11 de Fevereiro de 2012
Análise do orçamento também mostra gastos em água, passagens aéreas e munição para armas de fogo
A sede do trabalho é Brasília, mas as ações fora do Distrito Federal parecem se multiplicar. Só de diárias a Câmara paga R$ 1,3 milhão, R$ 736 mil para viagens nacionais e R$ 598 mil para assuntos discutidos fora do país. Na lista estão deputados e servidores em missão oficial. A folha de pagamento de assessores comissionados e funcionários concursados ocupa 48% dos R$ 3,2 bilhões do orçamento. Somente os estagiários custam à Casa a bagatela de R$ 2 milhões em salários.
Somado aos rendimentos, dependendo da função, os funcionários recebem adicional de insalubridade, periculosidade e noturno. De acordo com a assessoria, ganham insalubridade pessoas que trabalham na biblioteca fazendo reparos em livros, eletricistas, gráficos e o pessoal da área médica da casa. O adicional periculosidade custa R$ 1,5 milhão por ano à população brasileira.
O deputado Alfredo Kaefer, autor do levantamento, afirma que existem exageros nos gastos da Câmara. Segundo o deputado, apesar de o foco da fiscalização ser sempre os parlamentares, é preciso analisar os gastos com manutenção da Casa, pois os deputados custam apenas 20% do orçamento total.
- É preciso economizar. Tem muito gasto que parece exagerado em uma primeira análise. A Câmara gasta muito em custeio, pessoal, manutenção e transporte. Todo problema está em nosso gasto de custeio.
Além dos altos recursos aplicados na folha de pagamento e despesas do dia a dia, os contratos com prestadoras de serviço também chamam a atenção. Vinte empresas dividem R$ 190 milhões em contratos. Apenas uma agência de viagens, responsável pela emissão de passagem para os parlamentares, recebe R$ 2,4 milhões. Com serviços de copa, limpeza e contração de pessoal para as recepções são gastos R$ 49 milhões.
Fabiano Angélico, o coordenador de projetos da ONG Transparência Brasil, especializada em fiscalização de gastos públicos, afirma que a Câmara tem investido na divulgação dos gastos dos parlamentares, mas o destino dos recursos utilizados para as despesas da Casa ainda é de difícil acesso.
- É uma parte que precisa ser melhorada. Os dados sobre a atividade legislativa individual são bons. Seria importante avançar na transparência de dados mais gerais, dados agregados.
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