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Brasil

17/6/2013 às 14h17 (Atualizado em 17/6/2013 às 15h47)

Líder dos caras-pintadas diz que manifestantes de 1992 não precisavam levar vinagre nas mochilas

Para o senador Lindbergh Farias, reação da Polícia Militar vai incentivar novos protestos   

Kamilla Dourado, do R7, em Brasília

Para o senador, há grandes diferenças entre os dois movimentos José Cruz/21.03.2011/ABr

Em 1992, o jovem paraibano Lindbergh Farias era presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes) e liderava os caras-pintadas em manifestações, por todo País, pela derrubada do ex-presidente Fernando Collor. Participante ativo dos movimentos pacíficos de 20 anos atrás, ele é crítico severo do que considera “violência policial exacerbada” nos protestos contra o aumento das tarifas de ônibus, em São Paulo.

— Na minha época não existia isso, ninguém precisava levar vinagre nas mochilas para se proteger dos efeitos de gás lacrimogêneo. Estou mal impressionado. Nós [os caras-pintadas] invadimos muitos lugares e eu nunca vi uma coisa como essa.

Hoje senador pelo PT fluminense, Lindbergh avalia que há grandes diferenças entre os dois movimentos. Segundo ele, os caras-pintadas tinham um objetivo definido: pediam o impeachment de Collor e queriam colocar no lugar dele um líder com causa popular. Já os atuais protestos, que começaram por causa do aumento do transporte público, estão tomando proporções maiores e englobando outras causas.

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De acordo com o senador, a repressão policial surtiu efeito contrário e vai servir como incentivo para as próximas manifestações. Além disso, ele afirma que os temas mobilizam e ganham apoio da população porque têm base na “opinião pública real”.   

— O movimento que começou contra o transporte vai crescer. Estão errando na dose, o maior combustível não é o transporte, a reação é contra violência policial. Esse movimento não vai ter limite. Há um desejo nessa juventude agora de deixar o seu nome na história.

No domingo (16), o secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, Fernando Grella, prometeu que os integrantes da Polícia Militar que tiverem cometido excessos durante os atos contra o aumento das tarifas do transporte coletivo na capital paulista serão tratados com o mesmo rigor dispensado aos manifestantes flagrados provocando danos e violência.

— Estão instaurados os inquéritos. O papel da Polícia Militar é garantir a paz e a ordem. Nós não temos compromisso com o erro. Quem se desviou das suas normas e agiu abusivamente tem que responder pelo ato praticado. Pode ter certeza disso.

Juventude

Lindbergh Farias acredita que os jovens brasileiros têm os seus próprios motivos para protestar e que os movimentos internacionais, como a Primavera Árabe e os protestos na Turquia, não sejam os inspiradores dos protestos no Brasil.

Lindbergh discursa durante passeata pelo impeachment de Collor Maurilo Clareto/08.08.1992/Estadão Conteúdo

— Essa é uma característica da juventude como um todo. Eles têm motivos aqui no Brasil que foram canalizados. Os jovens de 17, 18 e 19 anos estão indo novamente às ruas.

Voltando aos tempos de cara-pintada, o senador deixou um conselho aos manifestantes e ao governo.

— Sou um entusiasta desse movimento. Desejo que eles ocupem as ruas desse País. Já às autoridades, os aconselho a respeitarem esses jovens.

Para lembrar

Caras-pintadas foi o nome dado às pessoas que organizaram passeatas pelo impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello. Em agosto de 1992, eles pintaram os rostos de verde e amarelo e saíram pelas ruas do País.

Collor foi o primeiro presidente eleito por voto direto desde 1961, mas foi acusado pelo próprio irmão, Pedro Collor de Melo, de cumplicidade com seu tesoureiro de campanha, Paulo César Farias, acusado de cometer crimes como enriquecimento ilícito, evasão de divisas e tráfico de influência.

A primeira manifestação pedindo a saída de Collor aconteceu no dia 11 de agosto, em São Paulo. Nos dias seguintes, o movimento se repetiu em outras cidades do País, como Rio de Janeiro, Recife, Brasília e Salvador.

O processo de impeachment foi aberto no Senado no dia 2 de outubro, quando Collor deixou a Presidência interinamente. No dia 29 de dezembro de 1992, o vice Itamar Franco assumiu o cargo.

Mesmo após a renúncia, com base nas investigações do Senado, Collor teve suspenso, por oito anos, o direito de se candidatar. Atualmente, o ex-presidente é senador pelo Estado de Alagoas.  
 

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