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publicado em 07/06/2011 às 19h33:

Conheça a trajetória do ex-ministro Palocci

Quando integrava o governo Lula, petista caiu após polêmica com caseiro

Do R7


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A terça-feira, 7 de junho, marca a segunda queda de Antonio Palocci. Ele deixou o comando da Casa Civil, principal ministério do governo, para estancar a crise política provocada por suspeitas sobre o aumento de seu patrimônio pessoal nos últimos anos.

Entenda a polêmica que envolve Palocci

Médico de formação, Palocci é o mais novo de quatro filhos. Nasceu no dia 4 de outubro de 1960. Seu pai, o funcionário público Antonio Palocci, ganhou certo reconhecimento como artista plástico. A veia política, porém, foi herdada da mãe, a costureira Antonia Palocci, ativista católica nos anos 70.

Palocci foi militante da extrema esquerda até o final da década de 1980. Em 1988, aos 28 anos, disputou e levou uma cadeira na Câmara Municipal de sua cidade natal, Ribeirão Preto. Era sua estreia.

Em 1990, conquistou uma vaga de deputado estadual e interrompeu o mandato de vereador. No entanto, ficou apenas dois anos no novo cargo, porque disputou e venceu a eleição para a Prefeitura de Ribeirão Preto. Este foi o único mandato que ele cumpriu até o final.

Em 1998, Palocci foi eleito deputado federal, mas também deixou o mandato no meio para novamente assumir, em 2000, a cadeira de prefeito de Ribeirão Preto, cargo do qual também se licenciou em 2002, dessa vez para coordenar a campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva.

Ele ficaria nacionalmente conhecido em pouco tempo. Ao deixar a coordenação da equipe de transição do governo Fernando Henrique Cardoso para o de Lula, ficou com a cadeira de ministro da Fazenda. A eficiência no cargo trouxe tanta confiança ao mercado financeiro que, em pouco tempo, seu nome se tornou um dos mais cotados para suceder Lula na presidência.

Primeira queda

A boa imagem acompanhou Palocci até 2006, quando ele foi acusado de ir a reuniões em uma mansão de Brasília frequentada por lobistas. A presença do então ministro da Fazenda nestes encontros foi relatada pelo caseiro do imóvel, Francenildo Costa.

O escândalo se intensificou após a divulgação da notícia de que o sigilo bancário de Francenildo havia sido quebrado e que a ordem para a violação partiu justamente do gabinete de Palocci. A ideia era provar que o funcionário havia recebido dinheiro para lançar acusações contra o ministro. Ante a repercussão negativa, Palocci deixou o governo.

Desde então, três suspeitas contra ele vieram à tona, todas referentes a seus tempos de prefeito. A primeira dizia que o petista fraudou licitação para comprar cestas básicas. O caso foi arquivado pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

Outra acusação indicava que o ex-ministro mandava cobrar mesadas de até R$ 50 mil de empresas contratadas pelo município. O dinheiro serviria para abastecer os cofres do PT. Em maio do ano passado, ele foi alvo de seis ações populares por propaganda eleitoral irregular em 2001. Nada foi provado até agora e ele nega as acusações.

Governo Dilma

Por falta de provas, o Supremo absolveu Palocci em 2009 no caso Francenildo. Era o que faltava para que o ex-homem forte de Lula voltasse à cena.

Ele ressurgiu no ano passado para coordenar a campanha de Dilma Rousseff. Passada a eleição, e após conquistar a confiança da presidente, assumiu a chefia da Casa Civil e se tornou o ministro mais importante do governo, responsável pelas articulações políticas do Executivo.

O tempo voltou a fechar para Palocci no dia 15 de maio, quando o jornal Folha de S.Paulo informou, em reportagem, que seu  patrimônio pessoal havia crescido 20 vezes entre 2006 e 2010, período no qual ele exerceu o mandato de deputado federal.


De acordo com o jornal, antes de assumir a Casa Civil, o petista comprou dois imóveis em São Paulo, sendo um deles um apartamento avaliado em mais de R$ 6 milhões. Em 2006, Palocci havia declarado à Justiça Eleitoral um patrimônio estimado em R$ 375 mil (corrigidos pela inflação).

O luxuoso apartamento, mais um escritório, foram comprados em nome da Projeto, empresa de consultoria criada por Palocci em 2006 junto com a mulher, Margareth, e transformada em administradora imobiliária no fim do ano passado.

Além do aumento patrimonial, o jornal noticiou que o ministro faturou R$ 20 milhões apenas em 2010 - quando era coordenador da campanha presidencial de Dilma -, graças ao serviço de consultoria prestado a empresas.

Diante dos fatos divulgados, a oposição passou a suspeitar de tráfico de influência e enriquecimento ilícito e tentou levar Palocci ao Congresso para prestar explicações.

Após divulgar notas por meio de sua assessoria e encaminhar documentos aos órgãos públicos de controle, o ministro falou publicamente pela primeira vez sobre a polêmica no dia 3 deste mês.

Em entrevista, ele negou ter praticado tráfico de influência e disse que jamais representou empresas que tinham interesse em projetos do governo. Palocci não quis, entretanto, divulgar a lista de clientes para os quais trabalhou.

Na última segunda (6), o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, decidiu arquivar quatro representações apresentadas pela oposição que pediam a abertura de uma investigação sobre Palocci. Em seu parecer, Gurgel alegou não ter visto evidências de que o ministro praticou qualquer ato ilícito. A nova "absolvição", contudo, não foi suficiente para mantê-lo no cargo.

 


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