Brasil

11/2/2014 às 00h01

De olho na comissão de Direitos Humanos, Bolsonaro avisa que nem gays, nem negros vão atrapalhar

Sem temer pressão de movimentos sociais, deputado federal quer substituir Marco Feliciano

Carolina Martins, do R7, em Brasília

Bolsonaro é contra movimento gay e defende pena de morte Wilson Dias/27.03.2013/ABr

O deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), envolvido em várias polêmicas ao se posicionar contra as lutas de movimentos sociais na Câmara dos Deputados, quer ser o novo presidente da CDH (Comissão dos Direitos Humanos). Ele quer substituir o também polêmico deputado Marco Feliciano (PSC-SP), que assumiu a comissão em março de 2013.

Ele acredita que assumir o colegiado é uma boa forma de ter “visibilidade” em um ano de eleições, e não teme a pressão de grupos que se sentem discriminados por ele.

Para Bolsonaro, “quanto mais se fala em direitos humanos, mais a violência cresce em nosso País” e, por isso, ele vai abrir espaço para debates que defendem os “seres humanos”.

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Em entrevista ao R7, Bolsonaro disse ser a favor da pena de morte, levantou a bandeira pela redução da maioridade penal e pela revogação do Estatuto do Desarmamento.

Sobre o movimento negro, Bolsonaro foi categórico: “não quero saber a cor de pele de ninguém”. E a opinião do deputado sobre o movimento homossexual também não mudou — continuam sendo “o que há de pior na sociedade”.

Confira entrevista abaixo:

R7: Como estão as negociações? O senhor está otimista, acha que vai conseguir presidir Comissão de Direitos Humanos?

Jair Bolsonaro: O nosso partido [PP] tem direito a duas comissões. Tem 90% de chance de uma delas ser a de Direitos Humanos. O líder do partido fechou comigo. Não sou eu falando com meia dúzia de deputados, o líder fechou. Até porque, ele sabe que essa comissão dá visibilidade, é importante, estamos em um ano de eleições. O partido teria como aparecer bastante em algumas propostas que eu levaria. O pessoal concorda comigo. Além disso, eu estou no sexto mandato, está na hora de eu assumir alguma coisa.

R7: E os acordos com os partidos? Não vai ter resistência do PT para abrir mão da CDH?

Bolsonaro: Vai. Mas, de qualquer maneira, o PT já está se desgastando porque, para pegar a comissão de Direitos Humanos, ele vai ter que abrir mão de uma comissão importante. E a CDH é uma comissão que ninguém quer. Ela ganhou visibilidade com o Marco Feliciano (PSC-SP). Antes, ela sobrava, caia no colo dos partidos, porque sempre tratou de coisas que a grande maioria da população é contra.

R7: O senhor tem algum projeto em mente, diante de toda a polêmica do ano passado, quando o deputado Marco Feliciano assumiu a presidência da CDH?

Bolsonaro: É porque tinha o ativismo gay que imperava ali. Por exemplo, em 2010, o Chico Alencar (PSOL-RJ) patrocinou uma emenda de R$ 11 milhões para causa LGBT [Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais].

R7: E o senhor não concorda com isso?

Bolsonaro: Não! Lógico que não! Com tantas coisas mais importantes para você destinar esse recurso?

R7: O senhor não teme uma reação, como foi com o Marco Feliciano no ano passado?

Bolsonaro: Os homossexuais vão se fazer presentes. Eu vi agora na internet que a juventude socialista vai fazer uma manifestação. Mas não é só isso. Já foi em frente na comissão um seminário LGBT infantil. Isso é uma excrecência. Esses facínoras, que eu prefiro chamar de marginais, que integravam a comissão naquela época, deram apoio a um seminário onde você discute se um menino de 11 anos de idade já é menino ou pode ser menina ainda. E você tem que dar direito e deixar ele desabrochar sua sexualidade. Isso é uma covardia. E, em cima disso, vem o material didático. Tudo que, no meu entender, serve para estimular o homossexualismo.

R7: O senhor está preparado para enfrentar as manifestações contrárias?  No ano passado, o início do ano legislativo foi conturbado e os protestos impediam inclusive o trabalho da comissão. Como o senhor pretende agir?

Bolsonaro: Isso aí eu tiro de letra. Não são esses ativistas gays e de movimentos negros que vão me atrapalhar. Esse ativismo negro é porque eles têm recurso, porque eles estão bancados em cima de ONGs [Organizações Não-Governamentais], em cima de recursos orçamentários para fazer gritaria ali.

R7: E como o senhor se posiciona em relação aos projetos voltados para os negros, como as ações afirmativas?

Bolsonaro: A grande maioria dos negros são contra as cotas, por exemplo. Eu costumo dizer que naquela comissão, caso eu seja eleito, vou tirar de letra a causa negra porque enquanto eu for presidente eu faço questão de dizer que sou daltônico.  Todos nós somos iguais. Não quero saber a cor de pele de ninguém. Todos somos iguais, cumprindo a Constituição Federal.

R7: E o senhor não teme as pressões?

Bolsonaro: Você está de brincadeira comigo! Eu estou acostumado a enfrentar a pressão de homem e não de moleque de manifestação que vai fazer bagunça na Comissão de Direitos Humanos. Isso aí, pra mim, dá até mais força.

R7: Então, que tipo de proposta o senhor vai defender, se assumir a presidência da CDH?

Bolsonaro: É uma comissão que sempre esteve a serviço do que há de pior na sociedade, que é o vagabundo presidiário, que está cheio de direitos, é o drogado, é o homossexual. Eu não vou apoiar nenhuma política para quem está à margem da lei. Eu quero ouvir, em debate, familiares de vítimas da violência. Eu pretendo colaborar para reverberar a necessidade de reduzirmos a maioridade penal. Também defendo uma política de planejamento familiar, ao contrário do que o governo prega com a paternidade irresponsável, estimulando as pessoas sem cultura a terem mais filhos. Eu sei que não é atribuição minha, mas eu quero ajudar a reverberar a possibilidade de revogar o Estatuto do Desarmamento. O governo do PT desarmou o cidadão de bem e a vagabundagem está toda armada por aí.

R7: E quais outras bandeiras o senhor levanta?

Bolsonaro: Eu sei que é cláusula pétrea da Constituição, mas, se depender de mim, eu vou dar espaço para gente que vai defender a pena de morte na comissão. Direitos Humanos para seres humanos. Quem não é ser humano, cadeia. E, se for o caso, a morte. Além disso, o trabalho forçado para o presidiário, o fim do auxílio-reclusão, que é uma excrecência. O marginal mata, estupra, vai preso e a família dele tem amparo. A família do estuprado, da vítima, não tem amparo nenhum. Não tem cabimento. Quanto mais se fala em direitos humanos, mas a violência cresce em nosso País.

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