Dirceu quer trabalhar em hotel que pertencia a Sérgio Naya, do Palace 2

No Hotel Saint Peter, funcionários ainda não sabem do possível futuro colega

Kamilla Dourado, do R7

St. Peter foi reformado em 2006, após venda para o Grupo Fenícia Kamilla Dourado/R7

O hotel que o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu escolheu para trabalhar enquanto cumpre pena em regime semiaberto na Penitenciária da Papuda, em Brasília, já foi do ex-deputado e empresário Sérgio Naya.

Em uma área privilegiada de Brasília, a poucos metros da Esplanada dos Ministérios, o Saint Peter foi leiloado em 2005, e o dinheiro arrecadado no leilão foi entregue às famílias das vítimas do desabamento do Edifício Palace 2.

Construído pela Sersan, do ex-deputado, o Palace 2 ruiu em 1998, matando oito pessoas e deixando centenas de famílias sem os apartamentos adquiridos. Naya morreu em fevereiro de 2009, em Ilhéus (BA).

Em 2006, o hotel Saint Peter, já sob administração do Grupo Fenícia, foi totalmente reformado. Hoje, o prédio tem 423 apartamentos com sacada e padrão quatro estrelas de atendimento. Na reforma, o Saint Peter ganhou andar VIP, com suítes presidenciais, centro de eventos e uma cobertura panorâmica. As diárias no hotel custam entre R$ 510 e R$ 630, na tarifa de balcão anunciada no site do hotel.

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No possível futuro endereço de trabalho de José Dirceu — a Justiça ainda tem que acolher o pedido do condenado no mensalão —, discrição é a palavra de ordem entre os funcionários. Perguntados se sabiam da chegada do colega ilustre, os seguranças da portaria negaram que soubessem de qualquer informação ou comentário. Segundo eles, nem internamente os funcionários foram avisados da possível entrada de Dirceu na equipe.

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Na recepção, o funcionário que recebe os hóspedes também não passou nenhuma informação. Segundo ele, o hotel não tem departamento de comunicação. Outro funcionário, que não quis se identificar, demonstrou surpresa ao saber do novo possível colega.

— Mas ele viria trabalhar aqui? Não estou sabendo.

A movimentação de hóspedes também é tranquila, pouca gente entra e sai do hotel, que se diz "o maior da área central de Brasília". Por enquanto, os únicos hóspedes ilustres no hotel são atletas búlgaros que vieram disputar os jogos escolares mundiais em Brasília.

Dirceu e os hotéis

Esta não é a primeira vez que a história de José Dirceu se cruza com a de hotéis em Brasília. Em agosto de 2011, um ano antes do início do julgamento do mensalão no STF (Supremo Tribunal Federal), a revista Veja publicou reportagem de capa com imagens do circuito interno do Hotel Naoum, também localizado na área central de Brasília.

As imagens mostravam a movimentação de Dirceu e interlocutores no corredor que levava à suíte que o ex-ministro da Casa Civil mantinha no hotel. A partir das fotos, a reportagem apurou que Dirceu, que declarava trabalhar como consultor em São Paulo, recebia ministros, deputados, senadores e o presidente da Petrobras na época em Brasília.

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