Enquanto José Serra (PSDB) usa o Twitter [serviço de microblog na internet] para “dialogar” com os internautas, Dilma Rousseff (PT) aposta na ferramenta para divulgar propostas e sua agenda diária. A conclusão é do especialista Alessandro Barbosa Lima, da empresa de gestão de relacionamento em redes sociais E-life, responsável por um levantamento sobre o burburinho entre tuiteiros [os usuários do microblog] em torno da pré-campanha eleitoral.
Embora considere prematuro concluir quem tem o melhor desempenho no Twitter, Lima aponta que é o pré-candidato tucano à Presidência quem mais tem sabido como tirar proveito da ferramenta - onde o desafio é se comunicar usando apenas 140 caracteres.
- Simplesmente jogar o conteúdo na rede não funciona tão bem quanto usá-la para dialogar com o internauta. [...] Você observa que o Serra usa esse espaço para conversar com os seus seguidores, enquanto a Dilma utiliza mais como uma plataforma para divulgar dados.
Para o especialista, o tempo de adesão ao microblog pode ter sido o diferencial do desempenho do tucano - talvez um dos primeiros políticos a se tornar fiel adepto do Twitter no Brasil. A lealdade do pré-candidato à ferramenta é tanta que quem segue o ex-governador já deve ter notado que ele usa as madrugadas para tuitar [postar mensagens no site].
Com mais tempo de Twitter que a adversária petista, que aderiu ao serviço recentemente, Serra conta com mais de 217 mil seguidores, contra aproximadamente 45 mil de Dilma.
Apesar da diferença de seguidores, tanto Serra quanto Dilma foram tema de quase a mesma quantidade de comentários postados entre os dias 12 e 23 de abril, segundo levantamento feito pela E-life.
No período, foram postados cerca de 3.200 comentários sobre Dilma, que atingiram aproximadamente 3,8 milhões de usuários do microblog. Já Serra teve cerca de 3.000 comentários a seu respeito, que atingiram em torno de 3,3 milhões de tuiteiros.
Para Lima, embora a internet não seja considerada o ponto crucial para se ganhar uma eleição no Brasil, os candidatos devem ficar cada vez mais atentos à boataria nas redes sociais, que geram um efeito em cascata. Segundo o especialista, porém, os presidenciáveis devem evitar revidar à provocação.
- A internet pode não ganhar sozinha uma eleição, mas ela vai sim influenciar os rumos dessa disputa. Pelo Twitter, em poucos minutos, você consegue atingir milhões de pessoas, e não temos nem como mensurar os efeitos disso offline, já que um fala para o outro.
A tendência, explica Lima, é que as campanhas apostem na profissionalização do uso do microblog, com uma equipe dedicada a analisar a relação entre público e candidato e outra preparada para agir imediatamente diante das crises.