Joaquim Barbosa se irrita com juiz durante debate sobre criação de novos tribunais federais

Para presidente do Supremo Tribunal Federal, associações de juízes agiram de forma “sorrateira”

Carolina Martins, do R7, em Brasília

Barbosa acusou representantes Andre Dusek/23.03.2010/Estadão Conteúdo

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Joaquim Barbosa, se irritou com o representante da Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil), nesta segunda-feira (8), durante audiência com associações de magistrados. Na reunião, o ministro deixou clara sua insatisfação com aprovação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que prevê a criação de mais quatro tribunais regionais federais no País.

Barbosa acusou os representantes das associações de terem agido de maneira “sorrateira” para “induzir” os parlamentares ao erro, fazendo o Congresso acreditar que a PEC traria benefícios.

— Pelo o que eu vejo vocês participaram de maneira sorrateira da aprovação. São responsáveis, na surdina, pela aprovação.

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Mas o vice-presidente da Ajufe, Ivanir César Ireno, se sentiu ofendido e saiu em defesa da associação.

— Sorrateira não! Democraticamente, de forma transparente. Emitimos nota técnica. Sorrateira em hipótese alguma!

O clima na audiência esquentou e Joaquim Barbosa pediu para que o juiz baixasse o tom de voz e lembrou que ele estava no gabinete da presidência do STF.

— Somente dirija a palavra quando eu lhe pedir!

Barbosa também lembrou o vice-presidente da Ajufe que ele não havia sido convidado para a reunião e que deveria ficar apenas ouvindo. Para o ministro, o juiz se comportou de “maneira imprópria”.

Mesmo com o clima tenso da audiência, o presidente da AMB, Henrique Nelson Calandra, avaliou positivamente a reunião. Mas, ao fim do encontro, em entrevista a jornalistas, fez uma reflexão sobre o “poder” de Barbosa.

— A personalidade [de Joaquim Barbosa] é marcante, a mídia já sabe disso. [...] Eu até falei para ele o exemplo de César [imperador romano] que, sendo imperador do mundo andava alguém atrás dele dizendo “você é mortal”. Por mais poder que qualquer um de nós tenha é um poder transitório.

Corporativismo

Além da Ajufe, o presidente do Supremo recebeu representantes da AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros) e da Anamatra (Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho) em seu gabinete, no STF, em Brasília.

As associações entregaram a Joaquim Barbosa um documento com as reivindicações da categoria que eles gostariam que fossem debatidas com o ministro, que também presidente o CNJ (Conselho Nacional de Justiça).

Barbosa aproveitou o encontro para manifestar sua insatisfação com a aprovação da proposta que cria tribunais regionais federais em quatro Estados do País (Paraná, Minas Gerais, Bahia e Amazonas), mesmo sem o CNJ ter sido ouvido sobre o assunto.

O presidente afirmou que as associações agiram de maneira corporativista, sem levar em conta os interesses da sociedade.

— Houve mais interesse político do que técnico. Os órgãos técnicos não foram ouvidos. Não podemos raciocinar com aquilo que é de nosso interesse, temos que pensar no interesse de um todo. Estão empurrando a carreira de juiz federal para irrelevância.

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