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Brasil

8/2/2013 às 11h21 (Atualizado em 8/2/2013 às 11h31)

Após operação Porto Seguro, Luís Adams tenta retomar espaço de conselheiro de Dilma

Chefe da AGU ficou na "geladeira" com a queda de seu auxiliar após a operação da PF

Agência Estado

Atualmente Adams já considera que sua carreira está "na crescente" José Cruz/ABr

Três meses depois de deflagrada a operação Porto Seguro e de um período na "geladeira", o chefe da Advocacia-Geral da União, Luís Inácio Adams, sai da reclusão e já se rearticula politicamente para tentar reocupar o espaço perdido como integrante do chamado núcleo duro do governo.

Antes do escândalo que ligou José Weber, número dois da AGU e seu principal auxiliar, à máfia de venda de pareceres públicos a órgãos privados, Adams era um dos principais interlocutores da presidente Dilma Rousseff e nome certo para uma futura indicação para o Supremo Tribunal Federal.

A crise, que resvalou em seu gabinete e provocou a demissão de Weber, abalou seu prestígio e quase o derrubou. Agora, Adams já considera que sua carreira está "na crescente".

— Ninguém valoriza o timoneiro que só navega por águas calmas. Não recomendo a ninguém passar o que eu passei, mas acabou sendo uma experiência significativa.

Se não se saísse bem, já teria sido destituído do cargo, acredita ele.

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Na terça-feira (5), ele almoçou com a presidente. Na quarta-feira (6), visitou-a no Palácio do Planalto. Também foi chamado para tratar pessoalmente da denúncia do PSDB que acusa Dilma de campanha antecipada por causa de seu recente pronunciamento na TV.

A pessoas próximas, Adams conta que se explicou a Dilma uma única vez sobre a suspeita envolvendo seu auxiliar mais próximo. Nessas conversas, afirmou que ouviu da presidente o seguinte: "Você, a AGU e o (ministro José Eduardo) Cardozo estarão no foco do escândalo por três dias, depois o foco vai para os Vieira (os irmãos Paulo, Rubens e Marcelo)".

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Adams, porém, ainda é visto no Planalto como "o cachorro que quebrou o vaso". Ao contrário das previsões, o advogado-geral da União também não conseguiu escapar tão rapidamente da linha de tiro e a instituição passa por um pente-fino: pareceres do órgão foram revisados e o resultado de uma sindicância interna deve ser anunciado nos próximos dias.

Para Adams, o fato de ter escalado como seu braço direito um assessor acusado de vender pareceres técnicos em troca de favores e presentes na sala bem ao lado da sua não é argumento para justificar o desgaste de sua credibilidade com a presidente.

Projeção

O advogado-geral da União aponta outra explicação para esse desgaste: comprou muitas brigas e despertou inveja proporcional ao seu sucesso, quando passou a ser cotado para ocupar uma vaga no Supremo e até para assumir a chefia da Casa Civil.

— Tudo que eu fiz projetou a AGU e a mim pessoalmente. Fez com que a instituição tivesse mais visibilidade. Esse papel fortalece, mas incomoda. Nunca tive medo de entrar em bolas divididas, nunca tive medo de ser um contraponto aos excessos de alguns procuradores da República, por exemplo.

Ele está convicto da sua capacidade regenerativa dentro da política. Reconhece que "Dilma se distanciou para ver o que iria acontecer", mas dá como certa a recuperação de seu apreço no Planalto.

— Não considero que estou na descendente. Eu prefiro dizer que minha carreira está em uma crescente, pois a presidenta continua me demandando e confiando no meu trabalho.

Adams aposta que foi mantido no cargo por causa de sua "capacidade de encontrar complexas saídas jurídicas" que livraram o governo de enrascadas, como a atuação no caso do Código Florestal e na suspensão do Paraguai no Mercosul.

O chefe da AGU mostra que vale tudo para tentar retomar a influência que vinha conquistando antes do escândalo. O principal passo será conseguir descolar sua imagem da operação Porto Seguro. Para isso, diz que rompeu a amizade de mais de dez anos com Weber e evita falar sobre o passado. Quer aparecer sempre sorrindo, nunca de cabeça baixa. Chorar em público, só se for em filme triste.

Esta semana, por exemplo, ele diz ter se emocionado ao ver a atriz Anne Hathaway cantar no filme Os Miseráveis a canção I Dreamed a Dream. A música começa assim: "Houve um tempo em que os homens eram gentis/Quando suas vozes eram suaves/E suas palavras convidativas"; e termina desta maneira: "Eu tive um sonho/ que minha vida seria tão diferente/ deste inferno que eu vivo/Tão diferente agora do que parecia ser/Agora a vida matou o sonho que eu sonhei". Adams diz que chorou no cinema feito criança.

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