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publicado em 01/02/2011 às 06h01:

Com cargos para aliados, petista chega
favorito à eleição para comandar Câmara

Candidatura de Marco Maia tropeçou no início, mas ganhou força no final da campanha

Priscilla Mendes e Renan Ramalho, do R7, em Brasília


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O deputado petista Marco Maia (RS) chega à eleição da Câmara, nesta terça-feira (1º), como franco favorito para se manter presidente da Casa, posto herdado do atual vice-presidente, Michel Temer. Junto dele está quase certa a escolha de outros 10 aliados de diferentes partidos para compor a Mesa Diretora, que comanda a pauta legislativa e a administração interna.

A escolha de Maia só é ameaçada pelo deputado Sandro Mabel (PR-GO) que, contrariando a orientação de seu partido, entrou  na disputa pela presidência da Câmara sem ter o apoio de nenhuma bancada e sob a ameaça de ser expulso de sua sigla, que decidiu apoiar o rival petista.

Antes classificada como zebra, a candidatura de Maia passou por percalços no início das negociações, sobretudo dentro do próprio PT, mas chegou ao final da campanha colhendo o apoio formal de 21 dos 22 partidos da Câmara, que agregam 510 dos 513 deputados.

Parte expressiva dessa adesão foi conquistada pela mesma e criticada lógica em vigor no Executivo: a distribuição de cargos a aliados. Só na Câmara, os sete titulares da Mesa administrarão um caixa de R$ 881 milhões previstos no Orçamento, segundo levantamento da ONG Contas Abertas. É dinheiro para ser usado tanto para despesas correntes, como limpeza, segurança, informática e reparos, como para investimentos na estrutura da Casa.

Foi com essa oferta que PT e PMDB, as duas maiores bancadas e que se uniram para se sucederem no comando nos próximos quatro anos, ganharam os aliados, vários deles insatisfeitos e alguns até com ameaça de dissidência. Os maiores foram acomodados na Mesa sob a justificativa de “respeitar a proporcionalidade”. Na prática, é dar cargos mais importantes no comando conforme o tamanho dos partidos, com as maiores bancadas.


Divisão de cargos

Ao final das negociações, abaixo do PT na presidência, estará o PMDB na primeira vice-presidência. Em reunião nesta segunda-feira (31), o partido indicou a deputada federal Rose Freitas (ES) para disputar o cargo. O partido chegou a cogitar abdicar da indicação para ocupar a primeira-secretaria. Embora seja o quarto posto na hierarquia, é almejado por concentrar o poder administrativo, já que opera os contratos de serviços.

O PSDB, maior oposição e terceira maior bancada, teria direito à segunda vice-presidência, mas também desejava a “prefeitura” da Casa. Sem poder de enfrentamento, o tucano indicado para o posto, Eduardo Gomes (TO), acabou cedendo.

- O partido está contemplado e definiu pelo critério da proporcionalidade, com apoio a Marco Maia. Qualquer que seja o cargo que o PMDB decidir ficar, o outro ficará com o PSDB.



Com a dança das cadeiras, a segunda vice-presidência (terceiro posto na hierarquia) deve ficar com o PP, que tem a quarta maior bancada.

Em seguida, o DEM, quinta maior bancada, deverá ocupar o quinto posto mais importante, a segunda secretaria, que cuida de passaportes especiais para os deputados. O partido, segundo maior de oposição, tinha até então um posto mais alto (segunda vice), mas pelo desempenho pior nas eleições, foi “rebaixado” na Mesa. Mas o líder na Câmara, ACM Neto (BA), não reclamou.

- É o resultado das urnas. É matemática. Se outro partido [maior] fizesse escolhas diferentes, iríamos nos posicionar. [Mas] Tudo que respeite o princípio da proporcionalidade e o resultado das urnas nos deixará satisfeitos e bem resolvidos.

Abaixo, Maia cedeu para o PR o cargo a que o PT teria direito na terceira secretaria. Ficará com o posto o deputado Inocêncio Oliveira (PE), hoje na segunda secretaria. Outra conquista foi o PSB, que ameaçava lançar candidatura avulsa. Pré-candidato, Júlio Delgado (MG) acabou desistindo da disputa para ficar na quarta secretaria.

Os cargos restantes, quatro suplentes, que substituem secretários na ausência, serviu para acomodar PDT, PTB, PSC e PC do B, que também desistiu de lançar Aldo Rebelo (SP), como candidato avulso. Os outros ameaçaram formar blocos, mas acabam atraídos por Maia.

Percalços

O caminho de Maia para se consolidar favorito passou por percalços. O primeiro desafio, ainda no final de dezembro, foi vencer o próprio governo, que preferia a candidatura do líder do governo, Cândido Vaccarezza (SP), mais ligado a Lula e Dilma Rousseff. Dividida na Câmara, a bancada acabou optando pelo gaúcho, visto como mais capacitado para brigar (sobretudo cargos no Executivo) pelos colegas junto ao Planalto.

Em seguida, já no início do novo governo, faltava aplacar de vez a ira do principal aliado, o PMDB, rebelado por perder cargos estratégicos no Executivo, sobretudo a Funasa (Saúde).
A solução veio do Planalto, que suspendeu as nomeações e cobrou apoio do principal aliado, mantendo a promessa de por o partido na presidência da Câmara no segundo biênio (2013-2014), com Henrique Eduardo Alves (RN).

Ao selar a adesão quase unânime entre partidos, Maia comemorou, mas depois rejeitou o clima de “já ganhou”.

- Com o apoio dos 21 partidos, terei apoio quase integral da Câmara dos Deputados. É a primeira vez que isso ocorre na história da nossa Casa. [...] Eu não me sinto eleito. Vou trabalhar até o dia 1º como se nenhum voto eu tivesse.

Restou como única pedra no sapato de Maia o deputado Sandro Mabel (PR-GO). Embora seu partido tenha apoiado Maia, Mabel pode conquistar votos principalmente do baixo clero, grupos de parlamentares de partidos nanicos ou menos influentes.

Embora todos estejam formalmente com Maia, promessas de Mabel (como um novo prédio com gabinetes maiores) podem atrair dissidentes e conquistar alguma parcela dos votos.


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