Brasil

24/12/2012 às 07h52 (Atualizado em 24/12/2012 às 09h54)

Gravações revelam despreparo para lidar com apagão

Diálogos mostram sufoco dos técnicos em fevereiro de 2011

Agência Estado

Diálogos inéditos entre operadores do sistema elétrico revelam o despreparo das subestações e dos centros de controle para enfrentar interrupções no fornecimento de energia. As transcrições constam dos relatórios da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e do ONC (Operador Nacional do Sistema), obtidos pelo jornal O Estado de S.Paulo por meio da Lei de Acesso à Informação e publicados.

Elas mostram o "sufoco" dos técnicos durante o apagão de fevereiro do ano passado, que deixou oito Estados do Nordeste sem luz por horas. À época, o governo Dilma Rousseff atribuiu o apagão a um defeito ocorrido em uma placa eletrônica.

Nos minutos seguintes ao blecaute, os técnicos batiam cabeça. Faltou energia para abrir um portão e assim conseguir religar alguns equipamentos. Foi preciso quebrar a fechadura, atrasando a solução.

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A subestação desconhecia como proceder e foi preciso ir atrás do manual de instruções em cima da hora. O técnico explicou o motivo.

— É porque a gente tem que pegar o guia aqui porque não tem como acessar, aí estamos pegando o guia do normativo aqui e vamos fazer com ele.

Quando o abastecimento de todo o Nordeste dependia apenas da abertura de uma chave, como previa o guia de operações, os técnicos envolvidos discutiam se, em vez de abrir como previa o rito normal, não era melhor fechar essa mesma chave. "Tá dependendo tudo, tem risco até de inundação na usina, tem que fechar", respondeu o Centro de Operações.

"‘Funciona não’"

Duas horas depois de iniciado o apagão, o Crop (Centro Regional de Operações) da Chesf (Companhia Hidro Elétrica do São Francisco) questionou o técnico da subestação de Sobradinho se lá havia um equipamento chamado mesa de sincronismo.

— Funciona não... Vou chamar um rapaz para ver se liga ela, muitos anos sem ligar, viu? Chamo você depois.

O relatório da Aneel lista as irregularidades. Além do portão travado, aparelhos fora de operação, disjuntores fechados, discrepâncias no sistema de supervisão e controle e dificuldade de acesso aos procedimentos operacionais para a recomposição da instalação.

A placa que apresentou defeito dando origem ao apagão deveria ter sido substituída quatro anos antes, informam os relatórios. Responsável pela fiscalização das concessionárias, a Aneel não verificou se o equipamento fora efetivamente trocado. Tampouco sabia que duas usinas não tinham a máquina para religamento automático, para casos como aquele. Ao final, coube à agência reguladora pôr no papel o relato de uma sucessão de problemas facilmente evitáveis. Os erros renderam à Chesf uma multa de R$ 32 milhões.

Proteção

Segundo os documentos liberados pela Aneel, a "perturbação" no Sistema Interligado Nacional começou à 0h08 do dia 4 de fevereiro de 2011, quando o sistema de proteção desligou automaticamente a linha de transmissão (LT) entre as subestações de Luiz Gonzaga e Sobradinho. O caso teria se encerrado aí, "caso a falha descrita não fosse acompanhada de procedimentos inadequados de operação das equipes de tempo real da Chesf."

Mesmo depois de tomar as medidas necessárias e religar a linha de transmissão, a energia não voltou. Segundo a Aneel, as equipes "disponibilizaram a LT 500 kV Luiz Gonzaga—Sobradinho, sem no entanto retirar o bloqueio da linha, impossibilitando a reintegração da linha à operação, atrasando o restabelecimento do sistema".

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