Uma quadra da avenida Paulista parecia um oásis de energia elétrica. Nos mais de 50 quilômetros que a reportagem do
R7 rodou, o único ponto que parecia ter mais um dia como outro qualquer ficava na avenida mais famosa de São Paulo entre as ruas Pamplona e alameda Rio Claro.
No trecho, um prédio ostentava luzinhas cintilantes natalinas e o semáforo funcionava. Os motoristas, que rodavam quilômetros sem semáforos, respeitavam o único ponto onde pisar no freio por uma luz vermelha ainda fazia sentido.
Atraído como uma mariposa, o garçom Peterson Lobov sentou na calçada iluminada. Com uma lata de cerveja na mão, fazia reflexões em voz alta.
- Muito louco. Acho que alguém vai pagar por isso. Lá no restaurante todo mundo teve que ir embora para casa.
No oásis elétrico, tudo funcionava como se fossem 22h31 do dia 10 de novembro. Pelo menos, essa era a hora que os relógios que normalmente revezam entre o tempo e a temperatura exibiam.
Fora daquela quadra, a avenida Paulista era breu e vazio. Lobov comparava a situação com filmes apocalípticos. Efeito das bebidas etílicas que carregava ou não, a comparação era adequada. O garçom afirmou que ficaria por ali até a "coisa melhorar".