo omitiu compra de segundo imóvel em depoimento à CPI
Suspensa pela Justiça desde agosto, a CPI estadual pretende agora convocar o empresário Fernando Cavendish, que era presidente da Delta quando a Monte Carlo foi deflagrada, e o próprio Cachoeira. Se obtiver a autorização judicial, a CPI vai ter acesso às contas bancárias de cinco prefeituras: Goiânia (PT), Anápolis (PT) e Aparecida de Goiânia (PMDB), cujos prefeitos foram reeleitos em 2012; e Catalão e Águas Lindas, cujas administrações passaram das mãos do PMDB e PT para o PSDB e PTB, respectivamente.
Perillo dobrou patrimônio ao assumir governo
Para o deputado estadual Talles Barreto (PTB), relator da CPI, há indícios de mau uso do dinheiro público por parte dessas prefeituras nos contratos com a Delta. Segundo ele, entre as primeiras medidas a serem tomadas após a Justiça autorizar a volta da CPI será a convocação de técnicos do TCE (Tribunal de Contas do Estado) para fazer um levantamento da situação de cada cidade.
— A partir daí, vamos fazer uma reavaliação.
Os parlamentares petistas reclamam que é impossível barrar a volta da CPI, em função do tamanho da bancada aliada a Perillo na Assembleia, como afirmou o deputado estadual Luiz César Bueno (PT). São 26 deputados ligados ao governador, ante 15 da oposição.
— O governo aprova o que quer, pela força da sua bancada, e vai querer retomar a CPI.
Por trás dos confrontos entre PSDB e PT está a disputa para o governo em 2014. Perillo, que tem amargado baixos índices de aprovação, ainda não sinalizou se pretende disputar a reeleição. Já a aliança PT-PMDB tem, até agora, pelo menos oito nomes na lista de potenciais candidatos. Entre os mais cotados, estão o ex-governador Iris Rezende (PMDB); Paulo Garcia; e o deputado federal Rubens Otoni (PT).

