Brasil

30/12/2012 às 15h37 (Atualizado em 30/12/2012 às 17h37)

Em 2 anos no poder, Dilma mantém alta popularidade, mas economia é desafio

Seis em cada dez brasileiros aprovam o governo atual

Dilma tem aprovação superior à de Lula, mas convive com ameaça econômica José Cruz/27.12.2012/ABr

A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, vai completar na próxima terça-feira (1º) a metade de seu mandato com uma popularidade recorde, mas, ao mesmo tempo, seu governo é ameaçado pela desaceleração da economia, que também esfriou a comemoração dos dez anos da chegada da esquerda ao poder.

A sucessora e herdeira política do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) alcançou nos últimos dois anos o que parecia improvável: ultrapassar em popularidade seu mentor e transformar o seu estilo sóbrio de governo na principal alternativa do PT (Partido dos Trabalhadores) para a eleição de 2014.

O sociólogo e presidente do instituto de pesquisa de opinião Vox Populi, Marcos Coimbra, escreveu em coluna no Correio Brasiliense que "Dilma atinge a metade de seu mandato, com uma avaliação melhor do que qualquer um dos seus antecessores no mesmo período".

Uma pesquisa do Ibope divulgada em dezembro colocou a popularidade de Dilma em 78% e o apoio a seu governo em 62%.

O instituto Datafolha também divulgou um estudo que a coloca na frente nas intenções de voto para a próxima eleição presidencial. Apenas o ex-presidente Lula poderia rivalizar com ela, embora ele próprio já tenha dito que disputaria a eleição apenas se Dilma não o fizer, algo sobre o qual a presidente ainda não se pronunciou.

Antes disso, porém, Dilma — a primeira mulher a chegar ao poder no Brasil — terá que reverter dois anos de desaceleração econômica.

O crescimento de 1% previsto para 2012 (o mais baixo entre os emergentes) e de 2,7% registrado em 2011 foram decepcionantes para a gestão Dilma, após um crescimento de 7,5% em 2010.

"Foram dois anos de fracasso econômico", escreveu o jornal O Estado de S. Paulo, neste domingo, acrescentando que mesmo o consumo interno forte e o desemprego de apenas 4,9% em novembro não são suficientes para sustentar a recuperação.

Ao mesmo tempo, nesta década do primeiro governo de esquerda, "as áreas de assistência social e de transferência de renda evoluíram bastante, com excelentes resultados nos indicadores de pobreza e na composição da classe média", disse o economista Raul Velloso, diretor da ARD Consultores Associados.

Contudo, a infraestrutura de transporte do anfitrião da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016 continua deteriorada, e a política de aliança com o setor privado para desenvolver trabalhos é "equivocada", pois assegura muitos lucros às empresas", disse o especialista para o jornal O Globo.

O governo de Dilma Rousseff, que em dois anos perdeu sete ministros por corrupção — sem prejudicar a popularidade da presidente — atribui os infortúnios econômicos à crise internacional.

O governo, no entanto, aposta forte na recuperação após uma série de incentivos para investimento e consumo e por meio do compromisso de reduzir a asfixiante carga tributária.

A presidente fez uma boa previsão para o País na última sexta-feira (29).

— Eu acho que o Brasil, em 2013, vai crescer mais.

Os olhos de Dilma estão voltados para a maior conquista do PT no governo: a luta contra a pobreza e a ascensão de 40 milhões de pessoas à classe média desde 2003.

— Vamos continuar a superação da pobreza extrema, que é o compromisso do meu governo até 2014.

Dilma reafirmou neste domingo as conquistas sociais do PT, sem mencionar o escândalo de corrupção conhecido como mensalão que terminou neste ano, com a condenação de três líderes históricos do partido por suborno a parlamentares no primeiro governo Lula.

O julgamento retumbante não afetou a popularidade de Dilma e ou a de Lula — excluído do julgamento —, mas tirou do PT a bandeira contra a corrupção empunhada em seus tempos de oposição.

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