Brasil

20/12/2012 às 09h27 (Atualizado em 20/12/2012 às 09h28)

Dilma falou menos com a imprensa em 2012 em comparação com o ano passado

Foram 27 entrevistas coletivas durante todo o ano

BBC Brasil

Em 2011, presidente falou 49 vezes em coletivas com jornalistas Roberto Stuckert Filho/11.12.2012/PR

Em seu segundo ano de mandato, a presidente Dilma Rousseff reduziu quase à metade o número de contatos com jornalistas em comparação com 2011.

Levantamento da BBC Brasil baseado em dados da Presidência mostra que, entre o início de 2012 e esta quarta-feira, Dilma concedeu 27 entrevistas coletivas a jornalistas. No ano anterior, haviam sido 49.

Com isso, 2012 deverá ser o ano em que jornalistas tiveram menos acesso a um presidente brasileiro desde que o governo começou a registrar as entrevistas, em 2003, primeiro ano da gestão Luiz Inácio Lula da Silva.

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Em seus dois mandatos, Lula concedeu, em média, 78 coletivas anuais. O ritmo de entrevistas foi menor nos três primeiros anos do governo, mas jamais ficou abaixo de 40. Não há dados sobre coletivas nos governos anteriores.

Curta duração

O governo classifica como entrevista coletiva qualquer ocasião em que Dilma fale diretamente a jornalistas. Entram na conta inclusive comentários breves, sem intervenções de repórteres.

Em 2012, só três entrevistas se estenderam por mais de meia hora, enquanto dez duraram menos de cinco minutos. Na última segunda-feira, em visita ao Hospital da Mulher, em Fortaleza, Dilma concedeu uma entrevista com 50 segundos de duração.

Quase todas as coletivas deste ano foram no formato 'quebra-queixo', eventos improvisados nos quais jornalistas e cinegrafistas se amontoam diante do entrevistado, esticando microfones e gravadores em sua direção.

Em ao menos sete entrevistas em 2012, Dilma se recusou a responder perguntas sobre assuntos que não tratassem do evento do qual ela participava. Em visita à obra de uma ferrovia em Goiás, em março, ela usou a seguinte justificativa ao evitar perguntas sobre temas diversos: 'Se eu cair na besteira de falar uma coisa que não seja dessa obra, vocês não põem a obra no jornal'.

Explicações semelhantes foram dadas em outros momentos, como em entrevista em Sergipe, em abril, durante a visita a uma mina de potássio. Na ocasião, ela disse que só comentaria assuntos alheios à viagem em Brasília, postura que costuma repetir em entrevistas concedidas no exterior (em 2012, 11 coletivas foram dadas fora do Brasil).

No entanto, só houve sete coletivas na capital federal neste ano, que duraram, em média, 3 minutos e 40 segundos cada.

Desde que Dilma assumiu o poder, só houve uma ocasião em Brasília em que jornalistas puderam fazer perguntas alternadas à presidente de forma organizada. Porém, naquele encontro, em dezembro de 2011, a ministra da Comunicação Social, Helena Chagas, pediu aos jornalistas que não gravassem as declarações, para não transformar a entrevista numa 'coletiva formal'.

Uma nova reunião desse tipo está prevista para a próxima quarta-feira.

Reservadamente, ministros já expuseram à BBC Brasil desconforto com a postura de Dilma em relação a entrevistas. Segundo eles, a presidente adverte duramente subordinados que façam declarações a jornalistas que a desagradem.

As reprimendas, afirmam eles, desestimulam entrevistas entre altos membros do governo.

Em sua gestão, Dilma também vem reduzindo o número de entrevistas exclusivas, dadas a jornalistas de um único veículo. Em 2011, foram 11; neste ano, seis. Oito veículos nacionais e quatro estrangeiros já foram atendidos pela presidente.

Enquanto presidente, Lula concedeu, em média, 45 entrevistas exclusivas ao ano.

Prestação de contas

Mariângela Furlan Haswani, professora de Relações Públicas da USP, diz que entrevistas coletivas são mecanismos insubstituíveis de prestação de contas à população.

'Como ocupante do mais alto cargo público no governo, a presidente tem a obrigação de prestar contas. É um pressuposto da democracia e um dever constitucional'.

'Ao não falar com a imprensa, ela (Dilma) não desrespeita somente os jornalistas, mas sim os cidadãos.'

Para Cláudio Weber Abramo, diretor da ONG Transparência Brasil, a relação entre autoridades do governo e jornalistas tem piorado nos últimos anos.

'Os agentes públicos cada vez mais se protegem atrás de assessores de imprensa', diz Abramo.

'Autoridades têm a obrigação de atender a imprensa elas mesmas, e não delegar a função a terceiros.'

Abramo defende que Dilma e seus ministros concedam entrevistas coletivas mais extensas, sobre assuntos variados, pelo menos uma vez por mês.

'Possibilidades da agenda'

A BBC Brasil questionou por escrito a Presidência sobre as razões por trás da redução nos contatos entre Dilma e a imprensa. Não houve resposta da presidente.

Em nota, a Secretaria de Imprensa da Presidência diz que as entrevistas de Dilma 'são concedidas de acordo com as possibilidades da sua agenda e da agenda do governo, não havendo, portanto, metas quantitativas a serem cumpridas'.

A nota diz que a relação do governo e da Presidência com a imprensa 'é pautada pelo profissionalismo, pelo respeito e pela transparência, sempre com o intuito da prestação de contas à sociedade'.

'Vale salientar que o atual governo implementou a Lei de Acesso à Informação, instrumento valioso de esclarecimentos para a sociedade e, especialmente, para os jornalistas'.

Sancionada em 2011, a lei obriga órgãos públicos a divulgar informações não sigilosas que forem requeridas por cidadãos. A lei não trata da concessão de entrevistas.

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