11 de Fevereiro de 2012
CPI também quer depoimento de policiais acusados de espionar deputados distritais
A CPI da Corrupção, que investiga as denúncias de corrupção no governo do Distrito Federal, quer ouvir o jornalista Edmilson Edson dos Santos, conhecido como Sombra. Ele é amigo do ex-secretário de Relações Institucionais do DF, Durval Barbosa, delator do esquema de corrupção. Além do jornalista, a comissão quer ouvir os supostos envolvidos nas escutas usadas para espionar deputados distritais. O requerimento foi feito nesta terça-feira (9) pelo deputado Paulo Tadeu (PT).
Bento é acusado de tentar subornar Sombra. Segundo o jornalista, o servidor havia combinado com Sombra que pagaria o dinheiro se ele não prestasse depoimento reforçando as acusações de Durval contra o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido).
Além de pedir a convocação de Sombra, o requerimento de Paulo Tadeu pede que a CPI chame para depor o ex-servidor Antonio Bento, o ex-secretário de Comunicação do DF, Welington Luiz Moraes e o sobrinho de Arruda, Rodrigo Diniz Arantes.
Policiais espiões
Paulo Tadeu também pediu a convocação dos agentes de polícia de Goiás detidos na porta da Câmara com equipamentos de escuta e de um servidor da Casa acusado de ajudar nas escutas. O requerimento também pede que sejam ouvidos os agentes da Polícia Civil do DF, que fizeram a prisão de dois policiais, e o delegado responsável pelo caso.
Segundo o deputado, a Polícia Civil do DF afirmou na segunda-feira (8) que os dois policiais detidos admitiram que atuavam como arapongas e que tinham equipamentos para fazer escutas.
Ontem, sete deputados distritais apresentaram à Policia Civil um ofício solicitando informações sobre as prisões. Os parlamentares pedem uma varredura completa nos gabinetes e dependências da Câmara para tentar localizar possíveis escutas ambientais e telefônicas na casa. Os deputados pedem, ainda, uma cópia do inquérito.
O presidente interino da CPI da Corrupção afirmou que as suspeitas de espionagem também devem ser investigadas.
Sem presidente
A CPI que vai investigar o suposto esquema de corrupção no governo do DF adiou pela quarta vez a escolha do novo presidente. A eleição prevista para hoje foi suspensa porque não houve a indicação do quinto membro da comissão pelo PMDB e porque o deputado Paulo Roriz (DEM), que ocupará a vaga do DEM, ainda não voltou à Câmara Legislativa do DF.
A reunião foi convocada pelo vice-presidente da comissão, Batista das Cooperativas (PRP). O cargo está vago desde o dia 26 de janeiro com a renúncia de Alírio Neto (PPS).
No dia 27 de novembro, a PF deflagrou a operação Caixa de Pandora. Arruda e todos os envolvidos negam participação no esquema e rebatem as acusações. O esquema seria uma espécie de “pedágio” cobrado por Arruda para que empresas consigam contratos com o governo. O dinheiro arrecadado, segundo o inquérito da PF, era dividido entre Arruda, o vice-governador, Paulo Octávio, além de secretários e assessores da administração do DF.
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