O advogado Luís Roberto Barroso, que defende Cesare Battisti, disse acreditar que, caso o Supremo Tribunal Federal (STF) vote pela extradição do italiano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dificilmente ratificaria essa decisão.
Segundo Barroso, os membros do Supremo podem votar a favor ou contra da extradição solicitada pelo Estado italiano. Mas, se os ministros respaldarem este pedido por "um placar apertado, creio que não seria compatível com a biografia de Lula mandá-lo para a prisão perpétua na Itália".
Em entrevista à Ansa, referindo-se ao fato de Battisti ter sido militante de esquerda, ele afirmou:
- Lula é uma pessoa que fica ao lado dos seus.
Amanhã, o Supremo retoma a análise do caso. A Itália pede que o STF permita que o ex-integrante do grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC) cumpra sua pena em um presídio do país, onde ele é condenado à prisão perpétua por quatro homicídios cometidos na década de 1970.
A primeira audiência dos magistrados, no dia 9 de setembro, terminou com um placar favorável à repatriação do italiano. Quatro dos nove ministros da Casa votaram pela extradição, e três por sua permanência no Brasil, país que concedeu a Battisti o status de refugiado político no início do ano.
A sessão foi suspensa com o pedido de vista do ministro Marco Aurélio Mello, que ainda não votou, assim como o presidente do STF, ministro Gilmar Mendes. O novo membro do Supremo, José Antonio Dias Toffoli, poderá ser decisivo, caso decida se pronunciar.
Battisti, que estava foragido da Justiça italiana, foi preso em março de 2007 no Brasil. Ele foi beneficiado com um refúgio concedido pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, em 13 de janeiro deste ano.