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27 de Maio de 2012

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publicado em 10/01/2012 às 10h35:

Após onda de demissões, Dilma deve
fazer reforma ministerial discreta

Segundo especialistas, presidente vai procurar nomes mais próximos de seu estilo

Amanda Polato, do R7

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A presidente Dilma Rousseff deve fazer uma reforma ministerial bem menor do que a esperada, e é provável que siga a tendência de indicar nomes mais ligados a ela que a seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, apostam especialistas ouvidos pelo R7.

Fotos: lembre o primeiro ano de Dilma

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Ricardo Ismael, cientista político da PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro), lembra que essa orientação começou a ganhar força com a nomeação de Gleisi Hoffmann e Ideli Salvatti para os principais cargos do governo - respectivamente, a Casa Civil e a Secretaria de Relações Institucionais, responsável pela articulação política do Palácio do Planalto.

- Há a expectativa de que a presidente Dilma possa agora, no segundo ano de seu mandato, tentar estabelecer uma identidade maior ainda para seu governo.

Gleisi, que era senadora, foi chamada para substituir Antonio Palocci, primeiro ministro a cair, em junho. No mesmo mês, Ideli, que estava no Ministério da Pesca, trocou de lugar com Luiz Sérgio. Foi a primeira de uma série de mudanças que Dilma precisou fazer em sua equipe durante o ano. Ao todo, seis ministros foram alvejados por denúncias de corrupção.

Como 2011 foi um ano agitado na Esplanada dos Ministérios, espera-se que agora, em janeiro, as movimentações ocorram em menor número e sejam pontuais.

Em primeiro lugar, a presidente vai se concentrar na substituição de ministros que devem participar das eleições municipais de outubro. São eles o titular da Educação, Fernando Haddad (PT-SP), aposta de Lula para a Prefeitura de São Paulo; Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), da Integração Nacional, cotado para disputar a eleição em Recife; e Iriny Lopes (PT-ES), da Secretaria de Política para as Mulheres, pré-candidata em Vitória.

Aloizio Mercadante, atual ministro da Ciência e Tecnologia, já admitiu publicamente a possibilidade de assumir a Educação. Embora seja próximo de Lula, ele tem perfil semelhante ao de Dilma: prefere se concentrar no ministério a se envolver em conflitos partidários.


Dilma pode ainda mexer em pastas que causaram problemas em 2011, como o Ministério das Cidades, cujo titular, Mario Negromonte, foi citado em denúncias relacionadas a obras da Copa de 2014. O nome de Ana de Hollanda, ministra da Cultura, também chegou a ser mencionado entre as possíveis demissões, já que ela teve dificuldades na relação com a classe artística.

A presidente terá ainda de encontrar novos nomes para pastas que perderam titulares após a onda de denúncias do ano passado. É o caso do Ministério do Trabalho, que passou a ser comandado por Paulo Roberto dos Santos Pinto com a saída de Carlos Lupi.

Trocas

Na opinião de Ricardo Ismael, as mudanças deverão ser pouco ousadas. Ele avalia, no entanto, que Dilma tem capital político e popularidade suficientes para promover mais alterações.

- Ela [Dilma] tem agora a oportunidade, que talvez não se repita, de tentar fazer algumas mudanças para verificar algumas áreas que, segunda ela, ainda não estão a contento. Deveria aproveitar que vai ter de substituir seus ministros para turbinar seu mandato.

Já o cientista político Paulo Kramer, da UnB (Universidade de Brasília), diz que a reforma ministerial mais cautelosa indica a preocupação de Dilma com a opinião pública.

- A maioria dos ministros que caíram eram herdados da administração Lula. Uma faxina ministerial colocaria muito em evidência, para a opinião pública, que ela herdou um grande abacaxi, que foi uma herança maldita. Coloca em questão escolhas que ela fez ou que Lula fez e ela aceitou. Desse ponto de vista, faz sentido político reduzir ao máximo essa pretensão de reforma ministerial.

O ano eleitoral também pesa, segundo os especialistas. Ao mesmo tempo em que não pode desestabilizar a base aliada, pensando em possíveis alianças neste ano, Dilma tem de resolver descontentamentos. Kramer afirma que a agenda política é muito delicada.

- [A presidente] vai ter que navegar numa linha muito fina: preservar a imagem do seu governo, a sua capacidade de governança, não desagradar demasiadamente sua base e contornar as disputas internas entre PT e PMDB.

Quantidade de ministérios

Desde que o empresário Jorge Gerdau, coordenador da Câmara de Gestão, Desempenho e Competitividade, órgão ligado ao governo federal, afirmou que é “impossível administrar com 40 ministérios”, cresceu a aposta numa redução do número de pastas.

No entanto, em dezembro do ano passado, Dilma refutou essa possibilidade. Em conversa com jornalistas, ela disse que “não haverá redução de ministério, não é isso que faz a diferença no governo”.

A perspectiva é que, em 2012, o país ganhe mais uma secretaria com status de ministério, a de Micro e Pequenas Empresas. O projeto do governo já foi enviado ao Congresso Nacional. Os cientistas políticos ouvidos pelo R7 criticam a proposta por dar margem à criação de cargos de confiança, que costumam ser preenchidos com apadrinhados políticos.

A presidente já deixou claro, porém, no fim do ano passado, que seu desejo é tornar o governo mais profissional.

- Nós temos que fazer a profissionalização do Estado brasileiro. Há áreas que são extremamente profissionalizadas como o Itamaraty, a Receita, o Exército. Mas isso precisa se estender. Precisamos de um governo ágil.


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