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publicado em 02/12/2009 às 06h00:

Chapa "puro-sangue" do PSDB ganha força
com escândalo do DEM no Distrito Federal

Analistas dizem que propina no governo de Arruda enfraquece a ala mais crítica ao Serra

Gabriel Mestieri e Mônica Aquino, do R7

O escândalo que toma conta do governo do DEM no Distrito Federal compromete os planos do partido para as eleições de 2010 e também a aliança com o seu principal aliado o PSDB. Levando em conta esse cenário, a chapa “puro-sangue” no PSDB, com o governador de São Paulo, José Serra, e o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, pode ganhar força. A análise é do cientista político e professor da FESPSP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo), José Paulo Martins.

- O escândalo enfraquece a ala mais crítica ao Serra [de Cesar e Rodrigo Maia, mais propensos a apoiar Aécio Neves], dando força ao governador de São Paulo, próximo ao prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Mas o enfraquecimento do DEM também pode fortalecer a tese do puro-sangue. No PSDB tudo pode acontecer.

Ainda sobre um possível prejuízo na aliança com o PSDB, Marco Antonio Teixeira, professor e pesquisador da FGV (Fundação Getúlio Vargas) afirma que as duas legendas devem tentar minimizar o escândalo no DF.

- O PSDB pode estar envolvido. O presidente do PSDB do DF [Márcio Machado, que também aparece no inquérito da PF] também fazia parte do esquema. Os dois partidos vão tentar dar suas versões dos fatos ou punir os envolvidos para tentar minimizar o desgaste.

Machado nega envolvimento no esquema.

Para os especialistas, o escândalo pode servir para intensificar o declínio do partido, transformando o DEM, se não em um nanico, em um partido satélite, mas o tirando da posição de um dos quatro grandes do Brasil ao lado de PT, PSDB e PMDB.

Segundo o historiador e professor do programa de pós-graduação em Ciência Política da Ufscar (Universidade Federal de São Carlos) Marco Antonio VillaVilla, “o DEM está próximo de se transformar em um partido menor”. Nas palavras de Martins Junior, o partido “ficou para trás”.

Leonardo Barreto, do Instituto de Ciência Política da UnB (Universidade de Brasília), acredita que as acusações de recebimento de propina fragilizam a relação entre os dois partidos e a construção de uma aliança PSDB-DEM em 2010.

- Se já estava difícil achar um candidato sem acusações, com esse escândalo fica muito pior.

 
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