27 de Maio de 2012
Coordenador de campanha minimiza nervosismo e diz que mercado conhece Serra

Alguns investidores e especialistas políticos disseram à reportagem que estão mais cautelosos sobre Serra do que sobre sua principal rival, Dilma Rousseff (PT). Serra, 68, político veterano do PSDB, tem preocupado sobre Banco Central, juros e um maior papel do Estado na economia.
A aparente mudança na confiança causa uma reviravolta no senso comum relacionado à corrida presidencial, e pode mexer nos mercados de câmbio e de títulos, se Serra permanecer forte nas pesquisa à medida que a eleição se aproximar, disseram investidores, conforme disse Tony Volpon, chefe de pesquisa de mercados emergentes da Nomura Securities em Nova York.
- O sistema financeiro secretamente prefere a Dilma.
Em muitos quesitos, Serra deveria ser o preferido do investidor. Ele ostenta um doutorado em economia pela Cornell University, uma vasta experiência no Executivo e um partido que realizou privatizações e reformas pró-mercado no governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).
Dilma, por outro lado, funcionária pública de carreira, já foi guerrilheira e nunca foi eleita a um cargo público. Ela, porém, abriu seu caminho para conseguir o apoio de investidores ao se distanciar de algumas propostas mais esquerdistas do PT.
Dilma também prometeu continuar com políticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que agradam os mercados e que ajudaram a impulsionar a economia nos últimos anos. Alexandre Barros, analista político que acompanha Serra desde que os dois eram ativistas estudantis em São Paulo, em 1962, avalia a situação:
- Nenhum dos candidatos é o sonho de Wall Street, mas Serra é o maior risco. Ele traz mais incerteza e possibilidade de mudança.
Xico Graziano, coordenador de campanha de Serra, tentou amenizar as preocupações dos investidores.
- Os investidores conhecem as qualidades do Serra e o modo dele entender a economia, não é segredo para ninguém.
Nervosismo?
Até agora, poucos investidores se preocuparam com as eleições de 3 de outubro, descartando qualquer um dos principais candidatos como populistas que ameacem a estabilidade econômica. Mas esse sentimento de calma está em risco com a proximidade da eleição e a articulação mais clara dos candidatos sobre suas propostas e programas.
Serra disse nesta semana que as taxas de juros precisam ser reduzidas e que o real está "megavalorizado". Para Reginaldo Alexandre, diretor da Abamec (Associação Brasileira dos Analistas do Mercado de Capitais) em São Paulo, o tucano deve alianhar o discurso nesta área.
- Com o Serra, há preocupação com as taxas de juros e câmbio, embora eu pense que ele seria mais rígido na disciplina fiscal do que a Dilma.
Dilma tem conseguido avanços nas pesquisas de intenção de voto, apoiada pelo crescimento da economia e pela alta taxa de aprovação de Lula, embora não tenha chegado a uma liderança clara, conforme analisa Rafael Cortez, analista político da consultoria Tendências.
- O mercado não precificou o risco de Serra porque ele acha que a Dilma vai vencer.
Se a petista não estabelecer uma vantagem sólida sobre Serra em agosto, Volpon disse que "pode haver movimentos violentos [do mercado], especialmente na taxa de câmbio".
Mas Serra tem um histórico de intervenção governamental e é ligado à escola de pensamento que defende planejamento econômico, Estado forte, controles de capital e substituição de importações.
Para Alexandre Barros, as propostas do tucano refletem suas “crenças”, e é natural que isso gere incertezas no mercado, se certa forma.
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