Ao inaugurar nesta quarta-feira (8) um armazém de grãos da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), em Uberlândia (MG), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil pode dominar a produção mundial de alimentos no planeta se continuar investindo na safra de grãos e em tecnologia.
De acordo com o presidente, a inauguração do armazém da Conab, com capacidade para 100 mil toneladas de grãos, é uma mostra que o país está se preparando para o futuro.
- Ninguém precisa fazer um curso de pós-graduação para saber da importância do estoque regulador que um país tem que ter. Uma dona de casa nos dá o exemplo de como uma nação tem que se comportar na questão alimentar. Não basta para um país produzir a quantidade de alimentos que o seu povo consome. É preciso ter uma reserva ara garantir situações adversas.
Lula aproveitou o evento para afirmar a posição do Brasil no cenário internacional. O presidente disse que o país agora pode “andar de cabeça erguida” depois de ter enfrentado e ganhado dos Estados Unidos em disputas na OMC (Organização Mundial do Comércio). Lula lembrou da batalha travada contra os Estados Unidos no organismo internacional por causa dos subsídios pagos aos produtores americanos de algodão e açúcar.
- Hoje, o Brasil respeita os Estados Unidos e a Europa, mas é dono do seu nariz, anda de cabeça erguida e queremos competir em igualdade de condições. Acabamos de sair de uma briga com os Estados Unidos na OMC sobre a questão do algodão e ganhamos. Acabamos de brigar por causa do açúcar e ganhamos.
Empolgado pela reação da plateia, Lula passou a discursar sobre como impôs a posição brasileira diante de temas sensíveis aos parceiros comerciais, acrescentando que os respeita, mas que também exige o mesmo tratamento.
- Antigamente, íamos brigar com os Estados Unidos e diziam para a gente: não vai brigar com os Estados Unidos porque eles são muito grandes. [Não] vai brigar com a Europa porque eles são muito grandes. Ora, meu filho, um elefante é daquele tamanhão, a tromba vale dez ratos, mas coloca um ratinho perto do elefante para ver como o bicho tem medo e se borra. Acho que o que fizemos foi apenas dizer para os americanos: respeitamos vocês, queremos vocês como parceiros privilegiados, mas queremos também ser respeitados. Dissemos para os europeus a mesma coisa. Quem é empresário e quem é ministro que viaja sabe que o Brasil nunca antes teve condições de andar de cabeça erguida e hoje é admirado.
Aproveitando o gancho, o presidente também criticou seus antecessores e adversários, que, em seu ponto de vista, pouco fizeram para defender os interesses brasileiros.
- Houve um tempo em que éramos dirigidos por pessoas que pareciam muito inteligentes, mas que tinham a sua inteligência colonizada. Tudo dependia dos Estados Unidos e Europa e acreditavam muito pouco em nós mesmos.