27 de Maio de 2012
Desde o início do ano, a presidente passou apenas 51 dias em viagens
A presidente Dilma Rousseff impôs um estilo incomum à rotina de trabalho no Palácio do Planalto. Chega cedo e sai tarde, além de invariavelmente levar trabalho para a residência oficial do Palácio da Alvorada. Mas esse estilo também se reflete nas viagens que a presidente tem feito pelo Brasil e pelo mundo.
Levantamento feito pelo R7 com base em dados da Presidência da República mostra que, após 84 pousos e decolagens a bordo do AeroDilma, a presidente não gosta de se ausentar de Brasília. Dos 233 dias desde o início do ano, completados nesta segunda-feira (22), Dilma passou apenas 51 deles viajando.
Para se ter uma ideia, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpriu o mesmo período de seu primeiro mandato com 95 dias fora de Brasília. Fernando Henrique Cardoso, por sua vez, se ausentou da capital por 58 dias.
Outro dado corrobora o estilo caseiro da presidente. De todas as viagens, 30 delas foram no estilo “bate-volta”, quando se vai e volta no mesmo dia. Retirando do cálculo alguns destinos internacionais, como China, Portugal e Paraguai, a média de tempo que Dilma passa nos locais que visita é de 4h30.
Para o governo, a preferência de Dilma por Brasília tem uma explicação, ainda que seja momentânea. Segundo o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), a presidente precisava de tempo para arrumar a “casa” antes de embarcar no AeroDilma. As viagens, promete ele, serão mais constantes de agora em diante.
- Depois de dar uma arrumada inicial no governo, ela passou a fazer uma agenda de viajar pelo país, que é uma coisa que precisa ser feita. No primeiro momento que ela precisava dar uma ajeitada na casa. Agora, apresentará os programas que prometeu na campanha.
De fato, até maio, quando foi acometida por uma pneumonia, Dilma esteve em 27 cidades, incluindo quatro apenas na China. Desde então, a agenda se intensificou. Em apenas dois meses e meio, a presidente já visitou 29 locais.
Interiorização
A agenda também passou a acusar a presença de Dilma em cidades fora dos grandes eixos populacionais. Em junho, a presidente foi a Blumenau, em Santa Catarina, entregar unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida. No mesmo mês, foi a Ribeirão Preto lançar o Plano Agrícola, e a Caruaru prestigiar a tradicional festa junina da cidade pernambucana.
No mês seguinte, Porto Velho foi escala para visitar as obras da usina hidrelétrica de Santo Antônio e Francisco Beltrão foi palco do Plano Safra da Agricultura Familiar. Arapiraca, em Alagoas, marcou o lançamento do Plano Brasil sem Miséria na região Nordeste. Em agosto, Dilma também marcou presença nos municípios cearenses de Pacajus e São Gonçalo do Amarante.
A incursão pelo interior, no entanto, não altera o ranking das grandes metrópoles. O município mais visitado foi o Rio de Janeiro, cidade dos aliados peemedebistas Sérgio Cabral, governador do Estado, e Eduardo Paes, prefeito da capital, onde a presidente teve expressiva votação na eleição do ano passado. Ao todo, foram nove passagens por lá.
No ranking de viagens, São Paulo tem seis visitas de Dilma, seguida por Belo Horizonte e Salvador, cada uma com três. Porto Alegre, onde moram a filha Paula e o neto Gabriel, só aparece no roteiro em apenas duas oportunidades – uma logo no começo do governo e outra em julho.
Passaporte
O pequeno número de viagens de Dilma também se reflete na agenda internacional. Assim como o ex-presidente Lula, há uma predileção pela América do Sul. A Argentina foi o primeiro país a ser visitado, ainda em janeiro. Uruguai, Paraguai e Peru também estão no livro de bordo do AeroDilma.
Contudo, enquanto nos oito primeiros meses de governo Lula já havia visitado 14 países, Dilma só atravessou o oceano Atlântico para ir à China – com uma escala em Atenas, na Grécia – e a Portugal.
O cientista político Murillo de Aragão, da Arko Advice, explica que quando Lula assumiu, havia um sentimento internacional de desconfiança sobre o ex-metalúrgico que chegara ao poder. Com Dilma, no entanto, a sensação é outra.
- O cenário internacional está tomado pela crise. Os países desenvolvidos estão preocupados com seus problemas internos e não com as relações externas nesse momento. Nessa primeira fase, com a economia brasileira consolidada, ela vai mirar nos programas mencionados na campanha. Ainda há três anos para montar uma agenda internacional.
O roteiro da presidente promete ser um pouco mais agitado até o final do ano. Estão previstas viagens para Nova York, em setembro, para participar da abertura da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) e em outubro deve ser a vez da África do Sul, para a reunião do IBAS, grupo formado por Índia, Brasil e África do Sul.
Em novembro, Dilma deve desembarcar na cidade francesa de Cannes, para a reunião do G20, e em dezembro no Paraguai, para o encontro dos presidentes do Mercosul. A Bulgária, país onde nasceu o pai da presidente, ainda é um sonho que não tem data para ser concretizado.
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